Dias De Guerra

9 Capítulo 9 - Conversando A Gente Não Se Entende


Notas iniciais
Capítulo dedicado ao Klaus Mikaelson, que nos animou muito comentando na fic! Obrigaaaaaaaaaaaa!!!!

- Está tão quietinho Damon... – Jasper comentou após por as luvas, e eu podia imaginar que um sorriso maligno abriu-se no rosto dele. Maldito!


Ele já tinha luvas, logo, proteção contra as nojeiras daquele lugar. Não tinha como me poupar da tortura não? Sou uma pessoa tão legal, divertida, carismática, bonita e sexy, não mereço esse tipo de coisa!


— Trabalhando. Sabe como é cara, quero acabar logo. Por que não me ajuda e ficamos os dois trabalhando em silêncio? Garanto que será muito produtivo! – tentei desconversar, e acabar com ela também, mas claro que Jasper não deixou.


— Não mesmo, estávamos em um papo tão interessante – comecei a escovar com mais força para tentar bloquear a voz dele com o barulho da fricção, mas não adiantou nada. – Por que mesmo acha que nós nos prostituímos para subirmos na hierarquia do exército?


Ok, já vi que não teria mais jeito. Você deu sua opinião Damon, agora arque com as consequências. E de forma máscula, por favor, você não é um rato.

— De que outra forma vocês poderiam subir? – revirei os olhos, comemorando por dentro que minha voz não tremeu nem um pouco. Ponto para mim.


— Provas, merecimento, coragem... Você quer anotar? Talvez seja útil no futuro, quando você criar um pouco de juízo nessa sua cabeça oca e começar a colaborar por aqui.


— Eu estou limpando esse chão imundo, não estou? Você quer mais colaboração que isso? – O que seria mais colaboração do que isso? Lamber o chão que o enfeitado anda? Até parece que eu iria fazer isso, tenho algum orgulho próprio ainda, mesmo que a maioria tenha ido embora junto com a sujeira daquele chão.


— Você só está aqui porque foi praticamente obrigado! – ele reclamou. Opa, ele tinha razão, mas é mero detalhe. – E por má conduta. Se tivesse sido um bom soldado desde o início... Não estaria aqui!Eu não tinha argumento, em parte ele tinha razão. No fundo, a culpa é do meu pai. Se ele nunca tivesse me obrigado a me alistar, eu não desacataria ordem de superior nenhum e não estaria limpando essas... merdas... quase que literais. Simples assim.


— O que é? Destruí seus argumentos? – ele perguntou, mais calminho, mas ainda com um tom de desafio na voz.


— Não, mas o que você quer que eu responda? Opiniões são particulares... São que nem a bunda, só dá quem quer, e eu não dou a minha nem para virar Major! – “Ao contrário de certas pessoas...” eu completei mentalmente.


— Você reparou que já tinha dividido ela conosco? – ele perguntou, realmente duvidando da minha capacidade intelectual.


— Claro que sim, mas isso é um mero detalhe. Não discuta comigo, eu cansei de discussão – suspirei resignado, voltando a esfregar a latrina e o chão, e mergulhando em meus próprios pensamentos.


Uma boa área já estava limpinha sem que eu mesmo notasse, mas era muito pouco comparado ao banheiro todo – e aquele era o primeiro banheiro de vários outros. Eu teria longas horas de tortura limpando, e se antes eu achava isso, agora eu tinha certeza.


Mas, com toda a coragem e entusiasmo que já me faltavam, continuei guerreiro no lance lindo – e nojento! – de escravo Isauro. Só faltava aparecer um monte de gente batucando e dançando em círculos. Ia ser, no mínimo, a melhor coisa que iria me acontecer no momento. Ia ser até que divertido.


Aliás, não dizem que os negros tem conhecimento de poderes sobrenaturais? Coisas de bruxos, e todas essas baboseiras que ninguém acredita? Aliás, Emily manda um oi! Mas, bem, e se pudesse aprender? Bem que eu poderia jogar um feiticinho básico nesse fétido lugar.

Podia explodir, virar pó... Sei lá. São tantas as possibilidades de dar um fim a essa porcaria que eu mal sei o que escolher. Só sei que seria muito, mas muito legal que algo acontecesse.

- E aí? Bolando planos mirabolantes? – ele parecia rir de mim. Ô, desgraça, viu? Estou pagando pecados com ele aqui, não só a penitência do exército!

- E se for? Qual é o problema? – tentei rebater de frente.

- Uhh... Olha só, o machão está no pedaço! – agora sim ele estava rindo.

Qual é? Só por que agora Deus e o mundo sabe que ele é um Majorzinho, deu para ficar tirando sarros dos outros? Pobres pessoas de baixo escalão!


— Bom, como você bem sabe, sou machão mesmo. Continuo na mesma patente na qual cheguei... – agi com descaso, mas sabia muito bem que ele ficaria doído com essa.

- E você sabe muito bem que eu não fiz nada do que pensa para subir de patente. Mas, pelo o que aparenta, a cabeça é menor do que eu imaginava... Quem sabe, o cérebro de um tubarão seja maior do que o seu.

Ah... Ok... Qual é o tamanho do cérebro de um tubarão?

Enfim, sabendo o tamanho exato ou não, o jeito que ele disse deixou bem claro que não deve ser lá uma coisa muito grande.

- Está se perguntando o tamanho de um cérebro, não? – ele ria da desgraça alheia.

- Ri enquanto pode, Majorzinho.

- Rio, rio mesmo.

- Sério cara, como você se atura? Você é muito chato! – ignorei ele e voltei minha atenção para a porcaria das latrinas.

- E você é muito inconveniente. E sem noção do ridículo!

- Ah, fica quieto. Ridículo? Você quer realmente saber o que é ridículo? Aposto que o Coronel, mesmo com aquela pose toda de macho alfa da porcariada aqui, quando fica sozinho no seu quarto, põe um chinelinho com pompom e um roupão cor de rosa.

- Pompom? Que porcaria é essa?


— Nota-se que você não vê muita mulher há um certo tempo. Há quanto tempo está dando a bun... Quer dizer, há quanto tempo está servindo mesmo?


— Não te interessa! – ele fechou a cara e continuou a limpar com sua luvinha de plástico, muito invejada por mim... E, infelizmente, eu não tinha uma belezinha dessas comigo. Será que vou sofrer mais penitências se roubar a luva de Jasper? – Aliás, é sério quando comecei a pergunta antes. Você está meio quieto. Anda bolando algo?


— Meu querido, minha cabecinha pode não ter ganho o prêmio de cérebro inteligente do ano, mas funciona muito bem.

- E o que isso quer dizer? Esse prêmio nem existe!


— Dãr, óbvio que não existe... – ri por alguns segundos da burrice alheia, antes de deixar que algum sentimento da humanidade tocasse meu coraçãozinho e eu sentisse que devia lhe fazer o favor de explicar o que eu quis dizer. Um tempinho passado, ok, vamos explicar. – Isso quer dizer que é óbvio que eu estava pensando em algo.

- E no quê?

- Curioso! Não mete o nariz onde não é chamado!


— Mas eu quero saber.

- Lógico, você sendo sempre o infortúnio dos meus dias.

- Achei que fosse o Coronel...

- Você é da alta elite, também se tornou chatinho insuportável.

- Cala a boca. Fala logo o que anda planejando!


— Aí cara, decide. Ou eu calo a boca, ou falo! – resolvi brincar.

Eu adorava fazer esse tipo de coisas com meu irmãozinho Stefan. Ah, cara, como eu daria tudo para ser ele aqui no banheiro comigo. Assim, pelo menos, eu via o desgraçado com as mãos bem longes da minha divina Katherine. Ah, aquela deusa...


— Fala logo! – a curiosidade estava tomando conta dele. Claro, como da primeira vez, ele quer meter o nariz onde não é chamado. Aí depois leva bronca e pega castigo comigo e depois fica reclamando.

- Bem, o plano dessa vez é melhor.


— E o que é?


— Bem, é bem complexo. Talvez sua cabecinha...


— Minha cabeça funciona melhor do que a sua. Fala logo!


— Se você me deixar, cara! Que saco! – bufei estressado. Por que ele queria saber tanto dos meus planos de fuga? – Bem, como eu ia dizendo, é complexo. Eu preciso de todos os soldados fora do meu caminho, e daí eu fujo, saio correndo, entro em algum carro. Sei lá.

- Ah... E aí?


— E aí o quê?

Ele me encarou por alguns segundos. Era sua cabecinha que estava demorando para raciocinar ou ele tinha perdido alguma parte da história?


— Só isso?


— Sim, ué. O que mais você quer? Eu saindo daqui já está de bom grado para mim!


— Damon, cara, acorda! Como você vai tirar todo mundo do “seu caminho”?


— Ah, cara, sei lá. Eu me viro. Dou um jeito.

- Fazendo o quê? Jogando uma bomba ou coisa parecida? Porque você sabe que fugir de noite não dá certo!

- Ok, então fujo de dia! – parti pelo óbvio da situação. – Mas, que fique claro, só deu errado a fuga de noite porque você foi lá bater papinho de comadre comigo. Se você não tivesse ido até lá...


— Outra pessoa tinha te achado! – ele me cortou. Ele continua me irritando. Ah, Majorzinho, nem irrita o machão aqui, hein? Nem continua. Ou então eu... eu... Cuspo no seu almoço! Ha! Quem é que quer isso, hein?

- Nem vem. Sou bom nisso.

- Tanto que me acordou e fez com que eu fosse até você.

- Mas você foi porque quis! Dãr! – acabei mais uma latrininha, que dessa vez estava até que consideravelmente limpa, e parti para outra. – Aliás, você e sua curiosidade, hein? Vai acabar matando o gato!


— Gato?


E depois é o meu cérebro que é pequeno, menor do que o de um tubarão! O dele deve ser bem menor do que o de uma formiga, isso sim!!!


— Nada não, cara. Deixa quieto. Médicos recomendam não contrariar ou confundir ainda mais esses tipos de... casos... – E quando notei que ele ia perguntar de novo, retomei a palavra. – E que você não tenha a vergonha na cara de me perguntar quais “casos” são esses... Porque aí vou ser obrigado a falar e você não vai gostar, meu amiguinho!


— Tudo bem, então...

Notas finais
E aí? O que acharam??
capítulo seguinte ainda não começamos a escrever, então não tenho como dar uma data para vocês, sorry... Mas, espero muito que comentem e nos deem uma ideia e como seguir, eheheh
beijinhos

Larissa (Bellinha)