Dies Illa
21 Capítulo XX - Letra Simon para Sádico, Letra Morgan para Masoquista -
Notas iniciais
Após as aulas, Rihito decidiu despedir-se de Simon e ir direto para seu aposento. Leria um pouco, descansaria. Não sentia-se confortável para ir à biblioteca após o que havia acontecido, mesmo que fosse estúpido e aquilo já pertencesse ao passado. Ele e Morgan inclusive continuavam dormindo no mesmo quarto, não fazia muito sentido, mas talvez por ele ter feito aquela bagunça com os livros para salvar a pele do amigo que ele não desejasse passar por lá por uns tempos. Todavia, Morgan estava convicto de que o hábito do amigo de sair se repetiria. Perseguiria-o, portanto, naquela tarde, para certificar-se de que o que ele realmente fazia era ter encontros com Simon.
Possuía uma vaga noção de onde deveria procurar, já tinha ouvido seus amigos comentando que sempre o viam indo para bem longe das vistas de todos, para além dos extensos jardins e bosques do colégio, mas que nunca tiveram interesse algum em descobrir seus propósitos. Ele mesmo pudera comprová-lo, já tinha os visto na piscina aquela vez. Morgan arriscou o bosque primeiro. Vasculharia-o silenciosamente, cuidando que não se perdesse. Era a primeira vez que iria lá, afinal.
Adentrou a densa vegetação repleta de altíssimas árvores que impediam quase totalmente a entrada de luz. Entrar ali era passar do dia para noite em menos de dois minutos. Pensou ter ouvido um barulho e assustou-se, quis sair correndo. Ah, calma! Não posso ser tão indiscreto... Se fosse realmente alguém eu já teria sido descoberto... Morgan, seu burro! ele pensou, balançando a cabeça de um lado para outro. Concentrou-se e foi avante.
Andou.
Andou.
Andou e achou que não havia ninguém, portanto deveria retornar.
– Procurando alguém? — Indagou uma voz sombria de dentro da floresta.
– Wah!!! — Novamente assustou-se o louro.
Era Simon que se levantava lentamente e vinha em sua direção. Estava só.
– É... Não exatamente... Quero dizer... — Morgan suspirou — Sim, eu procurava Rihito, queria falar-lhe uma coisa...
Seu corpo enrijeceu, era a primeira vez que falara com o doentio Simon sozinho. E ele estava estranho, longe do garoto de olhos azuis parecia outra pessoa, com um olhar muito mais vicioso e antipático que o comum, com uma intenção negativa e canibal.
– Hmm... Rihito, eh? — Simon riu — Está decepcionado de não tê-lo encontrado aqui? Ou contente?
Claramente ele referia-se aos sentimentos de Morgan. O garoto das pintas sabia de tudo que acontecia com Rihito. Sabia do que sua presa temia e do que gostava. Sabia também do que acontecera entre os amigos. Ontem havia chovido.
– Nem um, nem outro. Vou apenas procurá-lo em outro lugar. Então me dê licença — Retrucou o louro, socando em sua voz o máximo de confiança possível.
Simon agarrou seus braços e empurrou-o bruscamente contra o tronco de uma árvore. Os castanhos olhos escuros de Morgan se arregalaram quando percebeu o pálido garoto roçando os lábios em seu pescoço. Tentou lutar, mas ele era muito mais forte apesar de não aparentar.
– Me solta! — Ele gritou desesperado, lembrando-se do que Rihito havia lhe contado no ano anterior.
– Quanto mais você se debater, mais quente estará seu sangue... Eu prefiro assim. — Simon sorriu largamente, olhando fixamente nos olhos do louro, que estava em pânico. – Cheiro de rosas, hm? Você é asseado demais para um garoto, não? — Murmurou ele enquanto rolava a camisa de Morgan para cima, deixando seus mamilos expostos.
Morgan enrubesceu-se.
– Me solta, é sério! Eu não quero nada com você! Você é horrível, você ataca o Rihito e ainda tem coragem de fazer isso!? — Ele berrava, irritado.
Simon achou graça no modo como ele pensava. E cravou-lhe os dentes no pescoço finalmente.
O garoto das pintas tomava o sangue do louro em goles enquanto esfregava sua coxa e seu joelho entre as pernas de sua nova vítima. O corpo de Morgan consequentemente começava a reagir aos estímulos recebidos contra sua vontade.
– "Ah, que ódio de mim!" — Simon imitava o louro — "Por que esse meu corpo promíscuo tem que se excitar sozinho sem minha permissão? Eu queria tan~to que o Rihito que me tocasse assim, não essa aberração!" — E ria para si mesmo.
– Chega! Pára com isso! — Morgan implorava.
Simon encostou sua bochecha na dele para falar-lhe ao ouvido.
– Você quer transar com o Rihito? — Perguntou em voz baixa — Claro que você quer, seu sangue me contou...
Ele então moveu-se para apertar e puxar os mamilos do apavorado garoto, que semelhavam botõezinhos de flores tingidos de vermelho. Cada vez mais via-se um volume aumentando nas calças de Morgan e dentro do menino, um sinistro calor empoçava-se em seu baixo ventre.
– E--eu vou chutar sua cara se você não parar imediatamente! — Sua voz trêmula tentava ameaçar Simon.
O garoto-vampiro sorriu mais uma vez, com seu costumeiro sorriso deturpado. Agachara então e agora prendia suas pernas. Abaixou as calças do louro, que relutava inutilmente, para deixá-lo apenas em suas roupas íntimas a fim de chupar o sangue de suas coxas em mais duas ou três mordidas dolorosas.
– Eu por exemplo — Disse Simon — Não diferencio minhas irmãs de meus irmãos porque me deito com ambos, mas você, garoto, seu sangue diz... — Ele encostou o ouvido numa das pernas de Morgan — Você o ouve? Seu corpo só aceita homens.
Morgan o olhava de cima com um misto de terror, náusea e raiva.
– Por que será? Você tem problemas com papai?– Continuou em tom jocoso.
O menino gelou. Como aquela pessoa saberia disso? Simon prendeu os joelhos do outro contra seu próprio peito, com um braço por trás deles, enquanto com a outra mão livre esfregava seus longos e lívidos dedos contra suas partes íntimas ainda cobertas, minuciosamente, por toda extensão dele.
– De quem você se lembra quando toco aqui? — Suas pernas feridas tremiam — Do amigo que você tanto ama ou do pai que você tanto odeia?
Morgan não conseguiu segurar as lágrimas, elas escapavam ininterruptamente de seus olhos. Elas vazavam. Quis gritar para que seu colega parasse, que o deixasse em paz, que nunca mais tocasse no assunto, mas a única coisa que pôde fazer fora continuar chorando. Nem uma palavra saía de sua garganta.
Simon deu uma volta com os olhos ao ver o menino em tão penoso estado tão rápido. Estava quebrado, ele todo, de coração e mente.
– Cai fora — Disse ele, desinteressado, afastando-se do louro que caiu de joelhos em sua frente — O que é? Você não achou que iríamos até o final, achou?
Não havia mais nenhum tipo de emoção legível em seu rosto. Morgan, humilhado, limpou o sangue e o muco de seu rosto com a manga da camisa, vestiu as roupas correndo e escapou o mais rápido possível da noite sem fim que se estendia por todo aquele bosque.
Simon era sórdido, torpe, detestável. Rihito não, Rihito era gentil e decerto cuidaria de suas feridas. Rihito tinha olhos azuis, Rihito era como sua mãe.

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