Difficile
5 #5 Combinando o futuro com vontades antigas
Andrew conversava com o dono do local, gostara tanto do lugar que provavelmente contrataria os serviços novamente para o aniversario de 18 anos do filho. Ou talvez fosse melhor esperar o rombo no seu bolso se recuperar, afinal, quem foi que havia inventado essa ideia de que o pai da noiva pagaria o casamento inteiro?
Susan conversava com os Hummel animada sobre os filhos estarem namorando, embora Burt não estivesse com uma cara muito boa durante a conversa. O mais velho olhava várias vezes para Kurt e Blaine que estavam sentados à mesa esperando os últimos detalhes serem acertados para finalmente poderem ir para casa.
– Sua irmã já deve ter embarcado. Paris, que sorte! — Kurt falava animado, como se a lua de mel fosse dele. — Seus pais devem estar muito cansados, o que você acha de ir lá pra casa depois? Podemos colocar em dia os episódios de Downton Abbey, ou fazer o trabalho de Cinematografia, é extracurricular mas vale pontos extras...
– Ou talvez pudéssemos sentar com seu pai e contar que tudo isso foi uma grande mentira para Sebastian se sentir mal por ter terminado com você. — Kurt encarou o amigo. — Você viu, o Sr. Hummel está me fuzilando com os olhos, Kurt.
– Não podemos! Você sabe como meu pai é, todo politicamente correto. Ele contaria para os Smithes na mesma hora! — Blaine revirou os olhos. — E não é como se você quisesse ficar solteiro. Você nunca se interessou por ninguém desde a oitava série quando achou que havia recebido um cartão de dia dos namorados de Susan Lee, não acho que esteja interessado agora. — O castanho pausou o discurso, mas continuou quando viu que Blaine não falaria nada. — Aliás, foi bem estranho. Um ano você estava aos beijos com Matt, e no outro estava interessado em Susan... Blaine, você gosta de men... — O amigo o interrompeu.
– Você está sugerindo que...? — Mudou de assunto.
– Namoramos de mentira até todos esquecerem isso. Vai ser exatamente como sempre, mãos dadas, conversas, você na minha casa e eu na sua, a única diferença é que agora teremos títulos. — Blaine revirou os olhos e abriu a boca para falar alguma coisa, porém Kurt foi mais rápido. — No dia que você se interessar por alguém eu juro que terminamos.
– Você sabe que seu pai vai me matar, não sabe?
– Sei. — Kurt gargalhou e encarou rápido Burt, que tinha os olhos frisado na mesa dos rapazes. Blaine tentou se manter sério, mas aquele assunto era ridículo demais para ser tratado seriamente. Parecia coisa de filme, de história de adolescente. — Temos um trato?
Blaine tentou desviar o olhar mas Kurt continuava o olhando com um sorriso que podia convencê-lo a quilômetros de distância. Blaine se desabou em um sorriso assentindo. Kurt bateu palmas rapidamente e sorriu para o namorado.
– Se vamos fingir de verdade, temos que combinar algumas coisas. Quinn vai querer saber todos os detalhes, Tish também! — Blaine deu de ombros. As amigas estavam na festa e o único motivo de não terem enchido os amigos de perguntas era porque estavam ocupadas demais procurando alguém para formar um par. — Primeiro beijo, quando percebemos que estávamos apaixonados, primeira vez... — Blaine falou a última parte um pouco mais baixo, como um sussurro.
– Tudo bem, temos tempo. — Kurt cruzou os braços na altura do peito e se inclinou na cadeira branca. — Você começa.
– Sem chances! — Blaine tinha um sorriso divertido nos lábios. — Já que você me colocou nessa, você começa, espertinho.
– Tudo bem. — Kurt cerrou os olhos e Blaine apenas sorriu, se inclinando na cadeira e esperando as idiotices que sairiam da boca de Blaine. — Duas semanas atrás fomos ao parque de diversão com Quinn e Puck, certo? — O amigo assentiu com a cabeça. — Aqui vai minha história: Eu estava com Sebastian mas tínhamos brigado na noite passada, te liguei de madrugada e você ficou conversando comigo até a amanhecer. Passamos a manhã juntos ouvindo músicas dos Beatles... — Blaine tentou esconder o sorriso. Kurt se lembrava de todos os detalhes de Blaine, até os CDs velhos de Beatles no fundo de sua bolsa que o moreno levava para todos os lugares. — ...Estava tocando Something, estávamos sentados no chão da sala escolhendo algumas fotos para o vídeo do casamento da sua irmã e nossas mãos se tocaram. Isso sempre havia acontecido antes, mas por algum motivo, daquela vez era diferente. Você olhou pra mim e sorriu com aquele sorriso lindo que costuma dar quando está com vergonha, que cerra seus olhos e tenta esconder os dentes... — Blaine sentiu as bochechas corarem. — ...Ignoramos esse fato e continuamos. A tarde fomos ao parque com o casal vinte, repartimos um algodão doce, tudo como um bom romance de filme. Você me ganhou um bichinho de pelúcia na barraquinha de tiro ao alvo e rimos a tarde inteira... — A história não era inventada, o que deixava Blaine ainda mais corado. Estava indiretamente flertando com Kurt? Afinal, era isso que ele sempre fazia com o castanho, mas era coisa de melhores amigos, bom, pelo menos ele achava até hoje. — ...Quando escureceu, fomos na roda gigante do parque em uma gôndola e Quinn e Puck foram logo em seguida, eles não tinham visão de nós. O sol se punha atrás dos pequenos prédios de Lima, a roda-gigante parou, eu olhei em seus olhos, você olhou nos meus e me deu um sorriso apaixonado. Desviamos o olhar, mas ficamos de mãos dadas. — Kurt suspirou. — E foi assim que eu caí de amores por Blaine Anderson.
– Uau! — Blaine realmente estava surpreso. — Isso foi bom.
– Minhas fanfics não são recomendadas à toa. — Piscou convencido para o amigo que apenas gargalhou. O engraçado é que havia bolado a história perfeita e não havia inventado nenhuma parte, exceto a parte do se apaixonar. Não é?
Blaine se ajeitou na cadeira e com o canto de olho via Burt o encarando algumas vezes. Teria problema com o mais velho dos Hummel.
– Sua vez. — Kurt continuou. — Eu fiz a história do despertar da paixão, você agora inventa nosso primeiro beijo. — Tinha um olhar curioso para o moreno.
– Eu não sou bom com histórias.
– Tente, se ficar ruim tentamos a minha.
– Ok, hm. — Blaine estava ficando vermelho. Não era bom com palavras. — E-estávamos na minha casa assistindo um filme, n-nos olhamos e-e nos b-beijamos. — Deu de ombros. — Viu? Não ficou bom, você inventa.
– Você nem tentou! — Kurt gargalhou. — Não tente me enganar, garoto.
– Tudo bem. — Blaine suspirou fundo, limpou a garganta e desviou o olhar dos olhos azuis de Kurt que tinham certa curiosidade na história que o amigo iria bolar. — S-semana passada. V-você, hurm, v-você estava gripado. — Blaine se atrapalhava nas palavras, estava corando sabendo que o olhar de Kurt estava sobre si, então fechou os olhos e continuou. — S-semana passada você estava gripado, não foi para o colégio. E-eu tinha que ir todos os dias à sua casa levar a matéria do dia porque parecia não melhorar, naquele dia havia ido ao médico e ele havia lhe receitado um remédio ótimo, que acabaria com seu resfriado em poucos dias, mas te apagaria por horas. — Blaine passou a mão pelo rosto, ainda de olhos fechados e não sabendo que Kurt o encarava com muita curiosidade. — N-naquele dia eu fiz como todos os outros e fui até sua casa te levar a matéria. Seu pai me informou que você provavelmente estaria dormindo, mas eu poderia subir e te acordar para estudarmos. V-você realmente estava dormindo, deitado na cama com aquele pijama cinza que te dei de amigo secreto do coral. T-tinha um pequeno sorriso nos lábios e parecia estar tendo um sonho bom, achei errado te acordar. — Blaine abriu os olhos e encarou Kurt, não sabia de onde havia tirado a coragem. — Copiei a matéria pra você em seu caderno, com algumas notas em post-its explicando a matéria, era francês, você já deveria saber. Terminei depois de alguns minutos. Guardei tudo, você detesta bagunça.
– Detesto. — Kurt concordou com um sorriso pequeno nos lábios, olhos ainda fixos em Blaine e sua história que Kurt queria saber como terminaria.
– E-então minha intenção era te deixar sozinho. Desliguei a televisão que fazia um pouco de barulho e fechei as cortinas, mas antes de caminhar até a porta fui até a cama te desejar uma boa noite. — Blaine ainda desviava o olhar. Só Deus sabia como aquilo era constrangedor. Era como ler uma fanfic em voz alta com a pessoa que você ficaria na história. — Tirei seu cabelo da testa querendo ver se ainda estava com febre, e senti sua pele quente, a febre ainda não tinha ido embora mas estava melhor que nos dias anteriores. Me inclinei para beijar sua testa e bem quando eu fiz, você se mexeu na cama.
– Mexi? — Perguntou curioso com a história.
– Mexeu. — Blaine respondeu com um sorriso. — Então meus olhos foram... M-meus olhos foram até sua boca... E-estávamos com o rosto perto.... E-e eu... Droga, Kurt, você vai mesmo me fazer falar isso? — O amigo assentiu divertido e Blaine revirou os olhos. — ...E-então eu te beijei... Era pra ser só um selinho, e era pra você estar dormindo, m-mas você correspondeu o beijo...
– E então eu te joguei no chão e nos beijamos loucamente.
– Qual é, Kurt. Você acabou de estragar a história! — Blaine fingiu ficar ofendido, mas Blaine tinha razão. Ele havia contado a história com força, como se aquilo realmente tivesse acontecido. Mas não havia. Não. Ou... Não.
Kurt gargalhou alto.
– Tudo bem, agora precisamos acertar os detalhes da nossa primeira vez e... — O menino foi interrompido por sua madrasta. Carole provavelmente havia ouvido o que o castanho havia falado, mas provavelmente resolveu ignorar.
– Seu pai está no carro esperando, estamos indo pra casa. Blaine vem jantar lá em casa hoje? Primeira janta oficial como namorado de Kurt... — Disse com um sorriso grande nos lábios. Carole sempre achou que os amigos fossem mais do que simples amigos.
– N-não, eu tenho que... — Kurt o interrompeu.
– Sim, ele vai. Aliás, ele vai com a gente!
O castanho arrastou o novo namorado até o carro sem dar tempo do moreno se despedir da própria família. O Anderson apenas acenou para os pais, que entenderam, e entrou no carro. A viagem de volta até Lima foi silenciosa, Burt dirigia mas trocava olhares com Blaine pelo espelho retrovisor superior. O moreno estava torcendo para que alguém falasse alguma coisa para quebrar o gelo.
– Que frio, não acham? — Carole tentou e recebeu apenas barulhos disfarçados de respostas. E então continuaram na rodovia em silêncio.
Kurt poderia gargalhar alto naquele momento, mas estava se controlando para que Blaine não surtasse. Segurava a mão do amigo tentando tranquilizá-lo. Burt não era tão possessivo assim, bom, talvez. Lembrou-se de quando Sebastian fora jantar a primeira vez na sua casa, o tanto de perguntas que Burt havia feito para o ex-namorado... Sim, talvez Blaine estivesse um pouco encrencado.
Quando chegaram ainda era cedo, o jantar poderia ser preparado sem pressa. Kurt subiu as escadas para seu quarto com um pouco de pressa, Blaine foi atrás sem hesitar.
– Portas abertas. — Burt gritou do andar de baixo, fazendo os adolescentes caírem na gargalhada do andar de cima. — O que está acontecendo com eles?
– Deixe-os um pouco em paz, homem! — Carole sorriu e foi até a cozinha preparar os legumes, deixando Burt falando sozinho na sala.
Finn veio logo depois com Rachel e ficaram na sala conversando sobre o novo reality show de um canal qualquer. Kurt e Blaine estavam no andar de cima tentando assistir a algum filme, mas estavam mais interessados em comentarem sobre as roupas das pessoas do casamento. Claro, como deixariam passar Tia Annie com aquele vestido branco parecendo a própria noiva? Ou talvez primo Watson vestindo suas velhas bermudas de caça.
– Meninos, jantar! — Carole gritou do andar de baixo.
– Se você achou desconfortável no carro, imagina agora. — Blaine deu de ombros e se levantou da cama. Kurt acompanhou o amigo gargalhando baixo.
Todos já haviam se sentado, as duas cadeiras sobrando eram lado a lado e de frente para Burt que tinha um sorriso estranho nos lábios. Blaine puxou a cadeira para Kurt e logo se sentou também. Rachel sabia que algo estava estranho no ar, ela era meio psíquica, podia sentir a tensão do cunhado e de Blaine.
Até metade da refeição o único som que se ouvia na casa era o som dos talheres batendo no fundo do prato. O peixe com batatas estava maravilhoso, mas Burt estava mais interessado em observar Blaine e o fazer ficar desconfortável.
– Então, Blaine... — O mais velho puxou assunto e Carole e Kurt o encararam com medo. Era a primeira interação dos dois desde que esse assunto viera à tona. — ...Você e Kurt, namorando, hein?
– O quê? — Rachel quase cuspiu a comida. — Blaine e Kurt estão namorando?! — Todos assentiram como se fosse óbvio, até mesmo Finn do outro lado da mesa. — Você ficou o final de semana inteiro conversando sobre coisas chatas sobre futebol, mas nunca pensou que o assunto "Kurt e Blaine namorando" fosse melhor? — Rachel repreendeu o namorado.
– Eu soube há poucas horas. Quinn me mandou uma mensagem do casamento falando que eles haviam se beijado e... — A namorada o interrompeu.
– Quinn, sempre ela...
– Meninos! — Carole repreendeu os adolescentes. Rachel revirou os olhos e continuou comendo seu peixe com um pouco de raiva. Finn aproveitou o silêncio para já arranjar um jeito de se desculpar com a namorada, não queria dormir no sofá por alguma besteira que havia falado novamente. — D-desculpe por isso, Burt.
– Tudo bem, meu amor. — Voltou o olhar à Blaine. — Então, namorando?
– P-pois é... — Blaine tinha as mãos suadas e uma dor de cabeça infernal.
– E vocês pretendiam nos contar isso quando? No casamento de vocês, ou no nascimento do terceiro filho? — Falou como se fosse provável um parto gay. — Porque não foi muito agradável ouvir uma conversa sua e de Kurt no telefone, às sete da manhã conversando como se fossem... Fossem... — Burt até engasgava ao pensar nessa possibilidade. — ...íntimos há muito tempo.
Kurt sorriu para o chão. Se lembrou de bolar o plano perfeito: esperou Burt acordar e sair de seu quarto para acordar Kurt como todas as manhãs, ficou de costas para a porta, colocou o celular desligado na orelha e fingiu que conversava com Blaine sobre como o beijo dele era bom e como as mãos de Blaine estavam autorizadas para explorarem da próxima vez.
– N-nós estávamos esperando o casamento passar... — Blaine chutava Kurt por debaixo da mesa. — M-me desculpe, Sr. Hummel. E-eu não faria nada que fosse desrespeitar o senhor ou qualquer um de vocês!
– Foi por isso que você dormiu no sofá ontem?
– F-foi. — Blaine estava se sentindo como em uma sala interrogatória da polícia. Kurt tinha um sorriso escondido no canto dos lábios, estava adorando essa história, afinal, adorava pregar uma peça no melhor amigo. A culpa estava caindo toda sobre Blaine, bom, até agora...
– E você, Kurt... — Burt limpou a garganta. — Não vou dizer que já havia pensado que vocês fossem mais do que amigos, mas não faz uma semana que você terminou com Sebastian. E-eu entendo que os desejos dos jovens devem estar à flor da pele nos dias de hoje, mas desse jeito você vai ficar mal falado na cidade. — Burt estava mais vermelho do que os adolescentes.
– Pai, e-eu...
– Vocês já... fizeram sexo...? — Burt perguntou sem graça.
Carole se engasgou com o suco e Finn gargalhou alto. Rachel havia se esquecido de como mastigar e Blaine ficou sem ar por alguns segundos. Todos encaravam o velho Hummel com curiosidade de como ele havia conseguido coragem de fazer aquela pergunta.
– Burt! — Carole interviu. — Isso é um assunto deles...
– Eu só quero estar certo que não está rolando essas coisas debaixo do meu teto. — Mantinha a voz firme, mas o rubor em suas bochechas entregavam que Burt estava muito desconfortável tendo aquela conversa.
– Pai! — Kurt tinha os olhos arregalados. Nem quando Sebastian viera pela primeira vez Burt havia feito perguntas tão violadoras como essa.
– N-não, Sr. Hummel. F-fique tranquilo, n-nós...
– Blaine! — Kurt encarou o amigo.
Finn e Rachel apenas encaravam a conversa, com os olhos imitando uma partida de pingue-pongue indo pra lá e pra cá, curiosos em onde isso iria acabar. O jantar acabou logo depois. Blaine e Kurt terminaram e pediram licença para se retirarem, logo Blaine pegava um taxi para ir para casa — sem chances do moreno dormir ali hoje.
Kurt tinha uma pressão na barriga, sabia que o Anderson estava muito bravo com ele com toda essa história de namoro falso e interrogatório de sogro falso, mas conversaria com Blaine no colégio pela manhã, era um favor enorme que Kurt estava pedindo e sabia que teria que pagar quando Blaine pedisse.
Deu um boa noite à todos na sala e subiu para o quarto. Se deitou na cama e ficou tentando se lembrar do propósito dessa invenção. Uma hora estava fazendo ciúmes em Sebastian, e na outra estava sentado com sua família conversando sobre sua vida sexual. Se lembrou do rosto vermelho de Blaine, de seus olhos desesperados encarando Kurt e esperando que o castanho falasse alguma coisa.
Essa seria uma história que adoraria contar para Sebastian, gargalhariam por horas. Sebastian... Ai Sebastian... Tentou se lembrar do momento em que estavam juntos ainda, dos beijos e dos sorrisos, mas não conseguiu. Não se lembrava mais como era o beijo de Sebastian pois o beijo de Blaine ainda estava vivo em sua memória.
Só conseguia se lembrar da boca de Blaine na dele, nas mãos do moreno puxando seu quadril e fazendo os corpos se tocarem e nas línguas se encaixando em um beijo molhado... No hálito quente de Blaine perto de seu rosto assim que terminaram o beijo... Ou talvez nos selinhos que finalizaram o beijo e... Kurt...? Kurt!
Chacoalhou a cabeça e tentou voltar a voltar em Sebastian.
Sebastian.
Sebastian.
E ficou lutando contra seu cérebro tentando voltar ao beijo de Blaine, com um sorriso no rosto. No fundo sabia que teria que admitir para si mesmo que Blaine beijava bem pra caramba, mas por enquanto tentaria se enganar e fingir que o beijo havia sido ruim.
E não havia.
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