Dies Illa

1 Capítulo I - Da Instituição -


Kensington Academy era um grande internato, um colégio só para rapazes.
Eles, os meninos, estavam privados do contato com o mundo externo. De fora dali, nada se sabia. Alguns recebiam cartas da família de vez em quando e nada mais. E assim seria até se graduarem.

Simon era esbelto, alto, de pele alvíssima como os dentes e cabelos mais negros que a noite de inverno, levemente ondulados e bagunçados, dando-lhe uma aparência de desordem e desalinho. Tinha-lhe uma pinta debaixo do olho esquerdo, fisionomia cansada e pouco amigável. O olhar vacilante de aparente desprezo e o semblante pálido de um enfermo já causavam sussurros e aversão entre os colegas.

Rihito porém era um garoto tímido e não tomava parte nisso, apesar de não deixar de reparar em tão singular pessoa. Quem será ele, pensava, enquanto encarava-o desadvertidamente. A pinta debaixo do olho de Simon despertou muito o interesse no menino.

Rihito tinha os cabelos lisos, também pretos, usava óculos e tinha muito apreço por eles. Sua pele também era clara, mas não como a de Simon. Os olhos levemente fendados, azuis e de longos cílios eram o que mais se destacavam na feição do garoto, já que seus cabelos eram escuros.

O uniforme de colégio tradicional da Kensington Academy por alguma razão dava aos rapazes uma aparência mais infantil. As gravatas em seus pescoços, em cores diferentes separavam-nos em séries. A de Rihito era vermelha, como a de todos primeiros anos, e ele não deixou de a comparar com a do menino que observava. A dele também é, pensou, levemente confuso pois o garoto da pinta parecia mais velho que ele. O sinal tocou e todos se dirigiram à sala de teatro para a cerimônia de abertura.

.... As aulas oficialmente começariam no dia seguinte.

Rihito já em seu quarto, depois de tudo arrumar, à noite, de dentes escovados e banho tomado, voltou a pensar no garoto com a pinta debaixo do olho do qual ainda não sabia o nome. Seria ele um garoto legal? Poderiam eles conversar, tornar-se amigos talvez? Rihito queria conversar, mas não tinham coragem. Quereria o garoto falar com ele? Tornou a pensar na pinta. Teria ele mais pintas como aquela em outras partes do corpo? Ter essa dúvida assustou o menino que, afundando o rosto em seu travesseiro, resolver ir dormir.

Os meninos não tinham contato com o mundo lá fora, mas o internato era grande o suficiente para ter suas próprias histórias.

Notas finais
Pensem no internato como uma escola semelhante à do mangá de "Kuroshitsuji". Obs: certas frases estão em ordem indireta e podem soar estranhas, mas caso você acredite que estão incorretas, me mande uma mensagem.