Diga que me quer.

55 Ana volta de viagem e Fatinha passa mal novamente.


Eu estava tentando me concentrar no trabalho que eu tinha que preparar para a próxima ação do CRAU quando alguém tocou a campainha. Achei estranho porque a Ju sempre leva a chave. Será que ela esqueceu? Fui até a porta e para a minha surpresa, era a Ana.

- Oi.. Ana. — eu disse surpreso ao vê-la.

- Oi Bruno. Que saudade que eu estava de você, meu amor. — ela disse voando pra cima de mim e agarrando meu ombro.

Fiquei sem graça e sem entender o que ela havia acabado de fazer.

- Tudo bem Ana? — perguntei sem graça.

- Tudo ótimo. Eu precisava matar a saudade. — disse me dando outro beijo. Agora nós já estávamos sentados no sofá.

- Me conte, como foi a viagem? Você chegou hoje?

- Cheguei e não tenho nada de bom pra contar.

- E o seu amigo? Ele melhorou?

- Ele.. morreu. — disse e abaixou a cabeça.

- Nossa Ana, que pena. Eu sinto muito. — eu disse tentando

- Tudo bem. Mas me conta, sentiu saudades de mim? — disse ela me deixando surpreso.

Como assim ela mudou de repente? Ela havia acabado de me dizer que o amigo dela, que ela sempre disse que amava, havia falecido e fica desse jeito? Toda feliz? Juro que fiquei sem entender nada. A Ana já vinha estranha desde muito tempo.

Ela saiu de São Paulo me odiando por causa da Fatinha e agora chega aqui me dando beijos? O que será que aconteceu? Estou muito intrigado com a atitude da Ana.

- Ana, me responde uma coisa?

- Lógico, o que você quer saber?

- O que aconteceu em Brasília pra você estar assim?

- Como assim o que aconteceu?

- Você foi embora me odiando, aí chegar e diz que seu amigo, que você sempre disse que gostava, faleceu, e quando era pra você estar triste você está assim? Feliz como se nada tivesse acontecido?

- Ah.. é que.. eu chorei muito quando estava lá na viagem. Ele sempre me pediu pra ser forte e não chorar. Continuar a minha vida e correr atrás dos meus sonhos e ser feliz. E é por isso que eu to aqui, com você te pedindo mais uma chance. Volta pra mim? Eu te amo. — ela disse me dando outro beijo. Me afastei e me levantei do sofá. — O que tá pegando Bruno? Não vai me dizer que você tá com a Fatinha.

- Não, Ana. Eu não estou com a Fatinha. Ela nem comigo está falando direito. Eu magoei muito a Fatinha e ela tem todo direito de estar chateada comigo.

- E..??

- E aí que eu não vou ficar com você pra não magoar a Fatinha, entendeu? Ela gosta de mim.

- Eu não estou interessada em saber em quem aquela periguete oferecida gosta ou deixa de gostar. Ela não tem nada haver com a gente. Você namorar comigo não tem nada haver com o que ela sente. Se ela gosta de você, o problema é dela.

- Ana, não fala assim da Fatinha.

- Não fala assim porque? Ela não é oferecida, não? Fica dando em cima de todo mundo, beijando vários em um dia. Você nunca pensou no quanto de garotos ela já deve ter levado pra cama?

Na hora que a Ana falou aquilo. Me deu uma dor enorme no peito. Senti uma pontada muito forte. Então me lembrei da primeira vez dela, que foi comigo. Eu fui o único cara dela e eu tenho certeza disso. Por mais que eu tenha a magoado, naquela noite eu fiz de tudo pra que pudesse ser especial. Tanto pra ela quanto pra mim. E foi especial. Foi muito especial. Ela foi carinhosa comigo, como a Ana nunca havia sido. E acho que foi isso que me encantou nela e que não me deixava ficar longe. Naquele momento eu me sentei na mesa e fitei o notebook. Lembrei do dia que a gente se viu pelo skype, quando eu ainda estava em São Paulo. Ela estava tão linda e eu fiquei ali, ignorando a presença da Ana e me lembrando dos momentos que passei com a Fatinha.

- BRUNO, ACORDA. VAMOS CONTINUAR DE ONDE PARAMOS, CHEGA DE DORMIR. — a Ana disse me gritando.

Eu levei um susto quando olhei pro lado e a Ana estava deitada junto comigo, na minha cama. Meu deus, o que aconteceu? Como vinhemos parar aqui? Fitei o relógio e eram 4h da madrugada. Me levantei assustado.

- Ana o que aconteceu? — eu perguntei colocando a minha bermuda. Que nem eu sabia que estava sem.

- Você não lembra de nada? A gente ficou conversando e tomamos um drink.. só que você bebeu demais e.. vinhemos parar aqui no seu quarto.

- Como assim Ana? — eu estava desesperado. Não acredito que fiz isso. — O que aconteceu?

- Bruno, eu já falei. A gente estava conversando. Eu te contei sobre a viagem e pedi pra que você me desse mais uma chance e você aceitou.

COMO ASSIM?

- Aceitei o que Ana?

- A NAMORAR COMIGO DE NOVO BRUNO. O QUE FOI? TÁ ARREPENDIDO DE TER TRANSADO COMIGO? — ela disse gritando e parecia nervosa. Muito nervosa.

- Ana eu não me lembro de NADA que aconteceu.

- Não interessa se você lembrou ou não. Você aceitou voltar comigo e agora eu não vou deixar você terminar comigo de novo.

Eu ia tentar falar alguma coisa, mas ela me puxou de volta pra cama e começou a me beijar. Me afastei e voltei a olhar para o relógio.

Ainda não estava acreditando que dormi e que fiz isso com a Ana.. eu não conseguia me lembrar de absolutamente nada. Lembrei da Juliana. Será que ela já havia chegado da casa da Fatinha? Nem a vi chegar.

- Ana, a Juliana já chegou?

- Não.

- Como assim não? Já são quase 4:30h da manhã.

- Ela ligou e disse que estava no hospital.

- HOSPITAL? COMO ASSIM ANA? — eu fiquei desesperado. O QUE ACONTECEU COM ELA?

- Nada Bruno, fica calmo. Ela disse que a Fatinha passou mal e que foi levada pra lá.

COMO ASSIM A FATINHA? EU ENTREI EM DESESPERO. PRA JULIANA NÃO TER VOLTADO ATÉ AGORA DEVIA SER ALGO GRAVE.

- E porque você não me avisou isso Ana?

- Ah, a gente tava... você sabe. Não quis que nada atrapalhasse a gente.

- ANA, SE ALGUMA COISA ACONTECER COM A FATINHA, EU VOU FICAR COM MUITA RAIVA DE VOCÊ. ERA PRA VOCÊ TER ME DITO QUANDO A JULIANA LIGOU. — eu disse já gritando com ela e vestindo a minha roupa.

- Bruno, vai me dizer que tá com peninha daquela oferecida? Se alguma coisa acontecer com ela, é bom. Só assim ela some da nossa vida e a gente vai poder ser feliz em paz.

Não acreditei quando a Ana falou aquilo. Fiquei boquiaberto. Como ela poderia ser tão egoísta assim?

- NÃO VAI ACONTECER NADA COM A FATINHA, ENTENDEU? NA-DA. E A GENTE NÃO VAI SER FELIZ, NEM HOJE NEM NUNCA MAIS.

- Como assim, Bruno? Tá ficando maluco?

- ANA, SOME DA MINHA CASA AGORA, EU VOU LIGAR PRA JULIANA E SABER O QUE ACONTECEU.

Eu estava com raiva da Ana, medo de que alguma coisa pudesse acontecer com a Fatinha. Por um instante eu tive medo de perde-la. Peguei o celular e liguei pra Juliana rapidamente.