Diga Adeus à Inocência
51 19.
Em menos de 15 minutos já estou na frente da delegacia. Reconheço um carro que está estacionado aqui também; é da mãe do Malic. Pego meu celular e saio, caminho vagarosamente até a porta de vidro e entro. O delegado está me esperando apoiado no balcão.
– Estou grato que tenha vindo. – ele diz, ficando ereto.
– Do que se trata o assunto? – guardo o celular no bolso e me aproximo hesitante.
– Me acompanhe. – sutilmente, ele espalma minhas costas e me incentiva a entrar em sua sala.
Madallena está parada perto de sua mesa, analisando algo na parede. Limpo a garganta e olho na mesma direção que a dela. Há um enorme quadro repleto de fotos e recortes de reportanges – semelhante ao de Matthew -, com linhas vermelhas transpassando cada ponto e circulando outros. O que me chama a atenção é uma coluna de fotos: a primeira de todas as fotos é uma foto de Helena e abaixo dela há foto de outras meninas que não conheço, mas que possuem algum traço parecido com Helena. Ao lado dessa coluna há uma foto de Camila e logo abaixo uma de Helen, além do fato de ter um recorte de uma foto minha em cima dessas duas- formando uma segunda coluna.
– O que significa tudo isso? – franzo o cenho e encaro o delegado.
Ele limpa a garganta e senta em sua cadeira de couro, encarando Madallena.
– Sinto muito em te envolver nisso novamente. – começa – Mas foi necessário.
Continuo encarando-o, sem pronunciar nada ou expressar.
– Acontece que mais uma moça foi morta. – ele se ajeita na cadeira – Era modelo que estava trabalhando para o Rafael, conhece?
– Conheço o Rafael, mas não a modelo. – digo, baixo.
– A moça morta foi justo a que estava te substituindo e creio que mais uma vez fez alusão a você. – ele passa a mão pelo queixo – Sabe essa lingerie que você usou nas fotos? Então ela morreu vestindo uma peça assim e com o chapéu de lobo que usava para as fotos costurado na cabeça. Dessa vez não havia mensagem.
Minhas pernas ficam moles e tenho a sensação de estar caindo.
– Mas esse não é o ponto principal. – Madallena intervém – Observe as fotos. – ela se aproxima do quadro – Olhe para essas jovens abaixo de Helena, consegue reparar em alguma coisa?
– Todas têm algo em comum com ela. – falo de minha dedução passada ao entrar na sala.
– Exatamente. – ela me encara e com um estalo entendo a situação: Helena foi a paciente zero.
Coloco a mão na boca. Não é possível isso. Helena foi morta por mais de uma pessoa. Por que ele demoraria tanto tempo para voltar a atacar? Isso só pode ser algum tipo de brincadeira. Talvez o Lobo Mau conhecesse a história do crime e quis fazer algum tipo de alusão a isso, brincando com os fatos. Não pode ser verdade. Por quê? Não há sentido. Camila e Helen não se parecem com a Helena e foram atacadas, o que quebra esse raciocínio. É apenas coincidência. Só isso.
– Mas e a Camila? Helen? Não se encaixam nisso. – ressalto com a boca seca – Pode ter sido coincidência.
– Não se você observar direito. – o delegado levanta – As primeiras 35 vítimas tinham algo em comum com Helen, não necessariamente aparência; às vezes estavam no mesmo lugar que Helena costumava frequentar, tinham os mesmos gostos, conheciam uma pessoa em comum. A semelhança é variada e quase imperceptível se não for minuciosamente observada.
Ainda não consigo encaixar a Camila e a Helen.
– E a Camila? – insisto.
– Camila teve o mesmo namorado que a Helena. – ele rebate – Helen possui quase o mesmo nome, carecendo de uma vogal.
Levo um soco no estômago.
– O mais preocupante disso tudo é você. – Madallena comenta.
Tenho ânsia e tudo começa a bombardear minha cabeça, me entorpecendo. Tudo o que ele fez foi pela Helena, o quão doentio esse cara pode ser? Matar meninas por se parecem, estarem, gostarem ou conhecerem algo relacionado a Helena.
– Você é como a criação divina para ele, entende? – o delegado me encara – Você é a obra principal. Tudo em você está diretamente ligado a ela e é por isso que ele faz isso, está jogando com você. Obcecado.
Procuro por uma cadeira e sento.
– Mas a Helena foi morta por mais de uma pessoa. – digo tentando raciocinar – Não é possível ele ser o assassino dela, já pensaram em ele ser algum tipo de maníaco? Está seguindo o primeiro crime da cidade, sei lá, tentando construir uma lenda.
– Acreditamos que exista mais de um Lobo Mau, por isso nunca conseguimos encontrá-lo. – o delegado encara o mural mais uma vez – Estávamos presos na ideia de haver apenas um.
Fico mole e soou frio. Que merda é essa?! Mais de um Lobo Mau? Tipo uma matilha?
– Não estou me sentindo bem. – coloco a mão na testa e respiro fundo – Quando descobriram isso?
– Faz alguns meses que tínhamos essa teoria, mas nada que a concretizasse até que adotamos a ideia de haver mais de um assassino. Isso começou a explicar as mudanças de comportamento dele, no jeito de matar as vítimas e aos poucos as peças foram de encaixando. – ele explica, devagar e acompanhando minhas reações.
– Já sabem quem pode ser? – questiono, inquieta.
– Ainda não. – ele suspira – A procura aumentou.
Então do que adianta tudo isso? Do que adianta descobrir tudo sobre ele sem ter seu nome? Sem saber quem ele é? É como acreditar no bicho-papão e nunca o ter visto. Inútil e assustador. Uma sensação gelada envolve o meu corpo e tenho a incontrolável vontade de ir para casa e me enrolar no coberto, ficar perto de minha vó e nunca mais sair.
– O que pretende fazer agora? – encaro-os – Estão caçando um animal invisível.
– Primeiro: quero que saia da cidade e até mude de país, iremos te implantar no programa de proteção a testemunha. – ele volta para a sua mesa – Ao que parece, você será a última vítima dele. Precisamos te proteger disso.
Mordisco a unha de meu dedão e tenho vontade de chorar.
Ele está aqui de verdade. Sempre esteve. Nunca foi pego ou foi embora. O mais assustador é que não é apenas ele e sim, eles. Tenho ânsia mais uma vez. Estou morta. Já consigo sentir isso.
O desespero fecha minha garganta e tenho vontade de gritar. Meu grito é interno e oculto, silencioso e mortal, vaga por todo o meu sistema nervoso e me fazendo sentir o gosto de morte na boca. Sim, estou morta. É isso que eles querem falar e omitem, não há como fugir.
Passo a mão no rosto e começo a chorar. Escorrego para o chão e continuo ajoelha, abraçando o meu corpo e soluçando. Isso é uma maldição, não foi apenas o primeiro assassinato de Villa Lobos, foi o início de uma maldição que foi me atraindo de todas as formas e, agora, irá me consumir.
Não consigo dizer nada, estou parada no tempo, escutando suas vozes e nada assimilando. Um apito soa em meus ouvidos e abafa tudo ao meu redor. Isso só pode ser uma brincadeira, não posso suportar isso. Como aguentar? Ignorar? Não há jeito ou solução. Estou à deriva.
– Eduardo, por favor, é melhor parar por hoje. – Madallena se aproxima – Ela está assustada.
Volto a escutar a conversa deles.
– Irei levá-la para casa. – ele levanta – Amanhã vamos enviar uma escolta para a sua casa.
Seguro na mão de Madallena e levanto. Escolta. Amanhã. Ir embora.
– Vamos. – ele toca em minhas costas e me guia para fora da sala.
Qual é a necessidade disso? Por que precisam me contar isso? Não podiam falar com minha mãe? Vó? Pai? Porra, há tanta gente boa mentalmente para escutar isso e manter a calma. Por que eu? O que fiz para ser escolhida dessa maldição? O que tenho que fazer para me livrar dela?
Quando noto, já estamos fora da delegacia e quase entrando no carro.
Permaneço o caminho todo em silêncio, apenas olhando a paisagem fora do carro e o delegado não parece querer puxar assunto também. Paramos em frente à casa.
– Amanhã enviamos a escolta. – ele repete.
– Tudo bem. – respiro fundo e saio.
A casa está toda apagada. Será que minha vó saiu de novo com o Israel? Logo hoje, merda. A porta está destrancada – o que é ótimo -, entro e ascendo as luzes. Olho em volta e comprovo minha teoria, ela saiu.
Mesmo pela ela concessão que isso represente, não estou com vontade de falar com ninguém. Jogo meu celular no sofá e vou para cozinha buscar um copo da água. Encontro um bilhete de minha vó na mesa:
Jantar no forno.
Eu te amo.
O papel está sujo e amassado. Franzo o cenho. Que bilhete mais amoroso. Por que falar que me ama? Ela quase nunca diz isso, imagina escrever. Será que aconteceu alguma coisa? Olho em volta. Não... Ela teria me ligado ou minha mãe, devo estar criando essas teorias paranoicas pelo medo. Se bem que nem surtei na delegacia quando soube de tudo, achei que teria um ataque de pânico, mas nem esbocei nada. Tá aí, não consegui expressar nada. Talvez tenha passado tanto tempo pensando sobre isso que quando se concretizou, não consegui acreditar – ainda não estou acreditando. Tudo não está passando de um fruto imaginário.
Vou até o forno e pego o prato de comida; bife, arroz, feijão. Esquento no micro-ondas enquanto pego um copo de suco. Sento à mesa e reviro a comida. Não sei se estou com fome. Tenho medo de comer e vomitar depois, ainda estou digerindo o que me falaram.
Enfim consigo terminar de jantar. Acho que já fazia um tempo que vovó tinha feito o jantar, pois a carne estava com um gosto diferente, uma textura diferente. Coloco tudo na pia e vou para a sala, tento ligar para a minha mãe e o telefone cai na caixa postal. Ô merda, quando preciso falar com alguém, ninguém atende.
Continuo deitada e noto algo diferente na “paisagem”. A porta ao lado da escada está aberta. Se não me engano, essa porta vai para a lavanderia ridícula que fizeram na casa e que minha mãe tinha planos de mudar. Será que minha vó deixou alguma coisa na máquina? Franzo o cenho. Não estou escutando nada.
Levanto e me aproximo da porta. Está tudo silencioso lá embaixo se não contar com o barulho de goteira. Acho que minha vó não concertou os vazamentos. Com um barulho alto, que quase me faz ter um infarto, a máquina de lavar inicia o ciclo. Grito e dou um pulo para trás. Rio de meu estado. Ascendo a luz e observo a máquina pelo vão vazado da escada. Parece não haver roupas. Estreito os olhos. Como minha vó ia ligar a máquina e não colocar roupas?
Desço apressada para desligar a máquina e tropeço no degrau, batendo na parede e ascendo a luz acidentalmente. Caminho até a máquina e abaixo. Não é apenas água, é uma mistura vermelha forte com água e sabão. Franzo o cenho e sem pensar duas vezes abro a tampa da máquina. A mistura estranha cai por cima de mim e alagada o lugar. O cheiro peculiar não nega; sangue.
Levanto em um salto e perco o ar. Sangue?! Passo a mão no cabelo – o molhando –, e olho para toda essa água suja alagando o lugar e escorrendo para o ralo, que parece estar entupido. Devo estar tendo alucinação. Será que dormi e isso é um sonho estranho? Acho que tomei meus calmantes e isso não passa de mais uma alucinação minha. Bato em minha cabeça e fecho os olhos. Quantas vezes já não cai nessas peças que minha cabeça cria para mim? Já cansei de fazer papel de louca e ver coisas que não existem. Sou uma pessoa normal, não estou ficando louca. Isso é tudo da minha cabeça.
É apenas água. Água. Eu sei muito bem qual a cor da água e você, cérebro inútil, não irá me assustar desse jeito. Consigo pensar agora e não vou me entregar para essa tentativa inútil de me assustar.
Caminho para trás e tropeço em alguma coisa gelada e dura, caio sentada. Então percebo que o cheiro de sangue não vem da água e sim, da “coisa” que me fez cair.
– Ai. – ofego e esfrego minha nádega direita.
Afasto os pés para visualizar o motivo de minha queda e travo. Todos os músculos do meu corpo viram pedras e meu sangue gela assim como meu coração para. Um apito grita em minha cabeça enquanto um grito sonoro tenta sair por minha boca, impedindo pela minha garganta seca.
Minha vó está no chão; branca e gelada. Está nua e repleta de hematomas e cortes, seu corpo está sujo de sangue seco – é então que reparo que estou sentada em cima de uma poça de sangue seco. Seu cabelo perfeitamente grisalho está molhado e sujo se sangue no couro cabeludo. Ela não respira. Viro seu corpo de barriga para cima e visualizo seu rosto. Está com os olhos castanhos abertos e o nariz parece quebrado. Os lábios estão entreabertos e seus dentes – que um dia eram brancos- estão vermelhos e alguns quebrados.
Acaricio seu rosto e sinto meu rosto enrugar, os olhos enchendo de lágrimas e as mãos tremendo. Não pode ser verdade. Essa não é minha vó. Por favor. Não. Passo os olhos pelo resto do seu corpo e encontro um profundo machucado em sua coxa direita. A forma dele... Esse formato peculiar... O bife. Lembro-me quando estava mastigando a carne e de seu gosto peculiar, aos poucos a lembrança é tomada pelo ferimento de minha vó. Curvo o corpo para o lado e não consigo segurar o gorfo ácido que sobe por meu esôfago. Eu comi um pedaço da minha vó! Eu... Aquela carne... Como pude achar que era bife?!... Era a coxa... Carne da... Vomito mais uma vez.
No meio das ânsias vem o choro compulsório, engasgo e quase sufoco. Volto a ajoelhar ao lado do corpo e envolvo seus ombros com meus braços, puxando-a para meu colo.
– Vó. – chamo-a com a voz embargada – Vó, por favor, responda.
Acaricio sua bochecha com o polegar. Minhas mãos tremem ao tocar em sua pele fria e meu coração está sendo esmagado por grande e forte mão, virando uma massa ensanguentada em meu peito. O sangue de seu corpo passa para a minha roupa. É então quando encosto o seu peito no meu que posso sentir a calmaria de seu corpo, o silêncio da morte.
O grito escapa antes mesmo que eu possa pensar em gritar. É agudo e faz minha garganta arder. Serve para me mostrar que é real, para me fazer sentir dor, para acordar, para me esvaziar. Simplesmente, me matar.
Curvo o corpo sobre o seu e afundo os dedos em sua carne.
– Vó! – soluço – Por favor, a senhora precisa me responder. Vó!
É como gritar para as paredes. Ela não está mais aqui.
– Me perdoa. – sussurro entre as lágrimas – Isso é tudo culpa minha. Fui egoísta demais pedindo para não morrer e olha o que aconteceu com você. Ai meu Deus, vó, me perdoa. Essa maldição era minha!
Como vou fazer agora? Como vou viver com isso?
Nunca mais vou ter a chance de falar com ela de novo. Não há mais chances de elogiar sua comida ou concelhos. Não posso mais ver seu sorriso ou escutar sua voz. Onde irei encontrar outro humor como o seu? Outro toque como o seu? Onde irei encontrar outra de você, vó? Existe sobrevivência depois disso? Irei conseguir levantar desse chão agora? Dói minha alma saber que nunca mais irei encontrar outro par de olhos castanhos como os seus. Sei que existem milhões de olhos castanhos pelos mundos, mas nenhum será o seu. Ninguém será você.
Aperto ainda mais seu corpo contra o meu e estico as pernas, repousando-a em meus braços. Devia estar aqui para ajudá-la, socorre-la e a defender. Por que não estava?
Grito novamente.
Você não passa de uma lembrança agora; doce e terrível.
Como puderam fazer isso com você? Uma indefesa senhora. O que você tinha haver com a minha história? Com nossa maldição?
Por favor, me perdoe.
Sinto-me como se estivesse em um canto, observando tudo passar por mim. Deixei você passar, vovó.
– Você perdeu seu aniversário. – murmuro – Seria uma festa tão animada, você ficaria bêbada por conta da cerveja e começaria a rir de tudo, relembrando o passado. Não irei gostar de ver sua idade em cima do bolo e iria recusar assoprar as velas, “é 25 e não, 75. Palhaços”, você diria e nós iríamos rir e claro, trocaríamos sua idade. Que brincadeira de mau gosto, não? Uma moça tão jovem ser chamada de idosa. Você nunca foi velha, vovó. Só estava em corpo de uma. “Condição física não define alma”, você sempre me disse isso e posso entender agora. Sinto muito por não poder viver isso de novo, é tudo culpa minha.
Não sei porque estou me apegando tanto a esse corpo. Ela não é mais esse pedaço de corpo, isso é o eu passado dela. Agora, deve estar em um lugar muito melhor e quem sabe na companhia do vovô. Você sempre quis reencontrá-lo no fim, espero que isso tenha se realizado.
O barulho de algo quebrando no andar de cima me assusta. Olho para o teto e franzo o cenho. Deito o corpo no chão novamente e levanto. Escoro-me na parede até a escada e mal tenho forças para levantar um pé e subir os degraus. Será que ele continua aqui? Ainda tem a dignidade de estar aqui?!
Paro no hall da entrada e observo o lugar. Não parece haver ninguém aqui e se houver não tenho mais medo.
Caminho até a cozinha e encontro meu celular aos pedaços na mesa. Arregalo os olhos e paraliso.
Sim, tem alguém aqui.
Escuto passos pesados a poucos metros de mim. Meu coração bate forte contra minha caixa torácica e minha respiração fica ruidosa.
Sim, chegou a hora.
Olho para trás, no ponto futuro pelo qual a pessoa irá passar e aguardo. Meu coração bate no mesmo ritmo dos passos, desacelerando um pouco. Pelo o que sei, parece ser apenas uma pessoa. Cerro os punhos e respiro fundo.
Sim, estou pronta.
Lembro-me do cadáver abaixo de mim e do bilhete. Ela sabia. Desde o começo e por isso me mandou o “eu te amo”, mas não tive tempo de falar que a amava também. Tudo desmoronou. Será que ela sentiu muito medo? Tanto quanto estou sentindo agora e quero esconder? O corte em seu pescoço foi profundo o suficiente para matá-la rapidamente e não fazê-la sofrer? Será que ela sabe quem a matou?
Sim, tenho medo do meu futuro.
As lágrimas escorrem e eu busco os motivos para vir parar nessa cidade maldita; faculdade, futuro, carreira, vida adulta, satisfação dos pais, federal, economia, cidade pacata. Tudo o que busquei aqui nunca fui capaz de encontrar e nunca mais terei a chance de encontrar em outro lugar.
Sim, me conformo com minha morte.
Então ele aparece. Não me surpreende ser maior que eu. Usa uma máscara de lobo que cobre seu rosto todo e uma camisa preta de mangas longas. As luvas de couro deixam suas mãos maiores e dão leve impressão de sua força ser um pouco acima da média. Está usando calça jeans preta e um par de botas masculinas que não me recordo o nome. Os olhos de vidro da máscara pesam em seu olho vidrado e fixo, como o do beco. São olhos mortos e ardentes, queimando meu corpo e me deixando sem ar, posso entender o porquê que a mulher do beco citou seus olhos; são falsos, mas passam uma crueldade real. Sei que atrás deles existe um par de olhos de verdade, tão cruel e assustador quando o de mentira. Sua cabeça inclina para o lado e posso imaginar um sorriso perverso em seus lábios.
Sim, ele está aqui.

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