Diary Of a Paradise! Sweetie

4 Naoko Shikawo (parte II)


Eu estava vestindo um vestido preto tomara-que-caia com bolinhas brancas. Usava ainda uma tiara, da mesma cor do vestido, no cabelo, um par de brincos pendurados com um leve enfeite de estrela e um colar com um “N”, que havia ganhado de meus pais pouco antes do acidente. O dourado de meus acessórios contrastava com o dourado de meu cabelo, dando um efeito incrível ao meu visual. Pois é, sempre preferi dourado à prateado...

Estava no carro de Daisuke, com o mesmo dirigindo, e seu irmão, no banco do passageiro. Eu fui no banco de trás sem me importar, afinal de contas sempre havia sido assim. E além do mais, ainda faltava um ano pra que eu conseguisse minha carteira de motorista.

— Kemmy, chegamos! OHAYO! — Gritou Daisuke quando chegamos no Café. Era um lugar bem bonito, aconchegante... Mas um pouco afeminado para ter dois donos homens. Ainda bem que teria uma garota pra compensar...

— Hey meninos. Chegaram cedo hoje! E ainda trouxeram visita. Seja bem-vinda, no que posso servi-la, senhorita? — Me perguntou a menina de cabelos castanhos, prendidos com maria-chiquinha, e olhos mel.

— Ohayo, meu nome é Shikawo Naoko. O Dai-kun e o Kai-sama falaram muito de você. Seu nome é... Akasaka Kemmy, certo?

— Hai! — A garota era muito bem humorada e parecia ser perfeita para o cargo de dona de um lugar como aquele. Sabe como é, ela era do tipo que está sempre disposta a realizar todos os pedidos dos clientes. — Gostaria de tomar alguma coisa? Um chá talvez? Ou comer um pedaço de torta! Aposto que você iria adorar nossas tortas, já que temos das mais variadas por aqui. — Ela deu uma piscadela pra mim e se aproximou.

— Ah não, muito obrigada. Já tomei café da manhã e estou satisfeita! Afinal de contas, quem o fez foi o Kaisuke, então já viu.

— O Kaisuke cozinha bem demais mesmo. Mas modéstia à parte, eu também! Aprendemos muita coisa sobre culinária juntos. Meu pai era um grande chef quando mais jovem! E por falar nisso, esse lugar era dele e do pai dos garotões aí. — Ela comentou, cheia de risadinhas saindo pelos cantos da boca. Ela era mesmo muito divertida.

— Que bom! Um estabelecimento herdado dos pais. Bom... — uma névoa de tristeza passou sobre mim e eu dei uma longa pausa. Tive que me segurar ao máximo pra não chorar. — Não sei se vou poder cuidar das empresas de meu pai. Não entendo muito daquilo. O meu negócio mesmo é a música! — Apesar de tudo, senti meus olhos brilharem ao pronunciar a palavra “música”. Afinal de contas, cantar sempre foi tudo pra mim.

— Que demais! Será que poderia cantar algo para nós? — De repente o meu estômago embrulhou. Eu detesto cantar em público!

— Hã... Err... Talvez outra hora... Sabe, é que minha voz não está muito boa pra cantar hoje.

Fiquei enrolando ao máximo, evitando pra não ter que cantar na frente deles! Mas nem precisei me preocupar, porque logo depois chegaram ao local quatro meninas. Uma tinha o cabelo roxo, olhos verde-água e enfeites verdes de cabelo, sem falar nos detalhes verdes da roupa. Outras duas eram idênticas, a não ser pela cor do cabelo. Deduzi então que eram gêmeas. Uma tinha o cabelo preto, olhos roxos, e usava uma camiseta amarela com calça jeans. A outra tinha o cabelo branco, olhos roxos e usava um lindo vestido laranja, cheio de flores da mesma cor. E por último, mas não menos importante... Uma ruivinha de olhos azuis muito fofa que usava uma blusa branca de manga e uma saia roxa, acompanhada de uma gravata também roxa. Essa parecia bem alternativa, pois usava também munhequeiras nos braços. De repente elas entraram, e a Kemmy avisou pra que elas colocassem logo seus uniformes de garçonete porque o Café já estava pra abrir.

— Ei, por onde anda a Koori? — Perguntou Kaisuke, parecendo preocupado.

— Não se preocupa não Kai-kun, ela deve ter ido pra mais uma festa e passou a manhã inteira dormindo. Daqui a pouco ela chega! — Disse a garota de cabelos pretos. Ela parecia bem sarcástica. Ficava o tempo inteiro com uma cara enfezada e de braços cruzados. Mas apesar de tudo era bem bonita.

— Tudo bem, desde que ela venha! Ah, não sabem como as coisas aqui eram difíceis antes de vocês chegarem. — Essa afirmação da Kemmy me deixou com uma ponta de curiosidade. Porque manter um Café antes mesmo de ter garçonetes?

— Oi, desculpe se parece grosseira de minha parte, mas quem é você? — De repente a garota de cabelos brancos falou comigo. Ela tinha cara de ser bastante alegre e parecia muito simpática, ao contrário da outra que parecia sua irmã.

— Não é grosseria nenhuma, querida. Meu nome é Shikawo Naoko, e o seu?
— Me chamo Kisagari Miruku. — Kisagari... Esse sobrenome me é familiar... — Aquela garota que parece comigo é minha irmã gêmea, Kayako. — Bingo! — A de cabelo roxo é a Matsue Mieko, e a de cabelo avermelhado se chama Nakayoshi Nina.

— Prazer em conhecê-las. Vocês todas trabalham aqui, não é? Vocês são só garçonetes ou fazem mais alguma coisa?

— Bom, a gente luta com... — De repente as outras pularam na menina ruiva, que lutava para falar, me deixando com uma enorme interrogação no meio da cara.

— Perdoe a Nina, ela fala cada bobagem! — Disse a garota de olhos verde-água, Mieko. Algo naquilo me deixou bastante intrigada...

Depois de um tempo, foram chegando vários clientes que foram servidos delicadamente por cada uma daquelas meninas, exceto a tal da Kayako. Engraçado, agora tudo nela me pareceu familiar... A aparência, o nome, o sobrenome...

Alguns minutos depois, uma garota sem fôlego apareceu na porta do estabelecimento. Ela tinha cabelo e olhos castanhos, estava usando uma blusa azul sem manga, um short jeans com as beiras rasgadas e um par de luvas “sem dedo”. Ela se dirigiu ao Daisuke, parecendo se desculpar. Era a ideia que ela passava pelo modo com o qual ela falava. Ela correu pra dentro e logo voltou, usando um uniforme de garçonete azul. Deveria ser a Koori.

Engraçado que cada uma tinha uma cor diferente de uniforme. Koori usava azul, Mieko usava verde, Kayako usava amarelo, Miruku usava laranja e Nina usava roxo. Presumi então que as cores de cada uniforme não poderiam ser repetidas...

— Está quase na hora do almoço. Gostaria de comer aqui, Naoko? — Perguntou Kemmy para mim.

— Não sabia que aqui também tinha almoço. O que vocês servem por aqui?

— Na verdade, não temos. É só que sempre fechamos o Café pra almoçar. Eu e o Kaisuke que fazemos nossa comida por aqui. Gostaria de se juntar a nós?

— Claro, porque não? Adoraria almoçar com vocês. — Dei um sorriso amigável e fui pra dentro. Comemos uma lasanha à bolonhesa deliciosa. Aliás, parecia que eles simplesmente sabiam as minhas comidas favoritas, porque sempre as faziam.

Depois do almoço, eu saí do Café para pegar um ar. De repente, senti uma brisa forte e ouvi alguns barulhos estranhos. Quando me virei, uma mão me puxou e prendeu minha boca. Era um garoto de cabelo alaranjado que tinha me prendido. Ele tinha orelhas e uma calda que pareciam ser de raposa, o que me deixou bastante confusa. Estava ainda acompanhado de uma garota. Ela tinha o cabelo azul, olhos verdes e no lugar de suas orelhas estavam um par de mini-asas. Sem falar que ela usava uma roupa de uma cor que ficava entre azul e roxo.

Eles tinham uma cara maligna e eu nem imagina o que eles pudessem querer comigo. Talvez algo a ver com dinheiro, afinal eu era rica, não é mesmo?
Tentei gritar, mas foi inútil. Pelo menos eu tive a sorte de que eles sentiram minha falta e vieram me procurar.

Os donos do Café e as garçonetes apareceram onde eu estava e me olharam enfurecidos. De repente, ouvi as garotas falando alguma coisa e senti vários flashes de luz me cegarem.

Quando abri os olhos, haviam cinco garotas muito diferentes das que eu havia visto antes. Todas pareciam vestir cosplays, na verdade. Porque as roupas que usavam eram bastante estranhas pra alguém usar no dia a dia, principalmente porque elas estavam ainda com orelhas e caudas de animais, como o garoto que havia me aprisionado.

A garota de cabelo azul correu até elas e as atacou, lançando um estranho poder de sua mão. Aquilo nocauteou aquelas que pareciam Koori e Mieko, mas as outras conseguiram se esquivar. Do nada, Kayako e Miruku fizeram surgir cada uma um bastão e atacaram duplamente com eles. Era uma luta cheia de luzes coloridas que me faziam ficar cada vez mais confusa.

— Junte-se a nós... — O garoto que estava me segurando cochichou no meu ouvido, mas eu não estava entendendo nada. Como eu poderia me juntar a ele se eu nem sabia o que ele era?

Não demorou muito, o tal garoto recebeu um soco do Daisuke e eu consegui me libertar. Eu o abracei e disse que estava com muito medo, que não conseguia entender nada. Então eu percebi que algo no meu tornozelo esquerdo chamava sua atenção. Era uma aquilo estava ali.

— Olha, não tenho tempo pra te explicar agora. Mas pega isso. — Ele me entregou uma coisa que parecia um pingente de pescoço. — Tenta gritar “Mew Mew -alguma coisa-, Metamorpho-sis!”. Eu sei que parecia loucura, mas só tenta, por favor.

— T-tudo bem... Eu vou tentar. — Dei um leve beijo no pingente, e gritei a primeira coisa que veio a cabeça... — Mew Mew Kinoko, Metamorpho-sis!

Meu corpo todo começou a brilhar e eu parecia estar me transformando em alguma coisa. Era uma sensação tão boa que me deixei levar. Quando acabou, eu olhei pra mim e vi que eu estava com uma roupa diferente. Um short curto e um top, acompanhados de um par de botas e outro de munhequeiras, tudo cor-de-rosa. E até as mechas de cabelo que caiam sobre meu ombro haviam mudado de cor, se tornando castanho-claras.

— Deu certo, Naoko-san! Agora, chame sua arma. — Disse Kemmy, parecendo animada.

— C-c-como eu faço isso? — Eu mal podia acreditar que tinha virado aquilo. Nesse segundo percebi também que eu tinha orelhas e rabo de algum animal... Só não sabia qual era...

— Tente buscar dentro de si qual a sua arma e grite algo para chamá-la.

— Ok... — Pensei, pensei, até que me veio uma frase e tive que dizê-la. — Ongaku Maikurofuon! — Um microfone surgiu em minha mão. Ele era lindo, cor-de-rosa e me dava vontade de cantar qualquer música nele. — Funcionou! E agora?

— Ataque, você precisa atacar... — Presumi então que a técnica para saber atacar deveria ser a mesma que usei para chamar a arma.

— Ribbon Microphone's Melody! — Gritei, e comecei a cantar uma das canções que eu havia escrito nesses dias.

Todos pareciam maravilhados com minha voz, exceto aqueles que nos tinham atacado. Ao contrário, eles estavam tampando os ouvidos e eu comecei a me perguntar qual seria o problema. Mas não conseguia parar de cantar, eu cantava e cantava incansavelmente. Até que, quando acabei a música, direcionei meu microfone para eles e lancei um flash de luz colorido, da mesma cor do microfone, que pareceu deixá-los vulneráveis e muito fracos. Foi então que eles decidiram desaparecer, e eu, enquanto isso, sentei no chão exausta, e com um novo brilho, pareci voltar ao normal. O mesmo aconteceu com todas as outras.

— Naoko, você foi muito bem, parabéns! — Disse Kaisuke, empolgado. — Nunca ouvi uma voz tão doce antes. Bem que você disse que a música era sua vida, bom, acho melhor você investir logo nisso!

Foi aí que me toquei: Eu tinha cantando na frente de todos eles. Eu corei e fiquei sem palavras, tentando me recompor. Todos elogiaram minha voz, mas como Kayako tem que sempre ser exceção à regra, ela não o fez. Mas teve um comentário da Nina que me deixou bastante curiosa...

— Kyaaa, você é a gambá mais fofa que eu já vi!

Gambá? Será que eu havia mesmo virado um gambá? Resolvi rir do comentário e depois resolver isso, afinal, o ambiente agora era de festa e problemas era tudo que menos precisávamos. Mas algo realmente extremo aconteceu no meio de tudo aquilo. A tal Kayako se aproximou de mim, e mesmo que estivesse com aquela cara fechada de sempre, disse “Bem-vinda ao grupo”. Eu agradeci e todos nós entramos no Café, afinal precisávamos reabri-lo. Fui aos fundos com Kemmy, e ela me entregou um uniforme igual ao das outras, só que cor-de-rosa. Mas que graça, eu iria poder usar minha cor favorita no que quer que envolvesse aquele pessoal!

À noite, o Café pareceu ter mais gente, e vi um grupo de garotas que cochichavam e não tiravam os olhos de mim. De repente, uma delas se aproximou.

— Desculpe o incômodo... Seu nome é Shikawo Naoko? — Ela parecia tímida e muito sorridente ao me perguntar aquilo.

— Sou sim, por quê? — Respondi calmamente, com um sorriso doce no rosto.

— Ah, é sério? Tipo, Shikawo Naoko! Ah, espera aí, me dá um minuto pra respirar... — Não entendi o porquê de tanta euforia, mas o comentário que veio logo depois disso esclareceu tudo. — Desculpa ficar tão maluca assim, é que eu e minhas amigas somos suas fãs! Acompanhamos você no MySpace, Facebook e Youtube. Cara, adoramos sua voz! Poderia autografar... — Ela pareceu hesitar, procurando alguma coisa pra que eu assinasse. — Ah, que droga, não tenho papel.

— Aqui. — Estendi minha mão com um bloquinho de notas que sempre carrego. — Quer que eu assine pra você e pra suas amigas?

— Sim, sim, muito obrigada! — Seus olhos brilhavam enquanto eu escrevia meu nome naqueles pedacinhos de papel.

A garota se dirigiu para as amigas, distribuindo um autógrafo para cada uma. Ah, ela me disse seus nomes, mas não é algo que eu me recorde agora. O importante é que a partir daí, mais fãs foram surgindo e acabei ficando muito famosa. Meu trabalho estava ficando cada vez mais conhecido e meus vídeos no Youtube tinham a cada dia visualizações... Não só de japoneses como do mundo todo.

Depois de um tempo, o pessoal me explicou que tudo que havia passado naquele dia fazia parte de uma missão que eu tinha para com o mundo. Eu e minhas companheiras de batalha tínhamos que lutar com aqueles vilões e salvar o planeta.

Ao passar por tudo isso, minha agenda ficou completamente lotada! Sabe como é, salvar o mundo e ser uma cantora famosa não é uma coisa muito fácil. E quer saber de uma coisa? Eu sinto orgulho de ser quem eu sou... Mesmo que eu tenha meu DNA fundido ao de um gambá. Mas isso é o mínimo, não é mesmo? Hahaha. Kisses, Shikawo Naoko~

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.