Difficile

9 #09 Em espanhol dá mais força


Notas iniciais
Atualizada: 23/09/2019 às 21:46 Pra quem não sabe, tô atualizando algumas fanfics minhas que se perderam no tempo. Essa não faz taaaaanto tempo assim, "apenas" 4 anos... Mas tem umas que estão há uns 7 anos sem atualização. Peço perdão a quem esperou. Shall we? RESUMO DA HISTÓRIA ATÉ AQUI: "Kurt e Blaine são melhores amigos desde que se lembram. Não há uma história de vida que ambos não tenham compartilhado. Porém essa amizade está prestes a passar por situações complicadas uma vez que Kurt teve a brilhante ideia de fingir namorar Blaine para fazer ciúmes para seu ex-namorado, Sebastian. A ideia seria um breve namoro, apenas para fazer o Smythe sentir ciúmes o suficiente para querer voltar, porém Kurt não esperava se sentir tão sujo ao ter o plano se realizando. Sebastian o beijou. Mas agora tinha essa sensação horrível, como se houvesse traído Blaine, mesmo que o namoro fosse falso entre os dois."

"Foi Sebastian quem quebrou o beijo.

— Da próxima vez que beijar ele, lembre-se disso. – Disse sorrindo.

Kurt desceu do carro ainda meio desnorteado, com os lábios vermelhos e os olhos marejados. Mas o pior não era isso, e sim aquela sensação estranha. O sentimento de ter traído Blaine, por mais que soubesse que o namoro era apenas uma invenção. Mas ainda assim, sentia-se sujo por ter beijado Sebastian.

Talvez fosse bom manter isso como um segredo.

Droga, Kurt."

O castanho praticamente correu até seu banheiro para tomar um banho após chegar em casa. Se sentia sujo, imundo, porém não era uma sensação literal. Esse sentimento vinha de uma situação que acabara de ocorrer e Kurt não conseguia tirar da cabeça: Sebastian havia o beijado.

Embora esse fosse o plano desde o começo e o Hummel deveria estar pulando de alegria, não conseguiu conter aquela sensação de ter traído Blaine. Sabia exatamente de onde vinha esse sentimento de traição: havia decidido que não contaria ao Anderson sobre o beijo de Sebastian.

Podia ouvir a voz do melhor amigo ecoando no fundo de sua mente falando algo como “Sebastian é como uma criança mimada, que larga o brinquedo porém quando vê outra pessoa brincando quer de volta”. Era nítido, Blaine com certeza falaria aquelas coisas.

A água quente do chuveiro nunca parecia ser o suficiente para limpá-lo.

[...]

— E como está Paris? – Blaine estava no telefone com a irmã, que ainda estava em lua de mel com Teo. Era a primeira vez que, efetivamente, ficava longe de Clara. Ambos os irmãos eram inseparáveis como melhores amigos. Tudo que contara para Kurt, contara para a irmã também.

“É tudo muito lindo, e caro!” A voz de clara parecia animada. Dificilmente conseguiam se encontrar em ligação, uma vez que Paris tinha um fuso horário diferente, sendo quase seis horas a mais do que Lima. Enquanto Blaine ainda não havia nem almoçado, a irmã provavelmente já procurava um ambiente para jantar com o recém marido. “Você deveria ver. Eu queria muito que você tivesse vindo junto.”

— Claro, seria maravilhoso ficar de vela com você e Teo. – Gargalhou.

“Você poderia trazer Kurt. A cidade é muito romântica, Be.”

Blaine até responderia, porém se perdeu em alguns pensamentos sobre como o francês de Kurt ajudaria em uma viagem juntos ao país, em quais lugares e monumentos tirariam fotos, os passeios que fariam de gôndolas e como seria impossível convencê-lo a experimentar vários sabores de baguete.

Como está Kurt, aliás?” Clara finalmente perguntara e era possível ouvir algo que Teo falava ao fundo. “Teo está desde o casamento querendo saber sobre o beijo.”

— Então... – Pigarreou por alguns momentos.

“Eu fiquei surpresa. Todas as vezes que todos falavam que vocês estavam juntos, embora eu sempre tenha torcido, falava que eram invenções e tudo mais... Porém o beijo me pegou de surpresa.”

— É um plano, Clara. – Blaine deveria se sentir melhor cada vez que falava sobre a teia de mentiras envolvidas no plano, por estar compartilhando algo que o afligia, porém toda vez que falava em voz alta se sentia mais patético ainda. – Foi ideia de Kurt, ele disse que Sebastian teria o ego ferido em vê-lo comigo e deveríamos fingir que tínhamos algo. Eu concordei, não sabia que haveriam beijos inclusos no pacote.

“Beijos? No plural?” A voz da irmã parecia animada.

— Ele me pega sempre de surpresa. – Suspirou fundo. – Mas é sempre para Sebastian ver, para que se sinta cada vez pior. Kurt sabe que ele não gosta muito de mim, então estou sendo literalmente usado como mártir.

“Eu senti um certo descontentamento quando você falou que os beijos são sempre na frente de Sebastian.”

— Ninguém gosta de se sentir usado.

“É realmente esse o problema?”

— Você também? – Blaine pressionava as têmporas. Toda essa situação, assim que virava assunto, trazia uma enorme enxaqueca para o moreno. – O problema aqui é que, eventualmente, Sebastian e Kurt irão voltar. E as coisas serão... Complicadas. Se como melhor amigo eu já me sentia ameaçado quando estava perto de Kurt, imagina quando Sebastian me ver como o ex-namorado. Será impossível ficar em público com ele.

“Vocês não chegaram a pensar nos prós e contras desse plano antes de saírem se beijando na frente de todos?” Parecia preocupada com o irmão. Sabia o quanto a amizade com o Hummel valia pra ele, o quando o ajudava no decorrer do ensino médio e todos os âmbitos da vida.

— Eu só queria ver Kurt bem, cuidar dele... – Desabafou.

“E quem cuida de você, irmão? Quem ficará ao seu lado quando Kurt e Sebastian voltarem e estiverem felizes, enquanto você fica infeliz?”

E essa pergunta ecoava nos pensamentos de Blaine até depois do fim da chamada, até a hora de dormir e provavelmente em seus sonhos (ou pesadelos). Quem cuidaria dele?

Era quase madrugada e o moreno não conseguia dormir, tentava prever todas as possibilidades de situações que aconteceriam, as variáveis e até as impossíveis. Os pensamentos de Blaine foram então interrompidos pela tela do seu celular se acendendo no breu do quarto do moreno em um brilho irritante, que o fez piscar algumas vezes até finalmente conseguir enxergar algo naquele aparelho.

Ao desbloquear o aparelho a conversa com Dylan ainda se encontrava aberta, onde haviam falado sobre muita coisa, porém a conversa havia se encerrado pelo novo amigo ter que se ausentar para uma apresentação de sua banda.

Mas não, a mensagem não era de Dylan.

MENSAGEM DE KURT: “Me diga que você também não consegue dormir.”

MENSAGEM DE BLAINE: “Com o tanto de café que tomei hoje fico surpreso que eu não tenha tido um pico de energia para mudar os móveis do meu quarto de lugar.”

Não demorou muito para receber a resposta do amigo.

MENSAGEM DE KURT: “Os famosos picos de energia da família Anderson: como não amar? Ainda me lembro do dia que Clara resolveu trocar o guarda-roupa dela pelo o do quarto de hóspedes, até perceber na metade do caminho que não passava pela porta.”

MENSAGEM DE BLAINE: “O meu favorito foi quando meu pai resolveu comprar uma minivan de 7 lugares para desmontar e reforma-la.”

MENSAGEM DE KURT: “Como eu pude esquecer dessa????”

Blaine gargalhava baixo com as mensagens. Kurt era praticamente parte da família, compartilhava momentos desde a infância, conhecia a família Anderson como se fosse a sua.

MENSAGEM DE KURT: “O que não te deixa dormir?”

MENSAGEM DE BLAINE: “Só estou sem sono.”

Mentiu.

MENSAGEM DE KURT: “Conversando muito com o Sr. Harley Davidson?”

MENSAGEM DE BLAINE: “Quem?”

MENSAGEM DE KURT:Dylan.”

MENSAGEM DE BLAINE: “Ah... Na verdade, não. Ele comentou que teria um pré-ensaio e então o show. Deveria voltar tarde. Não quis atrapalhar.”

MENSAGEM DE KURT: “Ah.”

MENSAGEM DE BLAINE: “É.”

Encarou a tela do telefone por mais alguns segundos, porém percebeu que a conversa morrera por ali. Nos últimos dias estava complicado manter uma linha de pensamento e de conversa com o castanho. Tudo se resumia a... Inutilidades.

Sentia falta de suas conversas profundas com o melhor amigo.

MENSAGEM DE BLAINE: “Clara ligou hoje. Acredita que ela se perdeu de Teo dentro do Louvre? Imagine a seguinte cena: dois americanos péssimos em francês gritando o nome um do outro pelo salão central.”

MENSAGEM DE KURT: “LOL. O Louvre é literalmente um corredor. Como eles conseguiram se perder lá dentro, meu Deus?”

MENSAGEM DE BLAINE: “Nem todos tem um Kurt Hummel como guia turístico. Eu tenho a certeza que aconteceria o mesmo comigo.”

MENSAGEM DE KURT: “Fique tranquilo, Bê. Não soltarei da sua mão quando formos à Paris.”

MENSAGEM DE BLAINE: “Você promete? ;)”

MENSAGEM DE KURT:Alguma vez não honrei com minha palavra com você? ;)”

MENSAGEM DE KURT: “Mas lembre que Paris não é nosso primeiro destino. Vamos explorar terras nacionais antes de nos aventurarmos através do oceano. Segue o itinerário: Nova Iorque (obviamente), cataratas com o Canadá, Disney vestidos como personagens, Malibu, Texas para confirmarmos se conseguimos nos disfarçar como vaqueiros.”

MENSAGEM DE KURT: “Blaine?”

MENSAGEM DE KURT: “Dormiu?”

MENSAGEM DE KURT: “Não vou levar pro coração que você estava sem sono até agora e conversar comigo te entediou o suficiente para dormir com o celular na mão.”

MENSAGEM DE KURT: “Durma bem, Bê. Sonhe com Paris, eu sonho com Nova Iorque. Quem sabe a gente se encontra nos sonhos!”

[...]

Blaine estava completamente atrasado. Seu celular havia descarregado durante a noite — provavelmente por ter ficado desbloqueado na conversa de Kurt durante a noite inteira após o moreno cair no sono – e acabou não tocando o despertador.

Pam e Andrew nem se preocuparam em acordá-lo, uma vez que Blaine sempre fora o primeiro da família a levantar e as vezes saía antes dos pais acordarem. Só perceberam mesmo que algo estava errado quando viram o carro do filho ainda estacionado na garagem.

Na pressa de se arrumar para sair de casa, Blaine apenas tomou um banho rápido e frio (sem tempo de deixar o chuveiro a gás esquentar), passou gel em seus cabelos e colocou qualquer roupa que conseguiu alcançar, sem uma produção muito complicada naquele dia.

Chegou no colégio McKinley High após o término da segunda aula. Sua sorte era que a matéria do primeiro professor era História Americana, e nisso o Anderson era nota A.

Correu pelos corredores esbarrando em alguns alunos que procuravam suas salas de aula também. No meio da multidão acabou encontrando um rapaz alto, com um topete incrível e roupas de chamar a atenção de qualquer um: seu (falso) namorado Kurt Hummel.

— Blaine, aí está você. – Kurt comentou.

— Atrasado. – Dizia enquanto corria tentando não perder mais nenhum minuto daquele dia. — Espanhol Avançado. Até depois.

E como um ato involuntário, Blaine deixou um pequeno selinho nos lábios de Kurt, antes de continuar seu caminho em uma breve corrida.

Kurt não estranhou no momento, porém após alguns segundos seu cérebro havia associado que não deveriam ter feito aquilo, afinal, Sebastian não estava no corredor... Não é mesmo? Gargalhou baixinho ao perceber que, embora aquilo fosse estranho, não havia achado nada esquisito nos primeiros momentos. Estaria ele tão a vontade nesse relacionamento que suas ações começaram a fazer sentido?

Balançou sua cabeça rapidamente tentando desviar seus pensamentos e pôs-se a andar em direção até sua próxima sala de aula.

[...]

Estás atrasado, Sr. Anderson. – Comentou a professora sem ao menos observar o moreno entrar de fininho pela porta de trás da sala de aula. Como aquilo era possível?

Disculpame, madame Garça.— Respondeu sem graça enquanto todos os demais alunos o olhavam. – Eso no volverá a pasar.

— Mas você chegou a tempo de começarmos com a dinâmica de nossa aula. Hoje trabalharíamos uma prova oral. – Ouviu o descontentamento do resto da turma com a notícia surpresa. – Porém como o professor Erick está de licença, o diretor Figgins me pediu para juntar a turma de vocês com a turma de horário livre, então trocaremos a prova por uma conversação em espanhol avançado entre a turma de vocês e a do último ano.

“Último ano?” pensou Blaine brevemente. Ele conhecia apenas um aluno do último ano do ensino médio, e seria um destino completamente injusto e ingrato se acabasse caindo com a pessoa que pensava.

Todos pueden entrar y sentarse cerca de um amigo.

O olhar de Blaine se cruzou com o de Sebastian no momento que o castanho entrara na sala de aula. O poder estava na mão do Smythe, afinal os alunos com horário livre que escolheriam seu par de conversação.

“Eu não, eu não, eu não...” tentava Blaine usar seu poder mental de persuasão como faria caso o chapéu seletor o colocasse na casa indesejada.

— Buenos dias, Blaine.— Disse Sebastian com um sorriso amarelo cínico, sentando na cadeira ao seu lado, o escolhendo como parceiro daquela aula que tinha tudo para dar errado.

— Você não me dá um tempo de paz, não é? – Resmungou.

En Español, Sr. Anderson.

Diculpe, Sra. Garça.— Respondeu, ignorando Sebastian em sua frente adorando ter visto o garoto ter a atenção chamada.

— Quiero que practiques todas las formas del tempo futuro, classe.— A professora se dirigiu até o quadro para escrever algumas estruturas de tempo verbal avançadas.

Blaine só queria que aquilo acabasse.

— Uma frase no futuro... Deixe-me pensar... – Sebastian não tirava o sorriso sarcástico do rosto. Estava adorando aquilo. – Voy a conseguirlo. El volverá a estar conmigo.

— Pois de todos os tempos verbais, Sebastian, eu deixo o futuro de lado e falo do presente: estás soñando. Él está conmigo. Necesitas superarlo.

— Bom... – Se aproximou do Anderson. – Se vamos trocar de tempos verbais... Posso ficar com o passado? – Chegou ainda mais perto de Blaine, sabendo que aquela aproximação o irritaria. – Nos besamos. El domingo.

— O quê? – Blaine perguntou automático. Sentiu sua garganta fechar.

El y yo nos besamos el domingo. E essa foi a prática do tempo verbal do passado simples. – Sorria. – El y yo nos vamos a besar hoy. Tempo presente. – Completava. – El y yo nos besaremos mañana. E essa foi do futuro.

O tom de voz de Sebastian entregava tudo. Do jeito que falava, com propriedade, cinismo. Blaine sabia que não seria blefe. Kurt e Sebastian haviam se beijado e ele não havia ficado sabendo. Seus punhos se fechavam cada vez mais, sendo capaz de cometer uma atrocidade caso o castanho continuasse a provocar.

Mas aquela raiva não era apenas de Sebastian.

Se sentiu traído por Kurt.

Não no sentido namorado, mas como melhor amigo.

Se sentiu usado para um plano ridículo onde estava saindo como o corno da situação, como o “step” como muita gente dizia pelos corredores porém Blaine resolvia ignorar os murmurinhos.

Se levantou, sem aviso prévio, deixando Sebastian falando sozinho e uma Sra. Garça questionando onde o moreno estava indo, abandonando a sala de aula no meio da classe. Blaine apenas soltou algo como “banheiro” e saiu pisando forte pelos corredores da escola.

MENSAGEM DE BLAINE: “Você e Sebastian se beijaram?”

Não demorou muito para que Kurt respondesse.

MENSAGEM DE KURT: “Quem te contou?”

MENSAGEM DE BLAINE: “Arquibancadas, agora.”

MENSAGEM DE KURT: “Estou no meio da aula.”

MENSAGEM DE BLAINE: “Não foi um pedido. Agora.”

Notas finais
IRRAAAA
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.