Dies Illa

34 Capítulo XXXII - Das Rosas -


Notas iniciais
Esse capítulo é IMPORTANTÍSSIMO -Q sério, eu fiz ele logo no segundo ou terceiro dia da concepção de Dies Illa. ele que vai mudar essa história inteira. INTEIRA -Q

Era noite alta e Rihito estava fechado no banheiro de seu quarto. Ultimamente, nem ele nem seu colega esperavam a presença um do outro ali, no lugar onde sempre conviveram e dialogaram em tempos antigos.

Terminara de escovar os dentes quando ouviu certos ruídos que pareciam vozes vindos do outro lado da porta. Era a voz de Morgan e de mais alguns outros garotos, talvez... Cinco ou seis, adentrando o aposento. Achando estranhíssimo, pôs-se a prestar atenção no que diziam e escutou o que se passava.

Entraram tranquilamente e logo pôde notar que o estrado da cama rangeu, provavelmente haviam se sentado ou posto algo em cima dela. O que se seguiu foi um período incômodo de silêncio. "Será que ainda tem alguém aí?", o nissei se perguntava, se consumindo de impaciência, cauteloso para não ser percebido em seu esconderijo. Encostou a cabeça próximo ao vão da porta do banheiro e aguardou um tanto mais, caso não ouvisse mais nada, sairia de dentro dali.

...

.....

Rihito duvidou de seus ouvidos quando finalmente percebeu que os garotos estavam violando seu amigo. E mais surpreendente ainda, ele consentia.

Os barulhos (um tanto abafados) soavam horrendos ao menino, que de olhos arregalados e sobrancelhas arqueadas, tremia por detrás daquela porta, a única e tênue separação que tinha da atrocidade sendo cometida sob seu teto. Podia até ouvir o som dos quadris deles se chocando freneticamente contra o louro e barulhos molhados como beijos (ou seriam sucções?). E ele não resistia. A nada.

Quis interferir, quis salvá-lo com o resto de sensibilidade que ainda tinha. Mas poderia se considerar salvação de algo que não ia em desacordo com a vontade da vítima? Existiria alguma vítima então?

Era impossível que seu amigo Morgan desejasse aquilo. Não.. Já não bastava que ele fumasse e que tivesse se tornado uma pessoa completamente avessa ao que costumava ser? Não poderia ser isso o que ele realmente queria.

Quando seu coração acelerado (que de tão veloz e descontrolado quase o fazia desmaiar) foi vencido pela sua decisão e suas trêmulas mãos tocaram a maçaneta, nosso menino escutou um dos rapazes dizer seu nome. Ele falava para Morgan que o trouxesse junto na próxima visita deles para também consumi-lo.

– Como era o nome mesmo? Hirito? Lembra de chamá-lo pra sua festinha com a gente, vadia. — E ria com os outros — Ele é virgem ainda?

Nesse momento, Rihito instintivamente desistiu de sair. Ao invés disso, sentou-se no chão, mortificado, cobrindo a boca com a mão para que nem o ar escapasse. Morgan, entre arfadas, dizia para que não tocassem em Rihito, que não o envolvessem naquilo. Jamais.

Os delinquentes se revoltaram e logo após, vieram sons semelhantes a pancadas ou tapas e alguns gemidos graves, mais reclamações e algo caindo no chão. Rihito se pôs de pé prontamente e, preocupado, encostou na porta do banheiro. Fez-se silêncio. Os convidados tinham ido embora em pouco menos de meia hora.

Seus óculos estavam embaçados. Não conseguia acreditar. Por quê? Ele se apoiava nas paredes em frente ao largo espelho. Havia estranhamente uma bizarra tensão em seu corpo também, algo o atiçando como uma faísca do inexplicável. Acabara de "presenciar" o estupro de seu colega de quarto e uma sensação imprópria o preenchia. Seus sentidos táteis pareciam mais apurados.

De repente Morgan entrou, enrolado num lençol sujo e borrifado de sangue, sem saber da presença de Rihito ali. Quando o viu, porém, enfureceu-se. Ele tremia igualmente.

– Você... Estava aqui o tempo todo?? Quieto?? E... Ouvindo tudo!?

Num crescente acúmulo desenfreado de ódio de si mesmo, o menino era como uma panela de pressão.

– Cai fora, seu tarado maldito! Calhorda!!!

O louro urrava de raiva, mas por trás de sua voz percebia-se um poço fundo de angústia.

– Eu te odeio demais!!! — Ele atirava objetos, prestes a chorar.

O rosto ferido, os dourados cabelos emaranhados e colados de suor. Um rubor intenso nas faces.

Angústia.

Rihito dos olhos de gelo abraçou o amigo, o lençol foi ao chão. Morgan estava nu. Rihito o apertou ainda mais, ele morria de vergonha, era inseguro demais para tomar essas atitudes. O louro resistiu, tentou se soltar mas desmoronou em lágrimas. "Me larga!" ele suplicava, soluçando, desesperado. "Que barulhento..."

Rihito abriu o chuveiro e empurrou-o para dentro para dar-lhe um banho e livrá-lo de todas imundícies, mas a noite era fria, possivelmente adoeceria. Morgan chorava feito uma criança vendo o amado cuidar de seu corpo miserável e esgotado. Agora lhe implorava desculpas enquanto tinha seus cabelos acariciados pelos delicados dedos do outro. Rihito já havia notado que o amigo o amava, sempre. Sempre o devorando com aqueles olhos de longe.

Pela intimidade e atrevimento exacerbados do grupo de rapazes, aquilo que presenciou decerto não fora a primeira vez que usaram Morgan para essa finalidade. Quanto mais ele teria deixado passar? Desejava ajudá-lo, não queria que ele sofresse daquela maneira, mas ele mesmo procurava sofrer. Ele desejava sofrer. Se destruir, enfim.

O louro o puxou para perto, para baixo do chuveiro. O calor da água arrepiando todo corpo de Rihito, que removeu os óculos e abraçou novamente o menino nu. De garganta arranhada, Morgan pediu por um beijo.

Tocando no peito do amigo, duas pétalas de rosa se roçaram, trocaram carinhos embaixo de uma morna chuva. Eles se olhavam e pensavam ambos estarem vendo um espelho, "os meus olhos no rosto dele".

Notas finais
Se lembram do segundo capítulo que Morgan dizia que queria ter olhos azuis por ser loiro e tal? então, retomei ele - w - e me perdoem se o desenho acabou ficando meio cômico... não era essa a intenção exatamente -Q a propósito, ele se chama "das coisas que não podem/devem ser ditas". ficou aí uma imagem de algo que não esmiucei, não dei muita ênfase. Rihito ficando estranhamente excitado com o qe acabou de presenciar... desculpem por esse Rihito cheio de parafilias ;w;