Diabolik Lovers - União de Sangue
61 Capítulo 57: Reconciliação
Nas primeiras semanas após o casamento de Reiko e Kanato, Rin perguntava a Reiko a cada dois dias se ela tivera um orgasmo de novo, já que não conseguia ver através da fechadura do quarto deles. Como Rin não possuía vergonha para dizer tais coisas na frente de todos, Masami atentou-se e cochichou com Shuu, dizendo para trocarem logo a fechadura do quarto deles. Ele concordou.
Kanato e Reiko aproximaram-se ainda mais após o casamento, ficando quase o tempo todo juntos e naquele mês, observando o gelo do lago derreter e vendo como tudo voltava ao seu estado natural. Reiko percebia mais que nunca como Kanato havia mudado. Não havia mais surtos e ele não gritava mais ao se irritar. O máximo que fazia era franzir as sobrancelhas e ficar emburrado ao se aborrecer, porém a maioria realmente fazia isso. E por mais que ela se surpreendesse, Kanato não carregava mais Teddy em seus braços todo o tempo. Ele realmente estava amadurecendo.
Ao completar dois meses de casados, Mana completou sete meses de gravidez. Sua barriga estava grande e ela aguardava o momento em que daria à luz, nervosa e apreensiva. E como ela estava dessa maneira, Reiko agora passava a maior parte do tempo em sua companhia para que, quando entrasse em trabalho de parto, nenhuma empregada a ajudasse e contasse ao rei como o bebê provavelmente não seria parecido com Reiji.
Naquele dia, Mana andava no corredor com Reiko e Rin enquanto conversavam.
— Sério, a última vez vocês pareciam dois coelhos. – comentou Rin.
— Você é ridícula... – disse Reiko – E pare de tentar nos ver.
— Já aceitei o fato de que não vou conseguir. Agora apenas escuto pra te sacanear. – riu.
Reiko revirou os olhos.
— E como está seu medo sobre ter filhos?
Rin franziu a testa, desviando o olhar.
— N-Não tenho medo. – cruzou os braços.
Reiko voltou-se para frente, sorrindo por ter lhe dado o troco, porém fitando Mana.
— O que houve?
Rin também a olhou.
— Estou preocupada. – disse Mana.
— Por quê?
— Já completei as semanas.
— Às vezes o bebê passa do tempo. – explicou Reiko – Está sentindo algo diferente?
— Hum...
Ela pensou, porém sentiu algo escorrer por suas pernas e arregalou os olhos.
— Reiko...
— Caramba... – disse Rin, arregalando os olhos.
Ela abaixou o olhar, vendo o chão molhado logo abaixo dos pés de Mana.
— Sua bolsa rompeu.
— E agora? – disse Mana, apavorada.
— Está sentindo dor?
— Um pouco, mas está leve.
— As contrações estão começando. – disse ela – Vamos para o quarto. Rin pegue uma vasilha de água, algumas toalhas e leve para o quarto.
— Tudo bem! – disse ela, correndo.
Reiko levou Mana para o quarto, segurando em suas mãos. As contrações pouco a pouco aumentavam e ela torcia a expressão. Ao entrarem, Mana foi para a cama e deitou, apoiando as costas na cabeceira. Reiko a ajudou a tirar sua calcinha e analisou a saída do bebê. Rin entrou no quarto de repente, chegando com a vasilha de água e pondo-a ao lado de Reiko, perguntando:
— Pra que isso?
— Lavar as mãos.
Ela o fez e disse à Mana:
— Vou ver se está com dilatação.
Mana assentiu, sentindo-a pôr dois de seus dedos dentro dela. Rin arregalou os olhos, apavorada.
— Pra que isso?! – exclamou, nervosa.
— Ver quanto ela tem de dilatação. – disse Reiko – Está com quatro centímetros.
— E de quanto precisa?
— Dez.
Rin torceu a expressão e Mana ofegou, gemendo alto ao sentir a primeira contração forte.
— Tira ele! – exclamou.
— Não podemos, ainda não tem espaço. – disse Reiko – Temos que esperar.
— Como sabe disso? – perguntou Rin – Sabe mesmo como fazer um parto?
Reiko a olhou, sorrindo.
— Acredite, eu sei. – disse – Vi tantos partos da minha mãe que uma vez ajudei a vizinha, que entrou em trabalho de parto quando eu tinha quatorze anos.
— Nossa.
Reiko voltou-se para Mana, infelizmente tendo que assisti-la sentir dor enquanto ainda não possuía espaço suficiente. Naquele momento Reiji passava pelo corredor ao qual as meninas caminhavam anteriormente e viu uma poça de água no chão, ajoelhando com uma das pernas e analisando. Ouviu repentinamente um gemido alto de dor e levantou, franzindo as sobrancelhas em dúvida. Atentou-se ao se lembrar de que Mana havia completado sete meses. O bebê estava prestes a chegar e ele subitamente se preocupou com Mana, temendo perdê-la para sempre se algo desse errado no parto.
Ao direcionar-se para o antigo quarto de Mana, entrou sem bater e a viu tentando conter os gemidos. Ela estava com as mãos em sua barriga e encolhia-se com outra contração. Reiko e Rin o olharam de forma surpresa e Mana fitou-o, ofegante.
— Está vindo? – ele perguntou, apreensivo.
— H-Hum... – ela assentiu com a cabeça.
Reiji hesitou, porém aproximou-se e se sentou ao seu lado, segurando sua mão. Os olhos de Mana marejaram enquanto o olhava, porém estava feliz. As lágrimas caíram, sentindo sua mão.
— Eu estou aqui. – disse ele, olhando-a nos olhos – Por que não está fazendo força?
— Ela ainda não tem dilatação suficiente. – disse Reiko.
— Quantos centímetros?
— Quatro.
— Quando começou a sentir dor?
— Há vinte minutos.
— Tudo bem... – ele pensou – Se a evolução continuar dessa maneira, terá dez centímetros em uma hora ou um pouco mais.
— C-Como sabe disso? – Mana perguntou com a expressão dolorida – Você leu sobre isso?
Reiji hesitou, segurando sua mão com mais firmeza. Rin e Reiko se entreolharam, ele havia mesmo pesquisado sobre partos?
— Vou chamar Masami. – disse Rin, indo até a porta.
Ao sair do quarto, ela viu Laito e seus irmãos acompanhados por Masami, Sora e Yuka.
— Mana entrou em trabalho de parto. – disse Rin.
— Nós ouvimos. – falou Masami – Corri para cá e vi Reiji entrando no quarto.
— Ele está com ela? – perguntou Shuu.
— Sim, e está dando força à ela em relação à dor. Mas, Masami, você não vai entrar?
Ela hesitou, segurando Shirou nos braços. Não por medo, porém por Reiji estar com Mana. Eles precisavam conversar ou ao menos se falar, e como Reiji estava ao seu lado, pensou que sua presença estragaria o momento.
— Melhor deixar Reiji cuidar dela. – disse Masami.
Rin a olhava em dúvida, porém compreendeu e assentiu. Ouviram um gemido dolorido e se voltaram para a porta. Yuka segurou a mão de Subaru e Sora apertou a jaqueta de Ayato. Kanato e Laito também fitavam a porta, preocupados. Rin começou a respirar de forma nervosa, esperando que tudo desse certo e segurou a mão de Masami, que a olhou. Ela não desviava o olhar da porta, apreensiva. Após passar tanto tempo apenas na companhia de Mana na mansão Tsukinami, ela agora sentia afeição por ela e temia que algo de ruim acontecesse.
Aquele momento apreensivo se estendeu por uma hora, deixando todos nervosos com a demora. Masami ouvia a irmã sentir dor, abraçando Shirou e percebendo que nem todos os partos são iguais. Dentro do quarto, Reiji sentou-se logo atrás Mana, apoiando-a em seu peito e segurando suas duas mãos. Ela as apertava ao sentir as contrações, que cada vez mais diminuíam o intervalo de tempo.
— Mmm... Ahh! – gemeu, apertando as mãos de Reiji.
— Pode apertar, estou aqui. – disse ele com a cabeça encostada na sua.
— Mmm... – rangeu os dentes.
Reiko verificava a cada vinte minutos se Mana já possuía dez centímetros de dilatação e na última vez, ao completar uma hora, pôs os dois dedos dentro dela e fitou Reiji, vendo que ele estava certo.
— Já tem espaço. – disse ela – Mana, comece a fazer força.
Ela assentiu, respirando de maneira ofegante e fazendo força, apertando as mãos de Reiji e os próprios olhos ao fechá-los. Ele franzia as sobrancelhas, frustrado por não poder ajudar mais que isso. Mana sentia a intensa dor enquanto Reiko via que o bebê coroava. Nunca havia sentido tanta dor e pensou naquele momento que nunca mais desejaria ter filhos.
— Está saindo... – Reiko sorriu – Agora faça toda força que puder, precisa dar um grande empurrão.
Reiji fitou-a, segurando firme as mãos de Mana e vendo-a apoiar-se em seu peito, respirando fundo e fazendo a maior força que pôde.
— Mmmm... Ahhhh! – gritou, inclinando a cabeça para frente.
Reiji fechou os olhos, rangendo os dentes e ouvindo o choro de repente, arregalando os olhos ao abri-los. Mana lentamente deitou em seu peito, exausta, porém sorrindo levemente pelo alívio e por ouvir seu filho.
— Ele está bem? – perguntou, emocionada.
— Está... – Reiko sorriu, enrolando-o numa toalha.
Reiji olhava o bebê, surpreso por seu pequeno tamanho e sua fragilidade. Era tão pequeno que precisaria ser cuidado como uma boneca de porcelana. Ele sentou ao seu lado, ajudando Mana a sentar-se e apoiar as costas em travesseiros. Reiko levantou e se aproximou com o bebê, entregando-o à Mana, que sorria enquanto o olhava. O bebê se acalmava aos poucos, balançando levemente os pequenos braços.
— Oi... – disse ela, emocionada – É tão lindo.
— É uma menina. – Reiko sorriu.
Mana a olhou, surpresa, assim como Reiji. Voltou-se para a pequena filha, chorando por enfim tê-la nos braços.
— Oi, menininha. – cantarolou e olhou para Reiji, sentado ao seu lado – Quer segurar?
— Eh... – ele hesitou – Não sei como...
Ela sorriu e a colocou em seus braços. Reiji teve medo de derrubá-la e Reiko achou engraçado vê-lo sem sabendo fazer algo pela primeira vez, saindo do quarto em seguida para dizer que estava tudo bem e avisar aos outros que os dois precisavam ficar a sós por algum tempo.
Reiji segurou o bebê nos braços, sendo auxiliado por Mana para apoiar sua pequena cabeça. Ele engoliu em seco, observando a pequena menina. Ela possuía curtos cabelos brancos com pontas arroxeadas e movia os braços, ameaçando chorar. Reiji franziu a testa e aproximou sua mão, tocando sua barriga com o indicador. Ela se acalmou, fazendo bico com os lábios e segurando o dedo de Reiji, apertando-o com a pequena força. Ele arregalou os olhos, admirado.
— É tão frágil. – disse – Tão pequena.
— Eles geralmente são. – ela sorria em sua direção.
— Que nome dará à ela?
Mana desfez o sorriso ao pensar. Ela era uma menina. Então ao olhá-la, disse:
— “Kaya”.
— É bonito. – ele sorriu suavemente.
Mana sorriu, semicerrando os olhos ao lembrar-se de Carla.
— Mana... – disse Reiji enquanto observava Kaya – Para todo e qualquer efeito... Ela é minha. – olhou-a.
Ela o olhou, sentindo seus olhos marejados.
— Hum. – assentiu, emocionada.
Reiji e Mana permaneceram lado a lado por algum tempo, observando Kaya. Ele às vezes fitava Mana, vendo como ela estava feliz e sorridente. Começou a pensar no que faria, agora tendo menos dúvidas e estando menos confuso. Aparentemente Kaya o ajudou apenas nascendo.
Os outros residentes visitaram Mana em algumas horas, vendo Kaya e surpreendendo-se por ela ser tão bonita. Masami a olhou de forma admirada, sentando-se ao lado de Mana com Shirou nos braços, que olhou de forma curiosa para Kaya e esticou o braço, tentando tocá-la. Os outros acharam graça, rindo enquanto o assistiam. Reiji já havia se retirado, porém sua ausência não era tão triste, já que ele se preocupou e ajudou Mana.
Masami ficou com a irmã após a visita de todos, observando Kaya e sorrindo. Ela segurava Shirou, que tinha agora cinco meses e dormia contra seu peito.
— Shirou gostou dela. – comentou Mana, achando graça.
— Pena que são primos. – Masami riu.
Mana olhou para a filha.
— Ela é parecida com Carla.
Masami a fitou.
— Você sempre terá uma parte dele. – tracejou um sorriso – Ela será o espelho dele e a lembrança do amor que vocês compartilharam.
— É. – sorriu, emocionada mais uma vez – Ela é perfeita.
Kaya bocejou, fazendo as duas sorrirem.
— E Reiji? – perguntou Masami – Vocês ficaram bastante tempo juntos.
— Hum. – assentiu – Não conversamos muito. Mas ele parece admirado por ela. – sorriu.
— Disse algo mais?
— Nada sobre nós, mas... Que ela é filha dele para todos os efeitos.
Masami sorriu, assentindo.
— Eu sabia que ele a protegeria.
Mana sorriu, olhando-a.
Duas semanas se passaram e no decorrer dos dias, Masami ajudava Mana a como cuidar de sua filha. Agora ela estava em uma fase de dúvidas e cuidados, atendendo a filha quando chorava, trocando suas fraldas e dando seu seio para ela mamar. Saki e Yuma os visitaram e as três mães passaram a tarde em frente ao lago, sentadas sobre uma grande toalha e fazendo um piquenique juntas, segurando seus filhos e conversando, fitando às vezes Shuu e Yuma conversarem na beira do lago.
— Será que os três vão ser amigos? – perguntou Saki, sorridente.
— Acho que todos serão. – Mana sorriu – Ainda tem os filhos dos outros para nascer. – achou graça.
— Verdade.
— Não diga isso à Rin, ela vai surtar. – disse Masami, rindo.
As três riram juntas, sendo observadas pelos meninos naquele momento. Yuma e Shuu estavam sentados na beira do lago e voltaram-se para a água. Yuma abraçava um dos joelhos e o fitou. Shuu estava com as pernas cruzadas e uma pedra na mão, observando seus defeitos.
— E seu irmão? – perguntou Yuma – O que ele fez quando Kaya nasceu?
— Ele ajudou Mana com o parto.
— Jura?
— Hum. – assentiu – Na verdade quem fez o parto dela foi Reiko, mas ele estava apoiando-a com a dor e o resto.
— Que surpresa.
— Quando ela voltou e contou que estava grávida, ele surtou. – Shuu confessou – Empurrou a mesa contra o armário e quebrou várias coisas.
Yuma voltou-se para frente, surpreso.
— Ele gosta mesmo dela. Vi isso quando me pediu desculpas. Seu irmão não pede desculpas.
— Hum. – concordou – Ele convocou uma reunião conosco depois que Kaya nasceu. Mana não estava. Ele disse que para todos os efeitos, ela era sua filha e contaria ao nosso pai que teve a primeira filha.
— O que ele faria se soubesse que ela não é filha de Reiji?
— É o que nós não queremos saber. – Shuu pensou – Com Mana não faria nada fisicamente, provavelmente.
— Fisicamente?
— Sim. Possivelmente ele tiraria Kaya dela para fazê-la sofrer e quem sabe o que faria com a bebê. Acho que seria mais um de seus experimentos.
— Seu pai parece muito estranho.
— Ele é desprezível.
Yuma assentiu, achando o mesmo.
— Mas agora ela pelo menos terá um pai. – disse Shuu, contente pela decisão do irmão.
No laboratório de Reiji, ele observava o jardim ao final da tarde. Acabara de ver Saki e Masami voltarem para dentro de casa com Mana e os bebês, assim como Shuu e Yuma. Masami, Saki e Mana seguravam as crianças nos braços e Reiji semicerrou os olhos. Completara duas semanas desde o nascimento de Kaya e até o momento ele não se decidira.
Ao ouvir a porta se abrir, olhou-a e viu Shuu.
— Observando pela janela? – perguntou, sorrindo levemente.
Reiji abaixou o olhar.
— Pensando, na verdade.
— Sobre Mana? – Shuu aproximou-se – Você não fala com ela desde o nascimento do bebê.
— Estou tentando me decidir.
— Sobre?
— Se... Manteremos as aparências para os que estão de fora ou... Reconciliação.
Shuu acalmou o olhar.
— Prefiro a segunda opção.
Reiji desviou o olhar, sorrindo suavemente.
— Claro, mas estou em dúvida sobre o futuro. – franziu levemente as sobrancelhas.
Shuu analisava sua expressão.
— Pode ficar com raiva de mim e de Mana, mas não fique com raiva da criança. É apenas um bebê.
— Raiva? – olhou-o – Não sinto raiva de Mana ou de Kaya. Nem mais de você.
— Então?
Ele abaixou o olhar por um momento e fitou-o novamente.
— Sinto raiva de mim.
Shuu surpreendeu-se.
— Não consegui protegê-la e não fui procurá-la. – Reiji confessou – Sim, fiquei com raiva por ela ter se deitado com outro e até mesmo engravidado. Mas ela o fez por minha causa. Mana não teria o feito se tivesse fé em mim. E eu nunca lhe dei motivos para ter, esse foi o meu erro. Eu precisava dela, mas me esqueci de que ela também precisava de mim.
— Por que não diz isso à ela?
— Ela não me ama mais. Eu não fui o marido que Mana merecia.
Shuu o observava.
— Como tem certeza?
— Se ela se deitou com aquele homem, ela o amava. Então como posso estar no coração dela se há outro no meu lugar?
Shuu semicerrou o olhar.
— Ele morreu e ela poderia ter ficado onde estava. – disse ele – Mas ela voltou. E acredito que tenha voltado para você. Então não faça hipóteses apenas com o que pensa. Pergunte à ela o que sente, mas também diga o que está sentindo.
Reiji o olhava, assimilando suas palavras e, enfim, concluindo sua decisão.
Ao anoitecer, Masami ficou com Kaya e Shirou em seu quarto para que Mana pudesse tomar um banho. Ao terminar, pegou Kaya e levou-a para seu quarto quando ela começou a chorar. Estava na hora dela comer e Mana usava uma longa camisola rosada, estando com os longos cabelos soltos. Ela se sentou em sua cama com as costas escoradas na cabeceira e abaixou uma das alças, deixando seu seio exposto e aproximando Kaya, que se acalmou ao começar a mamar.
Mana a observava. Kaya havia aberto seus olhos há três dias e observava tudo com um olhar curioso e esperto. Ela possuía os mesmos olhos dourados de Carla, que se assemelhavam a olhos de cobra. Mana surpreendeu-se e sorriu ao vê-los, vendo como ela realmente era parecida com o pai.
Masami lhe ensinara que os bebês precisavam de apenas cinco minutos para se sentirem satisfeitos, pois 80% do leite materno era retirado durante aqueles poucos minutos. Porém Shirou já tinha cinco meses, assim como Yuuzo com Saki, que dissera a mesma coisa. Como Kaya tinha apenas duas semanas, Mana a deixava mamar por pelo menos meia hora, assim como também sua mãe recomendou.
Quando os trinta minutos acabaram, alguém bateu na porta de Mana.
— Entre.
A porta se abriu e ela fitou Reiji, que parou de repente ao vê-la amamentando.
— Me desculpe, vou retornar depois.
— Não precisa. – ela sorriu – Já acabei.
Kaya havia afastado a boca do mamilo de Mana e a olhava. Reiji a fitou, vendo-a subir a alça da camisola e tampar o seio. Aproximou-se, observando Mana levantar e pôr Kaya dentro do berço, que ficava ao lado da cama. Ao ver os olhos de Kaya, que o olhou de forma curiosa ao deitar, reparou em como eram diferentes.
— Ela... É parecida com ele, não é? – perguntou.
— Isso o incomoda? – Mana o olhou ao se endireitar, receosa.
Ele sorriu de forma polida.
— Esta é uma pergunta capciosa, já que ela não é biologicamente minha filha.
Mana desviou o olhar, entristecida.
— Mas ela também se parece com você até onde percebo. – disse ele – Então creio que será muito bonita.
Ela o olhou, surpresa e sorrindo timidamente.
— Não veio aqui para me elogiar, não é?
Ele deixou escapar um suave sorriso, assentindo.
— Pensei durante essas duas semanas e concluí algo há pouco.
— O que?
Reiji aproximou-se, olhando-a nos olhos enquanto ela levantara a cabeça para fitar os seus.
— Senti raiva por ter engravidado de outro, mas percebi que ainda a amo.
Mana arregalou vagarosamente os olhos.
— Eu cometi vários erros e você me perdoou por todos eles. – continuou – Porém meu maior e pior erro fora perder a sanidade e não procurá-la, o que provavelmente a deixou vulnerável, fazendo com que fosse mais fácil se apaixonar por um deles.
Mana prestava atenção, ele realmente pensara detalhadamente.
— Mas além de amá-la, vi que desejo ser um pai para Kaya. – disse ele, semicerrando os olhos – Percebi isso ao olhá-la pela primeira vez. Isso se... Você permitir.
Mana abriu levemente a boca, surpresa.
— De onde tirou isso? – perguntou – Por que eu não permitiria?
— Ahm... – ele a olhou, confuso – Pensei que...
— Reiji, eu nunca deixei de amá-lo.
Ele arregalou lentamente os olhos, estático. Viu os olhos de Mana marejarem. Reiji a abraçou repentinamente, sentindo-a mais uma vez em seus braços. Mana abraçou-o, fechando os olhos ao sorrir.
— Eu não cometerei mais erros com você.
Ela abriu os olhos, sorrindo de forma emocionada e vendo-o cessar o abraço, porém ainda com as mãos em seus braços. Mana semicerrou os olhos, enrubescendo e Reiji aproximou o rosto, beijando-a gentilmente e envolvendo-a com os braços mais uma vez. As lágrimas escorreram por suas bochechas, ela sentia seus lábios mais uma vez depois de tanto tempo e recuperara seu amor. Reiji sentiu suas lágrimas, tocando gentilmente seu rosto enquanto a beijava.
Ele não se importava que Kaya não fosse sua filha biológica. Não mais. Porque agora ele se tornara pai.
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