Did you miss me?

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Oie!

Primeira fic que escrevo de outro ship que não seja Sherlolly, então espero que não esteja muito ruim...rs

Meus dedos tamborilam na mesa sem que eu mesma perceba, mas ele nota e me encara. Observo o sorriso irônico que ele lança em minha direção, enquanto segura a caneta em sua boca, provavelmente mordendo a tampa.

É o final do meu último ano na faculdade e nós dividimos algumas aulas nesses semestres. James Moriarty. Ou Jim.

- Entediada?

É tudo que ele me pergunta quando caminhamos para fora da sala de aula. Ergo a sobrancelha e torço os lábios. Óbvio que estou.

- Venha, vamos nos divertir então.

Jim me puxa pelo braço e eu já estou sorrindo. As ideias de diversão dele são sempre as mais simples e geralmente envolve que a gente mate aula e fique jogando conversa fora sobre o que faremos após terminar a faculdade. Ele entedia-se com frequência, então é comum que a gente não fique nas aulas.

A inteligência dele me impressiona, mas não a forma como ele a utiliza. James já controla um grande número de pessoas, que são capazes de qualquer coisa para fazer o que ele pede — ou manda.

Nos conhecemos quando ele me defendeu de um professor que me humilhava por eu não saber a resposta de uma pergunta. Ele se levantou enquanto o professor falava, fazendo toda a turma ficar em silêncio e caminhou até o quadro, escrevendo um complexo cálculo matemático.

- Resolva-o. — Jim estende o giz para o professor, que o encara com o rosto vermelho de raiva. — Ah. O senhor não consegue? — Ele finge inocência. — Molly Hooper, gostaria de tentar? — Seus olhos colam nos meus e eu sei que não poderia negar. Naquele momento percebo que nunca negaria nada que ele me pedisse.

Levanto-me tímida de minha cadeira e pego o giz de sua mão. Resolvo o cálculo rapidamente. Foi passado em alguma de nossas aulas anteriores e eu tinha facilidade com eles.

- Parabéns, Molly. — Jim pisca pra mim e eu volto a me sentar. — Como podemos ver, a falta de conhecimento não é unilateral. Talvez o senhor possa explicar à Molly sobre a matéria que ela está com dúvidas, ao invés de se divertir com isso. E talvez, só talvez, ela possa ensiná-lo a resolver o cálculo, caso avalie que o senhor tem a capacidade de resolvê-lo.

Isso rendeu a Jim uma suspensão. E a nós uma amizade.

Algum tempo depois, o professor foi dispensado do cargo. Vi James sorrir cinicamente com a notícia, não havia nada com o qual ele não estava envolvido. Às vezes isso me incomodava, mas na maioria das vezes ele me passava uma sensação de segurança. Era como se eu estivesse protegida de tudo e de todos.

- Molly, você vai à festa de formatura comigo? — É o que ele pergunta enquanto estamos sentados na grama depois de não entrar em mais uma aula.

- Achei que você não fosse.

- Responda, Molly.

Reviro os olhos. Ele é intransigente.

- Sim, vou com você.

Ele me dá um sorriso enviesado e eu correspondo.

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Vamos juntos à formatura. Jim está sendo extremamente gentil, não era exatamente o comum de seu comportamento.

- Venha. — Ele me puxa pela mão para o exterior da festa, onde há um jardim. Gosto do seu contato com minha pele. — Dance comigo.

- Você está brincando, não é? — Respondo sorrindo.

- Não. — Jim me puxa para os seus braços e começa a balançar no som da música.

Inspiro seu perfume tentando empurrar para bem longe os sentimentos que se apoderam de mim. Não posso deixar que isso aconteça.

- Molly... Eu estou indo embora. — Principalmente agora.

Fico sem palavras e suspiro contra o ombro dele. Não sei o que posso dizer. Não é algo que me surpreenda em Jim, mas...

- Para onde? — Quase não escuto minha voz quando pergunto. Paro de dançar e nós ficamos apenas abraçados.

- Isso não é algo que você deva saber, Molly.

Os negócios escusos de Jim. Sempre eles. Sinto lágrimas se formarem em meus olhos.

- Por quanto tempo? — Continuo com meu rosto encostado no ombro dele, não quero olhá-lo.

- Não sei. Tenho muitas coisas para resolver.

Percebo que estou perdendo-o e tomo coragem para me afastar o suficiente para encará-lo.

- Jim... Eu...

- Molls, não. — Ele faz com que eu encoste novamente em seu ombro. — Não sou capaz de ter esse tipo de sentimento. Eu não possuo a vocação para amar, Molly. Mas... Se acontecesse — ele completa, sussurrando para mim — seria com você.

Minhas mãos se fecham no casaco dele, a suas costas, e minhas lágrimas escorrem. Ficamos assim até que eu me recomponha e Jim não diz mais nada sobre sua partida.

Ele me deixa em casa ao fim da noite. Não gostaria que essa noite tivesse terminado nunca.

- Eu ainda vou ver você? — Pergunto quando estou prestes a descer do carro.

James me encara por alguns segundos, mas não responde. Por fim, ele desvia os olhos dos meus. Entendo sua resposta. Beijo-o no rosto e saio do carro antes que comece a chorar novamente.

Não o vejo mais. Por anos.

--- --- ---

Terminei minha especialização e consegui um emprego no hospital St. Barts. No início eu era apenas a assistente de um legista, mas não demorou muito até que eu conseguisse meu próprio cargo, com direito a um escritório, quando o mesmo se aposentou. O estudo dos mortos sempre foi algo que me atraiu, talvez fosse uma sombra de Moriarty que vivia em mim. Por falar em James, eu ainda pensava nele. Mentiria se dissesse que todos os dias, mas garanto que com frequência. Meu coração ainda se apertava quando eu via algo que me remetia a ele. Algum tempo atrás eu precisei buscar uma anotação em meus cadernos da faculdade e meus olhos se encheram de lágrimas ao ver uma nota com a letra dele.

Eu tinha seguindo em frente, aos trancos e barrancos, mas sabia que nunca conseguiria esquecê-lo totalmente, sempre tinha a esperança de reencontrá-lo. Às vezes andava na rua procurando-o em cada rosto.

Então, é possível imaginar que meu coração quase parou quando eu me virei, após achar um arquivo em meu armário, e dei de cara com Jim parado à porta do meu escritório, olhando-me com seu habitual sorriso enviesado.

Ficamos nos olhando por alguns segundos, nos analisando, até que meu desejo venceu e eu atravessei minha pequena sala para me jogar em seus braços.

- Droga, Jim!

- É assim que você me recebe após tanto tempo? — Ele ri. — Como você está?

A mesma voz, o mesmo cheiro, o mesmo abraço. De repente sinto que meu mundo volta para o lugar. A aura de perigo está ali, ele expira isso. A ameaça está ali, o tempo todo. Mas ela me atrai ao invés de me repelir. Não consigo explicar, mas não vejo James como todos devem ver. Para mim ele é apenas ele. Apenas Jim.

- Senti sua falta.

- Eu também. — Ele diz enquanto acaricia levemente meus cabelos. — Gostei do seu escritório. Foi uma grata surpresa o médico anterior se aposentar, não?

Afasto-me dele e o encaro.

- Você não...

- Shiu... Ele precisava se aposentar. — James volta a me abraçar e eu fico em choque. Por quanto tempo ele esteve me observando e alterando o rumo de minha vida? Isso não dura muito, porque logo ele me chama para almoçar e eu estou tão feliz em vê-lo que esqueço todo o resto.

Deixo meu trabalho e o acompanho até um restaurante. Nós conversamos e é como se o tempo não tivesse passado, como se fosse o dia seguinte ao de nossa formatura.

- Molly, eu preciso de sua ajuda. — Uma rachadura em meu mundo perfeito. Olho para ele de forma desconfiada. — Preciso que você me ajude com Sherlock Holmes. Você o conhece, não?

- Nós nos vimos algumas vezes sim, quando ele precisa de acesso a algum corpo. Por quê?

- Sem perguntas, Molly. Preciso que você se aproxime mais dele, que consiga algumas informações para mim.

Olho para minhas mãos, pensando no que ele está me pedindo. Jim nunca me envolveu em seus negócios antes, e eu não quero entrar.

- Foi para isso que você voltou? — Pergunto finalmente.

- Tenho alguns — ele faz uma pausa pensando na palavra — problemas com Holmes que preciso resolver.

A tristeza toma conta de mim: ele não veio para me ver. Levanto-me da mesa.

- Desculpe, James.

Viro-me para ir embora, mas ele me impede segurando minha mão.

- Molly... É a única coisa que eu peço a você. Você gosta dele, não é?

Como ele pode pensar isso? Respiro fundo e balanço a cabeça negando. Solto minha mão e saio do restaurante, indo direto para minha casa.

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Ele me manda diversas mensagens durante os dias quem passam. Jim mostra mais uma vez o poder que tem sobre mim quando, de forma quase inconsciente, eu acabo me aproximando de Sherlock. Descubro muitas coisas sobre ele e sua rotina, mas não conto a Jim. Não conversei mais com ele depois do episódio do restaurante.

Vejo Sherlock ficando cada vez mais tenso em suas investigações. Ele não me conta o que é, e um frio percorre minha espinha quando desconfio que Jim está por trás disso. Tento me isolar desse assunto, não quero saber. Tiro férias do hospital e fico o mais distante possível de toda a história. Tenho medo de saber do que Jim é capaz.

As mensagens dele cessam com o tempo. Meus dias voltam a ficar escuros e me torno tensa, preocupada. Tento levar minha vida da melhor forma possível, esperando que o tempo passe e que tudo isso acabe. Vejo Sherlock cada vez mais no limite. Ouço por cima que pessoas estão correndo riscos, estão perto de perder suas vidas. O que Jim está fazendo? Por que tudo isso está acontecendo?

Jim é preso. Há um julgamento. Deus. Por que tudo isso? Decido sair da minha inércia e parto para o hotel onde sei que ele está hospedado. Isso não pode continuar.

Anuncio minha chegada à recepção e sou autorizada a subir. A porta do quarto dele é aberta antes mesmo que eu bata. Encaro os olhos frios que não me assustam e entro antes que ele me convide.

- O que significa isso, Jim? O que está acontecendo?

Ele me dá o irritante sorriso irônico enquanto fecha a porta e pela primeira vez eu odeio por esse gesto.

- Isso o que, Molly?

Olho para ele com raiva. Realmente sinto ódio dele agora. Isso nunca havia acontecido antes.

- Você está obcecado! Não consegue perceber? Você está ameaçando vidas, Jim, pelo amor de Deus!
— Engraçado, Molly, você nunca se importou com elas quando era para seu benefício. – Ele senta-se na cama, ainda sorrindo de canto. Fico em pé a sua frente e sinto meu rosto enrubescer com a raiva que sinto.

- Eu nunca pedi nada a você. Nem sequer me metia em seus negócios, mas, por favor, você está ultrapassando todos os limites! Enxergue isso! – Tento segurar minhas lágrimas, mas elas começam a cair. De alguma forma insana eu ainda o amava.

- Não pode haver dois de nós, Molly. – A voz dele é fria, calculista.

- Você está ouvindo o que está dizendo, James? Você consegue ouvir o tamanho desse absurdo? – Viro-me de costas para ele e me preparo para ir embora, percebo que nada do que eu disser o fará mudar de ideia. – Você me envergonha. Nunca achei que fosse me decepcionar tanto assim... – Respiro fundo diante do que vou dizer. — Eu amava você, Jim. Adeus...

♫ ♪ ♫

That’s why I’m leaving you for the moment

You for the moment

Boy blue, yeah, you

Antes que minha mão alcance a maçaneta da porta Jim me puxa pelo braço, virando-me para que eu possa encará-lo. Ele me beija com violência e eu me agarro a ele como se tudo dependesse disso. Eu não quero deixá-lo, só quero que tudo se resolva, que Jim esqueça essa ideia absurda. O beijo com todo o sentimento que tenho guardado em mim há anos, desejando que o momento se eternize, que faça com que ele mude de ideia, que tudo volte aos eixos.

Não deixo que ele tenha tempo para pensar no que está fazendo. Minhas mãos descem pela camisa branca que ele usa, desfazendo os botões. Ele para e me olha por alguns segundos e eu vejo desejo em seus olhos. Vejo sentimentos que ele sempre tentou esconder.

- Você tem certeza que quer continuar com isso?

Confirmo com a cabeça, mordendo o lábio inferior. James leva uma mão até meu queixo e faz com que eu o solte.

But something keeps me really quiet

I’m alive, I’m a lush

- Eu quero isso há muito tempo, Molly. – Sua voz é baixa e meu desejo aumenta. De repente é como se não existisse mais nada entre nós, nenhum problema. Somos apenas nós dois, como na faculdade.

Voltamos a nos beijar e eu termino de tirar sua camisa, sentindo seus músculos por baixo de meus dedos. Sempre quis tocá-lo e demoro para me convencer que agora posso fazer isso de uma forma completa, sem precisar de alguma desculpa.

Jim tira minhas roupas de forma metódica enquanto me leva até a cama. Ele me toca com carinho e adoração, diferente e muito melhor do que eu esperava dele. Espalha beijos por meu corpo, causando-me pequenos delírios a cada vez que ele passa por algum lugar estratégico. Nós nunca tínhamos tido esse tipo de contato antes e, no entanto, ele parecia conhecer cada detalhe do meu corpo, tocando-me onde sabia que me daria mais prazer.

Tentei retribuir a altura todas as emoções que ele me fazia sentir, vendo-o fechar os olhos com força e suspirar a cada momento que minha mão corria por seu corpo. Ele estremecia involuntariamente e eu me sentia poderosa por conseguir causar essas reações em um homem que até então era imune a sentimentos de qualquer espécie.

Quando nos unimos, eu me sinto completa. Como se tudo o que sempre faltou em minha fosse Jim. Ele move-se firmemente dentro de mim, levando-me lentamente ao êxtase completo.

On the balcony and I’m saying

Move baby, move baby, I’m in love

Ele deixa meu corpo devagar e deita-se com cuidado ao meu lado, puxando-me para seus braços.

- Eu não vou mudar o que sou, Molly, mas não vá embora essa noite... – A voz dele beira o suplício. É estranho vê-lo assim, carente.

E eu não vou embora. Não falamos mais nada, apenas trocamos carinhos até que eu adormeça, ali, onde parece ser meu lugar.

Mas, quando acordo pela manhã, Jim não está ao meu lado e em seu lugar há apenas um bilhete.

“Ajude Sherlock, ele precisará de você ao seu lado. JM”

Eu sinto as lágrimas quentes invadirem meu rosto novamente. Jim partira mais uma vez. E continuava com o plano de acabar com Sherlock, mesmo depois de tudo que tinha acontecido. Nada tinha significado para ele e essa constatação é como se alguém apertasse meu coração. Eu não importava para ele. Nunca importei.

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Não me surpreendo quando Sherlock pede minha ajuda e eu o faço sem ao menos pensar. Quando tudo termina e eu descubro que Jim se matou, o mundo desmorona aos meus pés. Tranco-me em meu escritório, sentando-me no chão, e deixo que as lágrimas escorram livres. Apesar de tudo que ele tinha causado o amor estava ali, intacto. Desejei que tudo tivesse sido diferente. Desejei poder ficar com Jim para sempre em um lugar em que só existisse a nós.

Não sei por quanto tempo fico ali. Todos acham que eu choro por Sherlock e eu sou a única que sei que ele está vivo, por isso posso esconder toda minha dor atrás dessa desculpa.

O corpo de Jim não vem para que eu faça a autópsia, ele é levado pelo governo. Agradeço aos céus porque não sei se suportaria. Peço afastamento de alguns dias e gostaria de nunca mais sair da minha cama, ficar para sempre escondida debaixo de meu edredom. Chamo por Jim. Imploro que ele venha e me salve. Mas ele não vem.

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Passam-se meses e só depois de um ano que Jim morreu é que consigo me envolver com outra pessoa. Tom. Mas eu não o amo.

Sherlock volta algum tempo depois e a comoção é geral. Ele me agradece pela ajuda e diz que eu não deveria me apaixonar por sociopatas. Penso em Jim novamente e penso que sim, talvez seja realmente meu tipo.

O casamento de John e Mary chega. Eu tinha me aproximado deles depois que tudo aconteceu, então estou lá com o idiota do Tom. Meu relacionamento com ele acaba logo após isso, não consigo mais suportá-lo. Sinto falta da inteligência de Jim e como ele me fazia sentir protegida.

Continuo vivendo minha vida vazia, mas tudo agora não parece fazer o menor sentido. Já faz mais de três anos que Jim morreu e eu não consigo lidar com isso ainda. Não consigo esquecê-lo. E é por isso que meu coração quase para quando vejo o rosto dele no televisor do hospital. Não tenho reação. Parece que todo meu corpo congela e eu viro uma estátua. Tenho medo até de respirar e descobrir que estou tendo algum tipo de alucinação.

Assusto-me quando meu celular vibra no bolso do meu jaleco, fazendo com que eu saia do estupor em que me encontro. As letras brilham na tela:

“Sentiu minha falta?”

O aparelho cai de minhas mãos como se pegasse fogo e eu não consigo acreditar. Jim.

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Pouco mais de 3 anos antes.

Olho para Molly dormindo em meus braços e reflito sobre tudo o que ela me disse, tudo que me levou até aqui. O sentimento de posse que tenho sobre ela faz com que eu perca noção de tudo a minha volta. O poder corrompe. Assim como o dinheiro. Assim como o ciúme.

Não era por uma rivalidade quanto à inteligência que eu queria acabar com Holmes. Mas sim, porque observei Molly todos os anos enquanto estive fora e vi a atração mútua que surgia ali. Por mais que eu quisesse negar, eu já estava apaixonado por ela ao partir. Aliás, eu viajei justamente para me livrar disso e tudo que consegui foi observá-la à distância, dando pequenos empurrões em sua carreira e ficar louco de ciúme ao vê-la se aproximar de Sherlock Holmes. Por ser parecido com ele, conseguia perceber os sinais de que ele estava interessado nela.

Eu sabia o quanto a minha inteligência a atraía. E eu sabia o quanto ele também era inteligente. Quanto tempo levaria para que Molly se apaixonasse por ele? Sim, isso era insegurança da minha parte. Uma fraqueza.

Quando voltei e ela se negou a me passar informações sobre ele, eu tive a certeza que ela já tinha me esquecido. Por esse motivo continuei com meu plano. Eu iria derrubá-lo, não importando o quanto isso custasse. Eu tinha perdido Molly, eu tinha perdido tudo.

Então, ela me surpreendeu indo atrás de mim no hotel. Vi a dor em seus olhos. Vi o amor que ela sentia por mim. Pude perceber que não a perderia para Sherlock, mas sim para mim mesmo. Para minhas loucuras exageradas. Ela ainda estava ali por mim, como sempre eu esteve. Eu que tinha fugido, nunca fora ela.

Não tinha mais saída. Mais cedo ou mais tarde tudo que eu havia feito seria desmascarado e eu seria preso. Precisava sumir. Precisava morrer. Planejei tudo enquanto ela dormia e a deixei antes que acordasse. Não conseguiria me despedir dela novamente.

- Olá, Sherlock. Surpreso em me ver? – Entro em sua sala sem bater. – Não tenho tempo a perder. Por isso, proponho um acordo.

Isso o interessa e ele começa a me ouvir. Eu entregaria toda a minha rede, todos os que trabalhavam para mim. Em troca, nós armaríamos minha morte de uma forma que parecesse que eu o tivesse matado também. Assim, ele teria todo o álibi e tempo para ir atrás de todos os criminosos que tinham ligação comigo. Eu faria isso por Molly.

Nós combinamos tudo. Uma ideia maluca que não fazia nenhum sentido, mas que daria certo. Não havia como dar errado quando dois cérebros como os nossos planejavam algo. Foi por isso que meu corpo nunca chegou ao necrotério, por isso que teoricamente meu corpo fora levado pelo governo.

Sherlock partiu em busca dos meus antigos parceiros e eu parti para me esconder até ajeitar tudo novamente.

- Por que, Moriarty? Por que tudo isso? – Foi a única coisa que ele me perguntou.

- Porque eu descobri que tenho um coração, Holmes. – A minha resposta era sincera e surpreendeu Sherlock.

Virei às costas e caminhei para o meu destino. Com os novos documentos que o Holmes mais velho arrumara para mim, peguei o primeiro voo que me pareceu interessante e deixei a Inglaterra. Não sabia estimar por quanto tempo e isso doía.

Quase voltei antes do que devia para matar Tom, mas Molly terminou tudo antes que isso fosse realmente necessário. Para a sorte dele.

Um dia Sherlock me enviou uma mensagem lembrando-me que eu devia um favor a ele. Por isso é complicado fazer acordos com pessoas de capacidade desfavoráveis. Eles sempre voltam cobrando.

Felizmente, tudo que ele precisava era que eu fingisse estar de volta à Londres para que sua viagem ao limbo fosse cancelada. Com apenas alguns telefonemas, meu rosto estampou os televisores londrinos causando pânico a todos.

Eu sabia o que isso significava. Molly também veria. E essa era a hora de voltar para a vida dela. De trazê-la de volta para minha vida.

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Pego meu celular do chão com dificuldades e há outra mensagem. Há apenas o nome de um local. Pego minha bolsa e saio correndo do hospital direto para o aeroporto.

Ando pelo parque com o coração saindo pela boca. Sei que ele está ali, me observando. Posso sentir sua presença agora que sei que ele está vivo. As emoções se misturam dentro de mim, e eu não sei mais o que pensar. Preciso vê-lo.

Paro em cima da pequena ponte que cruza o lago, olhando fixamente para o horizonte a minha frente. Sinto seu perfume e sei que ele está atrás de mim antes mesmo que o veja. Sorrio em minhas mãos tremem.

Ouço passos e a ansiedade domina tudo que sou, mas eu não viro para olhá-lo. As mãos dele passam por minha cintura, me segurando possessivamente. Todo um arrepio percorre meu corpo.

- Sentiu minha falta? – Ele repete, agora sussurrando em meu ouvido.

Sorrio ainda mais abertamente. Sim -penso -, eu senti. Muita.

Viro-me para ele, encaro seus olhos negros e vejo minha vida começar. Com Jim. Finalmente.

Notas finais
Então? :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!