Notas iniciais
O primeiro dia da Tortura.

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04 de Junho de 2012


Nadine estava sentada no sofá só ouvindo Tao falar. Ele estava inquieto. Andando de um lado para o outro com os braços cruzados tentando parecer forte e seguro, mas seus olhos o desmascaravam e mostravam a verdadeira personalidade sensível dele. Seus olhos ficam cheios de lágrimas e sem conseguir conter a pose de segurança, sentou-se na poltrona que estava na frente dela e disse:

– O que está acontecendo com você? Ou... O que está acontecendo com nós dois? Você parece distante, não atende meus telefonemas, nem sequer deve se lembrar das minhas ultimas palavras naquela noite, não é? Eu sei... Me lembro muito bem. Você estava vestindo um short curto preto, uma camisa branca com algumas coisas brilhantes, era realmente linda, não tinha decote, estava comportada e fofa. Uma blusa por cima... Hm... Como você chama isso mesmo? Cardi... Cardi- alguma coisa. Acho que era cardigã. Mas de toda forma, naquele parque, com o céu tão estrelado, naquela noite eu não conseguia desviar meu olhar de você. Você fez com que eu me apaixonasse ainda mais por você... – Ele daquela forma estava viajando por suas memórias. — E depois... Não tenho mais notícias de você? Chorar todas as noites tentando suportar a sua falta não é bom. Que diabos você foi fazer?

Tao segurava sua testa e colocava a franja para cima. Ele já não sabia mais o que dizer. Estava aflito. Nadine só o ouvia olhando para sua face triste e ao mesmo tempo preocupada. Ela abaixa a cabeça como uma criança que acabara de fazer algo que não devia e que estava levando uma bronca da mãe. Mas claro, não era essa a situação. Não era assim que ela via. O fato é que ela estava se sentindo arrependida de algum modo por ter o deixado sem nem dar uma explicação. E agora? O que ela deveria falar? Falar que estava com o Kris? Ela estaria mentindo. Então com um suspiro e uma voz que quase não saia ela disse:

– Eu estava em Seoul.

Tao arregala os olhos. A única coisa que ficara em sua cabeça era: Em Seoul? Mas Por quê?

Ela ainda de cabeça baixa, estava temendo ele perguntar isso, mas sabia que não tinha outra saída. Ela não sabia mentir, não gostava de mentiras. Pra que mentir? Quando ela olhava naqueles olhos apertados e escuros do Tao, não havia como pensar em enganar um rapaz tão ingênuo. Ele, ainda de olhos arregalados, pergunta:

– Em Seoul? Por quê estava lá? O que foi fazer?

– Nós temos mesmo que falar disso. Eu já pedi desculpa. Não queria ter sumido desse jeito, mas... – Foi logo interrompida.

– Mas o que? Nós não tínhamos um relacionamento? Já não posso ficar com você nos dias do meu treino, não posso ficar com você na maioria dos finais de semana e nem sei o motivo disso, e você faz isso sem mais nem menos? Como acha que eu estou me sentindo. Faz uma semana que não te vejo. Nem pra avisar...- As lágrimas começam a cair dos olhos de Tao sutilmente. Ele até estava bem controlado, porém, não aguentava a dor que estava sentindo no momento.

– Tudo bem, Tao. É melhor você se acalmar. Conversamos quando você estiver melhor. Desse jeito não dá. – Nadine, na verdade, não estava irritada com Tao e sim com ela mesma por ter feito.

Como dizer que estava com ele? Ela deveria dizer? No fundo ela sabia que ele descobriria cedo ou tarde. Então ela se levantou, retirou-se da sala e foi para seu quarto. Lá, ela só soube se jogar na cama e afundar a cabeça no travesseiro por uns segundos. Singelas lágrimas caiam de seus olhos e escorriam sobre seu rosto que já estava deitado de lado. Depois de alguns minutos pensando ela cedeu ao cansaço e adormeceu. Tao depois de um tempo foi até o quarto, a olhou daquele jeito, ficou paralisado por alguns minutos e seu olhar não saía dela. Se aproximou sem fazer um pingo de barulho, fez cafuné rapidamente, deu um beijo na testa da pequena, sorriu meio que sem graça, arrependido do que ele havia falado e temendo ter deixado ela triste, então a cobriu com o lençol, e saiu sem fazer nenhum barulho novamente. Já estava tarde mesmo, então Tao foi tomar um banho e foi dormir no quarto de hospedes.


Notas finais
Obrigada por ler! ♥