Diffent's - Hiatus
2 Un - O começo de tudo.
A casa que comprei era a mais afastada da cidade. A varanda tinha uma cor amarelada e opaca, o que a fazia ter uma aparência envelhecida. Três quartos. Um Banheiro. Uma copa e a sala. As paredes eram feita de madeira de eucalipto e o tapete cinza no chão estava empoleirado.
Televisão... Para que exatamente ela prestava? Para coloca-lo em um estado quase dormente e vicia-lo ao que ela oferece? Minha casca, Leticia, gostava de assistir a DVDs. Principalmente de romance, por que apesar de tudo ela ainda acreditava em finais felizes.
Sentei no sofá de bege e olhei janela afora. Eu podia sair e dar uma volta, mas isso chamaria atenção e não seria legal se sanguessugas ou projetos de lobos ficassem curiosos sobre meu cheiro. Perguntei-me onde exatamente eles moravam. Em que lugar exato da floresta?
Duas e um da manha.
Eu não precisava dormir, a menos que quisesse. Era a mesma coisa com comida. Leticia sentia falta disso. No começo pensei em agrada-la, mas enjerir seu alimento fazia eu me sentir... Estufada?
Deitei com os pés para cima, igual ela fazia antes, com as mãos na barriga e fechei os olhos. Era bom não pensar em nada e deixar sua mente vagar livre... Eu podia sentir cada pensamento meu, como o vento, alguns mais fortes que outros. Eu pensava em tudo e em nada ao mesmo tempo e isso era bom.
As seis e quarenta e cinco o despertador me tirou do estupor. Eu já estava arrumada então era só pegar o carro e ir.
Entrei em um automóvel, Sonic Hatch, e assim que pisei nele, o coloquei em movimento. Descobri que era bom, mas que preferia meu modo de Teletransporte.
Chegando lá, notei que a escola era feita de tijolos vermelhos e que a garoa fina que caia criava um cheiro peculiar quando misturado com a terra avermelhada que cobria as raízes das grandes arvores verdes. Cascas de pinheiros eram visíveis, todas jogadas pelo chão.
Notei também os olhares em mim. Havia pelo menos umas cento e quarenta e duas vidas acumuladas ali, cento e quarenta e cinco com mais três que chegavam atrás de mim. Os sussurros, como podiam ser tão altos assim?
“Mais uma riquinha...”.
“Quem é a garota nova?”.
“Amanha vai fazer sol”.
“Tenho que ser a escolhida do Taylor hoje...”.
“Que beijo foi aquele?”.
“Ouvi dizer que vamos ter almondegas hoje”.
“Podemos pegar ursos”.
Ursos?
Olhei na direção em que veio o pensamento e ali estavam eles. Os famosos Cullen. Seres das Trevas criados por Lúcifer e que renegaram sua própria natureza apenas para preservar a humanidade restante deles.
Como foi me dito. Duas garotas e três rapazes.
Comecei a andar e desviei de uma poça d’agua acumulada um pouco mais adiante. Era tudo muito barulhento e desorganizado.
Bem no portão de entrada havia uma faixa em branca e rosa escrito “Welcome Hish Scool Forks”.
Muito comum, pensei. Os olhares ainda não haviam cessados e minhas bochechas estavam estranhamente quentes, como se eu estivesse com vergonha de algo. Podia ver meu reflexo no chão polido. As janelas azuis faziam um conjunto com a cor dos avisos em vermelhos grudados nas paredes.
- Olá. – uma voz anasalada se apresentou. – Sou Angela Webb. Você seria...?
Franzi a testa.
- Isabella.
- Bem vinda ao Colégio, Isa. Nos vemos por ai, querida.
Deu dois tapinhas em meu ombro e continuou seu caminho. Eu me perguntei como ela conseguia se equilibrar naquele salto fino sem prejudicar sua estrutura molecular e se não estava frio demais para andar de saia e calça legue.
Humanos se agasalham quando esta frio e não ao contrario.
Suspirei e continuei meu caminho. Tinha aula de trigonometria agora.
Trigon em Grego.
Uma matéria aplicada tanto na matemática pura, quanto na aplicada e consequentemente, em ciências naturais também. Mas antes precisava ir a Secretaria pegar meu histórico de aulas.
A sala era de uma cor mais escura, marrom com amarelo e estranhamente combinava com os papeis espalhados pela mesa e aos quadros. Senhora Copper. Ruiva das fortes, cabelos ondulados e óculos de fundo pendurado no pescoço.
- Em que posso ajuda-la? – perguntou olhando um documento.
- Vim pegar... Meu horário.
- Nova? Claro, que pergunta. Nome?
- Isabella.
Ela riu.
- Isabella do que?
- Swan.
Abriu uma gaveta ruindo e tirou de lá duas folhas escritas.
- Sim... Então, por que se mudou da Califórnia para cá?
O que eu diria agora? Leticia não morava na Califórnia, morava em Phoenix. Castiel não tinha outro lugar? Mas era sensato. Não podia dar pistar do passado de minha hospedeira.
- Problemas para resolver.
- Não parece de lá. Não chega nem perto de bronzeada.
- Problemas... De pele? – tentei.
A mulher me olhou com o cenho franzido. Problemas de pele era uma desculpa valida, não era? Havia pessoas Albinas em todo o mundo por causa de ausência ou defeito na Enzima. O que isso tinha de estranho?
- Ok... Aqui esta. Boa sorte.
- Obrigada.
E sai de lá no exato momento em que a sirene tocou. Por que tinha que ser tão alto? Era só espalha-las em determinados campos da escola e todos ouviriam sem aquilo destruir ás micro células do ouvido de cada um.
A aula era dada pelo professor Jones. Alto, loiro, olhos verdes.
Quase ninguém prestava atenção em nada. Havia quatro, cinco pessoas que faziam tudo, mas o resto era só cochichos. Uma menina baixa de cabelos cacheados sentada na carteira da frente, o lápis em sua mão preso em seu punho apertando, o rosto vermelho indicava que ela estava com raiva, mas estava se contendo.
A garota Webb sentava uma cadeira atrás dela e ficava cutucando-a com a posta do lápis. Havia também uma garota loira, Laurent, que observava tudo do lado esquerdo da sala e o menino de cabelo preto, Ben, ele olhava para Angela de um modo quase que decepcionante.
Sai da sala antes que o sinal batesse. A próxima era de Biologia, com o Vampiro leitor de mentes. Tinha que admitir que podia ser interessante vê-lo se controlar na tiragem Sanguínea.
Aula com o professor Smitt. Um idoso obeso.
Dei o papel para ele assinar e me sentei exatamente na única cadeira que estava livre, embora nenhum dos alunos tenha chegado ainda. Eu sabia que ele sentaria do meu lado.
Enquanto a sala ia enchendo, notei que ele provavelmente seria o ultimo a chegar. Queria sair dali. Queria meu silencio precioso que fora roubado por esses montes de, como diria Uriel, macacos selvagens que andavam apenas com as duas pernas e tentam ser modernos.
Havia um em especial. Mike Newton. As musicas que se repetiam em seus pensamentos eram irritantes e por algum motivo banal, não consegui não me concentrar nas letras...
“De vez em quando eu penso em quando estávamos juntos... Como quando você disse que se sentiu tão feliz que poderia morrer”.
Senti o mínimo movimento da cadeira sendo arrastada. Era ele. Tinha certeza disso por que não senti *Aura alguma vindo daquele local. Olhei em sua direção e dei de cara com seus olhos negros.
As íris e a pupila quase não se diferenciavam da cor preta que ali se encontrava. Ele estava com sede. Então por que veio para o colégio?
- Muito bem pessoal, temos uma nova aluna. Mostrem respeito, não querem assusta-la logo no primeiro dia, querem? – o professor falou.
Todos deram risada.
“De vez em quando eu penso em todas às vezes em que você me deixou para baixo... Me fazendo acreditar que era sempre alguma coisa que eu tinha feito”.
A hora do intervalo foi a mais dinâmica. Antes mesmo deu escolher em qual mesa ficaria, Angela apareceu na minha frente, chamando-me para sentar em sua mesa. Recusei, preferia ficar sozinha. Pude ver nos olhos escuros dela como a machucava não ter controle das coisas.
- Mas eu insisto! – ela falava nervosa. – Tem que se sentar na minha mesa. Que espécie de líder eu seria se deixasse você sair assim, sem um comitê de iniciação?
E eu suspirei. Humanos realmente eram seres persistentes. Preferia lidar com animais de quatro patas...
Na mesa estava à maioria das pessoas em que prestei atenção no tempo que percorri ate ali. Era pior do que imaginava. Eles tinham uma mente tão complexa, não conseguiam ficar parados num só assunto por mais de dois minutos.
- Então... Por que não nos diz algo sobre você? – perguntou Laurent.
- Dá um tempo... Ela não gosta de conversar. – Ben argumentou.
- Eu mandei você dar sua opinião?
- Não, mas...
- Mas nada. Angela também era assim. – falou com um sorriso irônico.
E foi o que bastou para fazer todos na mesa ficarem em um silencio quase constrangedor para depois simplesmente trocarem para outro bate-papo.
“Mas eu não quero viver desse jeito, lendo cada palavra que você diz. Você disse que íamos deixar isso passar, e eu não te pegaria preso a alguém outra vez”.
Então eles apareceram.
Era fascinante observar o dourado de seus olhos. Eu sabia de tudo sobre a vida deles. Sabia como começou e como terminou. Sabia que Carlisle estava a poucos metros de chegar do hospital e que sua esposa se encontrava num mercado agora.
Mas faltava um. O que sentou do meu lado em Biologia. Faltava Edward.
“Você pode ficar viciado em um certo tipo de tristeza... Como renuncia no final, sempre no final”.
Notas finais
Quero agradecer a:
*Twilight00.
*amando.
*Vidah Cullen.
Obrigada pelos comentários anteriores. ♥
Espero que coloquem reviews nesse também. (*.*)
Bjs
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