Notas iniciais
...............GENTE NÃO ME MATEM DESCULPA SOCORRO x''''''D Sim. Eu sumi. Desculpa. Eu fiquei com preguiça de continuar a fic :'''''v [capítulo revisado e editado em 23/12/2017]

Diamond

— Loki, espere! — eu quase gritei, ainda fitando a cicatriz. Era pequena e parecia estar ali há tempos, só a notei por estar tão perto de seu focinho. Porém, era muito similar à que eu vi abaixo do olho de Radius em meu sonho. Praticamente igual.

Ele arqueou uma sobrancelha e saiu de cima de mim.

— O que foi? — ele se sentou. Seu semblante revelava curiosidade.

— Essa cicatriz. — pus minha pata sobre ela. — Quando a conseguiu?

— Ah, essa coisinha? Já faz um tempo, foi uma raposa. — ele rolou os olhos, parecendo se lembrar do ocorrido. — Digamos que eu estava xeretando sua toca. Mas de onde veio essa curiosidade repentina?

“Então não foi numa luta que ele ganhou essa cicatriz...” — meu consciente se manifestou.

— Oh, nada. — relaxei meus músculos. — Apenas queria saber.

Loki sorriu e encostou nossas testas. Então se levantou e caminhou em direção ao meu pai. Não me dei ao luxo de tentar descobrir sobre o que raios eles estavam falando. Naquele momento, eu só queria entender o que meu sonho significava.... Mas parecia que quanto mais eu buscava, mais as respostas fugiam.

Ao anoitecer, Tex e sua família foram embora. Nos despedimos brevemente. Foi um dia divertido, e Bran — o novo filhote deles, de apenas poucos meses de idade — era uma graça! Seu uivo, apesar de ainda baixo, era muitíssimo afinado para alguém de sua idade. Isso lhe renderia muitas lobas no futuro...

Estava deitada no chão frio e liso da caverna, com a cabeça baixa. Então, Mike entrou correndo e se sentou, arfando. Ele havia saído para dar explorar a área já faz um tempo. Acho que não estava muito à vontade com todos aqueles lobos, não sei. Só sei que quero saber onde ele esteve todo esse tempo.

— E então, fujão? Por onde andou? — provoquei.

— Será que é da sua conta? — ele rolou os olhos.

— Pra quê essa grosseria gratuita?! — bufei e me levantei.

— Não é nada, está bem?

— Se não é nada então por que não me conta?

Ele rosnou e começou a andar em círculos.

— Você vai me encher até que eu te fale, não é?

Assenti com a cabeça, enquanto fazia meu melhor olhar congelante para persuadi-lo.

— Prometa que vai manter segredo. — ele deu um suspiro.

Concordei com a cabeça novamente. Comecei a ficar ansiosa. Estávamos sozinhos na caverna, então aquele era o momento perfeito para que ele me contasse o segredo que fosse.

— Conheci uma loba hoje. Ela é muito bonita e acho que gosto dela, mas não quero que papai fique sabendo. — ele confessou. — Pelo menos, não ainda. Ele pode querer que eu me case com uma loba de outra alcateia, não sei. Só tenho medo da reação dele. E quero conhecê-la mais a fundo antes de dizer que definitivamente a amo.

Mas que gracinha! Mike estava apaixonado novamente, afinal! E numa situação similar a minha, porém eu sempre fui a “princesinha” de meu pai, então meus problemas eram imensamente maiores. Além do fato de ele desconfiar muito de Radius, especialmente por ele ter tido conflitos em sua alcateia. Isso porque ele não sabe que ele está disperso agora. Mas independente do que aconteça, aposto que papai vai levar a situação com Mike numa boa.

De qualquer forma, era bom vê-lo abrindo seu coração novamente. Lembro-me de quando partimos de Slough Creek e ele disse que amaria Amber para sempre e se recusaria a ter uma relação amorosa com nenhuma outra loba.

— Isso é tão fofo, Mike! Fico feliz por ter me contado. — sorri. — Qual o nome da bela loba que conseguiu conquistar o meu irmãozão?

— Honey. — ele disse quase babando. Sim, ele realmente estava caído por ela. — O nome dela é Honey.

— É um belo nome.

— Ah, Diamond... Eu sei que disse que nunca amaria de novo, mas... Nesse pequeno tempo que passei com Honey sei que gosto ao menos um pouco dela. Queria passar mais tempo com ela.

— Sei como é. — deixei as palavras escaparem de minha boca.

Mike até sabia que eu havia me encontrado com um lobo, mas não sabia que eu estava o amando de verdade. Ele nem sabe qual o nome dele.

— O quê? — ele parecia confuso e talvez com uma pitada de ciúmes.

— Hm, falamos disso depois. — eu ri e lambi sua bochecha. Então fui me deitar na habitual posição de bolinha de pelos.

Esperamos por papai e mamãe, e assim que eles chegaram, fomos todos dormir, depois de diversos “boa noite” falados ao mesmo tempo.

— Diamond? — ouvi uma voz tenra me chamar. Devia ser mamãe. Mas já era de manhã? A noite se passou tão rápido!

Abri meus olhos e me percebi que não estava na caverna, mas sim numa espécie de jardim, talvez? O chão era coberto de neve havia algumas flores douradas aqui e acolá.

Fiquei confusa por um momento, mas logo entendi.

Era um sonho! E não um sonho qualquer, era O Sonho!

Diamond? Oh, você está aí. — me virei de costas e vi a bela Deusa Loba, voando com suas enormes asas douradas. Rapidamente me curvei diante dela.

Vossa Divindade. — cumprimentei-a e levantei a cabeça.

Diamond, querida, estou aqui para me desculpar. — ela disse com uma voz trêmula.

Espera. Desculpar? Pelo quê?

Mas vossa Deusa não fez nada errado. — abaixei as orelhas. — Não se desculpe com uma simples loba como eu.

— Sim, eu fiz. — seus olhos revelavam culpa. Ela realmente fez algo. Mas comigo? Não me lembro de nada de ruim ter acontecido.

— Bem, como deve saber, eu não apenas revelo os dons da maioria dos lobos, como também cuido dos sonhos de alguns que ainda os têm. Você é uma das lobas cujo sonhos eu cuido. — ela se sentou na minha frente, com as asas fechadas, onde eu podia admirar toda sua beleza celestial. — O sonho que teve à tarde, ele estava, hum... bagunçado. Por minha culpa, devo admitir.

Uma chama se acendeu em minha mente. O sonho com Radius, o lobo misterioso e a infeliz cicatriz. Abanei minha cauda contraditoriamente em razão da ansiedade.

— O que isso significa? — perguntei timidamente.

Que o lobo falado no sonho nunca existiu e nem existirá. — ela disse com leveza. — É notável que Radius é o lobo que você ama e sempre amará. Mas estou aqui para lhe dar um aviso. Tome cuidado, jovem loba.

— Cuidado? Com o quê?

— Radius. Ele pode correr sério perigo no futuro. E aquela cicatriz pode se tornar bem real. Não só ela como outras.

Fiquei imensamente preocupada. Por que Radius correria perigo? A única resposta que veio em minha mente foi meu pai. Sim. Radius com certeza ganharia uma cicatriz se meu pai o encontrasse por aí.

Olharei por Radius. Ele ficará bem. — sorri. — Obrigada, Deusa Loba.

E quanto ao seu dom, é a caça. a Deusa sorriu. — Você nasceu para percorrer as mais longas distâncias atrás de presas. É uma loba muito habilidosa, ágil e forte. E agora você sabe disso. Mas, por ora, não conte isso a ninguém de sua família.

A caça! Era a caça! Céus, eu estava tão feliz que não consegui conter minha cauda frenética.

— Oh, muito obrigada, Deusa! Mas por que não devo contar?

Apenas... Não é importante no momento. Você contará no momento certo. E saberá quando ele chegar. — ela sorriu e começou a desaparecer no meio da neve. ”

Despertei ofegante. Olhei ao meu redor e vi todos dormindo. Então me senti diferente. Era como se todos os meus sentidos estivessem muito mais aguçados. Conseguia sentir o pulsar de um pequeno camundongo que estava numa distância considerável.

Isso é algo bem comum para lobos que receberam um bom treinamento, como meu pai, por exemplo. Mas eu? Nunca recebi um verdadeiro treino de caça. E todos os cheiros novos que eu estava sentindo estavam me deixando cada vez mais agitada.

Com um sorriso, voltei a dormir. O dia de amanhã seria ótimo.

***

Acordei com um uivo alto que simplesmente não parava.

"Lobinho irritante esse, viu?" —pensei.

Mas assim que saí da caverna vi que era papai com uma nova artimanha para nos acordar. Naquela altura até os lobos do território mais próximo devem ter acordado.

— Pai, qual o seu problema? — me espreguicei, esticando os músculos que mal podiam esperar para serem postos em ação.

— São vocês que estão mal-acostumados e nunca acordam na devida hora. — ele reclamou e voltou a uivar, acordando os outros, que saíram da toca tão irritados quanto eu.

— Onde está a mamãe? — Mike perguntou enquanto bocejava.

— Foi patrulhar o território. Hoje seremos só eu e vocês. — papai deu uma piscadela.

— Espero que você não pretenda nos levar para dar um passeio nessas terras quentes. — Midnight reclamou.

— É, pai! Hoje o dia está muito abafado. — Nix concordou.

Elas tinham razão. O Sol estava bem mais brilhante do que o de costume, e seus raios pareciam estar mais fortes do que nunca.

— Hum, eu estava querendo levar vocês para treinarmos a caça, na verdade. Mas já que está tããão quente, é melhor deixarmos isso para amanhã, certo?

De repente, todos nós estávamos loucos de ansiedade e excitação. Uma aula de caça significava que estávamos prestes a começar a caçar sozinhos!

— Quietos! — ele riu. — Vamos logo. Sigam-me, seus pestinhas. Ah! Nix e Midnight, fiquem de olho em Mike e Diamond. Essa não vai ser a primeira experiência deles.

— Hã? — Nix parecia confusa.

— Nós já caçamos sozinhos antes, bobinha. – Mike riu e enroscou sua cauda na minha, enquanto olhava por trás de seu ombro. — Um filhote de cervo.

— Ora, seus ridículos. — ela deu língua de brincadeira.

Continuamos a caminhada em silêncio. Eu farejei o ar algumas vezes e comecei a sentir um cheiro familiar. Eram os cervos.

— Sentem isso? — papai perguntou e todos assentiram com a cabeça depois de algumas fungadas no ar.

— Ótimo. Vamos parar por aqui. — ele decretou e se sentou sob a sombra de uma árvore enorme. Entretanto, ainda estávamos muito distantes dos cervos. Distantes demais até para caçar.

— Por que paramos aqui? – Mike questionou.

— Vocês não vão caçar hoje, oras. É por isso que se chama “aula de caça”. — papai explicou, relutante. — Eu ensino e depois vocês caçam.

— Pai! — Midnight bufou.

Também fiquei meio chateada, mas eu já esperava que não iríamos caçar logo de cara. Era relativamente óbvio. Ele ignorou o monte de reclamações e pigarreou. Logo, todos ficamos calados e nos sentamos.

— Bem, vocês já sabem caçar presas pequenas desde que eram bem novos. Lebres, coelhos e outros pequenos roedores, ou até mesmo pássaros e peixes em situações mais difíceis. — ele deu início às explicações. — Também já prestaram muito auxílio em diversas caçadas comigo e com a mãe de vocês. Já provaram ser muito talentosos. Mas agora serão preparados para enfrentarem isso por si mesmos. Terão a liberdade de caçarem sem minha supervisão, ou a de Julie.

Todos nós abanamos nossas caudas, em sinal de entendimento.

— Como sei que não caçam há um certo período de tempo... — ele lançou um olhar para Mike e eu. — Bom, metade de vocês, iremos voltar do básico. Mostrem-me suas posições de tocaia.

Rapidamente me agachei e tensionei meus músculos, pronta para uma emboscada invisível. Colocando a maior parte de meu peso sobre as patas traseiras, deixo assim as patas dianteiras mais preparadas para um ataque repentino. Seguro a respiração o máximo que posso, assim a presa não pode me ouvir. O menor descuido e a caça de mentira seria arruinada. Assim que encolhi as orelhas, dou uma olhadela para o lado para checar meus irmãos, mas voltei a olhar para o horizonte.

— Hum, muito bom, Mike! — papai o avaliou. — Mas suas costas estão muito curvadas. Se for andar assim, vai acabar tendo câimbra.

— Certo. Obrigado, pai. — ele estufou o peito.

— Tente respirar um pouco mais baixo, Nix. — ele lambeu a testa de minha irmã, que sorria. — Fora isso, está ótimo.

Ela deu sua típica risadinha de felicidade e abanou a cauda para cima e para baixo. Como não amar essa loba adorável?

— Excelente, Midnight! Caso estivesse nas sombras eu nunca a notaria! Apenas levante um pouco mais as orelhas. Caso contrário, poderá não ouvir suas presas ou algum inimigo chegando.

— Ob-obrigada, pai! — ela parecia meio desnorteada. Talvez não esperasse um elogio desses. Dei um sorriso discreto.

Então chegou a minha vez. Ele me rodeou e me observou de cima a baixo, como fez com meus irmãos.

— Perfeito, Diamond. É uma pena não nevar aqui em Amethyst Mountain, pois você seria completamente invisível.

Abaixei a cabeça e o agradeci pelo elogio. É chato não poder contar a ele sobre meu dom.

Depois de uma breve demonstração de nossos conhecimentos, papai nos explicou algumas coisas novas, táticas interessantes de caça que nunca havia nos dito propriamente, mas já o vimos fazer, e os pontos fracos e fortes de um cervo, já que estávamos na temporada de cervos. Quando nos demos conta, o brilhante astro-rei já estava se pondo, dando uma sensação de frescor.

— Bom, o tempo foi proveitoso hoje. Vamos para casa. — papai chamou.

— Amanhã voltaremos aqui, pai? — Midnight perguntou.

— Não sei. Talvez. Ou então daqui a alguns dias.

Não dissemos mais nada. A caminhada para casa foi similar a de quando viemos — silenciosa. Uma brisa fresca começava a refrescar todos nós enquanto já chegávamos em casa. Me sentia um pouco cansada, porém, contente.

— Oh, vocês voltaram! – mamãe latiu sorrindo assim que chegamos. — E então, como foi?

— Divertido. — papai disse.

— Fico feliz. — ela riu. — Mas agora temos que ir caçar, Shadow. Filhotes, fiquem no território!

— Não somos mais filhotes, mas vamos fazer o que pede. — Mike rolou os olhos enquanto se espreguiçava.

— Sempre serão meus filhotinhos. Até logo. — ela disse e saiu com papai.

Olhei para o céu. Meio dourado, meio rosado. Uma mistura intrigante que acontece todos os dias quando o Sol cede seu posto à Lua. De repente, ouvi um ruído que vinha de trás da caverna. Nix pareceu ter ouvido também, enquanto que Mike e Midnight conversavam deitados.

— Deixe que eu vou. — disse à minha irmã. — Caso precise de ajuda chamo você.

— Tudo bem... Espero que não seja um invasor. — ela se preocupou.

— Eu também. — engoli em seco, assustada com a possibilidade de termos que enfrentar invasores sem nossos pais.

Caminhei com cuidado, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Farejei o ar e senti um cheiro extremamente familiar, porém estava camuflado com um odor mais forte. Droga. O cheiro me levava a alguns arbustos. Resolvi manter uma certa distância, até que notei um pelo alaranjado.

“Radius?”

Dois olhos de uma cor interessante entre verde e mel me fitaram de dentro das moitas. Dei um sorriso ao perceber que era realmente ele.

— O que faz aqui, seu louco? — perguntei num sussurro.

— Nada. Apenas acabei te encontrando. — ele riu baixo e lambeu minha bochecha. — Mas já estou indo, não se preocupe. Sério, eu realmente não sei como vim parar aqui.

Assim, ele saiu dos arbustos e correu silenciosamente para fora de minhas terras. Entrei na caverna com um sorriso bobo e Nix prontamente queria saber o que estava nas moitas.

— Apenas um coelho. Nada demais. — eu ri e me deitei de modo que pudesse observar as estrelas que começavam a surgir aqui e ali.

Então, notei uma constelação que lembrava dois lobos abraçados, e não pude deixar de pensar em mim e Radius, aquele maluco. Com um sorriso discreto, me enrolei feito uma bolinha e comecei a pensar em nós dois. Em silêncio, prometi a mim mesma nunca deixá-lo só.

Notas finais
OI. Considerem-se desbugados ; 3 ; *leva soco* Shut Up And Dance - Walk The Moon Sledgehammer - Fifth Harmony Where Do Broken Hearts Go - One Direction Happily - One Direction Alive - Krewella