Diamond: A história de uma loba
33 Honey
Notas iniciais
Mike
O Sol da tarde estava belo no céu alaranjado. O dia não estava tão quente, o que era agradável. Eu estava apenas descansando na caverna. Era um dia calmo e tranquilo, algo raro por aqui, e eu gostaria de aproveitar. Além do mais, eu, Nix e Midnight caçamos uma corça grande ontem à noite. Foi uma caça muito extensa e trabalhosa, e meus músculos ainda estavam cansados.
— O que está fazendo? – Diamond entrou na caverna. E já fazendo perguntas. Ótimo.
— Nada. – constatei o óbvio.
— Além do seu nada. – ela se sentou ao meu lado e ficou me encarando. Ela realmente me conhece.
— Pensando. – sorri. – Pensando na Honey.
— Oh. – foi o único som que saiu de sua boca.
Eu não mencionei Honey muitas vezes após o... incidente. Mas ela já veio prestar uma breve visita à alcateia um dia desses, então, é, todos já a conhecem. Admito que fiquei com medo da reação do papai, mas ele não havia mencionado nada sobre uma possível loba com a qual eu poderia me casar um dia, por isso relaxei um pouco. Quando ele conheceu Honey, no entanto, sua expressão foi a de sempre: indecifrável. O que é uma droga.
— Você gosta muito dela, não é? – Diamond quebrou o silêncio entre nós.
— Eu a amo.
Uma sensação boa percorreu meu corpo apenas de pensar na loba amarronzada. Ela podia ser ríspida quando queria, mas também sabia ser doce. Doce feito mel.
Percebi que Diamond ainda parecia estar encucada com algo. Seu olhar era distante, e sua cauda não parava de se movimentar; mesmo que fossem movimentos leves.
— Você ainda quer perguntar algo? – dei-lhe a oportunidade enquanto me sentava.
— Na verdade, quero. – ela suspirou. – Mas acho que é algo intrusivo demais, então posso morrer com minha pergunta, ou simplesmente tentar deixar que o tempo responda.
Obviamente, fiquei curioso.
— Não gosto de deixar que outros respondam por mim, então pode perguntar. – estufei o peito. Ela ainda parecia relutante. – Anda, somos irmãos. Se eu não me sentir confortável, não irei responder. Mas não vou ficar magoado.
— Você... sente saudades da Amber?
Eu realmente não esperava por essa pergunta. Senti um estranho nó na garganta. Amber era um assunto um tanto complicado para conversar sobre. Admito que ao chegar em Amethyst Mountain, eu costumava uivar para a Lua em algumas noites pensando nela, imaginando que de alguma forma, meus uivos chegariam até ela. Lembro o quão difícil foi. Mas hoje eu tenho Honey, e não quero mais nada.
— É algo meio complexo. Mas Amber foi meu primeiro amor, então sempre terá um lugar especial no meu coração. Porém Honey me faz feliz agora, e eu a amo.
Diamond sorriu com minha resposta. Essa loba é estranha.
— Vocês formam mesmo um casal adorável. – ela riu. – Bem, obrigada por responder.
— Mas por que perguntou?
— Não sei ao certo. – Diamond deu de ombros. – Só uma curiosidade aleatória e intensa.
Apenas continuei fitando minha irmã de pelos claros. Eu amava todas as minhas irmãs, é claro. Mas com Diamond parecia uma ligação mais especial, desde que éramos filhotes. Eu não conseguia suportar vê-la chorando pelos cantos, era terrível. Então fico aliviado por ela estar superando tudo. Ela é uma loba forte.
— Acho que vou ver a Honey. – anunciei. Todo aquele papo sobre a loba me deixou com mais vontade de ir até ela.
— Tudo bem. Divirta-se. – Diamond se aproximou e lambeu minha bochecha.
Assim, saí. Honey continuava sendo uma loba dispersa. Bem, eu e ela já éramos companheiros a algum tempo, mas parecia que ela ainda não se sentia confortável o suficiente para tentar entrar numa alcateia. Além disso, papai não havia dito nada a respeito, então imaginei que era melhor manter as coisas dessa forma. Mas caso ela queira, eu irei no mesmo instante falar com meu pai e ver o que iremos fazer. Eu adoraria ter Honey na alcateia junto comigo, mas entendo que ela precisa se acostumar com a ideia; seu modelo de alcateia não fora um dos melhores.
— Honey! – chamei ao me aproximar da área onde ela costumava ficar, uma região na floresta longe de outros territórios, o que a mantinha segura.
— Mike? – ouvi a voz agradável da loba, que vinha da direita, e lá estava ela: postura firme, cauda ereta; mas rapidamente se desmanchou ao me ver, e correu para me abraçar.
— Hey. – apenas disse enquanto trocávamos carícias.
Era ótimo sentir seus olhos castanhos sobre mim, e ela sabia o quão eu gostava dessa sensação. Antes que pudesse devanear mais, ela me derrubou.
— Que agressividade. – brinquei e me levantei rapidamente.
— Desculpe. – ela deu uma risada. Como era bom ouvir sua risada.
A evolução de Honey era incrível. Antes, uma loba magra e arisca. Agora, caça muito bem – não tão bem quanto eu, mas está quase, o que é grande coisa – e não anda mais por aí com medo. Sua cabeça (e cauda) estão sempre erguidas. Ela sempre possuiu isso dentro de si, esse ar de dominância, mas nunca conseguiu agir dessa forma devido ao tratamento que tinha em sua alcateia. Fico feliz de vê-la ser quem ela realmente é.
— Então, o que veio fazer aqui? – ela se sentou.
— Ora, apenas ver minha tão bela companheira. – lambi sua bochecha.
Suas orelhas encolheram e seu pelo arrepiou de leve. Adoro a forma como seu corpo reage aos meus elogios. Ela é tão adorável e nem sequer precisa fazer esforço.
— Bem, obrigada. Eu só realmente não estava esperando por você hoje. – ela me encarou. – Então, é, isso me deixou feliz.
— Que bom. Gosto mais de você quando está feliz. – notei seus pelos se arrepiarem novamente. – Ou talvez quando está envergonhada.
— Para! – ela bateu de brincadeira sua pata no meu focinho.
— Nunca! – derrubei-a no chão. Vingança!
Comecei a mordiscá-la de leve ainda a mantendo presa. É claro, ela se debatia. Muito. E suas patadas doíam. Mas eu tenho prática com patadas na cara.
— Mike, é sério! – ela gargalhava e mal conseguia pronunciar uma palavra direito.
Ela era tão linda. Eu não estava substituindo Amber, ou usando Honey para preencher um vazio qualquer. Eu realmente amava aquela loba. Seu sorriso, suas risadas, enfim; seu jeito de ser.
— Ei, no que está pensando? – Honey percebeu meu desligamento, e mesmo podendo, não saiu do lugar. Essa loba...
— No quanto eu amo você. – lambi seu focinho e ela retribuiu.
— Eu também amo você.
Sorri.
— Bem, onde estávamos? – voltei a mordiscá-la, e a loba voltou a gargalhar. Sim, ela sentia muitas cócegas.
Era bom ter Honey ao meu lado. Eu realmente a amo, e não quero que isso mude.
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