Die For Love
1 Capitulo único.
Notas iniciais
Ele já havia se virado. Não conseguia mais ver seu lindo rosto. Apenas seu cabelo liso e comprido.
Eu nunca havia sofrido assim antes. Ele me deixou! O amor da minha vida me deixou! E eu o via afastando-se cada vez mais. Não conseguia me mover. Só sentia meu coração sendo despedaçado, jogado no lixo e as lágrimas correrem pelo meu rosto. Minha respiração estava apresada.
Já estava sumindo... quase não o via mais. E eu ainda imóvel debaixo daquela arvore... a arvore em que estava escrito nossos nomes no meio de um coração. Agora ele me trouxera ali para traçar um risco no mesmo?! Dizer que tudo acabou?! Isso não é justo! Fui eu quem enxugou as lagrimas dele, fui eu quem deu apoio em tudo, fui eu que o amei como se não houve o amanhã!
Vi a imagem dele parando. O que ele queria? Completar meu sofrimento e dizer que me odeia?
- RAQUEL! – Gritou. Gritou alto... o mais alto que podia. Sua voz soava chorosa, triste, vazia.
- Vá! É isso que você quer! Seja feliz! Quero que você seja muito feliz!
O silencio tomou conta do parque. O único som que se ouvia era do canto dos passarinhos. Ele já estava longe, mais era como se nossos corações estivessem conectados. Eu conseguia sentir que ele sofria.
Mais por quê? Se ele sofre, por que não fica comigo?
Ele voltou-se a mim. Correu em minha direção. Eu continuava imóvel. Eu queria correr até ele! Eu queria abraçá-lo! Queria novamente sentir seus lábios nos meus!
Ele chegou na minha frente. Parou quase encostando seu corpo no meu.
- Não quero te ver sofrendo. Não é sua culpa o que o destino proporcionou. Estava tudo escrito. Eu te amo Raquel.
- Se me você me ama, não me deixe.
- Eu sempre quis que esse dia nunca chegasse. Para que eu não te dissesse adeus.
- Por que isso?! Fique comigo...
- Não posso. Já estava decidido o que iria ser. Preciso te deixar. Não agüento mais tudo isso. Já abandonei tudo. Acabei com tudo. Tive que ter a coragem de dizer adeus pra você, por ultimo. Sabe como sofri?
- Comece novamente. Estaca zero. Não quero que me diga adeus. Não posso suportar ouvir essa maldita palavra vinda da sua boca. Por favor Daniel! Não me deixe!
Eu o amava... ele não podia me deixar!
- Não posso.
- É claro que pode! Você nem ao menos tentou!
- EU JÁ DISSE QUE ABANDONEI TUDO! Você também abandonou. Tudo pelo nosso amor. Quero que seja feliz. Comece você do zero. Eu nunca tive vontade de viver. Respiro apenas pela sua existência. Mais o ar já não existe no meu mundo.
- Se eu soubesse que aquele seria nosso ultimo beijo...
- Aquele não foi nosso ultimo beijo. – Pegou no meu braço com certa força, e puxou-me junto a ele. Me encarou com os olhos cheios de lagrimas. – Mais esse será. – Me beijou. O beijo mais apaixonado que eu já recebera foi aquele...
Foi rápido. Logo ele se retirou de perto de mim.
- Não quero que sofra. Viva Raquel, viva! Sabe que de certa forma, meu coração continuara batendo por você. Ninguém verá ou sentirá. Só você.
- Daniel... – Murmurei. Ele não poderia estar pensando em fazer isso... não poderia! Por quê?!
Ele correu, tão rápido, que não pude alcançá-lo. Cai ao chão. A pequena garoa que caia logo se transformou em um chuva forte.
- DANIEEEEL!
Pousei minha cabeça sobre a grama molhada. Me virei para a arvore com o coração e nossos nomes. Minhas lágrimas misturavam-se a chuva.
Lembrei-me do papel que ele colocou m meu bolso enquanto me levava pra debaixo da arvore.
O tirei, e comecei a ler rápido, porém com atenção, antes que a chuva o estragasse.
“Quando você parte, as palavras que preciso ouvir
Pra sempre me fazer superar o dia
E fazê-lo ficar bom
Eu sinto saudades
Fomos feitos um para o outro para um todo sempre
aqui e para sempre
Estou certa de que fomos
...
Tudo que eu sempre quis foi que você soubesse
Que tudo que faço me entrego de corpo e alma
Eu mal consigo respirar, eu preciso te sentir ao meu lado”
Aquela era minha música preferida... A primeira vez que fiquei sem ele ao meu lado, apenas ouvia aquela música. Não posso acreditar que dessa vez ele me disse adeus. NÃO POSSO!
Preciso de você pra viver, você é meu ar... não posso suportar viver sem ti ao meu lado.
- Preciso de você...
Levantei-me. A chuva atrapalhava minha visão. Mais conseguia ver o prédio onde morava.
Corri até ele. Com esperanças de que Daniel estivesse no sofá da minha sala, com um sorriso vitorioso dizendo que era tudo uma brincadeira e que eu era a mulher de sua vida...
Adentrei o portão, a porta de entrada, subi as escadas deixando grossas gotas de agua caissem sobre elas. Abri a porta com um empulsso forte, que bateu contra a parede.
Ele não estava no sofá. Ia correr para o quarto... talvez estivesse lá! O telefone me impediu de continuar.
- Alô?! Daniel?! Daniel?! Sabia que estava brincando...
- Srta. Raquel, Daniel subiu a alguns minutos atras, disse que iria esperar por você no quarto.
Aquela noticia alegrou-me. Corri até lá.
Sim, ele estava no meu quarto. Mais morto. O sangue escorria pelos seus pulsos. Sua ultima lagrima que correra por seu rosto ainda estava lá. Caminhei até ele. Não sentia mais meu coração batendo. Simplesmente parecia que havia parado de bombear o sangue suficiente para me manter viva. O objeto que ele usara para se matar, ainda estava em sua mão esquerda. Eu queria gritar! Gritar tanto! Mais não conseguia.
Debrucei-me sobre o cadaver. Beijei sua boca morta. Peguei o objeto que fora a chave da morte para ele.
- Morrer por amor. Por que fez isso Daniel? – Minha voz já não era a mesma. — Respiro apenas pela sua existência. Mais o ar já não existe no meu mundo.
Passei o tal objeto sobre meus pulsos.
Meu mundo não poderia mais existir sem ele ao meu lado. Você foi o único motivo do meu viver. Eu te amo.
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