Notas iniciais
Olá! O que estão achando da estória? Queria agradecer a participação de vocês nos comentários ♥ E também adoro as carinhas de vocês nos favoritos e acompanhamentos, saibam que eu conheço o perfil de todas! - sim, sou uma ótima stalker. Obs: se quiser ser stalkeada é só deixar um comentário ou carimbar sua carinha nos favoritos e acompanhamentos, puff, já estou lá no seu perfil KKKK Mas fiquem tranquilas, não pretendo sequestrar ou matar vocês, apenas conhecer. Boa leitura!

Suprimo um grito colocando a mão na boca. Não existe mais ar em meus pulmões e nem sangue em meu corpo. Estou mole e tonta. Amasso a foto e taco-a longe.

Arrasto-me até meu celular novamente e entro no discagem rápida para o polícia. Três toques são necessários para eu ser atendida.

– Qual a sua emergência?

Minha boca está seca. O que eu falo? Que o Lobo Mau ainda está solto por aqui? Que acabou de me ameaçar? Não vão acreditar em mim, é mais capaz que acreditem que seja um trote de mau gosto. Minhas mãos tremem e um estalo em minha cabeça libera uma lembrança: a policial que nos atendeu na faculdade me deu seu telefone.

Desligo e vou para os contatos, encontro seu número. Graças a Deus eu o salvei no celular.

– Sim?

– Desculpa, não me lembro do seu nome, mas a senhora me deu seu celular. – minha voz sai trêmula – Sou a Bianca.

– Ah, sim, Bianca.

– Preciso de sua ajuda. – tento ir direto ao ponto quando um barulho na varanda me assusta novamente – Você precisa vir para a minha casa.

– O que está acontecendo? – ela fica alarmada.

– Tem alguém tentando entrar. – sussurro como se a pessoa do lado de fora pudesse me ouvir – Ele me ligou.

– Quem te ligou?

– Eu não sei quem é! – meus olhos se enchem de lágrimas – Ele está aqui! Você precisa me ajudar!

– Tudo bem. Preciso que você tranque toda a casa e fique em um lugar seguro, de preferência com algo para sua defesa pessoal.

Não consigo levantar.

A madeira da varanda range novamente e os passos tornam a ecoar. Começo a chorar e a tremer.

– Ele voltou! Por favor, você precisa vir pra cá agora! Ele vai me matar!

– Bianca, fique calma!

– Como você quer que eu fique calma?! Ele sabe o meu nome!

A maçaneta da porta da sala gira e a madeira é forçada, como se ele tivesse tentando arrombar. Tenho ânsia e um forte aperto no peito. Não consigo levantar, nem gritar ou falar com a policial, simplesmente, paraliso no momento que preciso de mais ação. O único movimento que meu corpo é capaz de fazer é tremer.

– Ele está tentando entrar! – consigo dizer, quase gorfando as palavras.

– Continue no telefone comigo. – ela pede – Já está escondida?

– Não consigo levantar do chão. – confesso – O que eu faço?

– Primeiro: levante do chão e segundo: apague as luzes, assim ele não irá conseguir ver seus movimentos aí dentro. – ela ordena, pacientemente.

Com as pernas moles, levanta me apoiando na parede e estico o braço para o interruptor. Apago as luzes da cozinha. Continuo me escorando pela parede até achar o interruptor na escada e apago as luzes do andar de baixo.

– Pronto. – sussurro.

– Está sozinha?

– Sim.

– Não fique em um lugar tão a vista caso ele consiga entrar. – a ideia de tê-lo aqui dentro me faz fraquejar novamente e dessa vez não consigo conter as lágrimas.

– Não quero morrer. – declaro e soluço – Ai meu Deus, eu não quero morrer! Você precisa me ajudar. Ele vai me pegar! Não vou conseguir fugir dele!

– Bianca, eu já estou chegando, fique calma!

Continuo tremente, mas engulo o choro. A porta é forçada mais uma vez.

– A porta não vai aguentar.

– Já estou chegando na ponte.

Dependendo da velocidade dela, ela chegará aqui em menos de 20 minutos. Só preciso me manter viva por 20 minutos.

O telefone toca mais uma vez.

– Ele está me ligando. – ofego.

– Atenda.

Meu corpo trava e sou incapaz de andar até o telefone – que se encontra perto da porta.

– Não posso. – hesito.

– Bianca, é o único jeito de você entretê-lo.

– Não consigo me mexer. – ajoelho – Não posso atender.

– Bianca!

Quando consigo tirar forças do meu âmago, o telefone para de tocar. Um alívio faz meu corpo ficar mole e meus dedos formigarem.

– Atendeu?

– Não.

Ela fica em silêncio.

– Já pegou alguma coisa para sua defesa?

Ô Deus, ela quer que eu faça muita coisa, será que não entendeu que eu não consigo me mexer?

Volto para a cozinha e abro as gavetas, especificamente, a terceira, onde minha vó guarda as facas para cortes. Procuro pela maior.

– Pegou uma faca, né?

– Sim. – respondo, hesitante.

– Pegue outra coisa, com a faca você precisa chegar muito perto para golpeá-lo.

Panela? Prato? O que eu posso pegar? A não ser que... A arma do vovô.

Agora, consigo correr. Subo as escadas de dois em dois degraus e corro para o quarto da minha vó. Evito ascender a luz e começo a vasculhar o guarda-roupas, embaixo do colchão, embaixo da cama, na cômoda, criado-mudo, travesseiro. Onde está a merda dessa arma?!

Posso escutar a porta ser forçada mais uma vez.

– Você pode vir mais rápido, por favor?

– Já estou na ponte.

– Ainda?!

Ela limpa a garganta.

– Estou saindo da ponte.

Reviro os olhos.

Não estou encontrando. O pânico começa a bloquear meu corpo novamente e começo a perder as forças que encontrei para procurar a arma. Sento no chão e começo a chorar de novo. Não quero morrer, não posso morrer tão nova, não desse jeito, não assim, não por ele.

Deito e rolo para debaixo da cama.

– Estou escondia. – informo.

– Ótimo, já estou na sua rua.

Graças a Deus.

Controlo minha respiração, de modo a não deixá-la tão ruidosa. Puxo o ar devagar e solto, lembrando de quando eu era pequena e caia, chegava em casa chorando e gritava quando minha mãe aparecia com o remédio, ela sempre dizia para respirar devagar, porque isso ajudava a controlar o medo e a ansiedade – que me faziam sofrer antes da hora.

– Estou na frente da sua casa. – ela anuncia.

Agora, posso respirar de verdade.

– Não tem ninguém aqui.

O que?! Como não tem ninguém aqui?

– E se ele estiver escondido?

– Só se camuflo na grama.

– Mas ele estava aí!

– Estou saindo do carro.

– Cuidado, por favor.

– Estou com uma arma e não pretendo pensar duas vezes antes de atirar.

Rolo para fora da cama e levanto, me aproximo da janela e afasto a cortina. Posso vê-la lá embaixo, é um pontinho brilhante no meio do escuro. Olho para todos os lados ao redor dela, de fato, não há ninguém ali a não ser a policial.

– Pode abrir a porta?

– Claro.

Afasto-me da janela e corro escada abaixo. Posso ver sua silhueta na porta. Respiro fundo mais uma vez e destranco a porta. Ela abre e entra rapidamente, trancando-a de novo.

– Está tudo bem. – ela coloca o celular no bolso – Okay?

O choro me sufoca de novo, mas dessa vez é um choro de alívio. Abraço-a o mais forte que consigo.

– Fiquei com tanto medo. – confesso.

– Isso não é surpresa para uma situação dessa. – ela esfrega minhas costas – Vamos tomar água com sal e sentar um pouco.

Ela me solta. Sinto-me leve novamente, meu estômago revira e bile sobe por minha garganta. Corro para a cozinha e gorfo um líquido transparente e pegajoso. Tusso e torno a gorfar mais.

– Está colocando seu medo para fora. – ela segura meu cabelo e passa a mão em minhas costas.

Abro a torneira e faço bochecho, lavo o rosto e o pescoço. Ainda estou tremendo.

– Vá para sala.

Caminho vagarosamente para o cômodo e sento no sofá, recolho meus pés e suspiro. Ela vem logo em seguida, com um copo cheio de água e no fundo se evidencia o excesso de sal.

– Agora – ela senta ao meu lado e entrega o copo -, conte tudo o que aconteceu.

Dou um gole na água e desato a falar.

Uma hora; o necessário para que minha vó voltasse para casa e para que um reforço policial chegasse. O delegado veio, já que quando se trata de mim, o assunto é delicado.

De acordo com a polícia, aconteceram mais casos parecidos hoje com outras meninas e eles suspeitam de alguma brincadeira de mau gosto dos “moleques” da cidade. Foi descoberto mais fotos de meninas na casa do Jonas e a informação acabou se espalhando e caindo no ouvido de pessoas sem respeito com a investigação pública, no caso, esses jovens. Algumas fotos foram furtadas e as moças que aparecem nelas foram atormentadas por telefonemas e falsas tentativas de arrombamento.

O delegado prometeu rastrear o número que efeituou a ligação para a casa e achar os responsáveis e que eles serão severamente punidos.

Fracamente, o que leva uma pessoa a caçoar de algo assim? Que tipo de educação um ser humano desse recebeu? Se é que recebeu alguma educação. Esse caso comoveu o mundo inteiro e mesmo assim existem pessoas que conseguem fazer esse tipo de brincadeira. Esse mundo está perdido.

Mas há algo em mim que ainda não se satisfez com o que o delegado falou. Para mim, isso não foi uma brincadeira de mau gosto, foi proposital, foi um aviso. Talvez Ele tenha feito para não levantar suspeitas, sabendo que havia um grupo de jovens fazendo essa brincadeira, o atentado dele passaria como mais uma. Mordo o lábio inferior.

Ele ainda está lá fora...

Ir embora é a solução mais lógica, se eu for esperta o suficiente para entender seu aviso. E é isso que eu vou fazer, vou embora. Agora. Levanto do sofá e vou até meu quarto, pego minha mala do alto do guarda-roupa e começo a socar minhas roupas dentro. Vovó entra no quarto.

– O que está fazendo? – ela questiona.

– Indo embora. – termino de socar minha blusa e vou para o banheiro.

– Você não pode ir embora! – ela vem atrás de mim.

– Por que não? – exalto-me – Acha certo esse inferno que estou vivendo aqui? Com esse animal atrás de mim?!

– Não tem ninguém atrás de você! – ela discorda.

– Não acredito que você está dizendo isso! – admiro-me – Não está vendo tudo isso que está acontecendo comigo?

Ela permanece em silêncio.

– Aliás, você nunca vê. – continuo – Porque você nunca está comigo quando esses infernos acontecem.

Franzo o cenho. Nunca havia parado para pensar nisso... Minha vó nunca está quando ele aparece, quando um corpo é encontrado e ela foi a única que vi não demonstrar comoção com as vítimas e com o caso em si.

– Posso até arriscar em dizer que você pode ser o Lobo. – estreito os olhos.

– Eu?! – ela arregala os olhos.

– Sim, porque você nunca está aqui quando ele está, sempre arruma um pretexto para culpar a vítima de sua própria desgraça e não se chocou com nada.

– Por favor, Bianca, por que eu seria uma assassina? Nem tenho força para te obrigar a ficar e o Lobo já foi preso.

– A questão é: por que você não seria? — replico.

Ela coloca a mão no peito e me encara surpresa. Empurro-a para o lado e arrumo minha mala no ombro. Desço as escadas, pego o meu celular e as chaves do carro.

– Não vou ficar mais nem um segundo nesse lugar maldito. – falo enquanto saio e bato a porta.

Destravo o carro e engato a ré. Olho uma última vez para a casa e para minha vó na varanda.

Acho que foi muito grossa em acusá-la de ser um assassino, contudo, foi o único jeito de sair daí sem sua resistência – acabei saindo com sua magoa.

***

Cinco horas e uma parada para descansar e comer foi o necessário para eu chegar em São Paulo novamente. Meus pais não estavam me esperando e ficarem até confusos com minha vinda repentina, pedi para minha mãe não ligar para vovó devido a minha pequena ofensa e contei tudo o que aconteceu para me fazer mudar de ideia.

– Esses moleques tinham que receber humilhação pública, onde já se viu fazer uma brincadeira dessa? – mamãe se admira.

Suspiro.

– Não sei. – esfrego minhas mãos – Mas essa foi a gota d’água pra mim, sabe?

Meu pai aperta meu ombro.

– Você está em casa agora. – ele tenta me confortar – Nada de mau vai te acontecer.

Até que enfim.

– Acho melhor você ir dormir. – mamãe aconselha – Dirigiu muito.

Passo a mão no rosto.

– Boa noite.

Subo as escadas e entro em meu quarto. Eles não mudaram nada daqui, é até engraçado regressar. Deito na cama e fecho os olhos. Aqui tenho uma sensação diferente; mais segura e livre. Posso escutar mamãe discar no telefone – acabou de quebrar a promessa de não ligar para minha vó. Solto o ar pesadamente, sabia que ela ia fazer isso.

Não consigo dormir.

Saio na sacada e observo a rua. Noite sombria.

Hoje, começo uma nova fase. Não há Lobo aqui, nem vítimas, nem suspeitos, nem ligações, medo, angustia, dor ou assassinatos, nem testemunhas. Aqui eu não sou a chapeuzinho perdida, sou apenas Bianca.

Notas finais
Ainda estamos longe do final. obs2: o capítulo não passou por uma revisão, desculpa pelos erros.