Dias quentes na Califórnia
2 Tchau, férias
Domingo, meu último dia de férias. Amanhã vou voltar às aulas em uma escola nova aqui em San Francisco. Estou muito ansioso, mas, nervoso apesar de tudo. Meu primeiro ano no colegial em um lugar diferente. Minha escola anterior tinha desde o jardim de infância até o ensino técnico, então eu veria as mesmas pessoas que já vira ao longo dos anos. É difícil dizer se vou conseguir fazer amigos, pois eu nunca falei muito na sala de aula, sempre fui quieto, sempre fiquei na minha.
É incrível que meus pais já tenham providenciado uma escola para minha irmã e eu, mas já era de se esperar, eles planejam tudo com antecedência.
Voltei para casa depois de dar um volta de bicicleta pelo bairro. Entrei e me joguei no sofá, a Tv estava ligada, então peguei o controle que estava do meu lado e comecei e mudar os canais.
– O que você está fazendo? -Perguntou Emilly, ela parecia chateada. – Eu estava aí primeiro, cai fora.
– Como assim? -Perguntei. –Primeiro, você nem estava aqui quando eu cheguei, e segundo, pare de gritar, dá pra te ouvir do outro lado da rua.
– Isso não importa, sai logo daí se não eu vou chamar a mamãe. -Disse ela, me ameaçando.
– Minha nossa, nem parece que você é mais velha que eu. -Digo, me levantando do sofá e indo em direção às escadas, quando meu pai apareceu.
– O que está acontecendo aqui? -Perguntou ele.
– Ele estava gritando comigo porque eu queria assistir Tv! -Disse ela, mentindo sobre o que realmente tinha acontecido. Ela sempre faz isso.
– Enfia esse controle na sua garganta e para de mentir. -Digo, furioso.
– Dean! -Exclamou meu pai.
Emilly fez cara de choro. Como sempre, eu iria ser o culpado e ela a vítima. Talvez, se ela fosse mais educada, eu seria mais calmo com ela.
– Ah, quer saber? Dane-se isso. -Digo, já subindo as escadas depressa e indo para meu quarto, não me importando com o que meu pai iria pensar.
Me deitei na cama, sentindo que não nada para fazer. Meus pais iriam sair daqui a pouco para ir na escola e comprar os livros. Diferente da minha outra escola, os alunos não precisam usar uniforme, só precisava ir com uma calça jeans e uma camisa qualquer.
– Dean? Abre a porta. -Disse meu pai, batendo na porta. Droga, o que será que ele quer?
– Tá aberta, entra. -Digo com uma voz desanimada.
– O que foi aquilo que aconteceu, hein? -Perguntou ele em um tom sério.
– A culpa não foi minha, é a Emilly que fica discutindo e depois ela finge ser inocente. -Digo.
– Bom, de qualquer forma, você não foi nada educado. -Disse ele.
– Eu estava chateado, apenas isso. -Digo.
– Bom, acho que você deve desculpas à ela. -Disse ele colocando a mão em meu ombro.
– Depois eu faço isso, eu preciso arrumar meu quarto. -Digo. Mas claro que não iria pedir desculpas.
– Está certo então. Sua mãe e eu vamos lá na escola. Pensei em te chamar, mas precisa arrumar seu quarto, certo? -Perguntou.
– Sim. Podem ir. -Digo com um sorriso torto.
Ele se levanta, sai do quarto e fecha a porta. Volto a me deitar olhando para o teto. A tinta dele estava descascando, mas não me importei com isso. Fechei os olhos e dormi.
Acordei num pulo, quando vi, já eram 21h e com certeza meus pais já tinham chegado. Já passara muito da hora do jantar, e talvez eles já tivessem me chamado e não ouvi. Me levantei, peguei uma toalha e fui ao banheiro tomar banho. As paredes eram cheias de azulejos azuis e brancos. Ele tinha um box de vidro, e o chuveiro era elétrico. Entrei no box e liguei o chuveiro. A água estava morna, então alguém já tinha tomado banho.
– Dean? É você? -Pergunta minha mãe, perto da porta.
– Sim, mãe. -Digo fechando o chuveiro.
– O jantar está pronto faz tempo, não te chamei porque estava dormindo. -Disse ela.
– Daqui a pouco eu vou. -Digo. Ela não respondeu. Mas minha mãe é assim as vezes.
Termino de tomar banho, me enrolo na toalha e vou para meu quarto trocar de roupa. Depois, desço as escadas e vou direto para a cozinha esquentar a comida que ainda estava me esperando nas panelas. O jantar era frango assado com arroz e salada. O arroz da minha mãe era tão fofinho, que nem precisava de algum molho de acompanhamento para ficar bom.
Coloquei a comida no prato e fui comer na sala. Para minha sorte, Emilly não estava lá, e poderia, finalmente, ver Tv em paz. Estava passando ‘Simplesmente Acontece’, um daqueles filmes de romance que garotas acham emocionante. Resolvi assistir, pois nos outros canais só estava passando jornal ou novela. Quando terminei de comer, levei o prato para a pia, e voltei para a sala. Dormi a tarde toda, então, estava sem sono. Vi aquele filme até o final, e não foi tão ruim quanto imaginei.
Me deitei no sofá, com os pés virados para uma janela grande, que estava aberta. A cidade tinha o céu tão limpo, que conseguia ver várias estrelas. Fiquei admirando tudo aquilo, até que caí no sono, de novo.
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