Difícil De Prender
36 Capítulo 36
Notas iniciais
Coração apertado! rsrsr
Uma ótima leitura!
– Bom, tenho que ir embora – anunciou Elliot ao olhar o relógio de pulso e verificar que já passava das 20h – Agora que tudo isso acabou, preciso dar mais atenção a minha família – sorriu.
– Aposto quer as crianças estão sentindo falta disso – comentou Olivia.
– Nem me fale... Tem dias que não consigo falar com eles – lamentou – Quando chegava em casa, já estavam dormindo. E claro, também tenho que dar atenção a Kate.
– E ela não tem mandado você dormir na sala? – brincou Munch.
Todos riram e Stabler levantou-se e pegou o seu blazer.
– Ainda não cheguei nessa fase – riu – por isso mesmo tenho que recompensar pelo tempo perdido para não chegar a esse ponto.
Olivia admirava o relacionamento de Stabler com a família, pois apesar da falta de tempo e da correria do dia a dia, ele sempre procurava compensar de alguma forma. É claro que isso era motivo de algumas brigas entre ele e Katie, ela exigia mais atenção, mais presença... muitas vezes ele acabava desabafando com Olivia sobre essa situação. Ela o ouvia, sabia que ele precisava falar, mas também dava alguns conselhos. Uma vez sugeriu que ele conversasse mais com Katie, falasse sobre o trabalho, sobre a rotina na delegacia. Não era necessário entrar em detalhes, mas ela tinha que perceber que Elliot tinha o interesse de que ela participasse de sua vida. Porém, ele discordou. Disse que procedia dessa forma justamente para protegê-la, não queria que ela ficasse preocupada e tivesse tanta noção dos perigos que ele corria. Foi ai que Benson constatou mais dois fatos: apesar de todas as brigas, Elliot e Katie se amavam; segundo, ele era um homem teimoso. Muito teimoso.
– Você tem razão, já está na hora... também vou andando. Preciso dormir um pouco – falou Fin.
– Ótimo! Assim você me dá uma carona e me deixa em casa. Ah, e amanhã cedo também pode passar por lá e me pegar – John também se prepara ir embora.
Fin o olhou sério.
– Sabia que eu não sou seu motorista particular?
– Claro que não é. Se fosse, já teria demitido. Sabia que minha avó dirige mais rápido que você?
– E ainda é mal-agradecido! – disse Tutuola, dando um soco no ombro de John.
O capitão chamou o garçom e enquanto o aguardava, falou:
– Antes de todos irem, gostaria de agradecer mais uma vez pelo desempenho nesse caso – olhava para cada um de sua equipe – Não poderia ter uma equipe melhor que essa – sorriu.
– Acho que Cragen está ficando sentimental... e olha que ele nem bebeu! – brincou Casey.
É claro que o grupo estava feliz com o desempenho e também com o reconhecimento do trabalho que fizeram. As noites que passaram em claro, os momentos de estresse e incertezas, no final de tudo, foram superados.
Don pagou a conta e pela cara do garçom, a felicidade dele se estendeu até a gorjeta generosa.
– Olivia e Casey, querem uma carona? – ofereceu Elliot.
– Eu moro perto, cerca de duas quadras daqui. Vou a pé, mas obrigada – agradeceu Novak.
– Não precisa se preocupar, Elliot. Pego um táxi. Vá para casa – sorriu – sei que as crianças estão morrendo de saudade.
– Tem certeza? – olhou para Benson.
– É claro – Olivia pegou o casaco – Nos vemos amanhã – dirigiu-se ao grupo.
Todos se despediram e aos poucos foram saindo do bar. Elliot entrou em seu carro e seguiu para casa, estava com saudade da família. John e Tutuola atravessaram a rua para pegar o carro que estava estacionado próximo a uma banca de jornais. Don também estava de carro e seguiu para casa, mas diferente de Elliot, não tinha uma família lhe aguardando. Casey e Olivia andaram juntas pela calçada até um certo ponto, depois disso despediram-se e Novak segui o caminho, enquanto Olivia aguardava um táxi que não demorou muito a aparecer. Quando o táxi da detetive parou em um sinal um pouco a frente, ela pode ver Casey andando pela calçada, ao seu lado, o belo homem moreno que lhes serviu bebidas durante as horas que passaram no bar.
– Casey, Casey... – pensou Olivia ao ver a cena, sorrindo.
O trajeto até sua casa foi rápido e tranqüilo, sem problemas com o trânsito. Ao colocar a chave na porta de seu apartamento, ouviu o barulho da televisão.
– Cheguei – sorriu ao entrar.
– Oi! – Sara estava deitada no sofá com o controle na mão – Comprei pizza, está na cozinha.
Olivia tirou o casaco e o colocou sobre a mesa, juntamente com a bolsa.
– Não, obrigada. Saímos para comemorar e eu já comi o suficiente para a semana – falou enquanto jogava-se em uma parte vaga do sofá.
– E ai, como está se sentindo depois de tudo resolvido? – sentou-se e colocou o controle na mesinha de centro.
– Leve! – ela suspirou – sensação de dever cumprido.
– Que bom! – Sara esticou o braço e pegou um embrulho que estava na gaveta de uma mesinha que ficava ao lado do sofá – Bem, eu sei que você se dedicou muito nesse caso e que não foi fácil – a olhava – mas como sempre, você consegui. Queria lhe dar algo especial, algo que fizesse você saber que apesar de quase não termos tempo uma com a outra, nós sempre estamos juntas... de uma forma ou de outra – lhe entregou o pequeno presente – Comprei em uma feira de antiguidades. Espero que goste – sorriu.
Olivia pegou o presente e o desembrulhou com cuidado e curiosidade. Era uma pequena caixinha, dentro havia um colar delicado, de ouro envelhecido. A corrente era fina e o pingente era um coração que abria. Dentro, havia uma foto das duas, de anos atrás. Sara ainda era criança. Olivia estava sentada em uma mesa, no parque e Sara estava lhe abraçando e dando um beijo em sua bochecha. As duas riam. Olivia se lembrava bem daquele dia...
– Liv, posso comer pipoca? – perguntava a menina de cabelos longos e vestido rosa.
– E você consegue? – Olivia arregalou os olhos – Sara, você já provou de todas as comidas das carrocinhas que existem aqui no parque.
– Menos a pipoca... – falou rindo.
– É. Menos a pipoca – a observava – Vamos fazer o seguinte, outro dia você come isso. Sabe que a mamãe vai ficar chateada se você se encher dessas coisas e não jantar.
A menina fez uma careta, mas sabia que a irmã tinha razão.
– Tudo bem – respondeu de má vontade.
– O que acha de tirarmos uma foto? – Sugeriu Lucy ao ver a reação de Sara. Sabia que ela adorava tirar fotos e isso a animaria.
Lucy era amiga de Olivia, haviam estudado juntas e quando tinham um tempo, se encontravam para conversar. Como Sara a conhecia, Olivia sempre a levava junto. Assim, as duas colocavam o papo em dia e Sara brincava.
– Sim! – logo Sara se animou – Mas eu quero fazer uma pose!
Olivia e Lucy riram quando Sara colocou a mão na cintura e deu um sorriso nada espontâneo, e sim exagerado.
– Poxa, e você não vai tirar nenhuma comigo? – falou Olivia, fazendo cara de triste.
Sara correu para o colo dela.
– É claro que sim, sua boba! – sorriu.
– Então sorriam! – falou Lucy.
Sara mais que depressa abraçou a irmã e falou em seu ouvido:
– Mas eu posso comer a pipoca hoje? Por favor... – riu e deu um beijo em sua bochecha.
Olivia não agüentou a insistência de Sara e também riu.
E foi essa a imagem que foi captada pela máquina.
– Sara... é lindo! – ela estava emocionada – Eu adorei – a abraçou – obrigada.
– Que bom que gostou. Achei parecido com você. Mas é claro que a minha foto dá um ar mais especial – riu.
Benson afastou-se, a olhou e colocou a mão em seu ombro.
– Concordo. Você é especial – sorriu.
Elas ficaram se olhando, em silêncio, Sara ficou tímida, pois era assim que ficava quando era elogiada dessa forma. Voltaram a se abraçar. Depois de um tempo, Sara falou:
– Já viu o que saiu na internet?
– O quê? – perguntou.
Sara foi até a mesa e pegou o notebook.
– Veja – disse sorrindo – parece que eles mudaram de ideia.
Olivia olhou para a tela e então, também acabou sorrindo. Era o site de um jornal, dizia o seguinte:
“POLÍCIA DE NOVA YORK SURPREENDE: ESTUPRADOR QUE MATAVA SUAS VÍTIMAS COM CRUELDADE É PRESO E CONDENADO A PRISÃO PERPÉTUA”
– Eu sabia que você ia adorar – disse Sara ao ver a felicidade no rosto da irmã – Agora tenho que ir par ao meu quarto e estudar um pouco – suspirou – na próxima semana teremos um trabalho para apresentar – lhe deu um beijo – Parabéns e vê se descansa um pouco, tudo bem? – a olhou.
– Vou descansar – sorriu – só vou ler a matéria e ir para o quarto.
– Assim que eu gosto – brincou – Boa noite, Liv.
– Boa noite, querida – respondeu, dando um sorriso.
Quando Sara foi para o quarto, Olivia terminou de ler a matéria do site. Nela, o desempenho da equipe foi elogiado, em especial a forma como o Capitão Cragen conduziu o caso. Ela ficou feliz com o que leu.
Ali, sentada na sala de seu apartamento, no silêncio, ficou pensando sobre seu trabalho, nas dificuldades que às vezes enfrentavam e como tudo parecia perdido em alguns momentos e até desanimador. Tinha a impressão que prendia uma pessoa, mas amanhã apareciam outras dezenas e centenas cometendo os mesmos crimes. Tantas vezes pensou em desistir...
Mas ai ela via aqueles monstros sendo presos e condenados, a família e vítimas vendo a justiça sendo feita e, por mais que isso não acabasse com o sofrimento e dor que viveram, era uma forma de mostrar que alguém se importava com o sofrimento delas. Ela, Olivia Benson se importava.
Sorriu ao pensar na equipe: Casey, Fin, Munch, Don e Elliot. Trabalhavam juntos há anos, brigaram muitas vezes, discordaram outras tantas, deram risadas, se desentenderam novamente , mas nada disso era capaz de abalar o laço que os unia – o laço da justiça e claro, amizade. Talvez, amizade acima de tudo, pois só essa força para fazer com que eles conseguissem lidar com tanta violência e permanecer ali, dia após dia, sempre dispostos a fazer o melhor. Não eram simplesmente colegas de trabalho, eram uma família.
Olivia pegou suas coisas e seguiu para o quarto. Tomou um banho e colocou a roupa de dormir. Foi até o quarto de Sara, mas a irmã já estava dormindo, debruçada nos livros sobre a cama. Olivia sorriu ao ver a cena. Tirou os livros da cama com cuidado, a cobriu com o lençol e lhe deu um beijo. Observou por um tempo, contemplando seu sono tão tranquilo e calmo... quem diria que sendo tão nova, já havia passado por tantas coisas. O que ela mais gostava era ver que isso não havia acabado com a alegria da irmã. Olivia também passou por coisas difíceis, mas juntas elas conseguiram superar... ou pelo menos levar a vida. Sara era mais que uma irmã, de certa forma Olivia a via como filha, pois foram tantas as vezes que teve que cuidar dela quando Serena não tinha condições, tantos momentos em que teve que dormir junto com ela, dizendo em seu ouvido que tudo estava bem, mesmo sabendo que não estava e que ela também sentia medo. Depois de pensar em tudo isso, Olivia seguiu para o seu quarto. Tirou o distintivo, sua arma e um cartão de dentro da bolsa. O cartão foi entregue por um homem de aproximadamente 45 anos e que se aproximou dela no bar, no momento em que Casey foi ao banheiro. Ele era alto, corpo definido, parecia o tipo de pessoa que adorava exercícios físicos e se cuidava. Os dois haviam conversado e trocado telefones e ele perguntou se poderia ligar para saírem algum dia. Ela não podia negar que ficou interessada, tanto que aceitou, mas já imaginava que provavelmente não daria em nada sério... sua rotina, independência e força assustavam alguns homens. Suspirou.
Antes de guardar o distintivo, sentou-se na cama e passou o dedo sobre o relevo do símbolo. Pensou em tudo que teve que enfrentar para chegar até ali. Aquele era um símbolo de força e superação e representava toda justiça que conseguiram fazer, representava as vítimas. Mas também simbolizava a força da equipe. A melhor equipe de Nova York.
Olivia sorriu enquanto olhava o distintivo.
– Eu faço parte da Unidade De Vítimas Especiais, mãe – falou baixinho, como se Serena estivesse no quarto junto com ela – Eu ajudo pessoas... gostaria de ter te ajudado – uma lágrima escorreu por seu rosto – Faço isso pela senhora... cada pessoa que prendo, é pela senhora – respirou fundo e guardou o distintivo – Amanhã o dia continua – pensou – mais mortes, violência... – olhou pela janela. A lua estava escondida entre as nuvens – Mas nós não vamos desistir! – falou em voz alta – Nós nunca vamos desistir.
Ela apagou a luz de seu quarto. As pessoas que passavam pela rua não imaginavam que naquele prédio tão discreto, alguns andares acima, dormia uma mulher de cabelos e olhos castanhos, de uma força incrível e com um coração enorme. Uma mulher que nunca se deixava abalar e que sempre fez e continuaria fazendo de tudo pela justiça. Aquele era o lar da melhor detetive de Nova York. O lar de Olivia Benson.
FIM.
Notas finais
Gostaria de agradecer a atenção de todos que leram e, principalmente, aos que deixaram comentários, pois eles são muito importamtes para nos estimular a continuar escrevendo.
Como comentado anteriormente, vou postar uma outra Fic para aprofundar mais a relação Olivia/Sara/Serena.
Fiquem ligados!! rsrr
Ah, e claro: deixem comentários sobre esse capítulo.
Bjs!!!
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