Dias melhores estão por vir.
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Distrito Hyuga
Assim que Hinata retirou as sandálias na porta de casa e colocou em uma sapateira ao lado da porta, ouviu a voz de seu pai vindo de dentro da casa:
— Hinata, venha até o meu escritório. – Hinata caminhou lentamente tentado se manter calma, afinal sempre tremia e gaguejava na frente de seu pai, segurou o pingente de seu colar e pensou na promessa de Neji. Deu um último suspiro e deslizou a porta entrando no escritório, onde seu pai estava sério sentando sobre as pernas.
— Ohayou Gozaimasu Otousan!
— Feche a porta.
—Hai – Hinata deslizou a porta de correr e se sentou sobre os joelhos diante de seu pai.
— Hinata, temos um assunto sério a tratar. – Hiashi olhou sério para sua filha, e sentiu seu coração apertar. – Em menos de dois anos, chegara seu décimo oitavo aniversário, e como a primogênita, você deveria assumir como líder do clã em meu lugar. – O Hyuuga engoliu seco, e tomou coragem para completar, não queria dizer isso para sua filha. – Como já sabe, ontem aconteceu uma reunião com os anciões do clã para decidir seu futuro. – As pernas de Hinata estremeceram, e seu coração disparou. Sabia que houve uma reunião, não sabia que o assunto era ela. — O Conselho do clã Hyuuga decidiu, que você assumira quando completar 21 anos. — Os olhos da herdeira se arregalaram, sabia que o conselho não era favorável a ela assumir o clã — Entretanto você deverá se casar com alguém do clã, que o conselho ainda vai decidir, deverá ser o membro mais forte do clã da sua geração. Não sabemos ao certo quando, ou com quem. Mas o conselho deseja que seja depois de seu décimo oitavo aniversário. – Hinata endurecera, parecia uma pedra. Sentia que seu corpo esfriara, tentou parecer calma o tempo todo, falhando miseravelmente, para seu pai era perceptível que a menina congelara. — Você será a primeira mulher na liderança, e por isso houve uma discussão sobre o assunto, na verdade essa discussão ocorria desde seu nascimento. Quando você nasceu todos ficaram preocupados e por isso decidiram que eu teria outro filho na esperança de vir um homem, no entanto veio a sua irmã, Hanabi. E como você sabe, sua mãe falaceu logo em seguida, não houve possibilidade de tentar outra vez. – Hinata continuou sem falar nada, escutava tudo tentando não demonstrar nenhuma reação, por dentro estava aflita e com vontade de sair chorando gritando aos sete ventos que não se casaria, a cada palavra dita por seu pai seus olhos marejavam mais e mais, o mencionar sua mãe só piorava tudo. – Você herdará a posição de líder, e com essa posição você terá muitas responsabilidades a cumprir. Essa será sua primeira de muitas que estão por vir. – Hiashi queria encerrar antes que sua filha caísse em lágrimas, já tinha dito o que deveria, e sabia que sua filha estava fazendo um esforço sobrenatural para conseguir não chorar. Então disse encerrando o assunto — Você já pode ir.
Hiashi não queria aquele destino para sua filha e tentou argumentar contra o conselho na noite anterior, mas de nada adiantou. Ele encarou Hinata que se levantou e caminhou em direção à porta, tentava mostrar tranquilidade, mas não conseguia. Antes da herdeira abrir a porta o mais velho completou:
— Sinto muito Hinata.
O Hyuuga via o desespero da filha, ela tremia, todo aquele esforço para parecer forte era em vão. Hinata ja estava com a mão na porta de correr e nada disse, estava com um nó na garganta que se abrisse a boca iria desabar em lágrimas, então saiu. Assim que Hinata fechou a porta algumas lágrimas escorreram pelo rosto de Hiashi.
Hinata subiu as escadas e assim que entrou em seu quarto deixou todos os seus sentimentos tomarem conta de seu corpo, chorou de soluçar, não conseguia raciocinar, e se lembrava das palavras de Naruto para Neji no exame chunnin, e via que aquela regra sobre o destino ser traçado pelo próprio individuo realmente existia, mas como toda regra há sempre uma exceção, e Hinata era uma dessas exceções, ela não tinha controle sobe seu destino tudo havia sido planejado desde o momento em que nasceu. Ela deixou suas lágrimas caírem por muitos minutos com todos aqueles pensamentos rodeando sua mente, quando se deu conta estava aos prantos, chorava a ponto de soluçar, levantou-se com muito esforço e respirava fundo na tentativa de parar de soluçar e foi até o banheiro lavar seu rosto. Vestiu sua velha roupa habitual, uma jaqueta lilás com mangas brancas, uma blusa arrastão por baixo e uma calça ninja com a típica faixa branca em volta da sua perna direita, ali guardou algumas armas, olhou-se no espelho e seus olhos ainda estava vermelho e inchado, molhou o rosto novamente e saiu de sua casa sem olhar novamente no espelho.
No caminho viu Naruto pedindo outro ramen no Ichiraku, Hinata sentiu seu coração apertar, viu o loiro se virando e desviou o olhar pulando em um telhado para chegar mais rápido ao seu destino. A Hyuuga não sabia se Naruto a tinha visto, mas preferiu não pensar nisso.
Seguiu seu caminho até o prédio principal de Konoha, o do Hokage, parou em frente a sala de Tsunade e respirou fundo, estava aflita, queria fazer algo para ocupar sua mente. Tomou coragem e bateu a porta e esperou a voz feminina permitir a entrada com um "Entre". Hinata entrou na sala e com muita dificuldade viu Tsunade atrás de sua mesa, quase não dava para ver a cabeça da Hokage por causa das inúmeras pilhas de papeis que se encontravam, não apenas na mesa, mas no chão também. Tsunade pareceu surpresa por ver Hinata ali, principalmente com os olhos inxados.
— Deseja algo Hinata?
— Tsunade-sama, gostaria que me enviasse para uma missão. Qualquer uma que estiver disponível. – Respondeu séria, e com um tom de voz firme.
Tsunade apoiou os cotovelos no pouco espaço que restara na mesa unindo suas mãos por meio de entrelaço dos dedos. Analisou bem a garota a sua frente, e seus pensamentos levaram a conclusão de que Hinata provavelmente queria fugir de algo, e alguma coisa lhe dizia que esse algo era Naruto, todos sabiam da declaração de Hinata.
— Infelizmente Hinata, no momento eu não tenho nenhuma disponível. – Ela viu o rosto da garota se entristecer. – Mas quando surgir alguma, eu envio você.
Hinata analisou aquelas montanhas de papeis ao redor de Tsunade.
— Hokage-sama, se quiser posso ajuda-la com esses papeis. – Disse em um tom agradável, e um sorriso em seu rosto, ela precisava se ocupar, precisava ficar longe do clã, precisava ocupar sua mente sem ser algo relacionado com o Naruto.
— Muita gentileza de sua parte Hinata. – Tsunade deu uma leve pausa, iria recusar, mas ao analisar aquelas torres a sua volta, não tinha como recusar ajuda de Hinata, e a menina parecia desesperada por alguma atividade. – Eu aceito sua ajuda sim, por causa da guerra acumulou muitos documentos, as preparações para o exame chunnin está atrasado, assim como as aulas da academia já deveriam ter retomado. A Shizune e eu estamos tentando dar conta de tudo, mas parece impossível. – Com um suspiro de decepção Tsunade olhou para baixo, não tinha tempo para nada, e como deseja uma dose bem servida de saquê.
Um sorriso fraco surgiu no rosto da menina, pelo menos hoje estaria ocupada com algo
— Shizune está na sala ao lado separando alguns documentos por ordem de importância. Poderia ir até lá ajudar ela? Aproveita e leva essa pilha aqui – Disse apontando para uma que estava ao lado dela.
— Hai.
Shizune estava de frente para uma mesa com mais pilhas de papeis, cumprimentou Hinata de forma amigavel, que explicou que estava ali para ajudar e o braço direito de Tsunade explicou rapidamente o que era pra ser feito. Hinata olhou para aquela sala que estava menos bagunçada que a da Hokage, mas ainda assim bagunçada. Sugeriu outra forma de organização, já que a sala possuía duas mesas, sugeriu que uma ficasse os documentos não catalagados e na outra os que já foram, e colocar em pilhas por ordem de urgência e assunto. Shizune adorou a ideia e logo fizeram isso. Algumas horas se passaram e mais da metade dos documentos já estavam devidamente organizados.
Ao final de uma das ultimas pilhas, Hinata se deparou com um papel enviado pelo seu primo. Uma carta de recomendação, Neji tinha enviado uma carta de recomendação para Hinata virar jounin. O coração de da menina disparou, na carta dizia “Nenhum outro chunnin, a meu ver, está tão capacitado quanto à kunoichi em questão.” Hinata sentiu orgulho de si mesma, seu primo Neji a reconheceu, aquilo foi um choque, mas tinha que terminar seu trabalho. Colocando o papel na categoria de comunicados e promoção de shinobis e voltou a seu trabalho, Shizune que estava ao lado de Hinata intrigou com o olhar da Hyuga para o papel e o pegou o fazendo uma breve leitura.
— Acho que se enganou Hinata-san, este é documento de urgência. – Disse sorrindo e levando o papel até Tsunade, a garota estava se esforçando e foi a única que se dispôs ajudar em um trabalho que a maior parte das pessoas desprezavam, além do fato de mostrar uma extrema inteligência em organizar e agilizar trabalho acumulado, muitos desses papeis eram de uma importância indescritível para vila.
— Não sei se devia passar na frente de outros pedidos. – Hinata respondeu com um tom vergonha, não achava certo passar seu pedido na frente.
— Não vejo problema algum, afinal muitos passaram por aqui e nenhum ofereceu ajuda. – Shizune falou adentrando o escritório da hokage.
Passou alguns minutos no recinto e saiu.
— Tsunade quer falar com você, assim que terminar. – Falou com um sorriso maroto e pegando Tonton no colo.
Dentro de poucos minutos, as duas haviam terminado as duas pilhas restantes, e Hinata pegou duas caixas em cima de uma das mesas do lado esquerdo da porta e entrou na sala da Hokage, que estava aberta para entregar os pedidos urgentes.
— Tsunade-sama, nós já terminamos de categorizar as pilhas. — Hinata disse enquanto colocava as duas caixas na lateral da sala. – Vou pegar as caixas restantes.
— Hinata, quero falar com você sobre o pedido de Neji. — Tsunade foi direta — Bom, eu já havia lido o pedido no momento em ele foi entregue antes da guerra, e fiquei de conversa com você quando Neji voltasse da missão. Porém quando ele voltou da missão estava ocorrendo o ataque do Pain, no qual a vila foi destruída. Sua conduta na guerra foi excelente, e eu realmente estou precisando de mais jounins de minha confiança, contudo uma avaliação terá que ser feita. A próxima missão rank A ou S disponível você irá participar com um time de anbu que serão responsáveis por sua avaliação.
Hinata ficou um pouco pasma, não estava acreditando que tinha a chance de ser nomeada jounin e tudo graças a seu primo.
— Hai Tsunade-sama, Arigatô – Foi tudo o que conseguiu dizer, estava realmente emocionada. Olhou a janela atrás da Hokage, e viu que já estava anoitecendo.
— Você já pode ir, eu agradeço muito sua ajuda, provavelmente eu demoraria algumas semanas para me reorganizar. Qualquer pedido que você tiver, pode vir até mim, a qualquer hora. — Emitiu a hokage sincera.
— Não foi tão trabalhoso assim e eu até que gosto de organizar coisas. – Um sorriso sincero surgiu no rosto de Hinata, afinal aquela organização toda tirou sua mente do seu clã e de Naruto. – Oiassumi-nassai.
A Hyuuga saiu do prédio e seguiu de telhado em telhado, até chegar a sua casa. Hinata comeu rapidamente na cozinha, não queria encontrar seu pai, foi direto para seu quarto, tomou um banho e deitou-se para dormir. Afinal, tinha intenção de treinar intensamente no dia seguinte, revirou-se na cama por muitos minutos analisando tudo que tinha ocorrido naquele dia, principalmente a notícia que mudaria sua vida, tinha certeza que nada seria igual dali em diante, e decidiu que estaria preparada para tudo o que viesse, não derramou nenhuma lágrima antes de adormecer, ao contrário do que imaginou que seria, ela adormeceu profundamente com os pensamentos no futuro, mas ainda sim em Naruto.
Não muito longe da casa da Hyuuga, Naruto estava voltando pra casa depois de mais um dia reconstruindo a vila, assim que passou em frente ao hospital, avistou a Sakura saindo, seu coração estremeceu como sempre que avistava a rosada, ele já estava acostumado com essa reação de seu corpo.
— Heey Naruto! – Gritou a Sakura correndo para alcança-lo.
— Hai Sakura-chan, até uma hora dessas trabalhando? – Disse ele olhando para um ninja médico que estava na porta do Hospital.
— Hai, desde que voltamos temos muitos feridos, e alguns ainda precisam de tratamento intensivo. Outros de acompanhamento. – Disse Sakura com um tom de cansaço dando um longo suspiro. – Você que tem sorte de ter uma recuperação sobre-humana, agora fica só passeando pela vila.
— Que mané passeando, tava trabalhando na reconstrução da vila ttebayo! – Disse Naruto levando as duas mãos para cima e cruzando atrás das costas.
Sakura estava com sua roupa habitual rosa, o cabelo estava preso com algumas mechas soltas, e tinha olheiras muito fundas nos olhos. Mas ainda sim linda, e aos olhos do loiro, a mais linda de todo mundo shinobi.
— Naruto, você conversou com o Sasuke-kun depois que ele voltou? – Sakura disse olhando para o olhado oposto ao Naruto, como se o moreno fosse aparecer na sua frente.
— Conversei, ele sempre ajuda na reconstrução. Ele está sempre com um anbu o observado a uma distância razoável, isso deixa ele mais irritado que o normal. – Sua última frase foi uma tentativa de justificar a falta de conversa da Sakura e Sasuke, Naruto sabia que o Uchiha não queria conversar com a Sakura, mas não sabia o motivo.
Sakura sorriu levemente na fala do amigo, sabia que ele queria colocar pano quente como sempre, deu um longo suspiro.
— Vou pra casa Naruto, estou muito cansada e amanhã vou ter que chegar mais no hospital. Ja ne!* – A rosada se virou e saiu andando como se fosse desmaiar.
— Ja ne Sakura-chan.
Naruto continuou caminhando, e em meios a pensamentos, reparou que estava pensando na morena e não na rosada que acabou de encontrar como de costume, se perguntou como seus pensamentos chegaram até ela. Ele fechou os olhos e suspirou, sua cabeça andava turbulenta, mil pensamentos e sentimentos que ele não entendia, porque a possibilidade de magoar Hinata o entristecia tanto? Se magoar é normal, ele mesmo se magoou tantas vezes.
— Adolescência é perturbadora, ja nai*? – Um shinobi alto, com uma máscara que cobria a metade inferior de seu rosto, pele clara e cabelos brancos espetados e usava um protetor da folha inclinado para esquerda de modo que cobria seu olho.
— Kakashi-sensei! – Disse Naruto olhando para seu mestre.
— Naruto, acho que você devia parar de entender tudo o que está passando com você, e sentir. – Disse se sentando em um banco de madeira e o loiro sentou ao seu lado.
— Mas sensei, eu não entendo. Eu não sei nem o que eu to sentindo, meus pensamentos me enganam, cada hora eu penso algo. – Naruto apoiou seus cotovelos no joelho, juntou suas mãos entrelaçando os dedos, e olhou para baixo apoiando a testa na mão. — Sei lá, não me entendo mais.
— Isso se chama adolescência, eu acho que não sou a pessoa apropriada para conversar com você sobre isso. – Kakashi coçou a atrás da cabeça. — Afinal, eu também não tive pais nessa idade pra me ensinar. Só o que eu posso te dizer, é deixar seus sentimentos fluírem e aproveitar ao máximo cada sensação. Boa ou ruim, pois quando seus hormônios acalmarem em uma certa idade, você vai sentir falta deles turbulentos. – Kakashi se levantou e olhou sorrindo por baixo da máscara para Naruto. – Você deve fazer suas escolhas, sempre vai sair alguém machucado quando se trata de amor, isso é inevitável, não se sinta culpado.
Com essas palavras Kakashi deixou Naruto, que falou sozinho:
— Que diabos ha com esse povo, todos resolveram falar em códigos agora?
Naruto bufou e olhou para a pedra dos Hokages com a cabeça de seu pai, e pediu em seus pensamentos que o ajudasse a entender a si mesmo. Voltou a caminhar refletindo tudo que seu sensei e o shino disseram, de repente parou e olhou para onde suas pernas o havia levado. Estava na esquina do quarteirão da entrada do clã Hyuuga. Seu primeiro pensamento foi “Tenho que resolver as coisas com a Hinata, não posso fugir disso.”.
Pulou em um telhado e seguiu para sua casa, decido que no dia seguinte iria conversar com a Hyuuga, não sabia o que falar, mas iria tentar, afinal não poderia adiar mais, ela não merecia ser ignorada.
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