Difficile
7 #07 Sem título definido
Notas iniciais
Blaine acordou mais cedo que o habitual e resolveu dar uma caminhada perto do lago que ficava no parque perto de sua casa. A playlist de seu ipod tocava sem realmente ser prestada atenção, já que os pensamentos do moreno voavam longe dessa vez; nada muito específico, apenas as provas de fim de semestre e as audições do clube glee. Por um instante, Blaine sequer olhava por onde estava andando, e seu erro foi exatamente percebido quando esbarrou com um garoto que também corria pelo caminho estreito de areia ao lado do lago. Assim, ambos os adolescentes estavam no chão.
— Me desculpe! — Blaine falou como automático, se levantando rapidamente e oferecendo a mão para o garoto castanho que procurava seus óculos de grau no chão.
— Hã, tudo bem, eu acho. — O garoto colocou seus óculos e aceitou a ajuda do estranho que havia o derrubado segundos atrás. — Eu também estava no mundo da lua, então acredito que não tenha sido apenas sua culpa...
— Blaine. — Sorriu para o garoto.
Agora com o adolescente em pé, era possível ter uma pequena avaliação do rapaz. O adolescente era da altura de Blaine, um pouco mais magro que o moreno. Seus cabelos castanhos escondidos em uma touca escura e um óculos de armação também escura. Mediamente bonito, rapidamente na opinião de Blaine.
— Sou Dylan. — Estendeu a mão. — Você se machucou?
— Não. Na verdade, eu vivo caindo por aí. — O garoto franziu as sobrancelhas em curiosidade e Blaine continuou. — Digamos que atrapalhado seja meu segundo nome.
— Tudo bem, Blaine Atrapalhado. — Brincou — Sou Dylan Neel.
— Blaine Atrapalhado Anderson. — Completou com um sorriso.
— Eu tenho que ir, antes que meus pai descubra que estou matando meu curso de História da Literatura Lituana. — Revirou os olhos em diversão. — Nos esbarramos por aí, Blaine.
— Até. — Blaine acenou para o garoto que já corria pra longe. Juntou seu ipod com seus fones que ainda estavam no chão e continuou a caminhar, tentando se lembrar do que divagava até então.
[...]
Kurt batia o pé uma ou duas vezes esperando a porta da frente da casa ser atendida. Não era possível que tivera o azar de não encontrar ninguém em casa pela manhã. Respirou fundo e batera mais algumas vezes.
— Assim você vai afundar a porta. — Blaine brincou ao chegar e avistar o amigo furioso com as mãos na cintura e um olhar irritado.
— Celular, Blaine. Você tem o seu de enfeite?! — Balbuciou em raiva.
— Deixei carregando e fui correr. — Deu de ombros e abria a porta com calma, ignorando os pés do falso namorado batendo em descontente.
— Como pude esquecer... Sábado pela manhã é dia de Blaine brincar de ser saudável, correr pelo parque e queimar as calorias dos BigMc's que ele comeu durante a semana... — Revirou os olhos em cinismo.
O moreno apenas ignorou o castanho. Era nítida a raiva desnecessária do Hummel, e a última coisa que ele queria pela manhã era brigar com seu melhor amigo. Respirou fundo algumas vezes e convidou Kurt para entrar, antes de perceber que o castanho entrara antes dele e subia as escadas da casa rumo ao quarto do moreno. Ah, a intimidade de dois melhores amigos...
— Ao que devo a visita? — Perguntou neutro. Não que Blaine não estivesse feliz de Kurt tê-lo ido visitar, mas ultimamente tudo se tratara da mesma coisa. Os amigos não conversavam mais sobre seus dias, ou sobre o que estava acontecendo no mundo. Tudo se resumia sobre Sebastian ou sobre esse namoro. Era como se a amizade deles houvesse se resumido à isso. Não seria nenhuma surpresa Kurt ter ido ali apenas para convidar Blaine à ir para algum lugar onde Sebastian estivesse.
— Senti sua falta. — Falou ao se jogar na cama. Definitivamente o colchão do Anderson era melhor que o seu. — Podemos... Sei lá... Assistir à algum filme? Como antigamente? — Disse calmo.
— Eu adoraria. — Blaine sorriu sem dentes para o amigo. — Só me deixe tomar um banho e tirar esse suor da corrida. Estarei pronto em quinze minutos para nossa maratona de Senhor dos Aneis. — Brincou, sabendo que Kurt odiava a trilogia.
Revirando os olhos, o Hummel sequer fingiu escutar. Apenas deu de ombros e pôs-se a mexer no celular. Não demorou muito para se entendiar antes mesmo da água do chuveiro começar a cair. Seus olhos então começaram a percorrer o quarto tão conhecido por Kurt.
Blaine era deveras previsível. Tudo em seu quarto se encaixava sutilmente. Os pôsteres em cima da cama, a estante de livros alinhada à mesa do computador, a televisão em cima de uma cômoda com gavetas de trinco... Era como se o quarto contasse sua vida. Sorriu rapidamente e voltou aos devaneios. Conhecia tudo sobre Blaine, e seu coração apertava ao pensar que talvez essa ideia de namorados tivesse estragando toda a amizade. Sinceramente, o Hummel não se lembrava mais de quando havia conversado com o moreno.
É claro que estavam sempre trocando mensagens e dialogavam sobre alguma coisa. Mas pra ser honesto, Kurt não sabia dizer o que estava se passando com Blaine desde o casamento da irmã. Morava agora sozinho com os pais, isto é, nos raros dias que Pam e Andrew usavam a casa em Lima. Não sabia também as músicas que Blaine escutava no momento, nem dos sentimentos do moreno. Estaria Blaine interessado em alguém? Pouco provável. Em anos de amizade, foram raros os momentos em que Blaine se interessaria por alguém... Mas por que isso? E aliás, como é possível o amigo nunca ter tido um relacionamento longo e entender tão bem sobre o assunto?
Blaine era o mestre dos conselhos amorosos.
Para tudo que Kurt passasse, Blaine sempre tinha o conselho perfeito. Brigas, discussões e términos de namoro. Blaine sempre sabia. Era como se ele tivesse doutorado no assunto relacionamento. Talvez fosse um dom natural, certo? Talvez Kurt nunca tivesse parado realmente para observar a vida reservada de Blaine. O moreno era um garoto bonito, com um alto nível intelectual e com conversas inteligentes... Difícil não encontrar ninguém... E se encontrara, como Kurt nunca ficou sabendo de um deles?
Isso começou a remoer as ideias do Hummel. Fazia sentido. Como Blaine beijara tão bem, com tão pouca experiência? Na real. Os beijos do Anderson faziam o Hummel delirar. Até agora haviam se beijado apenas duas vezes, beijos pequenos, e mesmo assim hipnotizantes... Kurt suspirou. Algo de errado acontecia ali. Blaine era tão... Apaixonante... Como podia estar solteiro?
— Você sequer escolheu um filme, certo?
Kurt se assustou ao sair do transe. Havia perdido a noção do tempo e Blaine já havia tomado seu banho e agora aparecia no quarto com uma toalha enrolada na cintura. Kurt sentiu seu coração parando por alguns segundos e frisou seus olhos no amigo. É claro que, com a amizade de anos, Blaine já havia ficado íntimo assim na presença do castanho. Era normal. A diferença é que Kurt nunca havia realmente olhado Blaine.
Cabelos molhados revelando os famigerados cachinhos; um peitoral não muito definido, porém graça à Deus pelas corridas de sábado de manhã; braços rijos; um pequeno caminho de pêlos descendo do umbigo até a toalha e...
— Kurt? — Blaine perguntou preocupado. — Está tudo bem?
— S-sim. — Gaguejou rapidamente e desviou o olhar, com um sorriso safado no rosto ao perceber que estava secando o melhor amigo. — Eu não escolhi um filme. — Assumiu. — Podemos ver algum que está na aba de mais assistidos da Netflix.
Blaine deu de ombros e entrou em seu pequeno closet, não dando bola ao amigo alheio no quarto.
Enquanto isso, Kurt apenas tinha os olhos arregalados e um sorriso engraçado no rosto. Não acreditou que por breves segundos estava secando Blaine totalmente. Sorria baixinho e imaginava o que a abstinência de sexo podia estar fazendo com o castanho. Secando Blaine? Seu melhor amigo? Aquele que dormia na mesma cama, que andava de mãos dadas quando era criança...? Aquele que há dias o beijava espetacularmente bem? Que brincava com seus lábios de uma maneira nova e que agora estava apenas de toalha no quarto ao lado, e... Opa.
Gargalhou baixinho e se deitou na cama, colocando um travesseiro sobre o rosto que deveria estar totalmente vermelho. Talvez fosse melhor tirar esses pensamentos da cabeça. Blaine era seu melhor amigo e nada mais.
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