Dias de Liberdade
3 Capítulo 2: Sem nem olhar para trás.
Notas iniciais
Fofocas continuavam. Não prestei a minima atenção, já que não sabia de quem se tratava. Mesmo se escutasse, nada faria sentido. Aquelas garotas conversavam com tantos códigos que não parecia fazer diferença se estavam falando sobre sapatos, pessoas, ou o tempo. Me sentindo um pouco entediada, resolvi olhar em volta. Já estávamos na sala de aula. Minha turma era grande, talvez 45 ou 50 alunos. Oque significava que era barulhenta o tempo todo. Isso me preocupou um pouco, já que tinha um leve problema de desatenção. Por outro lado, poderia querer dizer que não era muito difícil de passar de ano.
Estava sentada próxima a algumas das pessoas que Lucas me apresentou antes do inicio da aula. Um grupo de regulares. Amigáveis e diferentes entre si, sem chamar muita atenção. O único problema é que todo mundo ali se conhecia a pelo menos dois anos e eu estava completamente deslocada. Como as mesas eram organizadas em trios, acabei sentada entre um garoto careca chamado Roger que parecia bastante irritante e uma garota morena que não largava do celular um minuto sequer, e eu nem sabia o nome.
As três meninas que antes estavam fofocando se viraram de suas cadeiras e olharam pra trás, para falar comigo.
“Então, Natalia... Tu já conhece alguém daqui do luterano?” A mais alta perguntou. Ela tinha se apresentado antes, mas eu não conseguia lembrar o nome dela. O sotaque sulista era tão pesado quanto o de qualquer outra pessoa ali.
“Na verdade não...” Respondi tentando ser amigável. O que era um pouco difícil, já que eu não fui muito com a cara delas. Não eram patricinhas, mas pareciam um pouco... convencidas. Não exatamente, mas algo do tipo. Ou talvez isso fosse simplesmente a minha paranoia.
“Bom, então é bom saber que todo mundo conhece todo mundo, e muito bem, por aqui. Logo logo tu já vai tá bem enturmada. ” Outra delas disse. Soltou uma risada um pouco maldosa quando deu ênfase a o quanto conhecia os colegas, mas apesar de tudo ela parecia ter estilo. Estava usando uma beanie parecida com a minha, e tinha um piercing de orelha estilo industrial. Por causa disso, conseguia lembrar o nome dela. Karla.
“Todo mundo conhece todo mundo, mesmo?” Soltei um olhar meio duvidoso. Ela estava se referindo a todo o pessoal da turma? Seriam todos fofoqueiros, então?
Elas riram.
“Todo o colégio não, mas o pessoal do ensino médio, pelo menos. ” Karla me respondeu com um sorriso.
Agora era a minha vez de rir. Mas de nervosa. Já conseguia sentir cheiro de problemas com gente entrometida.
“De qualquer forma... isso quer dizer que todo mundo quer saber de ti também. O que mais tem pra contar além de que veio de São Paulo?” A loira perguntou de novo. Droga, precisava lembrar o seu nome . Acho que começava com M... Mariana? Mônica?... Munique!
“Nada, eu acho. ” E eu realmente não sabia o que responder. Aquilo pareceu tão bom quanto qualquer outra coisa.
“Nada que a gente deva saber? Pensa bem, hein... Com o tempo todo mundo descobre tudo. Dez vezes piorado. ” Duvido, pensei. De qualquer forma, de fato não via nada que deveria ser contado de primeira. Muito menos pra elas. Meu comportamento na escola sempre foi ameno. Não era da turma dos rebeldes, nem dos populares. Não curtia muito rock ou convivia com os metidos a baladeiros que não aguentavam mais de um shot de tequila. Muito menos com os drogados que se achavam cool . Nada nunca se tratou dessas besteiras. Andava com patricinhas, verdade. Mas isso era porque, mesmo menor que agora, a minha situação financeira chamava a atenção e eu fingia gostar delas por pura falta de opção. As amizades sempre foram das mais superficiais possíveis. Pra mim, sempre esteve suficiente assim. Não mais.
“Nada mesmo.” Respondi com um sorriso falso e levantei os braços em rendição. Ninguém arrancaria coisas sobre mim tão rápido assim.
Foi quando o sinal pra o intervalo soou. O professor, que eu não fazia ideia de quem era e esteve o tempo todo na frente do quadro escrevendo algo que ninguém anotou, foi o primeiro a sair. Parece que a minha turma não era a favorita.
Levantei rápido, assim como todo o mundo. A porta parecia extremamente pequena em comparação ao desespero de todos pra sair da sala. VÍ até algumas mesas serem derrubadas. Ninguém deu bola. Bando de animais.
Os grupinhos iam se ajeitando e deixando a sala. Me sentei em cima de uma das mesas perto da saída, esperando por uma brecha pra poder passar. Olhei em volta procurando por alguém que já havia sido me apresentado. Não achei. Mas também não precisei. Logo depois que a porta pareceu esvaziar e comecei a me levantar, uma menina parou na minha frente.
“Oi. Guria nova, né?” Ela soltou um leve aceno. Tinha cabelo castanho-claro parecido com os meu, mas estava muito mais bronzeada.
“...Oi. É.”
“Qual é o teu nome?”
“Natalia.”
“Ah, legal. Eu sou a Fernanda, e essas- ” Ela apontou pra três outras garotas que andavam na nossa direção. “São a Brenda, -” A mais baixa sorriu. “a Milena-” A garota loira de cabelos curtos apontou pra si mesma. “e a Alexia. ” Essa última só arqueou as sobrancelhas, mas foi a que mais me chamou a atenção. Ela era bonita pra caramba. Não de um jeito meigo, mas meio... poderoso. Morena e com cara de atriz de filme iraniano. Foi necessária força de vontade pra não permanecer encarando-a por muito tempo. “Droga, a minha sexualidade não é um tópico que eu devo deixar todo mundo saber tão rápido.” foi tudo o que consegui pensar antes de desviar a atenção pra Fernanda de novo.
“Pra... Prazer em conhecer vocês. ” Gaguejei.
Ela assentiu e ficamos em um silêncio meio constrangedor por alguns segundos.
“Então... A gente vai descer pro recreio. Vem junto?” A garota que foi apresentada como Brenda perguntou.
“Aham, pode ser.” Dei de ombros e as segui pela porta.
No corredor percebi que uma batida eletrônica saia das caixas de som, que eram espalhadas pela parede. Perguntei sobre isso e as meninas explicaram que os alunos do terceiro ano podem escolher as músicas do intervalo. Interessante. Quem sabe eu talvez conseguisse fazer mais gente conhecer a minha banda favorita, The Naked and Famous.
–--//---
Estávamos sentadas em uma mesa no quiosque que, de fato, era o bar. O lugar era bem legal. Não tinha certeza, mas me parecia que a praça onde ele se encontrava se estendia bastante pelo pátio do colégio. Com a quantidade de árvores, dava tranquilamente pra se esconder por ali.
“A administração não se preocupa do pessoal fazer besteira por aqui não?” Perguntei, apontando pra o corredor de pedras que seguia pelas árvores. Alguns bancos de madeira que se estendiam pelo caminho estavam cheios de jovens conversando alto.
“Não mesmo. Esse lugar de santo só tem o nome.” Milena me respondeu com uma risada.
“Bom saber. ”
Meu objetivo inicial era de me manter comportada o ano todo, mas estava começando a mudar de ideia bem rápido.
“Mesmo assim, teoricamente, circular depois das grades é proibido. Se ninguém respeita, o problema não é deles. ” Ela fez uma pausa, apontando uma espécie de cerca logo depois do quiosque que eu nem tinha percebido. Não devia ter mais de meio metro de altura. Ridículo. Qualquer um poderia passa por aquilo.
“Então por que construíram, se trancaram? ” Perguntei. Mesmo que a passagem fosse praticamente facilitava, não fazia sentido.
“A praça é da igreja. Ás vezes, quando tem culto, eles abrem pra os religiosos fazerem sei lá oque eles fazem. ”
Observei melhor. A igreja realmente parecia não muito longe dali, logo depois da praça.
“Então eles abrem a igreja pra o pessoal de fora?”
“Todo o domingo. Tem uma outra entrada por lá.” Brenda apontou pra algum ponto logo depois do arvoredo.
“Tendi...” Aquilo não me interessava muito.
Estava pensando no que mais perguntar quando a Fernanda e a Alexia voltaram, sentando nas cadeiras enquanto largavam duas Coca-Colas e alguns canudos na mesa.
“A fila tá tão grande assim? Vocês demoraram uma eternidade... ” Milena disse enquanto abria uma das latinhas.
“Paramos pra falar com um pessoal da artilharia no caminho.” Fernanda respondeu.
Hã?
“Artilharia?” Perguntei.
“As turmas aqui são conhecidas pelos seus nomes da gincana. Artilharia e Maragatos são os outros dois terceiro-anos. ”
“E nós somos...?”
“A Alcateia. ” Todas me responderam em uníssono.
“Legal.” Foi só o que pude pensar em dizer.
“Então, do que que vocês tavam falando? ” Alexia perguntou, mudando de assunto enquanto avaliava as próprias unhas.
“A gente só tava explicando pra novata aqui sobre o quanto o pessoal da administração do colégio é tranquilo. É bem difícil de se meter em confusão. ” Brenda falou. Ela parecia ser gente boa, mas tinha um jeito um pouco... animado. O tipo de pessoa que quando se empolga, começa a falar alto demais.
Alexia bufou.
“Tranquilo? Discordo. Sem noção, isso sim. Prezam somente pra o que o povo de fora pensa dos alunos. Tu pode fazer a merda que quiser aqui dentro e eles nem se importam, mas se acontecer alguma coisa na tua vida lá fora, agem como se o problema fosse deles. ” Ela respondeu, meio irritada.
Parai, como assim? Aquilo não soava nada bem.
“Para de tomar o problema dos outros pra ti, guria. Não é bem assim com todo mundo. A culpa foi deles.” Fernanda se meteu, revirando os olhos.
Continuei olhando pra elas e arqueei as sobrancelhas. Que droga aquilo queria dizer? Deles quem? Culpa do que? Nunca fui fã de fofoca, mas essa curiosidade parecia mais genuína.
Alexia olhou pra mim de novo e suspirou. Ela se aproximou pela mesa até estar me encarando bem de frente. Aquilo era um pouco desconfortável.
“Com o pessoal daqui, acontece de tudo. ” Sua voz estava quase num sussurro.
“Precisa mesmo de tudo isso? ” Fernanda perguntou pra ela.
“Qual a diferença? Ela vai saber de qualquer jeito... ”
“Tudo bem então. ” Ela deu de ombros.
“Enfim..” Alexia se virou pra mim de novo. “O fato é que quando acontece alguma coisa importante com alguém daqui, a administração se mete. Nas férias do ano passado, um guri que tinha acabado de se formar morreu numa festa. Tudo bem, isso é horrível, mas não tinha nada que se pudesse fazer. Ele tecnicamente nem era mais aluno do colégio. O problema é que tinha muita gente lá que ainda era. Os que não foram expulsos, passaram o último ano todo prestando serviços de detenção aqui. O que foi Patético. ”
Puta merda. Como assim alguém morreu ? E o colégio se meteu na vida de quem simplesmente estava lá? Agora eu entendia por que meus pais fizeram tanta questão de me arranjar uma vaga nessa escola, mesmo que pudessem pagar por qualquer outro colégio nas redondezas. Talvez eles pensassem que assim teriam alguém sempre de olho em confusões.
Depois de um tempo, a conversa tomou outros rumos e percebi que, apesar de tudo, eu de fato gostava daquelas garotas. Cada uma tinha algum ponto interessante. Fernanda era uma surfista de fim-de-semana e passou as férias visitando o pai dela que mora no nordeste, o que explicava o bronzeado em excesso. Milena era uma ex-intercambista que morou um ano na Suécia e curtia Icona Pop ainda mais que eu. Brenda, além de imperativa, era dançarina de Street Music e parecia se focar bastante nisso. A única que não consegui descobrir muito sobre, foi a Alexia. Além de falar que ela era descendente de turcos e trabalhava na loja de móveis dos pais, não pareceu muito interessada em dar ênfase a si mesma.
Quando o sinal soou, anunciando o fim do intervalo, eu já estava até cansada. Seria uma dádiva de me acostumar a uma pausa de 45 minutos.
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Depois do fim da aula, me dirigi até a saída. Sentia um pouco de sono e tudo que queria era chegar em casa e me jogar na minha cama. O sol batia com força nos meus olhos enquanto eu caminhava pela calçada, mas não me importei e pus meus fones de ouvido. Depois de andar duas ou três quadras, senti uma leve batida no meu ombro e olhei pro lado. Era o Lucas. Do lado dele, caminhava uma menina de cabelos pretos lisos e longos. Pausei a música do celular e sorri pra eles. Ele me devolveu o sorriso, mas ela simplesmente me lançou um olhar indecifrável. Decidi ignorar.
“Oi de novo. ” Ele ri.
“É.. Oi. ”
“Então, como foi o primeiro dia?”
“Legal. Tranquilo, digo.”
“é, pode crer. ” então ele apontou pra garota.
“Essa é a Luana, ela é minha colega da Artilharia. ”
Acenei pra ela. Dessa vez, ela sorriu.
“E você deve ser a Natalia, né?” Ela me pergunta. Não pode deixar de reparar que ela havia dito “você”, ao invés de “tu”. Mas seu sotaque não parecia paulista, também.
“Isso mesmo. Parece que já estou famosa, hein”.
“Você não faz nem ideia da velocidade com que as noticias correm no luterano. ” Respondeu, me mandando uma piscadela.
“Então... Tu tá indo pra onde?” Lucas me perguntou, enquanto checava alguma coisa no celular.
“Pra casa... Não é muito longe daqui. E vocês?”
“Almoçar. Eu faço curso técnico de tarde, e a Lu também mora aqui perto então vai me acompanhar.”
“Credo! Eu já disse que não é pra me chamar de Lu, idiota. ” Seu tom era sério, mas ela deu um soco brincalhão no ombro dele.
“Tá bom, tá bom.” Ele ri, e vira o olhar pra mim de novo. “Não tá afim de vir com a gente? Tem um restaurante tri bacana dobrando a esquina. ”
Considerei. Meu pai disse que era pra mim ir diretamente pra casa, mas uma pausa pra almoçar não me parecia algo tão ruim. Assim eu não teria de cozinhar algo pra comer.
Dei de ombros.
“Pode ser. ”
E então nós fomos. O restaurante era de fato “tri bacana.” A comida gaúcha era uma das coisas que sempre me surpreendia, e a companhia não pôde ser melhor. Não havia julgado Lucas mal. Ele realmente era muito legal, assim como a Luana. A relação entre eles parecia ser bem próxima. Talvez fossem ficantes, ou quase isso. Conversamos sobre música, curiosidades do colégio e os pontos turísticos de Porto Alegre que eles juraram que eu simplesmente precisava conhecer até que ninguém parecia ter mais assunto.
Depois de uma hora, eu e a Luana fomos seguindo o caminho para nossas casas enquanto o Lucas voltou pro colégio.
“Então você veio do Paraná?” Perguntei, enquanto dobrávamos uma esquina. Descobri que ela morava na mesma rua que eu, embora algumas quadras mais longe.
“Isso mesmo. Mas já faz vários anos. Praticamente cresci aqui. ”
“O seu sotaque não diz isso”.
“É por causa do resto da minha famí- ” Sua resposta parou no meio, enquanto observava algo a minha esquerda. Me virei pra ver o que era. Uma garota com a camiseta do Luterano estava atravessando a rua, vindo na nossa direção. Aliás, uma não. A. Estava só a um dia naquele colégio, mas tinha certeza que nunca a tinha visto. Se tivesse, teria lembrado. Com certeza teria lembrado. Havia algo peculiar no seu jeito de caminhar. Confiante, como se não se importasse com as pessoas a sua volta, mas discreto como se preferisse que não houvesse pessoas a volta, apesar de tudo. Dois lados da mesma moeda. Algo indescritível, quase impossível. Aqueles cabelos castanho-acobreados criavam vida própria sob a luz do sol, caindo levemente ondulados sobre seus ombros largos. A pele levemente bronzeada dava ênfase aos seus olhos escuros e o sorriso abobalhado que se formou conforme ela se aproximava. Eu provavelmente estava com uma expressão escandalosamente atônica, mas não poderia me importar menos. Nem todas as minhas forças poderiam me tirar daquele transe.
Mas aquela voz tão grave quanto a minha poderia.
“Eai, beleza? ” Ela perguntou olhando pra Luana, sem parecer nem me notar. Que droga.
“Maragata, maragata... Matando aula já?” Luana tinha um tom de voz repreensivo. E era por isso que eu não tinha visto ela ainda.
“Quem se importa com o primeiro dia?” Dava pra sentir seu tom defensivo pelo jeito em que ela franzia as sobrancelhas.
“Todo mundo, menos você.”
“Ah, faz favor... É só o dia pros fofoqueiros botarem o papo em dia.”
“Logicamente. E, como sempre, você é a fofoca, não a fofoqueira. ” Luana revirou os olhos.
“Exato. ” Ela respondeu com um sorriso espontâneo que começou a sumir logo depois. “Paraí, como assim eu sou a fofoca? Que foi que eu fiz dessa vez?”
Eu permaneci parada, completamente perdida na conversa. Olhava de uma pra outra como em uma partida de tênis.
Luana suspirou.
“Nada, nada não. Cê vai descobrir por si mesma. Agora dá licença que eu não vou perder meu tempo falando contigo, animal. ” Ela ainda parecia um pouco irritada, mas falou as últimas palavras em um tom brincalhão.
“Tá bom, desculpa pelo teu tempo.” A garota que eu impacientemente ainda não sabia o nome falou, levantando os braços em rendição.
Foi quando ela finalmente olhou pro lado. Pra mim. Nossos olhares se encontraram por um milésimo de segundo e eu pude sentir uma onda de eletricidade tomar conta de todo o meu corpo. Quando estava prestes a soltar um sorriso involuntário, escutei uma buzina de carro soar alto, bem do meu lado. Olhei e vi o sedan da minha mãe. Merda, Merda, Merda.
“Puta que pariu. ” Praguejei. Quando a janela abriu, vi que ela e o meu pai estavam lá dentro. Com expressões nada boas.
Porcaria, Natalia. Perfeito. Conseguiu foder com tudo de novo. Maravilha.
“Entra. Agora.” A voz do meu pai nunca esteve tão fria.
Abri a porta e entrei no carro sem nem olhar pra trás.
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