Dies Illa

9 Capítulo VIII - Da Melodia dos Gêneros -


Era um dia de calor em Kinsington Academy. Os garotos todos usavam camisas de mangas curtas e suspensórios a fim de sustentar as calças. Fazia parte do uniforme.

Morgan estava em uma roda com seus amigos usuais, seus cabelos brilhavam dourados embaixo do sol. Cor de mel, De caramelo. De doce de leite, de...

– Rihito! — chamou o louro, avistando o amigo que o observava parado — Vem! — E acenou com a mão, abrindo um sorriso largo.

Morgan abraçou o amigo e percebeu uma essência diferente nele. Segurou em seu rosto e colou o nariz (e consequentemente a boca também) em sua bochecha e comentou se ele havia trocado o sabonete.

– Como você sabe disso? — Rihito timidamente perguntou.

– Eh, Morgan! — Seus amigos exclamaram — Você parece até um gay fazendo isso! Hahaha...

– Hm? — O louro virou o rosto para olhá-los, seus claros cílios cobriam metade de suas pupilas — Mas eu sou gay.

Todos tinham espanto em seus rostos, inclusive Rihito.

Morgan estava com as mãos frias e suadas, contudo aparentava estar bem calmo externamente. Circulou os braços ao redor do pescoço do amigo.

– Vão me dizer que nunca perceberam? — O louro deu uma risadinha abafada.

– M--mas Morgan, você sabe que pederastia é proibido dentro dos limites da escola, não..? — Um deles interferiu.

– Bleh, regras sem fundamento! Quem liga pra elas? — E beijou o imóvel Rihito no rosto.

Seus amigos torceram o nariz para toda aquela exibição.

– Ok Morgan, pode parar de brincar agora..? — Um outro pediu.

Todas reações deles estavam se acumulando. Morgan se aborreceu. Era como se agora eles olhassem para uma poça de vômito.

– Isso não é uma brincadeira, droga! — Ele gritou e saiu correndo pelos jardins afora.

Seus amigos também partiram murmurando coisas como você sabe como ele é, é só brincadeira dele, mas ele tem mesmo um jeito afeminado, ele estava falando sério! Credo!

Rihito já tinha percebido que o louro sempre fora muito atrevido e que por vezes já o pegara espionando-o no banho ou mexendo em suas roupas, mas nunca se incomodou. Quer dizer então... que Morgan era mesmo gay? Que excêntrico!

Nos bosques aonde o menino corria, uma delgada e pálida figura ficara para trás sem ser notada.

–-- ♪ ---

Rihito estudava física na biblioteca vazia, havia pego emprestado 3 tomos de uma só vez quando foi interceptado por Simon.

– Calorimetria, eh? — Disse Simon, sentando-se ao lado do garoto de óculos — Você não pode fazer a transformação de Fahrenheit para Celsius dessa maneira. — Ele então pegou o lápis da mão de Rihito e começou a resolver as contas para o colega — Você deve equiparar as duas escalas primeiro, calcular a variação de temperatura delas nesses parâmetros e só então realizar a transformação.

Os olhos glaciais de Rihito observavam com interesse. Estava invertendo as etapas. Agradeceu, por fim. Simon tinha um sorriso satisfeito e arqueado nos lábios enquanto apoiava sua cabeça na mão e o cotovelo na mesa.

– Ah, ah... Hoje está tão quente, não? — Ele acanhadamente disse, e agora em pé, carregava os livros nos braços.

– Claro... — Respondeu o outro, tocando na pele da mão do colega — Eu não estou nem... Aguentando...

As veias de Rihito estavam inchadas devido à temperatura do clima desde o antebraço, nos pulsos e nas costas das mãos. As pontas de seus dedos e os nós de seus ossos metacarpais estavam rosados. Simon delineou as veias do garoto lentamente. Ele conseguia até ver um sutil movimento nelas à medidas que o sangue pulsava por dentro.

– S--simon? Simon?

O garoto das pintas estava absorto naquela pequena parcela de seu mundo.

– Simon?

Sua respiração alterou-se, tornou-se rápida e um tanto descompassada. Repentinamente botou ambas mãos na lombar de Rihito e puxou-o para si, obrigando seus quadris a se encontrarem.

– Simon!?

O garoto das pintas beijou-o, seus olhos negros focados no colega, um beijo longo e caprichoso. Ele, porém, tão acostumado que era a sugar que seus hábeis movimentos semelhavam tentativas de engolir a língua de Rihito. Não houve derramamento algum de saliva. Era como se Simon quisesse comê-lo a partir das entranhas. Ao separarem-se, ele mordeu os lábios e piscou algumas poucas vezes, de olhos vacilantes novamente. Rihito no entanto passava por um misto de sensações.

– Eu ainda não cumpri nosso trato completamente — Disse Simon, calmamente.

Com movimentos desleixados e expansivos, ele abaixou a cabeça e abriu o cinto de suas calças. O rosto de Rihito enrubesceu-se de imediato.

– Você não tem nenhuma noção e nem vergonha, não é!? — O nosso menino empurrou-o com os livros contra seu peito.

Simon parecia não entender.

– Mas você não viu todas elas — Ele retrucou — Minhas pintas. Eu as tenho nas pernas também... Nas coxas, na bunda e até em meu...

– Gaah! Cala a boca! — Rihito saiu nervoso, com as bochechas ardendo.

Simon sorriu maliciosamente divertido. É errado brincar com a comida, certo... Se você tivesse pronunciado meu nome mais uma vez sequer... Ele saiu pelos corredores rindo para si, enrolando mechas de seu cabelo de ébano nos dedos e ignorando o cinto que continuava aberto.

Notas finais
Simon é um cara muito desleixado! eu espero estar conseguindo passar uma atmosfera de desleixo e sensualidade natural dele, quero dizer que ele faz as coisas sem pensar muito e que ele não dá muita importância ao seu meio ambiente, sem intenção.. ah ;v;