Difícil Decisão

1 um voo de psyduck


Após conseguir sua oitava insígnia em Hoenn, Ash Katchum e seu amigo Pikachu estão com toda a energia. May, absorta em pensamentos, perde toda a concentração vendo o amigo fazer papel de bobo (novidade).

‘Hey, Ash!’

Ao ouvir a amiga chamando, Ash para sua dancinha num pulo.

‘Oi, May. Algum problema?’ Ash olha pensativo para Brock e Max, que falavam mil palavras por segundo.

‘Eu estava pensando... o Grande Festival e a Liga Hoenn são daqui a um mês.’

‘Sim, eu sei.’ Ash respondeu ainda sem entender onde ela pretendia chegar.

‘Eu já tenho minhas cinco fitas e você já tem suas oito insígnias. Poderíamos voltar a Petalburg e nos preparar lá. Meus pais hospedam a gente.’ May disse com brilho nos olhos.

Ash concordou. Sabia que os amigos sentiam falta de casa. Ele também sentia, é claro, mas depois de cinco anos envolvido em jornadas pokemon ficava mais fácil lidar com isso. Brock e Max voltaram de sua conversa – provavelmente sobre Joys e Jennys – e se juntaram aos dois.

‘Que caras são essas, pessoal?’ Brock perguntou ao ver a cara empolgada de Ash que ele estava careca de conhecer

‘Vou treinar para a Liga Hoenn em Petalburg! Cama e comida de graça!’ Ash gritou com os olhos brilhando.

‘É uma boa ideia. Já falou com os seus pais, May?’ Brock perguntou virando-se para a amiga.

‘Ainda não, vamos ao Centro Pokemon fazer uma ligação’

‘É isso aí!’ disseram em coro.

A caminho do Centro Pokemon, nossos heróis toparam com um terrível pokemon. May dá um pulo e se esconde atrás de Max.

‘O que é isso?’ May pergunta quase gritando.

‘É só um psyduck, May.’ Ash responde sem entender o motivo do susto.

‘Me desculpem pelo susto, mas eu nunca vi esse pokemon antes. Ele é perigoso?’

‘Tá brincando?’ Ash faz cara de bobo (como sempre)

‘Ash, o psyduck é nativo da região de Kanto. É muito lógico que May nunca tenha visto um.’ Brock explica sem muita paciência com o amigo.

‘Ah sim. Eu só... não lembrei imediatamente. Mas olhem, ele está ferido. Vamos levá-lo aoCentro Pokemon.

Brock se abaixou e viu um corte no rosto do pato amarelo, que começou a fazer o maior escarcéu. Então Brock se lembrou.

‘Não vai dar não, corram!’

Enquanto seus amigos corriam com o pai na forca até o Centro Pokemon, Ash não saiu do lugar. ‘Ora, eu não tenho medo de um psyduck com dor de cabeça’ pensou.

‘Ele está ferido e precisa de ajuda. Não vamos deixá-lo aqui, certo Pikachu?’

‘Pika pi’

‘Hey, psyduck! Psyduck bonitinho! Vem aqui para eu te levar ao Centro Pokemon.’

‘?? Psy?’

‘Como eu vou levá-lo se essa coisa nem entende o que eu digo?’ Ash falou impaciente.

‘Pikachu! (Deixa comigo)’

‘O que vai fazer, Pikachu?’

Pikachu se aproxima para falar com o pokemon, mas, com uma enorme dor de cabeça, psyduck usa seu ataque Derrubar fazendo Ash e Pikachu decolarem.

‘Agora eu sei como a Equipe Rocket se sente, Pikachu.’

Mas o tempo da decolagem fez com que Ash se lembrasse de Kanto e de sua primeira jornada pokemon. Sentia falta de seu Butterfree, Bulbasaur, Squirtle, Charizard, Pidgeot, Primaepe e outros de seus pokemons mais antigos. Mas sabia que todos eram amigos e que nem sempre amigos ficam juntos.

Ash foi acordado de seus saudosos pensamentos por Pikachu, que gritava feito louco.

‘Oque foi, Pikachu?’

‘Pika pikachu! (Nós caímos, se você não percebeu)’

Quando deu por si, Ash estava todo molhado. Havia caído no mar.

‘Pikachu! (Vamos dar o fora daqui rapidinho)’

Ash percebeu o motivo da pressa do amigo quando viu que estava cercado por um bando de tentacruel com cara de pouquíssimos amigos. Sua nostalgia fez com que ele se lembrasse de certa ruiva que, quando irritada, ficava idêntica a um tentacruel, ainda que encarasse isso como elogio. Lembrando do dia em que se despediram, seus olhos se encheram d’água. Ash odiava pensar nesse dia. Pegou em sua mochila o lenço cor-de-rosa que a amiga dera a ele. Apertou-o contra o peito encarando o céu azul.

‘Misty.’ Sussurou.