Diary Of Feelings
7 Capítulo 6: Sexo Verbal
Notas iniciais
Sasuke nunca soube como interagir com o mundo ao seu redor, também nunca fizera questão disto, mas como Uchiha, ele tinha aprendido distinguir o bem do mal, ou pelo menos era isso que ele acreditava antes...
O choque do fim de seu casamento o fez questionar se realmente deixou-se enganar com uma imagem tão imaculada de seus sentimentos ao ponto de se cegar e não enxergar o óbvio: tudo se tratava apenas de mentiras. Fogo de um amor inexistente, impossível de não se sair queimado, ferido...
Uchiha Sasuke possuía profundas olheiras... Passava as noites em claro a espera que o sol renascesse no dia seguinte enquanto se tornava mais sábio em suas reflexões. Enrolado em um edredom na cama de casal que antes dividia com o Dobe, assistia a luz do alvorecer tingir seu quarto com uma iluminação alaranjada.
No vazio de sua cama, onde deveria se desprender o calor aconchegante de certo louro babaca, tinha jogado ali o motivo de seus pesadelos que o atormentava e não o deixava dormir, o infame diário. Onde sua culpa estava registrada a cada palavra desapontada escrita pelo seu dono.
Rolou ficando de costas para tal símbolo de seu fracasso, talvez se tivesse aprendido antes...
Suspirou cansado antes de tatear o outro lado da cama ainda de costas tentando achar o diário, assim que o encontrou encarou a capa e fechou os olhos, folheou tentando encontrar algo para ler ali de forma aleatória.
“Oh merda”, foi o que pensou ao ler a data...
Hoje eu conheci o inferno e o céu... Não estou muito certo sobre meus sentimentos mais. Antes eu iria defender tudo com garras e dentes... Mas eu sinto medo agora.
Lembro quando nos conhecemos, você quase não falava comigo, dizia que palavras são desnecessárias e poderiam tornar-se um erro. Apesar de tudo, eu percebia que você dialogava comigo; as palavras perdem o sentido se para quem eu falo não está atento as minhas palavras; mas eu sentia você absorver cada palavra que eu falava por baixo da sua máscara de indiferença, eu sei Sasuke...
Porém tudo se tornou extremamente irônico quando nos casamos... Nesta última noite que passamos juntos, senti a sua necessidade de conversar, mas ignorei... Pois o que eu queria era descobrir... Tentar ser mais forte que você naquela noite Teme... Mesmo que mentir para mim mesmo fosse necessário e ter que ignorar isso... Eu sei que negligenciei a sua necessidade aquela noite e isso... Bem, acho que você se lembra como terminou...
– Hei Dobe! Estou tentando falar com você! — eu senti você me agarrar pelos braços e me afastar com uma leve sacudida. — Estou falando sério aqui e você está aí tentando me devorar!
Claro que estava tentando te devorar, estávamos na cama... Era óbvio que eu não queria conversar...
Sério, ouvir que você gostaria de falar em vez de me comer me irritou... Ah! Pro inferno! Eu sabia aonde você queria chegar e eu não tava a fim de me aborrecer droga! Eu não queria admitir meus erros... Queria guardar isso em minha memória, pois se não há registro disso, eu não erro... Por isso uma defesa ilusória cheia de mentiras para a situação que eu me encontrava parecia convidativa. Eu sei mentir... Mas você persistiu e naquela noite eu fui ao inferno.
Então cometemos o mesmo erro de trocar palavras afiadas que aos poucos dilacerava nossos corações com verdades antes não ditas, cada um de nós tentando mostrar o quanto era forte ao tentar falar mais alto que o outro, até que estávamos gritando...
Não me lembro exatamente o que falei para você se calar imediatamente... Mas percebi que cometi um erro cruel.
Logo que seu estupor passou e a adrenalina voltou a obscurecer a sua razão, senti algo atingir a minha bochecha esquerda com violência... Como se a nossa briga fosse do tempo de escola quando éramos malditos moleques rivais... Você me socou sem hesitar, você me feriu moralmente.
Eu fiquei desnorteado enquanto você continuava a gritar coisas que eu já não compreendia... Então eu saí correndo... Como sempre fazia quando perdia o controle da situação... Fugia...
Peguei as chaves do seu carro e corri para a garagem do prédio... Entrei no carro e girei a chave ligando o automóvel e saindo daquele lugar o mais rápido que podia, ignorando o porteiro que tentava me indagar sobre algo que não entendi...
Quanto o mais longe eu poderia chegar melhor, estava me sentindo tão sufocado... Meus olhos estavam embaçados e cansados acabei sendo obrigado a estacionar a alguns quarteirões antes que eu perdesse o controle.
– DROGA! – gritei batendo no volante enquanto chorava e soluçava incontrolavelmente.
Foi um inferno...
Na manhã seguinte eu acordei dentro do carro. Voltei para o apartamento e o encontrei vazio... Bem, não achei que você iria sair sem o seu carro...
Fui para o quarto e fechei a porta, encolhido sobre a cama me escondendo em mim mesmo, estava com medo da verdade... Ela pode causar mudanças perigosas a minha existência...
Porém a verdade é uma bandida maldita, o telefone tocou e eu sabia quem era... E sentindo o ímpeto de buscar a verdade, eu atendi, mas não por medo ou covardia...
– Teme... – eu disse com a voz trêmula...
– Desculpe-me... Mas você sabe que está me enlouquecendo Naruto! – eu podia sentir a sua cheia de culpa... – Eu pensei em você a noite toda...
Eu não te respondi, mas ouvi sua respiração áspera no telefone...
– Hei, vamos brincar? – Você continuou, eu poderia até imaginar aquele sorriso que você costuma colocar em seus finos lábios de forma zombeteira.
– Não acho que seja uma boa hora... Além disso, você está no serviço e daqui a pouco eu tenho que ir para o meu, não dá para a gente se encontrar idiota! – na verdade não era o real motivo, eu estava com raiva!
– Ah Naru-chan... Eu quero te beijar, passar a língua por todo o seu pescoço e te fazer um refém abaixo do meu corpo... – Droga! Você foi um cafajeste fazendo isso comigo pelo telefone! Eu não resisti a essa travessura e logo esqueci a minha fúria!
Era estranho como você conseguiu me fazer ir ao céu com apenas sua voz excitada no telefone falando aquelas perversões...
E foi assim que comprovei minha existência com mais uma doce ilusão... Foi uma nova lembrança que criamos. Amarga e doce ao mesmo tempo...
Talvez o que falta na nossa vida é ir além, sair do comum... Eu sei que erro e minto... Também.
Quando terminou sua leitura, suspirou alto e se levantou, largando o diário aberto de qualquer forma sobre a cama desarrumada e caminhando para a varanda de seu quarto.
Sasuke escorou seus braços sobre a mureta e fechou os olhos deixando que os raios de sol baterem em seu rosto e proferiu sincero, esperando que aquelas simplórias palavras da filosofia do saber chegassem a infinitude daquela luz alaranjada do novo amanhecer:
– Eu sei dobe... Eu sei...
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