Die, dear Fleur
1 Goin'Down
Notas iniciais
Espero que gostem.
Boa leitura ♥
Eu caminhava apoiando-me na parede, avançado na escuridão do corredor. Não enxergava nada. Absolutamente nada. Não fazia ideia de como havia chegado ali, mas la estava, e queria sair o mais rápido possível. Passos lentos e inconstantes, cheios de medo. Bati contra a parede, indicando o fim do corredor. Não tinha para onde ir.
Um pedaço do chão sobre meus pés desabou, e com sorte, consegui agarrar-me ao piso que, logo iria ceder também. Me sentia patética. E, me sentia ainda mais patética com tamanha calma. Olhos azuis bastaram para acabar com toda a calma, fazendo-me tremer. Suas mãos tocaram as minhas, queimando minha pele.
-Jack — Consegui dizer enquanto ele agarrava meus pulsos. Estava salva. Reconheceria aqueles olhos em qualquer lugar. Suas mãos soltaram as minhas, e cai em direção ao desconhecido que parecia nunca chegar. Uma risada psicótica chegou aos meus ouvidos e não esbocei reação alguma, simplesmente cai em direção a morte.
Uma cama. Meu corpo atingiu uma cama que parecia ser feita de madeira. Ali deitada, completamente imóvel, tive a visão do meu funeral. A chuva caia nos guardas-chuvas pretos, produzindo o único som. Aos poucos, as pessoas se dispersavam, ficando apenas um homem de sobretudo preto, segurando uma rosa vermelha. Podia ouvir seus sussurros ''Você se foi'', jogou a rosa com escárnio ao túmulo e então, os azuis abriram-se agitando-me novamente. Jack...
A visão desapareceu, e eu continuava olhando para a inebriante imensidão negra acima de mim. Alguns ossos pareciam ter sido quebrados com a suave queda, a dor aguda em minhas costelas era agoniante. Eu jamais esqueceria aqueles olhos. Os mesmos olhos que me amaram e jogaram-me de encontro a morte. Eu estava morta? Não sentia meu coração bater. Mas, se eu estava morta, porque sentia como se ainda estivesse morrendo?
Dei-me conta de que as paredes juntavam-se, chegando cada vez mais perto da cama. Se eu ainda não estivesse morta, não continuaria a viver por muito mais tempo. Esperei pelo meu fim, calma e taciturna como a morte.
O silêncio da minha mente desaparecia diante aos azuis, perturbando-me. Olhei ao redor tentando enxergar algo. As paredes começavam a quebrar a cama, fazendo-a ceder, levando-me a outra queda curta ao chão. O desespero então tomou conta de mim. Embora fosse inútil me debati loucamente enquanto elas se aproximavam cada vez mais. Tentei gritar, tentei com toda a força que eu tinha, mas minha voz não saia. As lagrimas escorriam junto ao suor frio.
Estiquei os braços, tentando de maneira infantil segurar as paredes, o ar faltava-me aos pulmões. As paredes com certeza eram mais fortes. Meus braços quebraram-se, um grito interno me consumiu enquanto meus braços caíram como lixo. Eu chorava desesperada, olhando para cima, implorando por salvação. O único som era o de meus ossos quebrando-se em conjunto. Antes de ter a cabeçaesmagada, os olhos azuis fitaram-me uma última vez naquele estado deplorável. Agora, eu entendia. Por trás dos azuis a morte se escondia. O sussurro da voz da Jack com seu sotaque francês encantador chegou aos meus ouvidos segundos antes do meu crânio explodir em sangue.
''Die, dear Fleur''
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