Notas iniciais
Ol!
Espero que gostem.
Boa leitura ♥

Eu caminhava apoiando-me na parede, avançado na escuridão do corredor. Não enxergava nada. Absolutamente nada. Não fazia ideia de como havia chegado ali, mas la estava, e queria sair o mais rápido possível. Passos lentos e inconstantes, cheios de medo. Bati contra a parede, indicando o fim do corredor. Não tinha para onde ir.

Um pedaço do chão sobre meus pés desabou, e com sorte, consegui agarrar-me ao piso que, logo iria ceder também. Me sentia patética. E, me sentia ainda mais patética com tamanha calma. Olhos azuis bastaram para acabar com toda a calma, fazendo-me tremer. Suas mãos tocaram as minhas, queimando minha pele.

-Jack — Consegui dizer enquanto ele agarrava meus pulsos. Estava salva. Reconheceria aqueles olhos em qualquer lugar. Suas mãos soltaram as minhas, e cai em direção ao desconhecido que parecia nunca chegar. Uma risada psicótica chegou aos meus ouvidos e não esbocei reação alguma, simplesmente cai em direção a morte.

Uma cama. Meu corpo atingiu uma cama que parecia ser feita de madeira. Ali deitada, completamente imóvel, tive a visão do meu funeral. A chuva caia nos guardas-chuvas pretos, produzindo o único som. Aos poucos, as pessoas se dispersavam, ficando apenas um homem de sobretudo preto, segurando uma rosa vermelha. Podia ouvir seus sussurros ''Você se foi'', jogou a rosa com escárnio ao túmulo e então, os azuis abriram-se agitando-me novamente. Jack...

A visão desapareceu, e eu continuava olhando para a inebriante imensidão negra acima de mim. Alguns ossos pareciam ter sido quebrados com a suave queda, a dor aguda em minhas costelas era agoniante. Eu jamais esqueceria aqueles olhos. Os mesmos olhos que me amaram e jogaram-me de encontro a morte. Eu estava morta? Não sentia meu coração bater. Mas, se eu estava morta, porque sentia como se ainda estivesse morrendo?

Dei-me conta de que as paredes juntavam-se, chegando cada vez mais perto da cama. Se eu ainda não estivesse morta, não continuaria a viver por muito mais tempo. Esperei pelo meu fim, calma e taciturna como a morte.

O silêncio da minha mente desaparecia diante aos azuis, perturbando-me. Olhei ao redor tentando enxergar algo. As paredes começavam a quebrar a cama, fazendo-a ceder, levando-me a outra queda curta ao chão. O desespero então tomou conta de mim. Embora fosse inútil me debati loucamente enquanto elas se aproximavam cada vez mais. Tentei gritar, tentei com toda a força que eu tinha, mas minha voz não saia. As lagrimas escorriam junto ao suor frio.

Estiquei os braços, tentando de maneira infantil segurar as paredes, o ar faltava-me aos pulmões. As paredes com certeza eram mais fortes. Meus braços quebraram-se, um grito interno me consumiu enquanto meus braços caíram como lixo. Eu chorava desesperada, olhando para cima, implorando por salvação. O único som era o de meus ossos quebrando-se em conjunto. Antes de ter a cabeçaesmagada, os olhos azuis fitaram-me uma última vez naquele estado deplorável. Agora, eu entendia. Por trás dos azuis a morte se escondia. O sussurro da voz da Jack com seu sotaque francês encantador chegou aos meus ouvidos segundos antes do meu crânio explodir em sangue.


''Die, dear Fleur''

Notas finais
Espero que tenham gostado!Ela é bem curtinha mesmo, foi a primeira que escrevi no rumo das ''Originais''.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!