não tem nenhum lugar pra ir nessa cidade.

nem mesmo uma bebida pra aquecer essa noite fria.

esse lugar suga minha alma. às vezes

sinto que vou acabar pirando, se é que

já não enlouqueci

"o que?"

"não tô falando com você, pode

continuar."

ele continua seus movimentos

dentro e sobre mim. minha cabeça tá entupida de cristal

pra ter um orgasmo. é patético,

mas é tudo que me resta.

sexo no banco traseiro e Joan Jett tocando, era pra ser

no mínimo incrível,

mas minhas pernas estão frias como a noite.

"porra, você parece

um cadáver. se não quer, então diz logo"

"não, eu tô gostando, sério"

"quer saber, foda-se!" ele pega sua camisa e bate

a porta do carro com força

e sai fechando o zíper da calça

o som de seus passos diminui aos poucos.

pulo para o banco do motorista e dirijo até

a loja de bebidas mais próxima e

começo a chorar.

é assim que as coisas são.

a vida te fode sem camisinha,

acende um

cigarro e depois vai

embora.