Diamante Bruto

2 Guardas do sul invadem a fazenda


Notas iniciais
Oi, gente!! Agradeço os primeiros comentários, estou muito feliz e motivada! Leiam com carinho, e recomendem!

Eu não devia ter saído correndo daquele jeito. A senhora Madilta não marcou touca, logo me avistou descansado no campo de trigo e me arrastou até a Scylla — sim, falo da vaca malhada velha e moribunda a qual eu tenho que tomar conta aqui — e lá estávamos nós duas juntas mais um dia. Evidente que aquela senhora cansada, irritada e amarga NÃO se deu ao trabalho de perguntar porque meu rosto estava inchado, ou porque a maquiagem escorria nele... Ok, ela ficou bastante irritada quando me viu usando o vestido e tal. Mas é que era o seguinte: as pessoas em Corn Bell — sim, literalmente "cinturão de milho"; as fazendas onde jovens como eu aguardam o grande dia chegar — eram assim. As na idade dela então, já deviam estar acostumadas com essa sociedade que prepara os jovens como pastagem, ou um bando de porcos para o abate — no final das contas, é o que somos.

– Pare de se mexer, sua vaca fedorenta! — Scylla andava de um lado para o outro fugindo do balde prata que eu posicionava debaixo de suas tetas caídas — Vamos, qual é! Não é assim que eu quero passar meu último dia aqui!

Mas ela não cooperava em nada. Só se debatia, e claro que a cena não ficava mais bonita: eu reclamando com uma vaca, com a cara toda borrada, o cabelo cheio de feno que grudou depois que eu me deixei no campo, e aquele belo vestido lilás todo roto. Pra que me arrumar toda? Que sentido tinha aquilo tudo?

– Saffy! Saffy! — uma voz estridente me fez largar o balde no chão com tudo e virar. Lá estava Bia ainda ofegante carregando uma cesta coberta. — Saffy! Eu te procurei pela fazenda toda! Onde você estava? Jonas disse que...

– O que o desgraçado disse? — puxei as mangas e sentei num banquinho de maneira, o menos feminina o possível naquela hora. Eu sei que a cena não devia estar nada bonita, mas ouvir aquele nome mexeu comigo. — Hein?

– Bom... Ele disse que estava brincando com você mais aí...

– Sim. Fiquei irritada e saí correndo.

– Não se faça de durona, Safira! — Bia com certeza era uma menina muito equilibrada e madura, por isso disse firme — Ele disse que você saiu chorando, e eu sei que você só age dura assim com todo mundo e fica fazendo uma que "não tá nem aí" mas por dentro ainda cambaleia! Eu sei!

– Tsc, deixe de conversa fiada — estava insegura com a afirmação da garotinha, pigarrei feito um homem crescido pra desmentir. Era assim que eu imaginava um cara fazendo do meu lugar. — Sabe que eu não estou nem aí!

– Não minta pra mim, sabe que eu te conheço! Você fica aí, fugindo dos deveres do orfanato, da senhora Matilda, e de todo mundo mais...

– Não fale. Pior que um bobo alegre que não tem medo de morrer é uma fedelha com a língua maior que a boca... É por isso que eu odeio sabichões como vocês.

Eu sabia que estava sendo malvada, sabia que esse era o meu "talento especial" na maio parte do tempo, e duvidava que com uma habilidade assim fosse me livrar na Triagem... Passar pro Coal Belt, tem ideia? O lugar onde os jovens promissores podem crescer dignamente, aperfeiçoar suas habilidades e cultivar algo como esperança? Não, eu não tinha tempo pra sonhar com essas besteiras. Queria gastar o meu tempo como eu quisesse.

– Ok, Saffy. Eu entendo como você se sente, mas todos nós... Bom, já deveríamos estar acostumados. E eu sei que Jonas só queria que você esquecesse um pouco disso, aqui — ela veio por trás e deixou algo em minhas mãos — pegue.

Eu abri as minhas mãos e vi um prendedor esculpido em madeira. Tão liso e tão perfeito que podia ser confundido com uma joia. Tinha o formado de uma, e no centro algo como um coração.

– Você sabe quem fez — disse a loirinha me encarando com certa vergonha. Meu coração saltitou.

E no segundo que eu finalmente suspirei fundo e afrouxei meus ombros, tentando fazer com que aquelas doces palavras tocassem meu coração. Foi ao mesmo tempo em que as portas do celeiro se abriram com o som de um trovão, e a senhora com voz de gralha se adentrou apontando para mim:

– Esta aí, podem recolher!

Dois guardas do tamanho de postes cravaram as mãos no meu ombro e me levantaram do chão, com o meu rosto abaixado para baixo. Eles usavam um uniforme imponente, da cor do carvão, e viseiras cobrindo seus rostos... Eu já tinha sido recolhida.

Notas finais
Me esforcei mais nesse capítulo! E semana que vem tem mais! Não deixem de comentar!!!!!!!!!!!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.