Diary Of Feelings
6 Capítulo 5: Sociedade
Notas iniciais
Aqui é a Iara-chan! Depois de muito tempo (o último capítulo que escrevi foi o do banheiro xD), venho trazer mais um capítulo de Diary Of Feelings escrita com muito carinho para vocês!
O capítulo foi revisado e aprovado pela minha chara Anjo Setsuna!
Então vocês já sabem...
ENJOY!
Capítulo 5: Sociedade
A luz automática do corredor se acendeu ao detectar movimentos de alguém saindo do elevador, o som de passos ecoou em meio ao silêncio junto ao ruído de uma fechadura sendo destrancada. A porta de um dos apartamentos daquele andar do prédio foi aberta sem nenhuma emoção pelo seu residente.
- Tadaima¹. – cumprimentou desesperançado, sabia que não havia ninguém dentro do humilde apartamento para lhe dar as boas vindas.
Uchiha Sasuke vestia um terno amassado, carregava consigo uma maleta que jogou sem qualquer cerimônia sobre o sofá da sala de estar antes de vasculhar a parede oposta da sala a procura de um interruptor para acender as luzes.
Olhara bem ao redor e confrontava a sua dura realidade, aquele lar tinha virado apenas um símbolo de erros imperdoáveis que cometera. Aquelas paredes eram testemunhas de inúmeras brigas, eram conflitos que irrompiam do nada e o motivo era desconhecido pelo próprio casal.
Pequenas coisas do dia a dia que se acumulavam e depois quando menos se esperava explodiam, a intolerância mútua aos hábitos do outro que entrava em desacordo com o seu jeito de viver e acima de tudo faltava respeito. Motivos idiotas que jogou anos de luta para ficarem juntos por água abaixo. Deus! Por que ninguém avisou que morar junto com outra pessoa poderia acarretar em tantos problemas? Por que ninguém lhe disse que a consequência para as suas desavenças era uma dor tão profunda que o fazia sentir vontade de desistir de sua própria vida?
Sasuke passou as mãos pelos cabelos bagunçados enquanto suspirava para tentar aliviar seu estresse e se sentou no sofá jogando suas pernas sobre a mesa de centro para relaxar seus músculos. Voltou a pegar a sua maleta vasculhando a repartição em busca de um maço de cigarros e um isqueiro. Amaldiçoou mentalmente por não ter conseguido encontrar o que procurava e despejou o conteúdo sobre o sofá sem qualquer cuidado.
De dentro da maleta caiu um notebook, uma pasta contendo alguns relatórios, seus óculos de leitura, a sua carteira e finalmente avistou a beirada do seu maço de cigarros abaixo da pasta. Ele levantou a pasta para pegar o cigarro e se deparou com o diário escondido de seu ex-marido. Por um momento ele apenas encarou o objeto de seus pesadelos, mas logo após ele abriu o diário em uma página qualquer, Sasuke admitia, só estava lendo isso para manter sua promessa ao louro.
“Olá teme!
Bem, eu não sei como começar... Não estou muito feliz com as coisas que vem acontecendo.”
E como poderia estar? Eles eram infelizes na maior parte de sua vida conjugal. Tudo que eles costumavam ser foi aos poucos morrendo, se tornando nada mais que uma mera lembrança do que um dia já foram.
“Hoje eu saí logo após você ir para o trabalho, eu fui para ‘aquele lugar’. Sei que você não gosta, mas eu precisava pensar.
Eu sentei naquele maldito balanço da praça, ainda era muito cedo por isso não tinha ninguém lá para... Você sabe.”
Ah sim! Aquela maldita praça! Ele já havia pedido tanto ao louro para deixar aquele lugar no passado... Sempre o local está lotado por pessoas medíocres com suas famílias perfeitas! Um bando de hipócritas!
Essas pessoas tinham os mesmos problemas conjugais que eles, mas negavam aceitar pessoas como ele e Naruto. Não reconheciam pessoas com união homoafetiva, eram ignorantes! E nunca perdiam uma boa chance para deixar bem claro suas opiniões, por isso ele implorava ao louro para deixar aquele lugar... Deus sabe o que uma pessoa com visão distorcida poderia fazer...
“Não consigo entender por que estamos brigando! Mas qualquer coisa que você faz está me irritando tanto! Ah! Você me confunde teme! Tenho vontade de socá-lo e beijá-lo ao mesmo tempo!
Você já contou quantas vezes já discutimos nessa semana? Eu sei que é normal casais brigarem! Mas isso dói! Cadê todo aquele carinho que tínhamos quando estávamos saindo escondidos? Nós cuidávamos um do outro! Eram tantas promessas de que tudo ficariam bem! Não sei se devo acreditar nelas mais.”
Em suma, suas brigas iniciavam nos corredores do apartamento onde eles “trocavam carinhos” até um arrancar sangue do outro, daí era apenas um passo para a cama... Era estranho, mas algo dizia que palavras não eram suficientes para conseguir se comunicar com Naruto, eles precisavam estar tocando um ao outro... Seja em uma boa briga ou em uma quente noite de sexo.
Porém o que doía mais era sua última declaração, poxa! O moreno havia dito que tudo ficaria bem! Prometeu que seus problemas eram apenas temporários, que logo iria passar... Bem, no final Sasuke mentiu... Não estava nada bem, tudo se tornou uma porcaria...
“É engraçado né? Fiquei tanto tempo lá sentado pensando sobre nós que não notei que aos poucos o parque se enchia de crianças.
E eu fiquei as observando...
Brincavam felizes como se não existisse nenhum problema no mundo que pudesse atrapalhar sua manhã ensolarada. Seus sorrisos eram calorosos e o jeito que um ou outro faziam biquinho quando ficavam contrariados era muito meigo.
Como seria se nós fossemos pais? Será que uma criança poderia trazer o que falta para as nossas vidas? Será que as brigas diminuiriam? Queria tanto ter um pestinha correndo pelos corredores do nosso apartamento... Gostaria de ver muito a sua cara quando chegasse em casa e visse as paredes rabiscadas com a obra de arte de nosso filho, seria muito cômico! A sensação de ser chamado de pai deve ser uma das melhores do mundo... Você também pensa assim Sasuke? Será que você quer ter filhos? Será que um abraço caloroso de uma criança que estava ansioso esperando você chegar em casa e ser chamado de pai faria com que você se abrisse mais? Será que isso é o que nos falta?
Mas você sabe? Não pude pensar muito a respeito, logo um de nossos vizinhos veio me pedir para sair, me surpreendeu que tivesse levado tanto tempo.
Ele olhava de forma tão suja para mim! Em seus olhos era como se eu fosse um monstro! Eu via ali claramente a acusação de pedofilia. O que tem de errado em eu querer ter um filho? Só porque sou gay quer dizer que eu não poderia cuidar adequadamente de uma criança e amá-la como um pai deve amar seus filhos?
Nesse momento eu percebi que a chances de nós conseguirmos adotar uma criança seria a mesma de eu gerar o nosso próprio filho!
Me levantei e parti, não queria arrumar confusão...”
Porra! Dobe estúpido! É claro que ele já tinha pensado em ter filhos! Mas a idéia de usar uma criança para camuflar seus problemas o enojava... Ele não gostaria de se transformar no tipo de pessoa como as que frequentavam aquele parque...
As maiorias dos casais que entravam em crise tentavam resolver seus problemas tendo um bebê. Mas isso era errado, poderia funcionar no início, mas à medida que o tempo passava e a criança crescia, as brigas voltam com força total... E a criança no meio disso tudo pode acabar sofrendo por causa desses atritos e por vezes tendem a se isolar e a se culparem pelos desentendimentos de seus pais. Não! Definitivamente não era um meio de resolver problemas.
A campainha do interfone tocou e ele largou o diário sobre a mesa para atender com mau humor evidente em sua voz quando atendeu a chamada.
- Moshi, moshi².
- Sr. Uchiha, seu irmão está na portaria esperando para subir. – falou o recepcionista de seu prédio.
- Mande-o embora e diga que não estou. – respondeu ríspido batendo o interfone de volta na base.
Suspirou cansado sabendo que isso não impediria seu irmão de subir e contou os segundos até ouvir a campainha de seu apartamento tocar.
Caminhou enfurecido e fitou pelo olho-mágico, sentiu um frio na espinha ao notar o sorriso enfeitando o rosto pálido de seu irmão mais velho.
Sorrindo... Isso não era um bom sinal!
- Vá embora nii-san! – gritou ele para a porta.
- Oh querido irmãozinho tolo! Onde está a educação que a okasan te ensinou? – disse o mais velho fingindo estar ofendido. – Ela ficaria doente ao vê-lo tão ranzinza... O que será que aconteceu com aquela criança doce?
- Pouco me importa! Vaza daqui! – gritou novamente sentindo um leve repuxar no canto de seu olho direito.
- Mas tenho algo de seu interesse para discutir.
- Seu idiota! O que seria tão importante?
- Naruto. – Itachi respondeu limpando qualquer emoção fingida de sua voz.
O silêncio reinou durante alguns segundos antes de Itachi ouvir o barulho da porta sendo destrancada.
Sasuke abriu a porta e a largou aberta para seu irmão entrar e voltou para a sala de estar sendo seguido pelo Uchiha mais velho que não esperou um convite para se sentar, se acomodando confortavelmente em um sofá de frente para ele.
- Fale. – exigiu Sasuke puxando um cigarro e o acendendo sem se importar com a presença de seu irmão.
- Vejo que voltou a fumar... Você sabe, Naruto iria repreendê-lo se soubesse. Deu tanto trabalho para o meu cunhadinho conseguir fazer você parar com esse hábito asqueroso.
- Ex-cunhadinho. Não sei se você não percebeu, mas ele não está aqui. – Sasuke puxou uma longa tragada antes de continuar a falar com ar de deboche e um sorriso arrogante em seus lábios. — De qualquer forma, duvido que ele se importe com qualquer merda que eu fizesse a partir de agora...
- De qualquer forma, você está um lixo... – observou ao reparar nas profundas olheiras e seu jeito desleixado. Pela primeira vez Itachi viu um Uchiha perder as estribeiras.
- Tcs, vamos Itachi... Eu não tenho a noite inteira. Por que não desembucha logo? – Sasuke fechou os olhos tentando se acalmar, mas só existiam duas pessoas que conseguia fazê-lo ficar tão irritado... Seu irmão mais velho e Naruto, os únicos que conseguiam o fazer demonstrar qualquer sentimento.
Naruto... Ele sentia tanta falta do imbecil...
Algo em seu semblante deve ter mostrando sua linha de pensamento, pois em seguida Itachi se pronunciou.
- Vocês dois são tão idiotas! Me parte o coração ver vocês dois sofrendo assim otouto...
- Eu não preciso da sua piedade Itachi... Era isso que você queria? – o moreno cerrou seus olhos desconfiado com o andamento da conversa. Ele se inclinou na mesa apagando a bituca do cigarro no cinzeiro, mas congelou sua ação na próxima declaração de seu irmão.
- Hoje mais cedo, Naruto apareceu no Café Akatsuki. E devo dizer irmãozinho, ele está em um estado tão lastimável quanto você. Eu e o Deidara tivemos que levá-lo embora para a casa onde ele está morando depois que fechamos o Café. Estava tão abalado...
Seus olhos se arregalaram e ele voltou a se sentar adequadamente dando mais atenção para o que seu irmão estava dizendo.
- Sasuke... Eu te conheço muito bem, sei que mesmo que pareça absurdo, você conseguiria um dia aprender a viver sem o Naruto, mas ele... Não creio que ele dure sã por muito tempo, você sabe... De vocês dois ele foi quem mais sofreu com a decisão de vocês ficarem juntos... Ele perdeu tudo, a única coisa que ele tinha era você... Mas e agora?
Itachi se levantou e partiu deixando seu irmão refletindo sobre o assunto, tendo fé que algum dia seu irmão amadurecesse o suficiente para resolver sua situação com o louro hiperativo e esperando que isso acontecesse logo.
Sasuke ouviu a porta bater e chutou a mesa de centro fazendo-a virar com tudo que estava em cima dela inclusive o diário, deixando a última frase sobre aquele capítulo perdido para sempre entre muitos outros que ainda faltavam serem lidos.
“Mas eu gostaria que você estivesse comigo Sasuke, gostaria que estivesse aqui agora para secar minhas lágrimas, pois você é o único que me resta.”
Notas finais
²Moshi, Moshi: é usado ao atender ao telefone, equivale ao nosso "Alô?".
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