Diamond's Blood
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Um tempo depois acordou. Estava no mesmo quarto de hoje cedo. No quarto do azulado. Mas não era ele quem estava cuidando dela, e sim um homem de cabelos castanhos curtos, com estranhos redemoinhos, olhos acinzentados grandes e infantis, uma expressão concentrada no rosto e um olhar sério.
Levantou-se rapidamente. Estava assustada. Quem era aquele? Yuuichi com certeza iria mata-la agora. Olhou assustada para o homem, que só fez sorrir pra ela.
– Q-quem é você? O que faz aqui? O que aconteceu? Se tentar alguma coisa, vai levar na cabeça! — Winry falou, pegando qualquer coisa que havia encontrado.
– Acalme-se... Só estou cuidando de você... Yuuichi me falou que tinha arranjado uma empregada... Não imaginei encontra-la sendo espancada por aquele inútil na rua... — O moreno falou.
– Aquele infeliz... Hey, como sabe que sou empregada do paspalho? — Winry perguntou.
– Você está usando o colar da mãe dele, que ele transformou em coleira... — O soldado falou, olhando para a coleira.
– N-nani...? Por que ele transformaria uma jóia da mãe dele em uma coleira? É doente? — A moça perguntou.
– Não é nada disso...! Os pais e o irmão dele tiveram um fim trágico, só isso... — O moreno falou.
– Mataram os pais dele também...? — Winry perguntou.
– Não... O presidente os vendeu para o governo brasileiro... Estavam precisando de escravos por lá... Ficamos sabendo que todos morreram... — O homem dos olhos acinzentados falou.
– Por que está contando tudo isso a uma estranha? — Winry perguntou.
– Porque Yuuichi-san disse que você foi a única pessoa que ele confiou até agora, além de mim... — O soldado falou.
– Tenho tantas coisas a perguntar... Primeiro pode me falar seu nome? — A jovem perguntou com um pequeno sorriso.
– Me chamo Matsukaze Tenma...! E você é a Winry, certo? Lembro de Yuuichi ter mencionado esse nome enquanto falava de você... — Tenma falou pensativo.
– Isso mesmo! Bom, vamos ver... Por que ele não confia em ninguém? — Winry perguntou. Estava começando a se interessar.
– Porque foi enganado várias vezes pelo presidente e pelo filho dele... Várias vezes ele queria ter ido ao campo de batalha quando adolescente, mas sempre o enrolaram... Sempre o faziam limpar os armamentos junto comigo... — Tenma falou, lembrando daqueles tempos.
– Ir para o campo de batalha...? Não sei porque querer isso... Proteger um presidente que não faz nada para mudar essa situação... — A jovem falou revoltada.
– O sonho de todo homem é servir o exército Winry-chan... Posso te chamar assim...? — Tenma perguntou sorrindo.
– Claro que não... — Ouviram uma voz conhecida ecoar no quarto. Yuuichi tinha voltado.
– Ora, por que não Yuuichi-san! Ela é kawaii! — Tenma falou choramingando.
– Para com essa gayzice Tenma! E o que aconteceu enquanto eu estava fora? O que faz aqui com ela? — Yuuichi perguntou.
– Estava cuidando dela...! A encontrei sendo enforcada pelo Shindou... Quase morre! — Tenma falou.
– O que foi fazer na rua uma hora dessas? Posso saber? — Yuuichi perguntou bravo.
– Fui comprar alguma coisa pra cozinhar! Pensei que voltaria com fome! Seu mal agradecido! — Winry gritou brava.
– Gente calma...! — Tenma falou, tentando acalmar os dois.
– Estou calmo... Hoje o dia foi estressante... Vamos, temos que comer algo e partir... Tenma, sei que posso confiar em você, não saia contando aos outros onde vamos, ok? — Yuuichi falou ao amigo.
– Tudo bem, mas... Onde vão? — Tenma perguntou.
– Vamos espionar a mansão presidencial... Há algo terrível por lá que a “Winry-chan” não quer me contar... — Yuuichi falou.
– Só não quero arriscar mais vidas... — Winry falou, encarando o chão.
– Mas eu quero arriscar a minha... Vamos...! — Yuuichi falou, saindo do quarto.
– Vou junto Yuuichi-san! Não deixarei vocês dois irem sozinhos... Você acabou de chegar de uma batalha e Winry-san está machucada... Vão acabar mortos... — Tenma falou determinado.
– Tudo bem, faça como quiser, meu amigo... Vamos comer alguma coisa e partir... Será uma longa noite... — Yuuichi falou.
Winry foi para a cozinha preparar a janta. Enquanto isso, Yuuichi e Tenma ficaram na sala conversando sobre a batalha que houve. Yuuichi contou tudo o que tinha acontecido. Tenma não ficou surpreso, ele esperava que o amigo conseguisse reverter o resultado daquele duelo.
Cansado de conversar sobre a guerra, Tenma resolveu mudar de assunto. Resolveu tentar encher o amigo.
– E então Yuuichi-san, o que pensa da sua nova empregada? — Tenma perguntou, como quem não quer nada.
– Uma bocuda, desobediente... Mas muito sofrida também... Penso que a tratei rude demais... — Yuuichi falou pensativo.
– Se arrependeu? Nunca se arrependeu de tratar ninguém rudemente, a não ser eu... O que está havendo, meu amigo? — Tenma perguntou. Por dentro, estava querendo morrer de rir.
– Não sei... A conheci hoje, mas... Parece que a conheço a mais tempo que o normal... Isso é estranho... Quando Shindou bateu nela hoje cedo, senti vontade de matá-lo...! Quando ela me contou que o presidente havia abusado dela... Fiquei louco querendo matá-lo também... O que está acontecendo, meu amigo? — Yuuichi perguntou. Estava confuso, nunca havia sentido isso antes.
– Estás apaixonado, meu amigo! Sabia que esse dia chegaria! Estou tão feliz por você! — Tenma falou com os olhos brilhando.
– Pare com essa viadagem Tenma! Não estou apaixonado coisa nenhuma! Quem iria gostar de uma teimosa briguenta? — Yuuichi falou bravo.
– Você! Ela combina perfeitamente com você! Cara, isso é tão legal! Temos que comemorar! E você tem que se declarar a ela! — Tenma não parava de falar.
– Tenma, chega... — Yuuichi estava tentando controlar os nervos.
– Ah cara, o que custa? Vá ser feliz! Essa guerra está te estressando demais! — Tenma falou.
– Não, não está... E outra... A conheci hoje, não tem como eu me apaixonar assim! — O azulado falou, com uma veia saltando.
– Nada a ver! Vá se declarar a ela! Quem sabe você não consegue fazê-la se esquecer dos abusos que ela sofreu? — Tenma falou.
– Tenma, não fale uma besteira dessas! Eu só a deitei em minha cama hoje para que ela pudesse descansar, e ela já pensou que iria abusar dela, como aquele FDP fez! Não tem como eu fazê-la esquecer daquilo... E outra, que papo é esse? — Yuuichi falou. Estava constrangido agora.
– Cara... Por que não tenta ajudá-la? Ou vai amarelar assim hein? — Tenma perguntou, tentando tirar sarro da cara do amigo.
– Ela nem deve sentir nada por mim! Deve me odiar! Eu a maltratei até agora! — Yuuichi falou, sentando-se no sofá.
– Nunca saberá se não tentar, não é? — Tenma falou e piscou pro amigo.
– Não Tenma... Vou deixa-la em paz depois dessa noite... Prometi que, se ela me ajudasse, a libertaria... — O azulado falou, encarando o chão.
– Quem sabe ela não queira ficar? — O moreno falou, tentando dar esperanças ao mais alto.
– Não... Quem iria querer uma pessoa como eu? Mato friamente uma pessoa, seja aliado ou inimigo... Não dou muita importância para o amor ou o companheirismo... — Yuuichi falou, apoiando sua cabeça nas mãos.
– Hey meu amigo... Ainda há tempo de mudar isso... Que tal deixarmos a invasão para amanhã...? Assim terá mais tempo para pensar... — Tenma falou.
– Não... Quero descobrir logo o que está havendo por aqui... Não conseguirei dormir em paz se não resolver isso... — O azulado falou, levantando-se e caminhando até a cozinha.
No caminho, encontrou Winry corada encostada a parede. Não deu muita importância, mas Tenma notou também e foi conversar com ela. Queria ver o amigo feliz e a jovem moça parecia uma boa pessoa para essa missão. Chegou perto dela e puxou assunto.
– Hey Winry-san, por que está aqui assim, toda corada? Por acaso ouviu a conversa toda? — Tenma perguntou com um ar divertido.
– C-claro que não...! — Winry respondeu sem jeito e brava. Tenma estava amando isso.
– Então por que está assim? — Tenma perguntou novamente, sorrindo travesso.
– E-estava quente na cozinha, só isso... — Winry respondeu.
– Ta certo... Hey, o que achou do seu patrão? — Tenma perguntou.
– Ele é um grosso... Mata os outros sem dó nem piedade! Mas... É bem protetor quando quer... Sabe cuidar dos outros e, quando não está agindo que nem um idiota, é bem legal e sabe conversar... — Winry falou, deslizando na parede para sentar-se no chão.
– Está apaixonada também... Por que vocês dois não se resolvem, hein? — Tenma falou, ao notar que Yuuichi estava escutando.
– N-nani...? N-não fale besteiras Tenma-kun! — Winry falou corando mais.
– Olha, não vamos a casa presidencial hoje... Iremos amanhã de noite, ok? Vocês vão ficar aqui e se entenderem, beleza? — Tenma falou e saiu correndo.
– Tenma, você me paga...! — Yuuichi falou entre os dentes.
– C-calma Yuuichi... Não adianta bater nele... — Winry falou, escondendo seu rosto nos joelhos.
– N-não ligue para o que ele fala... É um abobado que não pensa no que fala! — Yuuichi falou constrangido.
– Então tudo aquilo era mentira...? — Winry perguntou com a voz baixa.
– … — O mais alto nada respondeu, só abaixou-se até ela e a fez olha-lo.
– Não vai me responder...? — Winry perguntou.
– … — O azulado permaneceu em silêncio.
Seu coração estava a mil. Nunca havia se apaixonado por ninguém antes. Era a primeira vez que sentia seu coração pular tanto assim. Foi se aproximando dela vagarosamente. As pernas juntas atrapalhavam um pouco a aproximação, então ele as desuniu e ficou entre elas. Winry estava assustada. Seu coração não parava de bater forte. Não tinha tirado da cabeça os abusos que havia sofrido. Mesmo assim, não se afastou. Encostou-se a parede e deixou o azulado se aproximar cada vez mais.
Quando ficaram a centímetros de distância, sentindo a respiração um do outro, acabaram com aquele mínimo espaço entre eles. O beijo foi quente e apaixonado. Winry o abraçou pelo pescoço e o puxava para mais perto de si. Já o soldado, abraçou-a pela cintura com uma das mãos e, com a outra, passeava livremente pela perna dela. Aquele toque todo a fez arrepiar-se e soltar um suspiro longo. Logo o ar se fez necessário, mas ele continuou distribuindo beijos em seu pescoço.
– Y-Yuuichi... C-chega... N-não vai prestar se continuarmos com isso... — Winry falava com dificuldades.
– Deixe-me fazê-la esquecer o que ocorreu naquela casa maldita... Deixe-me fazê-la esquecer de tudo... — Yuuichi falou, passeando sua mão na barriga de Winry.
– N-não sei se estou preparada pra isso... T-tenho medo... — Winry falou suspirando fundo.
– Não precisa ter medo... Não irei machucá-la, prometo... — Yuuichi falou no ouvido dela.
– P-podemos tentar isso em uma outra ocasião...? — Winry perguntou com medo da reação dele.
– Tudo bem... É pedir demais para você fazer isso agora... Está marcada pela dor do ocorrido... Eu entendo... Mas não irei desistir de você, ok? É a primeira vez que sinto tudo isso... — Yuuichi falou, sorrindo pra ela.
– Então o rabugento sabe sorrir também? — Winry comentou brincando.
– Sei... E sei fazer alguém feliz também, quando quero... — Yuuichi falou , distribuindo mais beijos no pescoço dela.
– Y-Yuuichi... V-vamos parar, ok...? — Winry falou, sentindo seu corpo começar a queimar por dentro.
– Ta bom... Vamos jantar e dormir, está tarde já... — Yuuichi falou se levantando e ajudando Winry.
Depois disso, eles foram jantar. Winry tinha preparado tudo o que sabia fazer. Teve que aprender sozinha nesses quatro anos, então, estava melhor que muita mulher por aí. Em seguida, Winry arrumou a cozinha e rumou para seu quarto, que ficava do lado do quarto do soldado. O corredor era escuro, mas perdeu completamente o medo por saber que o azulado estava no quarto ao lado. Colocou seu pijama e deitou-se. Estava exausta, precisava descansar. Amanhã seria um longo dia.
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