A imagem não possuía uma boa resolução, além de ter sido feita de dentro de um carro, os vidros escuros estavam fechados para que o casal não percebesse que estavam sendo observados. No canto esquerdo do vídeo, existia um relógio que indicava que o início das filmagens foi às 19h40. No início não se via nada de suspeito, nem mesmo o casal em questão. Uma mulher grávida passou conversando com uma senhora na calçada do restaurante. Logo depois, dois homens de terno e gravata saíram do restaurante conversando com três mulheres vestidas de roupa social. Um casal de jovens namorados passou de mãos dadas ao lado do carro e travessaram a rua, saindo da visão da câmera. Um homem de calça jeans, camisa branca e com uma jaqueta de couro pendurada no braço, passou lendo um jornal e seguiu em frente pela calçada do restaurante e também saiu da visão da Câmera. Nesse ponto, já havia se passado cinco minutos de filmagem e não existia nada comprometedor.

- Que filmagem é essa que não mostra nem mesmo os personagens principais? Cadê o marido infiel e a amante? – questionou Munch apontando para o vídeo.

- Vou passar a gravação e se virmos algo, paramos – disse Olivia se aproximando do aparelho e apertando o botão para passar as imagens.

As imagens começaram a passar de forma mais rápida, mas na medida certa, de forma que acelerava o processo, mas ainda assim permitia uma boa análise. Os detetives não deixavam passar nenhum detalhe. Eles não piscavam e talvez seja possível afirmar que nem mesmo respiravam. O silêncio era total. Porém, em um determinado momento, isso mudou. A vítima surgiu na imagem.

- Pare a imagem! É ela! – gritou Elliot.

Todos estavam atônitos. Olivia apertou o botão e deixou a imagem seguir no ritmo normal. Os quatro chegaram mais perto ainda da TV, se é que isso era possível. A imagem que ele viram foi a seguinte: uma mulher de pela morena, cabelos negros e lisos na altura dos ombros, vestido branco um pouco acima dos joelhos, estampado com pequenas flores vermelhas, um sobretudo bege, uma pequena bolsa caramelo e um sapato vermelho. Essa era Mary Parker pouco antes de morrer. Ela seguia pela calçada do restaurante, indo em frente, na direção de sua casa. Ao se aproximar da entrada do restaurante, parou e deu passagem para um casal. Certamente era o casal que o detetive estava seguindo, pois nesse instante ele deu um zoom na imagem para pegar mais detalhes, mas ainda assim a jovem universitária continuava enquadrada na imagem. Ao dar passagem aos dois, Mary deixou o fichário cair, dentro existiam algumas folhas soltas que se espalharam pelo chão. No mesmo instante, o celular da amante tocou, então o casal não entrou no restaurante. Ficaram parados na porta enquanto a mulher atendia a ligação.

O destino estava conspirando a favor. Esse pequeno fato fez com que o casal permanecesse do lado de fora e assim, todos os movimentos de Mary estavam sendo captados. Ela se abaixou e começou a juntar os papeis. Quando se certificou de que todos tinham sido pegos, os colocou novamente dentro do fichário. Levantou-se e continuou caminhando em frente, mas parou de repente.

- O que aconteceu? – perguntou Fin.

- Parece... é como se alguém a tivesse chamado – disse Olivia de forma devagar.

- Exatamente... – concluiu Elliot, sem tirar os olhos da TV.

Depois de parar de andar, Mary olhou para o outro lado da calçada. Olhava para algum ponto que estava à frente do carro onde o detetive estava, mas que não era enquadrado na imagem. No primeiro momento, ela parecia surpresa, mas depois sorriu e acenou para a pessoa que a chamou.

- Ela conhecia essa pessoa – disse Olivia quase num sussurro.

- Vocês já viram o horário que o relógio da filmagem está marcando? – perguntou Munch enquanto olhava para os outros três.

- Sim, 20h05. Menos de uma hora antes dela morrer – respondeu Fin olhando para os outros.

- Levando isso em consideração, quais as chances dessa pessoa ser o assassino? – perguntou Elliot dando um pequeno sorriso, pois já sabia a resposta.

- Diria que mais de cinqüenta por cento de chance – respondeu Olivia também dando um sorriso para os outros.

- Mas o problema é que a pessoa não está enquadrada na imagem – disse Munch apontando para a tela.

- Vamos torcer para ela aparecer – respondeu Fin.

Todos voltaram a olhar a TV. Mary fazia sinais para a pessoa com a qual falava. Apontava para o relógio de pulso, como se dissesse que estava tarde. Depois fez um outro sinal com as mãos, dando a entender que conversariam mais tarde. Parece que a pessoa insistia em falar com Mary, então ela se rendeu. Mudou seu rumo e virou-se para atravessar a rua e encontrar o conhecido. Ficou parada na calçada, esperando os carros passarem. Olhava para os dois lados esperando o momento para atravessar. Finalmente o fluxo de veículos diminuiu e a jovem pôde seguir. Ela andava na mesma direção em que olhava quando a pessoa a chamou. Devido a posição da câmera, conforme Mary se aproximava do outro lado da rua, seu rosto ia saindo do enquadramento da imagem, pois a câmera estava muito baixa, pegando apenas a imagem da altura dos seus seios para baixo. Antes de chegar ao outro lado, uma surpresa: o conhecido veio ao seu encontro.

Apesar de não ser mais possível ver o rosto da jovem, sabia-se que era ela devido as roupas . Mas a outra pessoa, não era possível saber quem era, somente que era um homem, ao julgar o corpo e as roupas que usava. Pelo movimento dos corpos, os dois se cumprimentaram, ele botou a mão no braço dela por um momento, e foi possível notar que usava luvas devido ao frio. Faziam gestos, demonstrando que estavam conversando e depois de um pequeno tempo, o homem apontou para o lado de onde veio quando a filmagem começou e os dois caminharam na direção indicada pelo homem, saindo do enquadramento da câmera.

Os detetives olharam uns para os outros sem acreditar. Tiveram sorte e azar ao mesmo tempo. Como isso era possível? Quando tudo parecia perdido, uma filmagem revelou parte de fatos que estavam ocultos, mas a informação estava incompleta, pois o rosto do homem não aparecia na cena em que ele se encontrava com a vítima.

- Não acredito! – gritou Elliot.

- O filho da mãe é sortudo! O rosto não aparece na imagem! – gritou Fin colocando as mãos na cabeça.

Olivia não disse nada, parecia estar pensativa.

- Talvez eles apareçam novamente no decorrer das imagens – disse Munch enquanto caminhava até o aparelho para acelerar a filmagem. Porém sem sucesso, pois a filmagem chegou ao fim com o relógio marcando 20h40 e os dois não voltaram a aparecer.

- Droga! – gritou Stabler mais uma vez quando a filmagem chegou ao fim.

Todos se encaminharam desanimados para a porta. Estavam voltando para a sala de investigação quando Olivia parou, olhou para os seus parceiros e disse:

- É isso! Eu sei quem é aquele homem!

Os três detetives se olharam assustados, tentando entender como sua parceira poderia conhecer alguém sem rosto...

Notas finais
Como Olivia pode conhecer alguém cujo rosto nem aparece?
Curioso...
Aguardo comentários para revelar o mistério!
bjs!