Dias De Fúria
1 Capítulo 1
Notas iniciais
- Já chega! Deem o fora daí! Me deixem em paz!
Suspirei. De novo, não!
Olhei no calendário que estava ao meu lado na mesa, desejando que pela influência de um poder maior, não fosse o dia que eu pensava que era. "17 de julho". Ah! Ótimo. Tudo indicava que as minhas preces de última hora não foram atendidas. Tudo bem, eu vou superar isso.
Sei que o dia "17 de julho" parece ser um dia normal. Bom, coloque ele no meio de outros 364 e você verá que ele realmente não tem nada de especial. Agora coloque esse dia como um dia especial do mês. Se você mulher, ainda não entendeu, eu vou resumir o porquê do meu intenso medo e pavor: Catherine estava de TPM.
Sim, eu sei, isso também não parece ser muito importante. Afinal de contas, todas ou pelo menos a maioria das mulheres tem TPM e isso é algo comum, certo? Pode ser. Se você mentalmente respondeu "sim", foi porque, sem dúvida, nunca viu Catherine nesses dias. Ou permita-me acrescentar: nesse assustadores dias.
Lindsay já havia programado tudo; enquanto a tempestade estivesse com seus raios e trovões em nossa casa, ela iria passar um tempo com sua avó, Lily. Eu não fui tão esperta. Com meu bom pensamento de que tudo iria ser diferente e passageiro, fui surpreendida com uma das piores ondas de raiva da minha Catherine. E quando eu digo raiva, é raiva mesmo. Logo de manhã, quando ela acabara de acordar, Catherine conseguira se irritar com o despertador (arremessando o coitado contra a parede do quarto), com a cama (que ela chutou até quase quebrar seu próprio pé), com a escova de dentes (a dela era azul e sabe Deus porquê ela queria uma verde) e com o tapete (jogando o coitado nº 2 pela janela). E tudo isso em menos de cinco minutos.
Catherine destruíra quase metade da casa em seu humor matinal e nem tudo melhorou até a hora do nosso turno. Como eu estou viva? Não sei.
- Sara, será que você pode me dar uma ajuda aqui? – Greg pediu ao chegar na sala de convivência.
- O que aconteceu dessa vez? – Perguntei preocupada. Greg estava com as roupas desalinhadas e com a marca de uma mão no rosto. – O que houve com você?
- A Catherine pegou um dos insetos do Grissom e se trancou no escritório do Ecklie. Eu tentei impedir e ela retribuiu a gentileza – o jovem CSI resumiu, apontando para si mesmo.
- Como é? – Levantei-me bruscamente, assustada. Agora a loira havia definitivamente cortado o último fio de sanidade existente. – Meu Deus, o Ecklie não está aí, está? – Perguntei enquanto acompanhava Greg apressadamente pelos corredores.
- Não, ele ainda não chegou. Temos apenas alguns minutos para tirá-la de lá.
Ergui uma sobrancelha para o tom de voz de Greg. Do jeito que ele falou sobre tirar Catherine da sala de Ecklie parecia que ele estava se referindo à algo muito grave, quase que como uma pessoa preste a explodir.
- Eu não vou sair daqui! – Ouvi Catherine gritar e depois o som de algo se quebrando. Ok, aquilo era algo que eu consideraria grave. Apressamos o passo até finalmente chegarmos na sala do diretor assistente. Encostei meu ouvido na porta e eu consegui ouvir minha loira, ainda agitada, murmurar consigo mesma:
- Vamos ver onde vamos colocar vocês. – E então ela riu. Uma risada extremamente diferente das quais eu estava acostumada a ouvir. Era aterrorizante, do tipo que qualquer pessoa sairia correndo para longe na tentativa de salvar sua própria vida.
- Catherine, por favor, vamos sair daí, sim? O Ecklie pode chegar a qualquer instante.
- Eu não vou sair enquanto eu não terminar! – Ela gritou e socou a porta.
- Ei, que tal se eu colocasse algumas dinamites na porta e explodisse? – Greg sugeriu.
Ergui uma sobrancelha na direção de Greg e fiz a melhor expressão de "Como-é-que-é?".
- Ok, má ideia.
- Sara, não tem nada que você possa fazer? – Perguntou Nick e logo após isso trocou um olhar curioso com Warrick.
- O que você está pensando, texano?
- Bom, será que... sei lá... use sua voz sexy.
Encarei o moreno, não acreditando no que havia ouvido.
- Minha voz sexy?
- É – ele sorriu maliciosamente.
- Está bem. Mas saiam daqui.
- Ahhh! – queixou-se Greg. – Eu estive sonhando com isso durante tanto tempo!
- Me. Deixem. A. Sós. – Falei entredentes.
- Anda, pessoal. Vamos lá. E você também, Grego.
Esperei pacientemente até os três estivessem longe o suficiente para que eu pudesse tentar tirar minha loira teimosa da sala. Minha voz sexy. Ri baixinho, como é que eu não havia pensado nisso antes? E será que iria funcionar? Bom, não custava tentar.
Limpei a garganta e usei a minha voz mais sedutora.
- Catheri-ine, você ainda está aí? – Se antes era possível ouvir Catherine mexendo em Deus sabe o quê, agora o silêncio era mortal. – O que você acha de nós sairmos desse laboratório frio e sem graça e irmos para um lugar... mais quente?
Conseguir ouvir Catherine ofegar. O que eu posso dizer? Eu sei como provocá-la. No entanto, Catherine ainda não havia dado um sinal de vida, o que significava que eu teria que "aumentar" tal provocação.
- Sabe, a sala do Ecklie não parece ser um lugar muito excitante. Sua sala, ao contrário...
Finalmente consegui ouvir algo; passos, na verdade. A boa notícia, foi que a porta foi aberta. A má notícia, a porta foi aberta. Em um segundo, eu estava parada na frente da mulher mais linda e estonteante do mundo. No outro, eu estava deitada de costas no sofá de Ecklie, com a mulher dos meus sonhos – completamente fora de si – em cima de mim. Era arriscado. E eu adorava isso.
Seus lábios foram pressionados fortemente contra os meus, de uma forma que só poderia ser classificado como selvagem. Sua língua invadiu minha boca e eu gemi quando senti o doce gosto dela. Em menos de dez segundos eu já não conseguia mais respirar e Catherine não indicava que iria parar tão cedo. Quem disse que eu queria que ela parasse?
Afastei-me alguns centímetro para respirar, mas não tive chance. Catherine segurou meu rosto com uma mão e voltou a me beijar, enquanto sua outra mão vagava entre nossos corpos até encontrar os botões da minha blusa. Eu juro que tentei reagir, mas quem disse que isso é possível quando você está sob domínio de Catherine Willows?
Quando senti meu terceiro botão ser aberto, algum infeliz nos interrompeu:
- Sara, você já... Uau! O que é isso?
- Cai fora! – sibilou Catherine.
- Isso sim eu estive sonhando há muito tempo! – Sim, era o Greg e eu tomei uma nota mental de dar o troco mais tarde.
- Sara! – Agora era o Nick. Será que não existe mais privacidade nos dias de hoje? – Sara, sai daí! O Grissom está vindo!
Ignorei o moreno e voltei a prestar atenção na minha loira. Ouvi um suspiro e a próxima coisa que eu percebi foi alguém puxando-me para longe de Catherine e colocando-me fora da sala segundos antes de Grissom aparecer. Aproveitei tais momentos para fechar minha blusa e tentar parecer o mais decente possível.
- ONDE ESTÃO MINHAS BARATAS?! – Grissom gritou enquanto caminhava em nossa direção. Virei-me em outra direção a fim de que ele não percebesse que eu tinha algo a ver com aquilo. Pareceu dar certo, porém, Greg não teve a mesma sorte. – Greg, você sabe de alguma coisa?
- Nenhuma – o jovem respondeu, tentando manter a voz calma. – Mas eu acho que vi alguns insetos... ah... – Greg olhou para mim e eu dei um olhar destruidor. – Correndo... por aí...
- "Aqueles insetos" são as minhas Baratas de Madagascar, elas correm 4 km/h e eu não posso vencer a corrida contra a Rainha do Esgoto sem elas! – Eu nunca havia visto Grissom tão fora de si. Típico dele se preocupar com seus insetos. Catherine havia decidido cooperar pelo bem maior e veio caminhando lentamente até parar ao meu lado. Ela parecia muito satisfeita consigo mesma. Pudera, eu ainda estava ofegante.
- Catherine, o que você sabe sobre o sumiço das minhas pobres, inocentes e incríveis baratas?
- Lamento, Grissom. Eu te bipei duas vezes – disse Catherine e com um aceno, começou a andar na direção da saída do laboratório.
- Mas...
- Ah, Grissom... Acho que a Catherine está com problemas, então eu vou tirar o dia de folga. Boa sorte com o Ecklie – lancei um sorriso encorajador e sumi da vista do meu supervisor antes que ele tivesse a chance de responder.
Não tive coragem de olhar para trás, embora eu soubesse que a cena que Catherine havia deixado se tratava de algo muito, muito ruim. Embora eu não tivesse percebido nada de diferente no escritório de Ecklie, eu sabia que em breve nós veríamos os reais danos da ação impulsiva de minha loira.
Enquanto eu pensava, chegamos até onde o carro estava estacionado.
- Você faz ideia da confusão que você causou? – Perguntei com as mãos na cintura ao mesmo tempo em que Catherine se encostava na porta do carro e cruzava os braços. – O coitado do Grissom vai levar uma bronca, e o Greg... e se o Ecklie culpar ele? E se... – Parei no meio da frase quando vi algo brilhante nos olhos azuis de minha Catherine. Não era "algo brilhante", eram lágrimas. – Ei, o que foi?
- Você está... brigando comigo? – Catherine franziu seus lábios em um biquinho e fez uma expressão que partiu meu coração. Por quê ela tem que ser tão linda quando faz isso?
- O quê? Não, eu...
- Você não me ama mais! – E então desatou a chorar.
- Como é? De onde você tirou isso?
- Você não me ama mais! – repetiu ela. – Você está dizendo que eu não faço meu trabalho direito e que vou levar o Greg e o Grissom para o lado do mal também!
Catherine virou-se em direção do carro e começou a bater no vidro. Ela estava histérica. Algumas pessoas que estavam chegando no laboratório olhavam assustadas na nossa direção. Ignorei os intromissores e puxei Catherine para um abraço.
- Calma, Cath – sussurrei enquanto acariciava carinhosamente suas costas. – Eu nunca disse que você não pode fazer seu trabalho e o Grissom pode se virar sozinho.
- Só isso? – Perguntou ela e eu não pude evitar de sorrir.
- Não – respondi me afastando alguns centímetros para olhar em seus olhos de safira, ainda cheios de lágrimas. – Eu nunca poderia sequer pensar em deixar de te amar.
Ela sorriu com isso.
- Mesmo?
- Claro – balancei levemente a cabeça. – Eu te amo. Mesmo quando você passa um pouquinho dos limites.
Eu poderia jurar que Catherine começaria a chorar novamente, mas ao invés disso, ela sorriu maliciosamente e me puxou para um beijo inesperado. Eu estava tão distraída com a ação que não percebi que já não estávamos mais no estacionamento, e sim dentro do carro. Como Catherine conseguiu? Não faço a mínima ideia.
Catherine pressionou sua boca contra a minha novamente e passou sua língua pelo meu lábio inferior, pedindo permissão. Eu nunca poderia negar nada à minha loira. Separei meus lábios e sua língua invadiu minha boca, entrando automaticamente em uma disputa por poder. Quando sentiu que eu não consegui mais respirar, ela transferiu sua atenção para o meu pescoço, dando uma leve mordida na veia pulsante. Gemi levemente e Catherine mordeu novamente, dessa vez com mais força.
- Cath!
- Como eu gostaria de ser uma vampira e sugar todo o seu sangue... – murmurou ela contra o meu pescoço enquanto começava a abrir minha blusa. Quando finalmente conseguiu, ela a tirou e começou a beijar a pele exposta. De repente, ela riu.
- O que... foi? – Perguntei olhando-a. Ela olhou para baixo e depois para mim, e riu mais ainda. Então eu entendi. Catherine havia me dado aquele sutiã de presente dois dias atrás. Na verdade, aquele sutiã era dela. Eu o havia ganhado como... recompença depois de... bom, você sabe. – Boas lembranças nunca desaparecem.
- Que tal acrescentarmos mais uma para você? – Catherine sussurrou e antes que eu pudesse ter a chance de responder, a loira retirou meu sutiã e acariciou com uma das mãos.
- Cather-ine... – Não pude conter o desejo, menos ainda quando senti sua respiração quente contra minha pele. – Por favor...
Ela sorriu e então abaixou sua cabeça. Mordi meu lábio fortemente quando senti seus lábios em meu seio e sua mão acariciando levemente o outro. Inclinei minha cabeça para trás em puro prazer. Deus, aquela mulher sabia como provocar! Catherine adicionou um pouco mais de força, impedindo de todas as maneiras que eu segurasse um grito. Não posso negar que já tive outros "ficantes" na minha vida, mas nunca ninguém me tratou com tanto amor como Catherine.
Senti seus olhos me observando intensamente e olhei para a minha deusa. Sinceramente, Catherine não poderia ser apenas uma humana. Ela era perfeita demais para ser denominada uma mortal, Catherine estava mais para uma deusa grega, como era mesmo o nome dela? Ah, sim. Afrodite, a deusa do amor. Só mesmo uma divindade como a minha loira para fazer alguém normal como eu sentir-se nas nuvens, e com ênfase no normal. Então, de repente, tudo parou. E eu voltei à Terra novamente.
- Por que... você parou? – Consegui dizer em meio à minha respiração descontrolada.
- Ainda estamos no LVPD – concluiu ela.
- E daí?
- Sabe, um laboratório de criminalística não parece ser um lugar muito excitante. Nosso quarto, ao contrário...
Grunhi ao perceber onde aquilo iria acabar. E arrependi-me inteiramente de ter dito tais palavras anteriormente.
- Então, o que me diz? – Catherine correu um dedo pelos meus lábios.
- Você mal pode esperar – murmurei comigo mesma, pegando minha camiseta e a vestindo antes que Catherine abrisse a porta do carro. – Vamos ver quais hormônios irão gritar quando chegarmos em casa.
- Disse algo? – Catherine ergueu uma sobrancelha ao entrar novamente no carro e ligar o motor.
- Oh, não. Apenas algumas ideias que estou tendo.
- Espero que sejam interessantes e empolgantes.
- Claro – Tanto quanto você em seus dias de TPM.
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