Notas iniciais
Desculpa, leitores. Eu já estava escrevendo o décimo quarto capítulo, cada dia escrevendo um pedacinho, porque realmente não quero abandonar a história, embora tenha que me desdobrar em mais de uma pra dar conta de estudos, atividades, hobbies e obrigações. E a tudo isso, some o meu mais recente problema de saúde. Vou explicar pra vocês. No sábado (30/04), pedi pra sair mais cedo do curso, pois desde a madrugada estava sentindo uma dor localizada do lado direito inferior do abdômen, e suspeitava que fosse apêndicite. Fui pra emergência com uma amiga, fiz uma tomografia (que não deu nenhuma alteração) o médico me deu um remédio que descobrir ter alergia, melhorei e vim pra casa. Quando foi na quarta de manhã (04/05) acordei com a mesma dor e dessa vez sem apetite. Como não tinha ninguém em casa, chamei outra amiga minha pra ir comigo na emergência. Chegando lá fui atendida por um médico excelente, sério mesmo. Ele pediu uma ultrassom do abdômen e passou medicação, dizendo que os sintomas indicavam apêndicite, mas não poderia dar 100% certeza. Pediu que eu permanecesse em jejum pro caso de precisar operar. Passei o dia no hospital tomando remédio atrás de remédio na veia, em jejum, indo no banheiro a cada quinze minutos (soro+água=potencializante da quantidade de xixi) e me sentindo fraca por não ter nada no estômago. Fui fazer uma tomografia computadorizada com contraste (esse contraste que aplicam na veia é coisa de louco) e assim que passei na máquina, o radiologista ligou pro médico, que apareceu na sala pra ver as imagens. Meu primeiro pensamento ao ver médico, radiologista e técnicos de enfermagem discutindo o laudo? Pronto, me fudi. Não era apêndicite, e sim um cisto dentro do meu ovário direito. O médico quis me internar, mas pedi pra ir pra casa (isso já era de noite e ele passou medicação). Voltei pra casa e comi dor a noite toda. No outro dia (05/05), arrumei minha mochila com os essenciais e fui com minha irmã pra emergência pronta pra ser internada. Chegando lá, o médico maravilhoso disse: eu tinha impressão que você ia voltar. Eu respondi: eu também, mas mesmo assim fui embora só pra voltar de novo. Ainda bem que te encontrei aqui (os médicos trocam de plantão toda hora). Saí do hospital ontem (09/05), passei esses dias na dúvida se iria operar ou não, mas acabei melhorando e não operei; pelo menos a dor que nem com morfina queria passar, passou. Ontem mesmo olhei os meus rascunhos no celular do capítulo e decidi postar o que já tinha escrito pra sinalizar que sim, eu estava viva, e não, não tinha abandonado a história. O próximo será uma continuação direta desse. Agradeço a compreensão, assim como agradeço os cinquenta leitores que estão acompanhando Diary of a Savior. Vocês me fazem ter vontade de continuar escrevendo e escrevendo, mais e mais. Boa leitura!

“… Escolha as suas batalhas, querido

Depois, vença a guerra

Pare de cavar o seu próprio desejo

Lá dentro, há muito o que viver...”

(Choose Your Battles, Katy Perry)

Viver é uma dádiva. Mas uma vida cheia de problemas é dose, uma dose de dor de cabeça de rachar a cuca e queimar os miolos. Me joguei no chão da sala de reuniões e me encostei na parede, sentindo o cansaço de tantas confusões, dilemas e dúvidas existenciais. Quando não eram os inimigos, era Carl, o garoto que transformava os meus dias em uma novela mexicana digna de reexibição no canal sbt. Quando não era Carl, era Patrick, o meu primeiro amigo oficial na prisão que agora deve me odiar tanto quanto tem medo de errantes ou até mais. E quando não era Carl ou Patrick, eram os pesadelos horríveis todas as noites, as memórias vívidas demais das perdas do passado, e o pressentimento de que uma ameaça estava se aproximando e cada vez mais próxima, e o alvo éramos nós.

Respirei e inspirei várias vezes com pensamentos vazios na cabeça ao tempo em que o silêncio pairava no ar. Carl se sentou ao meu lado enquanto me decidia entre surtar ou surtar de uma vez, por que a minha capacidade de suportar tantas coisas ao mesmo tempo já estava ultrapassando o meu limite máximo.

— Mia? Mia, olha pra mim, por favor — Droga, esse garoto amolece o tom e não tem nem como pensar resistir. Olhei-o e me deparei com aquele par de olhos azuis, os nossos rostos próximos um do outro. Quero chorar, mas não vou chorar, não, não vou fazer isso — Me conta o que aconteceu.

— Só tudo, Carl. Aconteceu tudo — Engoli o nó na minha garganta — Eu estou com medo de viver essa vida, mas eu não quero morrer. Eu quero viver, mas o universo decidiu que Mia Dixon viveria ferrada, ferrada com a porra toda. E isso é uma droga. Uma droga, por que eu estava do lado de fora prestes a enlouquecer e acreditando que encontraria o meu fim ali mesmo. E aí vem você, aponta uma arma pra minha cabeça e prova o quanto estava errada e que ainda vou me lascar muito antes de bater as botas. Eu sou agradecida por estar viva. Mais do que estar viva, mas estar viva aqui. Mas morrer é que é fácil, viver a vida é que é difícil.

Desviei o olhar e apenas ouvir o som das nossas respirações pelo que pareceu uma pequena eternidade. Lembrei que Carl havia dito ao Rick que gostava de mim, gostava de verdade de mim. Era hora de expor as verdades enquanto a coragem vinha a tona ou enlouqueceria com tantas perguntas sem respostas.

— Como funciona isso, Carl? Isso de eu ser a sua garota e você fingir como se nada existisse entre nós? — perguntei. Mandando ver, por que mulher magoada, é raiva em dose dupla — Então me explica o que eu tenho que fazer pra isso dar certo, porquê... Droga! Você gosta de mim e eu gosto de você, e como fica as nossas vidas se gostamos um do outro?

— Fica assim.

Carl me empurrou contra a parede e a suavidade com que seus lábios tocaram os meus foi tão doce quanto gotas de mel. Eles eram macios e irreverentes, se mexiam como se explorasse cada pedaço dos meus e, juntos, estavam sincronizados e encaixados duma forma inexplicavelmente perfeita. Ai, que gostoso.

— Mia, as coisas por aqui estão... um pouco difíceis. Estamos trabalhando duro para que façamos tudo o que tem de ser feito antes que se torne impossível ir do lado de fora. Você estava doente, por que arriscou a vida pra nos salvar, não queria te deixar preocupada. E conhecendo bem você, sabia que iria querer se meter e ajudar, por que você é assim — disse Carl. Podia sentir sua respiração perto demais da minha. Meu coração dava pancadas e mais pancadas nas paredes do meu peito — E não iria melhorar logo.

— Eu estou bem. Eu posso ajudar.

— Sim, você pode. Mas não importa o que acontecer, prometa que vai estar sempre perto de mim. Eu sei que às vezes dou a entender que sou eu que não estou sempre por perto, mas é que não é fácil amar as pessoas hoje em dia — Ele desviou o olhar e se afastou, parecendo preocupado e apreensivo.

— Carl, tá acontecendo alguma coisa?

— Me responde uma pergunta. Paul Monroe— disse ele. Franzi as sobrancelhas sem entender — Esse nome é conhecido pra você?

Paul lê-se pôw Monroe lê-se monrrôu, pensei. Quantos Paul's tinha conhecido até ali? Vários, afinal, Paul era um nome bastante comum nos Estados Unidos. Havia o Paul, o garoto gordinho da minha turma do jardim de infância; não lembrava o seu sobrenome, mas tinha quase certeza que não era Monroe. E o Paul Collins, o cara que jogava futebol com o papai aos domingos, sendo um Paul eliminado. E o Paul, cujo sobrenome sempre me fora desconhecido, um antigo paquera dos tempos de escola. Hahaha.

— Não.

— Nem nunca ouviu falar? Ou alguém contou pra você?

— Tenho certeza que nunca ouvir falar de nenhum Paul Monroe. Quem é ele?

— Nada. Vamos — Carl pegou a minha mão e me puxou na direção da porta — Temos que ir pra reunião.

— Por que me perguntou isso, cowboy?

— Logo, logo vai saber.

Aquela pergunta não era esperada e o tom de mistério atiçou a minha curiosidade, mas se descobriria depois não tinha porquê insistir no assunto. Afinal, se não era urgente, Carl me contaria de antemão, não é? Horas depois acabaria descobrindo que não, não era verdade. Uma mera omissão faz a diferença quando vidas e segredos que envolvem vidas estão em jogo.

E aquele que sabe por útimo é o que se torna o perdedor.

Caminhamos pelo corredores de mãos dadas, me deixando ser guiada pelo garoto bipolar que descompassava o meu coração. Sem trocar palavras até eu me dar conta de que aquele simples gesto tinha um grande significado pra mim: segurar a mão de Carl era tudo o que eu precisava, a promessa de que tudo ficaria bem, pois não estava sozinha, mas com ele e juntos éramos mais fortes do que separados. Tive medo da sensação de segurança que me invadiu por completo, por quê ela sempre vem acompanhada de uma pergunta essencialmente amedrontadora: até quando duraria aquilo?

Involuntariamente, apertei a mão do garoto, envergonhada, ao ver as pessoas que entravam na sala de reuniões nos lançando olhares furtivos. Tinha certeza de que eu parecia um tomate maduro, mas Carl milagrosamente estava com a carranca característica de pouco me importo para o que você acha ou pensa de mim, se toca. Depois me lembrem de pedir aulas de como agir assim em público. Adentramos na sala e nos sentamos no chão de um dos cantos mais vazios, deixando as cadeiras vagas para os mais velhos. Levantei a cabeça e avistei alguns rostos conhecidos e discernir as mais diversas reações neles: Beth e Maggie sorriram abertamente para nós, enquanto Sasha e Lucia desviaram atenção com caretas de quem comeu e não gostou. Coisa de gente infeliz, invejosa e mal amada. Tive a impressão de que Carol piscou pra mim, Lizzie e Mika ficaram repentinamente sonhadoras e Daryl torceu a cara, sentando como um caipira esfarrapado do lado oposto. Lembrei-me do tapa de graça que levara sem pagar nada e automaticamente fiquei com raiva, muita raiva dele, do tipo vontade de levantar e dizer umas poucas e boas na frente de todo mundo. E, contra as minhas expectativas, apenas acrescentei mentamente a minha lista que o meu tio tinha salvo a minha vida duas vezes e me defendido quando eu era a errada da história, mesmo depois de ter me dado uma bolacha na cara. As ações boas superavam as ruins e prometi pra mim mesma que ainda descobriria o motivo de Daryl Dixon agir de uma forma tão contraditória comigo.

Rick entrou na sala e o burburinho geral cessou imediatamente. Estava acompanhado por Michonne e considerei que, se os dois estivessem realmente juntos, formariam um belo casal. Comentei isso com Carl e ele franziu o cenho.

— De onde você tirou isso? Eles são só amigos.

— Estão sempre juntos. O que acha da Michonne como sua madrasta, cowboy?

Ele arqueou a sobrancelha e balançou a cabeça, sério.

— Como vocês devem estar sabendo, na última vez em que estivemos lá fora nos batemos com outro grupo que atacaram os nossos. Estaríamos mortos se não fosse pela intervenção de duas pessoas. Uma delas está trancado numa cela e se recusa a falar o que queremos saber — disse Rick. Só podia ser o cara que Beth havia me dito... Como era mesmo o nome dele? — O cara que parecia ser o líder dos que nos atacaram, antes de morrer, nos perguntou o que sabíamos sobre o grupo que pixa "S"s com sangue por aí. Segundo ele, o grupo se autodenomina Salvadores e rolam-se boatos de que estão impondo um regime de terror sobre os sobreviventes e escravizando pessoas.

Então o "S" era a marca de Salvadores. Salvadores deveriam salvar pessoas e não escravizá-las, certo? Mas, como Rick tinha dito, eram só boatos, logo nada concreto. Pelo menos era o que eu desejava que fosse, por quê se não, estaríamos diante de uma ameaça real, embora nada daquilo fizesse muito sentido.

— O nosso prisioneiro diz saber quem são esses tais Salvadores, mas se recusa a falar — completou Rick.

— Já tentou apontar uma arma pra cabeça dele? — sugeriu Daryl.

— Ele sabe que não tem chances de fugir, sabe que está em nossas mãos e mesmo assim se recusa a dizer uma palavra — disse Rick — Tudo o que sabe repetir é que estamos correndo perigo e que tão mais estaremos na mira desses Salvadores.

— Ele está blefando. Aposto que vai pedir alguma coisa em troca das informações — opinou Sasha.

— Pelo menos ainda não tentou. Mas por hora, vamos nos preocupar com o que sabemos. Os nossos estoques de alimento e munição estão ficando cada vez menores e em pouco tempo será impossível estar do outro lado da cerca sem congela. Precisamos armazenar o suficiente para o primeiro mês e arrumar roupas de frio para todos. Isso implica ter que sair mais do que gostaríamos, mas é a única opção — disse Rick com uma nota de preocupação na voz. E não era pra menos — E, enquanto não descobrirmos quem são esses Salvadores, precisamos estar alertas e ficar vigilantes. Apartir de agora os turnos serão feitos em sexteto, uma dupla em cada torre e outra no arsenal de armas. O Glenn conseguiu reativar o sistema de alarmes, então em caso de emergência basta que apertem o botão na caixa do sinalizador. Podem combinar com quem querem dividir os postos e revezar nos outros afazeres da prisão, não se esquecendo que alguns também estarão lá fora. Mais do que nunca, precisamos trabalhar em conjunto.

— Quando vamos sair de novo? — perguntou Glenn.

— Em breve. Por enquanto, é só isso — Rick encerrou a reunião. As pessoas começaram a se dispersar conversando entre murmúrios, mas notei que tio Daryl, Michonne, Glenn, Maggie e Carol rodearam ao pai de Carl como se houvessem outros assuntos a serem tratados. Fiquei curiosa, mas julguei que não era íntima suficiente para participar daquela conversa.

— Aonde você vai, cowboy?

— Terminar o trabalho na horta e despelar esquilos pro jantar. O turno de vigia de mais tarde é nosso — disse Carl e um sorrisinho surgiu em nossos lábios — Quer vir comigo?

— Prometi pras meninas que leria um livro pra elas na biblioteca. E... Preciso pedir desculpas ao Pat.

— Afinal, o que ele fez pra você ter dado um soco nele?

— Eu... Bem... — Era óbvio que se Carl soubesse renderia mais confusão — Encontrei ele no corredor do bloco...

— Mia, posso falar um instante com você? — interrompeu Rick nos pegando de surpresa.

— Pai, o que você...

— Isso não tem nada haver com você ou com vocês dois, filho — Eles se entreolharam por alguns instantes e bem diz o ditado que um olhar vale mais que mil palavras ou é uma música do Luan Santana? A resistência de Carl foi quebrada quando sua expressão suavizou-se e ele saiu da sala em silêncio. Era nítido que aquela conversa não o agradava nem um pouco. Olhei para Rick ansiosa para saber do que se tratava o assunto, se não era sobre Carl, sobre eu e Carl ou sobre eu dar um murro no Pat por causa do Carl.

— Pode se sentar — Ele indicou a cadeira atrás de mim. Sentei e Rick puxou uma cadeira para si, posicionando-a de frente para mim. Reparei que a sala já estava vazia, exceto por nós dois ali. Os olhos dele fixaram-se nos meus e pela primeira pude perceber o quanto os dois, pai e filho, se pareciam nos traços do rosto. As feições comumente endurecidas pelas pancadas da vida e a frieza nos olhos idênticos um ao do outro. Rick parecia carregar ainda mais as marcas do cansaço de ser a pessoa a que todos recorriam, que tomava as decisões e precisava cuidar da sobrevivência de mais pessoas do que os nossos dedos eram capazes de contar. A barba denunciava a falta de um barbeador e As olheras ao redor dos olhos denunciavam as noites mal dormidas, o efeito colateral de ver coisas horríveis acontecerem no apocalipse e continuar respirando todos os dias. E nunca ter a certeza de que se está realmente bem.

— Mia, preciso te fazer uma pergunta.

Momento tensão.

— Você conhece o Jesus?

— Quem? — Sim, conheço Jesus, mas não pessoalmente.

— Ele salvou o Daryl. O Daryl não o conhece, mas ele disse que conhece você e a sua mãe, Dana. Ele sabe sobre os Salvadores e se recusa a falar, mas disse que você é próxima deles — disse Rick. A estupefação fez com que as palavras sumissem da minha boca ao mesmo tempo em que milhares de perguntavam golpeavam mais e mais a minha cabeça — Mia, o que você sabe sobre Jesus e os Salvadores?

— Eu não sei... Eu... Nunca ouvi nada a respeito de alguém que se chama Jesus — O rosto de Rick manteve-se inexpressivo. Seria um quê de dúvida? — Tem que acreditar em mim.

— E a sua mãe?

— Ela nunca me disse nada, mas tenho certeza que... — S de Salvadores. S de Salvadores. O S tatuado nas costas da minha mãe. S de Salvadores. S de Salvadores. Tudo parecia se encaixar perfeitamente. Ou não. Como poderia ter certeza?

— Mia? O que sabe...?

Engoli seco e balancei a cabeça em negação.

— Eu não sei de nada, Rick. Você tem que acreditar em mim.

— Eu acredito em você. Mas quero saiba de uma coisa — Ele me olhou como se pudesse enxergar dentro de mim e soubesse que escondia algo — Verdades não podem ser escondidas quando vidas estão em jogo. Caso se lembre de alguma coisa, sabe onde me encontrar.

São coisas que acontecem em nossas vidas e nos fazem questionar como o passado, o presente e o futuro realmente funcionam. Até que ponto as coisas anteriores podem afetar o nosso agora, quando as verdades essenciais morreram com as pessoas que amamos? Quem é capaz de dizer o que o amanhã irá nos reservar quando esse instante parece incerto demais e as coisas em que tínhamos fé se desmoronam como um castelo de areia?

Um cara, cujo verdadeiro nome me era desconhecido e se autointitulava Jesus, sabia quem era a mamãe, sabia quem eu era e sabia quem eram os Salvadores. Não podia me esquecer daquele sonho em que ela me dissera que eles estavam chegando. Eles eram os Salvadores? Quem são os Salvadores e o que a minha mãe pode ter escondido de mim que agora era impossível descobrir? O apocalipse zumbi é muito mais do que qualquer um poderia ser capaz de imaginar, algo que eu acabara de descobrir.

Rick Grimes levantou-se da cadeira e saiu sem dizer mais uma única palavra. Fiquei por alguns minutos sentada com o olhar perdido em lugares vazios e entre dúvidas essenciais, até lembrar da promessa que tinha feito as crianças da prisão. Mecanicamente executei a tarefa mesmo que a minha mente estivesse distante e o meu corpo, presente. Não tive coragem de passar na enfermaria e falar com Patrick sobre o ocorrido covarde, porquê simplesmente não havia mais espaço para dores de cabeça extras. Mas fiquei mais despreocupada quando Beth me contou no jantar que Pat estava bem e não parecia bravo comigo, embora não quisesse tocar no assunto. Minha melhor amiga percebeu o quão eu estava distante, mas não fez muitas perguntas, talvez imaginando que aquele lance ainda estava me incomodando.

— Quando quiser conversar, estou aqui ou na minha cela com a Judy — disse Beth.

— Obrigada, Beth — Olhei novamente para o meu prato de sopa de lentilhas quase intocado. Um desperdício quando a comida estava tão excassa por ali. Outra vez, Carl não estava no refeitório e nem em lugar algum.

— O Carl está com Rick, Mia.

— Tá tão na cara assim?

— Não tem nada de errado em querê-lo por perto.

— Eu tenho que ir. Sua fujona. O turno de agora é meu.

— Tudo bem. Até amanhã.

Continua...

Notas finais
Sobre o comentário da leitora Andy Hide: céus, uma americana em intercâmbio no Brasil lendo a minha fanfic ♥