Diabolismo
14 um para Charles
cavalos cavalos e bebidas e bebidase mulheresa voz rouca silencia-se em meioàs outras vozes roucasrestos de vômito no chãoquando abre-sea cortinaas lágrimas do pianoe do saxofone sujo ecoamum coração pulsante e solitárioque seguearrancando paixões de amantes roubadasamores fajutospenitenciáriasesquinas corroídase bancosde praça.cavalos e cavalos e bebidas e mulherese mulheresnão temos muito tempo para vivermas temos tempo de sobrapara beber.a cidade nunca acorda para ouviro gritodos loucoseles estão em todos os barestodas as brigastodos os becostodos os quartos vazios
todas as janelas tristese em todos os poemasesperando uma dose ácidapara recuperar sua humanidadeestamos desesperadosnão sabemos para onde irmas se Charles Bukowski um dia me ensinou alguma coisafoi que um homem é capazde passar por cima de tudodesde que saiba o momento certo de pararquantos de nós já não pensaram em suicídiopelo menos uma vez ao dia?o maior problema da maioria das pessoasnão é o que os outros exigem que elas sejammas sim o que elas exigem de si mesmaselas perdem suas forças tentandose comportarà altura da imagem que criaramqual o preço da vida?a solidão.fecha-se a cortina.
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