Dies Illa
25 Capítulo XXIV - Dos Condenados - Parte 1
Notas iniciais
A aula de música havia acabado de terminar e o professor Charmont parabenizava os estudantes.
– Très bien! Vocês estão se esforçando, eu vejo..! — Ele dizia com seu sotaque francês — Mas acredito que a melhor recompensa é poder tocar essa magnífica peça de Mozart, e não minhas congratulações. — Suspirou — Peço encarecidamente que continuem praticando. Estão dispensados.
Rihito levantou-se de seu banco e guardou seu violino favorito no lugar de sempre. O instrumento pertencia ao colégio, é verdade, no entanto ele toda vez chegava mais cedo na classe para escolhê-lo. Desde o ano passado que eles ensaiavam "Requiem in D minor" de Mozart e o movimento que mais agradava ao nosso garoto era "Lacrimosa". Ouvi-la causava-lhe arrepios e tocá-la deixava seus olhos úmidos. Era muito intenso.
Rihito gostava muito das aulas de música. Quem se destacava mais tinha chances de participar da Orquestra da escola no terceiro ano.
Os alunos dispersavam-se da sala, era um intervalo relativamente curto que possuíam até a próxima aula. Rihito encarava bem com seus olhos glaciais a posição de seu violino para que da próxima vez lembrasse onde buscá-lo, até que também saiu de lá.
Enquanto caminhava pelos corredores, um garoto alto o puxou repentinamente pelo braço, virando-o para ele e dando-lhe um beijo na boca, mas não um beijo qualquer. Fora um beijo sonoro, acompanhado de uma sucção em sua língua e em seu lábio inferior.
– Gah! — Exclamou Rihito apavorado, empurrando Simon e olhando ao redor — Você é louco!? E se alguém nos vir?
Simon deu risada, mostrando seus alvos e afiados caninos. Ele pensava que seu companheiro sempre exagerava demais em suas reações, mas tudo certo, ele também achava isso adorável. Significava que o frágil garotinho do qual fizera sua presa era escandaloso.
– E você só sabe chu... — Ele hesitou em pronunciar a palavra — chupar as coisas! Tenho pena da sua mãe quando te amamentou!
Ele reparava já há uns tempos que este era aparentemente o único modo como o garoto-vampiro se relacionava com o mundo ao seu redor e sempre mencionava. Os olhos negros de Simon se arregalaram e ele gargalhou, de todo coração. Vendo isso pela primeira vez, o menino de óculos também quis rir, os cantos de sua boca se viraram para cima.
– Agh! Tchau! — Falou bem alto, já partindo por não saber mais o que dizer.
– Hey! — Chamou o outro — Passa no meu quarto hoje depois das aulas.
Rihito corou.
– Idiota!
De fato eles não corriam perigo pois ninguém os vira nem tampouco ouvira suas conversas. Exceto por um menino louro que detestava ter e ver olhos castanhos.
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Rihito cravava as unhas nos livros que carregava, estava ansioso e inseguro. Seu namorado disseram que queria vê-lo em seu quarto. No banheiro do vestiário eles haviam se tocado mas ainda assim não conseguia sentir-se confortável.
Hng... Só aquela memória já fazia sua pele formigar. Sabendo do perigo, Rihito decidiu ir mesmo assim, de mãos suando. "Não vou ser obrigado a fazer nada que não quero, certo?" ele reconfortava a si próprio.
O garoto dos óculos passou em seu quarto antes para deixar seus pertences e sair novamente. Avistou Morgan de longe e acenou nervoso para o amigo, que nem respondeu. "Então quer dizer que ele vai mesmo..."
O louro, paralisado à porta de seu aposento, encarava com uma expressão azeda as costas do Rihito que descia as escadas. Algo havia sido quebrado ali, em seu mundo, naquele exato momento.
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