Diga que me quer.

74 Que amor é esse que faz mais chorar do que sorrir?


POV FATINHA

Não dá pra explicar o que senti quando vi o Bruno beijando aquela garota. Meus olhos encheram de lágrimas. Parei antes mesmo de chegar na mesa em que eles estavam e hesitei em falar qualquer palavra. Meus olhos ardiam, meu coração parecia querer sair do lugar. Fechei os olhos e senti as lágrimas caírem pelo meu rosto.

Vitor veio atrás de mim e puxou pelo meu braço e falou algo que eu não consegui ouvir.

- Amigo, me tira daqui. Por favor! – foram as únicas palavras que eu consegui dizer.

Fui caminhando até o hostel e ao chegar lá olhei pra trás e pude perceber que o Bruno e a Ana se falavam o que parecia mais uma discursão. Olhei para o Vitor e fiz ‘não’ com a cabeça, mostrando minha negação ao presenciar aquela cena tão ridícula. Enquanto conversava com o Vitor, o Bruno se aproximava.

- Cara, deixa ela em paz. – o Vitor disse fazendo o Bruno chegar mais perto dele e o empurrar.

- Cala sua boca. Otário. – o Bruno disse furioso.

- Otário é você que não valoriza a garota que te ama. – o Vitor falou e novamente eu chorei.

- Então vocês se conhecem desde Brasília? Então vocês já tiveram um caso e ficam pagando de melhores amigos por aí? Quer saber, vocês dois se merecem. – o Bruno disse com raiva e em voz alta.

Eu não podia acreditar no que eu estava ouvindo. A Ana com certeza havia feito a cabeça dele. Me surpreendi com o Bruno, mais uma vez. Ele sempre foi um cara que quis tudo certo. Ele chegou mais perto de mim e eu o olhei com vontade de falar mil e uma coisas, mas só sabia chorar.

- Era por isso que você não queria assumir nosso namoro, né? Porque estava ficando com ele também. Quer saber, você é muito facinha mesmo.

- Acabou Bruno? – eu disse limpando meu rosto e engolindo seco aquelas palavras tão duras.

- Quer ouvir mais? Se quiser eu falo, mas você sabe que não vai aguentar porque eu pego muito pesado.

- Você tem toda razão. Eu não vou aguentar. Porque você sabe que eu te amo e que odeio quando você me humilha. E sabe o que é mais engraçado? Que um cara que sempre se diz querer fazer o certo, se torne esse mostro quando o assunto é humilhar as pessoas. Eu posso ser facinha, periguete e muitas outras coisas que você quiser me chamar, mas pode ter certeza que eu nunca precisei humilhar ninguém pra me sentir nas alturas, Bruno. Nunca precisei passar por cima de ninguém pra mostrar para os meus amigos que eu sou o “foda”, o “macho” e quer saber, pela primeira vez eu estou feliz pelo meu filho não ter tido a má sorte de ter um pai covarde que nem você. – eu disse olhando nos olhos dele. O Bruno odiava quando alguém o enfrentava, ainda mais quando esse alguém era eu.

- Acho que eu não tenho mais nada pra fazer aqui. Fica aí com o seu melhor amigo e seja feliz com ele. – ele disse virando as costas.

Eu pisquei o olho bem forte na intenção de acordar e perceber que aquilo tudo era um pesadelo, foi em vão, eu já estava acordada, aquilo tudo era real e estava doendo demais. Eu tentei fugir para algum lugar, mas eu parecia estar com os pés grudados ali naquele chão, minhas pernas já não faziam movimento algum. Senti alguém se aproximar e quando abri os olhos, era ela.

- Parabéns, você conseguiu. – eu disse sorrindo torto.

- Eu conheço o Bruno a muito tempo Fatinha, conheço o ponto fraco dele, sei que ele sempre acaba acreditando em mim.

- Ana, eu não entendo porque você faz de tudo pro Bruno ficar com você sendo que ele não te ama, e você sabe disso. Sei também que você não o ama.

- Você não sabe de nada, cala a sua boca. – ela disse já ficando nervosa, ela sabia que era verdade.

- Você ama o Vitor e é porque me viu com ele que fez todo esse inferno. O Vitor é meu amigo de infância. Ele é uma pessoa muito boa, e é uma pena que um dia ele se envolveu com alguém tão pobre de espirito que nem você. Eu não vou ficar discutindo com você porque não vale a pena. Se você quer o Bruno, pode ficar com ele. Vocês combinam. Tchau. – eu disse pegando na mão do Vitor e indo com ele até o apartamento.