Difficile

3 #3 O que eu não faria por você?


Os amigos foram acordados pelos Anderson um pouco depois do sol se pôr. Colocaram suas coisas dentro do porta-malas novamente e seguiram viajem ate Lima, agora tendo que dividir lugar com um enorme vestido de noiva que ocupava metade do banco de trás.

– Vocês estão bem aí atrás? — Perguntou Susan como se já soubesse a resposta.

– Agora eu sei a sensação de uma sardinha enlatada. — Brincou o Hummel que praticamente tinha que sentar no colo de Blaine por causa do pouco espaço. — Já pensaram em alugar um carro maior para viagens assim?

Blaine gargalhou e continuaram a viagem até Lima. Dormiram desajeitados, caídos um sobre o outro no lado de trás. Susan e Andrew revezavam em quem dirigia, assim não precisariam parar em alguma pousada. Eram dez horas da manhã do dia seguinte quando estacionaram na frente da casa de Kurt.

– Kurt, teria algum problema Blaine ficar algumas horas na sua casa? Temos que levar o vestido até o lugar do casamento e não temos tempo para parar em casa. Tem um casamento amanhã e ele não está nem cinquenta por cento pronto.

– Sem problema, Sra. Anderson. — Kurt sorriu ao ver a mulher fazer careta ao ser chamada de senhora. Kurt desceu do carro e ajudou Blaine com sua mala, provavelmente o moreno dormiria ali hoje.

– Me ligue se precisar, garoto. — Andrew sorriu para o filho e logo dava partida no carro.

Os amigos entraram na casa e ouviram um silêncio quase eterno, certamente seus pais haviam saído para almoçar em algum lugar. Subiram as escadas e foram até o quarto de Kurt — agora claro por causa das cortinas abertas. O castanho apenas se jogou na cama, cansado.

– Voltando à rotina normal. — E puxou a coberta até o rosto.

– Voltando à depressão, você quis dizer. — Blaine jogou a coberta longe. — Inevitavelmente Sebastian vai estar na festa, então temos que escolher a melhor roupa do seu armário para impressioná-lo, certo?

– Certo. — Kurt se sentou.

Blaine não gostava da ideia de que Kurt e Sebastian voltariam daqui a algumas semanas (de acordo com o plano do mais velho), mas ajudaria seu amigo, nem que fosse só pra ver um sorriso torto e falso em seus lábios.

– Que tal esse? — Blaine tirou do guarda-roupas um paletó marrom listrado com tons um pouco mais escuros.

– Nossa, Blaine. — Se levantou imediatamente. — Tinha esquecido como seu gosto pra roupas é ruim. Não quero ir ao casamento da sua irmã parecendo um velho de cinquenta anos.

– Tudo bem, você escolhe e eu aprovo. — Blaine se afastou e se sentou no pufe carmim que ficava no canto do quarto bem decorado. Kurt provavelmente demoraria escolhendo roupas, então pegou seu celular e começou a vagar pela internet.

[...]

Depois de muitos minutos, Kurt estava literalmente dentro do guarda-roupa.

– O que você acha daquela camisa que você me deu de aniversário? Preta com pequenos flocos de neve brancos? Nunca usei, estava esperando uma ocasião especial. — Não teve resposta do amigo. — Eu tenho também aquele terno preto que usava quando completei um ano de namoro com Seb, mas acho que não quero passar a impressão que repito roupa... — Ainda sem resposta. Kurt estranhou e "saiu" do guarda-roupas. — Você está ao menos me ouvindo?

– O quê? — Tirou os olhos frisados da tela do celular. — Estava falando comigo?

– Não, com o espírito de Guccio Gucci. — Revirou os olhos. — Tem mais alguém aqui no quarto?

– Ah. Me desculpe, Kurt. Mas é que acabei de receber uma mensagem da minha irmã, e acho que deveria te falar... — Blaine pigarreou. — Sebastian acabou de ligar confirmando seu assento no casamento.

– E? Nós sabíamos que ele iria. Os pais dele são melhores amigos dos pais do noivo.

– Ele confirmou Sebastian e mais um. — Kurt sentiu um frio na barriga.

– Mais um quem?

– Sebastian Smythe e Bob Williams.

– ...Bob? — Kurt engoliu seco. — Você está me dizendo que no casamento da sua irmã, no qual ele tinha certeza que eu iria, ele resolveu aparecer com o garoto que mais dá em cima dele na cidade inteira? Você deve estar de brincadeira comigo. — Respirou fundo. — Não, tudo bem, eles devem ir como amigos.

– E-eu acabei de checar o facebook. Eles passaram o final de semana juntos.

– E nós também. Isso não quer dizer nada...

– Kurt! Pare de se enganar. — O castanho se sentou na beirada da cama, encarando as mãos. Blaine percebeu o quão chateado Kurt estava. — O que acha daquele conjunto fuschia que você conseguiu pela metade do preço? Aposto que sua bunda fica linda naquele.

– Blaine! — Kurt gargalhou baixo enquanto corava rapidamente.

– Te fiz sorrir. — Puxou o amigo pela mão.

Carole, Burt e Finn tinham ido almoçar na casa dos Berrys. Kurt e Blaine compartilharam uma pequena lasanha de frango feita no microondas, agora estavam no quarto assistindo um filme de terror na televisão, debaixo das cobertas e com um enorme balde de pipoca no colo. Os mais velhos da casa se ajudavam fazendo jantar e Finn mexia no computador, o céu começava a escurecer.

– Não vai atrás do assassino, sua idiota! — Blaine gritou para a televisão.

O moreno olhou rapidamente para Kurt, que tinha os olhos na televisão mas estava com o pensamento longe. Alcançou o controle sobre a cama e pausou o filme na televisão.

– Terra chamando Kurt.

– Estou aqui, pode continuar o filme.

– Você não estava nem assistindo! — Blaine colocou o balde de pipoca em cima do criado mudo e se virou para o amigo. — Eu posso até colocar play, mas você tem que me dizer o que aconteceu no filme nos últimos três minutos.

– Tudo bem, você venceu. — Jogou a cabeça contra o travesseiro. — Eu estava pensando nesse lance do Sebastian levar um acompanhante ao casamento.

– Kurt... — Blaine segurou a mão do amigo. — Eu sei que você pensou que iria voltar com Sebastian, mas talvez seja até melhor ele estar em outra. Ele não te merece, Kurtie.

– Como ele pode ir com alguém? Vai ser humilhante ele aparecer com um par e eu não. Já foi ruim o suficiente mudar meu status de relacionamento nas redes sociais.

– Você vai com alguém, você vai comigo.

– É mas... — Kurt parou para pensar e logo um pequeno sorriso brotou em seus lábios e Blaine percebeu que o amigo estava tramando alguma coisa. — ...Blaine... — Fez uma voz melosa, como se quisesse um favor.

– ...Kurt... — Imitou com um sorriso no rosto, curioso.

– Você é meu melhor amigo, certo? — Blaine assentiu. — E concorda comigo que Sebastian merece o troco, certo? — Blaine assentiu novamente, sem entender o que o amigo tinha em mente. — Eu vou precisar de um favor. Você topa?

– Topo o quê?

– Vamos usar o raciocínio básico. Eu e Sebastian estávamos juntos, a única pessoa que eu odiava na cidade inteira era Bob Williams. Logo ele convida Bob Williams para o casamento para me afetar, certo?

– Certo, mas não estou entendendo aonde você quer chegar.

– O jeito mais fácil para afetá-lo seria ir ao casamento acompanhado de alguém que ele odeie, no caso, você.

– Mas nós vamos juntos, Kurt.

– Como par.

– Sim.

– ...Juntos. — Blaine não estava entendendo. — Como namorados.

– Kurt, eu acho que essa não é uma boa ideia...

– Não, espera, você precisa me ajudar. — Kurt se ajoelhou na cama, ainda segurando a mão de Blaine. — Não vamos precisar fazer nada além do que íamos fazer, apenas precisamos ficar juntos a festa inteira e eu dou um jeito de Sebastian saber que estamos namorando.

– Mas eu... Nós somos melhores amigos.

– Nós não vamos namorar de verdade, é só pra Sebastian achar que estamos. Assim que ele pensar sobre o assunto, que ele me deixou e você estava aqui pra me consolar... Vai dar certo! Blaine, por favor. Eu geralmente nunca te peço nada.

– Sem chances, Kurt. Meus pais já pensam que estamos juntos por causa da nossa amizade e eu dei minha palavra que não! Isso não vai dar certo, seus pais vão me odiar, principalmente porque eu sempre durmo aqui... Iam me interpretar errado.

– Eles não precisam saber, B. Por favor. — Kurt tinha os olhos brilhantes. — Depois do casamento nós terminamos. Por favooooor. — O Hummel fazia beicinho para o amigo que tentava esconder o sorriso.

– Tudo bem. — Se deu por vencido. — Mas você vai precisar de um pedido de namoro melhor do que esse, eu sou um pouco difícil.

Kurt soltou uma gargalhada gostosa e jogou um travesseiro em direção do amigo. Conversaram a madrugada inteira sobre as regras do namoro falso e as mentiras que envolviam, como primeiro beijo, primeira vez que perceberam que estavam apaixonado e tudo mais.

Pela primeira vez durante toda a amizade, Blaine não dormiu na mesma cama de Kurt. Arrumaram uma pequena cama para o moreno no sofá da casa, assim se Burt soubesse do namoro não seria tão mal assim. Kurt dormiu com um sorriso no rosto, como uma vingança.

Assim que Blaine acordou deixou um bilhete na porta da geladeira, pegou sua mala e seguiu até sua casa a pé — queria aproveitar o sol que estava fazendo em Lima. O Hummel iria com a família até a cerimônia, Blaine precisava ir antes pois era o padrinho.

Kurt havia se vestido com as dicas de Blaine. Usou uma calça social um pouco mais apertada cinza escuro com a camisa preta com floco de neves que Blaine havia o dado, colocou seu blazer fuschia por cima e muito laquê no cabelo. Sebastian poderia babar se quisesse.

Finn iria passar o dia na casa de Rachel, o resto da família estava no carro seguindo até a cidade vizinha na igreja indicada no convite. O casamento começaria em algumas horas. Assim que chegaram foram recepcionados por Blaine, que estava particularmente lindo na opinião de Kurt.

– Bom dia, Sr. e Sra. Hummel. — Sorriu encantador. — Falta alguns minutos para a cerimônia começar, fiquem a vontade.

– Obrigada, Blaine. — Carole sorriu e puxou Burt para longe. O mais velho dos Hummel encarava o moreno com outro olhar, o que deixou o mais novo curioso, mas deu de ombros e foi recepcionar o resto dos amigos da família que chegavam de carro.

Notas finais
vai dar barraco no próximo capítulo, hehe aguardem!