Diabolik Lovers - União de Sangue
57 Capítulo 53: Pequeno novo residente
Notas iniciais
Na mansão Sakamaki, Masami estava no quarto, sentada na cadeira de sua penteadeira. Usava um vestido cinza com detalhes pretos e sapatos de mesma cor. Penteava os cabelos, pensando em Mana. Completara três meses desde que ela fora levada e que os meninos foram buscá-las. Ela sorria, a presença dos Mukami ajudava bastante em conjunto com Subaru, Yuka, Reiko, Sora e Shuu. Eles sabiam bem que ela e Reiji haviam perdido completamente o chão quando Mana foi levada, porém ao menos ela tentava manter a sanidade e a esperança. Reiji não saía de seu laboratório por nada, o que deixou a todos preocupados.
Enquanto penteava o cabelo, pondo-o sobre um dos ombros e passando gentilmente a escova sobre as mechas, sentiu um desconforto. Ela franziu levemente as sobrancelhas, pondo a mão na barriga. Engoliu em seco e levantou, porém sentiu mais uma dor intensa e deixou a escova cair, apoiando-se na penteadeira. Masami arquejou, encolhendo-se e curvando-se.
— O que... – ofegou e sentiu seus pés sendo molhados.
Ela abriu levemente a boca, nervosa. Sua bolsa rompera, o bebê iria nascer. Ela apertou os olhos ao fechá-los, sentindo mais uma vez a dor e abrindo-os em direção à porta.
— Shuu... – chamou-o – Shuu!
Encolheu-se, mais dor. Shuu direcionava-se para o quarto quando a ouviu e apressou-se, entrando e vendo-a apoiada na penteadeira, torcendo a expressão.
— Agora? – perguntou, nervoso.
Ela assentiu com a cabeça. Ele se aproximou e a pegou no colo, aproximando-se da cama e deitando-a, pondo alguns travesseiros para que Masami ficasse um pouco mais elevada.
— Ah! – ela exclamou.
Shuu não sabia o que fazer, nunca havia passado por isso.
— Vou chamar alguém!
— Rápido. – ela pediu, gemendo.
Ele desapareceu e poucos segundos depois, reapareceu no quarto com uma empregada. Masami a olhou, era uma mulher de cabelos pretos, preso em um coque que ficava debaixo lenço do uniforme. Ela se aproximou, subindo e ajoelhando-se na cama.
— Com licença, Masami-sama. – disse ela, levantando a saia de seu vestido e tirando sua calcinha – Me perdoe, mas terei que ver se está com espaço suficiente.
Ela concordou, apertando os olhos ao sentir a empregada pôr dois de seus dedos dentro dela. Ela os tirou e disse:
— Masami-sama, você está com espaço suficiente. Por favor, faça força.
Masami assentiu, apertando os lençóis e fazendo força. Shuu a olhava, nervoso. Ela parecia estar sentindo muita dor e gritava às vezes ao fazer mais força. A empregada pedia para ela continuar, dizendo que estava vendo a cabeça do bebê. Shuu sentou-se ao seu lado, pondo o braço ao seu redor e segurando sua mão.
— Você está conseguindo.
Ela o ouvia, respirando fundo e gemendo alto ao fazer força.
Do lado de fora do quarto, Reiko se aproximou da porta ao escutar gritos do corredor. Espiou pela fechadura com Teddy em seus braços e viu Masami deitada na cama com a empregada a sua frente e Shuu sentado ao seu lado. Ela surpreendeu-se, percebendo que naquele dia o bebê nasceria. Kou e Mei passavam pelo corredor e a avistaram abaixada em frente à porta. Ao se aproximarem, ele cantarolou:
— O que está fazendo?
Ela o olhou de forma surpresa.
— Masami está tendo o bebê.
— Jura? – disse Mei, abaixando ao seu lado e espiando pela porta – Dá pra ver tudo por essa fechadura. Melhor eles trocarem depois.
Reiko desviou o olhar, todas as meninas já sabiam disso. Pouco a pouco, todos se aproximaram ao escutarem gritos dolorosos pelos corredores. Exceto Reiji. Os Mukami e suas parceiras, assim como Subaru e as meninas, ouviam os gemidos dolorosos de Masami, que estava tendo o bebê. Subaru fitou Yuka por um momento, perguntando-se se ela também sentiria tanta dor. Yuka fitava a porta, esperando pelo momento em que o bebê nascesse. Saki pôs a mão em sua barriga, logo seria sua vez. Yuma engolia em seco, ansioso. Momo torcia levemente a expressão e Azusa perguntava-se como era um bebê. Ruki e Arizu davam as mãos, apreensivos. Kou e Mei apenas pensavam como deveria ser doloroso. Sora colocara as mãos sobre o peito, esperando que tudo desse certo.
Enquanto prestavam atenção, ouvindo e esperando ansiosamente pela chegada do bebê, não ouviram a porta da entrada se abrir. Os trigêmeos e as meninas adentraram a mansão, chegando em casa. As duas observaram o hall de entrada, sentindo a nostalgia. Os cinco se perguntaram onde todos estariam e ouviram os gritos de dor, pensando ser o irmão que escapara na mansão Tsukinami. Porém Mana arregalou os olhos e exclamou:
— Masami! – correu, subindo a escada.
Os outros a seguiram e pararam próximo aos Mukami e os outros. Mana passou por eles desesperadamente e entrou no quarto, alertando-os de que os cinco haviam retornado. Sora arregalou os olhos e virou-se, correndo em direção à Ayato e abraçando-o.
— Ayato! – beijou-o.
Reiko levantou e viu Kanato, correndo até ele e abraçando-o fortemente.
— Kanato-kun! Finalmente voltou!
Ele paralisou por um momento, porém sorriu e a abraçou. Laito e Rin davam as mãos e ouviam os gritos e gemidos de dor.
— O que é isso? – Laito perguntou.
— Masami está tendo o bebê. – disse Saki.
— Deve doer. – ele torceu a expressão.
— Claro que dói! – disse Rin – Tente fazer uma criança sair da sua vagina.
Ele sorriu, achando graça e abraçando-a.
— Senti tanto sua falta. – beijou-a, fazendo-a corar.
Dentro do quarto, Masami ainda fazia força. Ao ver a porta se abrir e Mana entrar, ela sorriu de forma alegre, sorrindo.
— Mana! – as lágrimas escorreram.
— Estou aqui! – ela se sentou ao seu lado e segurou sua outra mão – Continua.
Masami assentiu, fazendo mais força. Os minutos pareciam nunca passar, a dor era interminável. Ao gemer, gritando de forma dolorosa uma última vez, ouviu o choro do bebê e sentiu um extremo alívio possuir seu corpo. Mana sorriu, emocionada. Shuu apoiou-a, vendo-a fechar os olhos por um momento. Masami os abriu de forma fraca e viu a empregada enrolar o bebê em uma manta após cortar seu cordão umbilical. Ela esboçou um sorriso enfraquecido, deixando as lágrimas escorrerem. Todos do lado de fora sorriam, o bebê de Masami e Shuu havia chegado.
— Masami-sama, Shuu-sama. – disse a empregada, aproximando-se com o bebê nos braços – É um menino.
Masami sorriu, admirada e o segurou. Shuu o olhava de forma curiosa, vendo como era pequeno e parecido com ele. Seus curtos cabelos eram tão loiros quanto os de Shuu e ele chorava, balançando levemente os pequenos braços.
— Ele é pequeno. – disse Shuu, admirado.
Masami sorriu.
— Nós o fizemos.
Ele a olhou, semicerrando os olhos e sorrindo, beijando-a em seguida. Masami lhe entregou o filho nos braços, observando-o segurá-lo de forma cuidadosa e até um pouco nervosa. Shuu nunca havia sequer segurado um bebê, porém agora o olhava como se já o tivesse há muito tempo. Tracejou um sorriso nos lábios, apoiando sua cabeça com a mão e vendo mais uma vez como ele era pequeno.
— Como vamos chamá-lo?
— Escolha você. – ele sorriu.
Ela sorriu, olhando o bebê.
— Que tal... “Shirou”.
— Hum. – ele assentiu, fitando-o – Então vai ser Shirou.
A empregada sorriu e se retirou, permitindo a todos que entrassem no quarto. Eles o fizeram de forma curiosa e viram Shirou nos braços de Shuu, agora dormindo. Masami disse que era um menino e eles sorriam, contentes. O olharam de forma admirada, a maioria nunca havia visto um bebê recém-nascido antes.
— Ele é tão pequeno. – disse Momo, admirada.
— É... – Azusa concordou, curioso.
— Ele é lindo! – disse Saki, feliz.
— É tão pequeno. – disse Mei, sentada na beira da cama e observando-o de forma curiosa.
— Ainda bem. – Masami sorriu – Mesmo pequeno ainda assim doeu.
Eles acharam graça.
— Que gosma é esse nele? – perguntou Rin.
Masami e Shuu a fitaram, porém ela sorriu.
— Sentimos sua falta, Rin. – disse Masami – Bem-vinda.
Rin sorriu sem jeito, desviando o olhar por um momento e sentindo Laito pôr o braço em volta de seu pescoço. Todos permaneceram no quarto por alguns minutos, observando o bebê e em seguida se retiraram para deixar os pais a sós com o filho. Mana fora a última a sair, olhando uma última vez para os dois com o bebê nos braços e sorrindo, sentindo seus olhos marejarem.
Após seu filho nascer, Shuu direcionou-se para o laboratório de Reiji e abriu a porta sem bater. Já não via o irmão há algum tempo e preocupou-se com ele. Reiji não bebia sangue há três meses e isso poderia matá-lo. Ao entrar, viu que tinha razão. Reiji o olhou e Shuu notou como ele havia emagrecido. Não se alimentar prejudicava o corpo de um vampiro e tinha consequências sérias.
— Meu filho nasceu. – disse Shuu – O batizamos de Shirou.
Reiji voltou-se para o que fazia e Shuu franziu as sobrancelhas. Queria dizer que Mana estava de volta, porém sabia que ela não poderia vê-lo nesse estado. Ao se aproximar, pegou uma xícara de chá que estava sobre a mesa cheia de objetos aleatórios e um bisturi que estava ao lado. Reiji o fitou, sem reação e o viu cortar a mão, deixando um pouco de seu sangue preencher a xícara. Ao terminar, segurou-a e a pôs na frente de Reiji, dizendo de forma aborrecida:
— Sei que me odeia, mas beba isso e melhore. Como Mana vai encará-lo?
Reiji olhou em seus olhos, surpreso. Shuu se retirou e fechou a porta, acreditando que ele beberia da xícara. Por Mana, ele com certeza o faria. Reiji encarava a porcelana, hesitando, porém a pegou. O que menos desejava era ter o sangue do irmão em sua boca, porém pela esposa, ele o faria. Aproximou a xícara dos lábios e bebeu o sangue de Shuu. Como o sangue dos irmãos era puro, o corpo de Reiji voltou ao normal poucas horas depois.
Mana acabara de chegar e já havia acontecido uma grande emoção. Porém agora ela precisava enfrentar outra, mesmo tardando a ida. Direcionou-se para o laboratório e ao chegar, hesitou em bater na porta. Respirou fundo, levantando a mão e batendo duas vezes. Não ouviu nada, porém repentinamente algo atingiu a porta, como se um objeto tivesse sido jogado contra ela. Mana franziu as sobrancelhas e abriu a porta mesmo assim, vendo o laboratório completamente diferente.
O lugar estava bagunçado, praticamente revirado. Mana viu no chão o que atingira a porta. Um livro. Percebeu que havia vários no chão, parecendo terem sido jogados contra a estante e feito outros caírem. Sobre a grande mesa de Reiji, os frascos estavam espalhados e bagunçados, assim como anotações e mais livros abertos. Ela fitou Reiji, que estava sentado na poltrona. Ele apoiava os cotovelos nas pernas e as mãos estavam sobre sua cabeça. Os óculos estavam jogados sobre o apoio para os pés. Suas roupas estavam amassadas e desalinhadas. Ela arregalou os olhos por um momento, surpresa. Ele não parecia nada bem.
Mana abriu mais a porta, olhando-o atentamente.
— Reiji.
Ele levantou o olhar repentinamente, ficando de pé. Pensara que fosse o irmão mais uma vez, porém agora se perguntava se realmente estava vendo-a na sua frente.
— Mana.
Ela franziu a testa, ele parecia cansado e desconcertado. Reiji aproximou-se, tocando cuidadosamente seu ombro como se desejasse ter certeza de que ela realmente estava ali. Abraçou-a de repente, envolvendo-a em seus braços. Mana arregalou os olhos, sentindo-o respirar de forma aliviada. Ao cessar, olhou-a e tracejou um sorriso suave em seu rosto.
— Não acredito que está aqui.
Ela abaixou o olhar, entristecida.
— Você... Ficou aqui o tempo todo?
— Sim. – disse ele, hesitante – Eu...
— Por que... Não foi atrás de mim? – olhou-o.
Reiji a olhava, não conseguia pensar em algo correto a se falar. Os olhos de Mana marejaram, ela abaixou o olhar novamente.
— Esperei por você durante semanas... – disse com a voz embargada – Mas quem nos trouxe de volta foram os trigêmeos...
Ele a olhava, abaixando pouco a pouco o olhar. Reiji ficara para tentar achá-la com as informações que possuía em casa, porém perturbado daquela forma com seu sequestro, ele nem ao menos conseguiu pensar na biblioteca nacional da sociedade vampira, como Laito fizera. Percebeu naquele momento que cometera um erro e que Shuu tinha razão ao dizer naquele dia que ele estava se comportando como um covarde.
Ao olhá-la novamente, viu-a o encarando e não sabia o que dizer.
— Mana...
— Hum. – ela negou com a cabeça e virou-se.
Caminhou até a saída, porém parou por um momento e o fitou.
— Agora sei o que você sente por mim.
Ele arregalou levemente os olhos, vendo-a ir embora. Mana fechou a porta, deixando-o no laboratório. Três meses sem dormir ou se alimentar, tentando encontrá-la e falhando miseravelmente. Quem as resgatou foram seus irmãos e Reiji agora enfrentaria mais uma vez a decepção de Mana, que parecia ser pior dessa vez.
Ao anoitecer, todos ainda estavam acordados. Shuu e Masami estavam deitados na cama com o bebê entre eles. Observavam como ele era bonito e como era calmo enquanto dormia. Masami deixou escapar um sorriso, sentindo a mão de Shuu se aproximar de si e pegar gentilmente sua mão. Ela o fitou, vendo-o sorrir de forma suave.
Os outros estavam ocupados cada um com seu parceiro ou conversando entre si. Kanato e Reiko estavam no quarto dele, beijando-se deitados na cama. Ela sentira imensamente sua falta e finalmente podia abraçá-lo.
— Que bom que voltou. – disse ela ao cessarem o beijo, olhando em seus olhos.
— Também acho. – ele sorriu levemente, beijando-a mais uma vez.
No quarto de Sora, Ayato e ela estavam sobre a cama, beijando-se debaixo das cobertas enquanto ele estava entre suas pernas, ambos nus. Haviam acabado de terminar e ela envolveu seu pescoço com os braços, olhando-o nos olhos ao cessar o beijo. Ele semicerrou o olhar, sorrindo suavemente. Sentira sua falta como nunca antes. Porém agora que voltara, ela precisava lhe contar algo.
— Ayato...
— Esses meses pareciam nunca ter fim. – disse ele – Finalmente voltamos.
— Hum. – ela sorriu, emocionada – Que bom que voltou a tempo.
— À tempo? De que?
— Quando completou um mês desde sua partida, os convites chegaram.
— Para o...? – ele surpreendeu-se, apoiando as mãos e joelhos no colchão – Para o casamento?
Ela assentiu, encolhendo-se e mordendo o lábio inferior enquanto sorria. Ayato abriu a boca de forma surpresa, mas não saía nada.
— O que está pensando? – ela perguntou.
Ele tracejou um sorriso.
— Que estou ansioso para o dia chegar.
Sora sorriu, feliz e emocionada. Ayato deitou sobre ela, abraçando-a e beijando-a, encaixando-se mais uma vez entre suas pernas e fazendo-a arquejar.
No quarto de Laito, ele e Rin estavam sobre a cama, ambos nus. Ele estava sentado com ela sobre seu colo, que cruzava as pernas em volta de seu quadril. Rin o beijava intensamente, intercalando os movimentos que fazia com beijos suaves e carinhosos. Enfim ela estava novamente em seus braços e nunca mais queria se afastar deles. Laito a envolvia, passando a beijar seu pescoço e descendo calmamente, segurando seu seio e chupando-o. Ela sorriu docemente, mordendo o lábio inferior.
Laito virou-a e a deitou na cama, beijando-a calmamente ao passo que acariciava seu corpo. Rin enrubesceu, era como se ele matasse a saudade que tanto sentia. Viu-o apoiar os cotovelos e adentrá-la calmamente mais uma vez enquanto a beijava. Rin arquejou, apertando suas costas. Senti-lo mais uma vez lhe deixava intensamente feliz. Laito ajoelhou na cama, segurando suas coxas e empurrando-as calmamente para frente enquanto movimentava-se, vendo-a gemer e o olhar. Rin contorceu-se e apertou os lençóis, sentindo-o preenchê-la a cada momento. A sensação era intensa e a deixava cada vez mais excitada enquanto o sentia. Laito a observava, ofegante, porém com os olhos semicerrados em sua direção. Enfim, tinha Rin de volta.
Ao terminarem, Laito a beijou intensamente e abraçou-a, deitando ao seu lado e fazendo-a deitar de lado. Rin recuperava o fôlego e ambos olhavam-se, sorrindo suavemente.
— Eu te amo, Laito.
— Nossa... – ele sorriu.
— O que? – achou graça.
— Isso é muito bom... – beijou-a, sentindo seus lábios e ouvindo-a rir.
— Bobo.
Rin aconchegou-se em seus braços, deitando em seu peito e pondo o braço sobre seu abdômen.
— Foi um inferno lá sem você.
— Né? – ele pensou – O que aconteceu naquele lugar? O que eles queriam exatamente?
Rin hesitou, porém havia dito a ele que contaria. Sentou-se, olhando-o.
— Eles queriam tomar o trono de volta. – disse ela – E para isso precisavam de Mana.
— Mana?
— Queriam fazer ter filho com ela.
Laito a olhou, mostrando-se surpreso e chocado.
— O que fizeram com ela?
— Nada de ruim. – disse ela – Carla... Aquele que morreu, parecia querer fazer com que ela quisesse. Nós tentamos fugir logo que chegamos, mas eles nos pegaram e nos separaram. Shin, o mais novo, me trancou numa cela e algum tempo depois Carla trancou Mana na cela ao lado por tentar fugir. – pensou – Shin era um imbecil, mas acho agora que não o odeio totalmente. Ele era o único com quem eu conversava.
— Ele fez algo a você?
— Queria dormir comigo, mas não deixei.
Laito franziu as sobrancelhas.
— E? – perguntou ele, ligeiramente enciumado.
— Mana... – Rin hesitou – Desistiu depois de algum tempo, achou que Reiji deixou de amá-la. Ela começou a se envolver com Carla, mas não sei exatamente o que houve. Apenas sei que ela se apaixonou e... – hesitou mais uma vez – Está grávida dele.
Laito arregalou os olhos.
— Então... Eles queriam um filho pra aumentar o poder e enfrentar Karlheinz. – disse ele – Mana disse que ele estava doente.
— Era um vírus.
— Hum. – ele pensou – Receio o que Reiji possa fazer.
— Como assim? Ele não vai fazer nada com ela, né? Ele não foi buscá-la, pensei que estaria com você.
Laito olhou-a, semicerrando os olhos.
— Quando disse que iria atrás de você, Ayato e Kanato logo quiseram ir. Confesso que durante esses meses nos aproximamos um pouco. – ele sorriu levemente – Não ficávamos juntos assim desde crianças. Mas Reiji não quis ir. Shuu disse antes de partirmos que ele estava perturbado, sem chão.
Rin abaixou o olhar.
— Isso o abalou mesmo.
— Hum. – ele concordou – Não vamos dizer nada. Vamos deixar isso com eles, provavelmente a barriga vai crescer logo.
Ela assentiu, deitando sobre seu peito e sorrindo levemente.
— Eu sabia que viria me buscar.
Ele sorriu, afagando sua cabeça e mexendo em seu cabelo.
Poucos dias depois, os Mukami e as meninas voltaram para casa. Os trigêmeos agradeceram por terem os ajudado enquanto estavam fora e por terem passado tanto tempo fazendo-o. Ficar todo o tempo alerta não é algo fácil ou agradável. Eles assentiram de forma contente e disseram que estavam felizes por eles terem conseguido trazê-las de volta. Após despedirem-se de Masami, Shuu e o novo bebê, partiram em seguida. Antes que saíssem da propriedade, Ayato os alcançou.
Passou pela porta, vendo-os de mãos dadas com suas parceiras.
— Ei! – chamou-os.
Eles se voltaram para ele em dúvida.
— O que vão fazer mês que vem? – perguntou.
— Acredito que nada de muito importante. – disse Ruki.
— Ótimo. – ele sorriu de forma confiante – Quero que venham ao meu casamento.
Ruki o olhou de forma surpresa, assim como os outros.
— Claro! – disse Kou.
Eles o olharam e sorriram, concordando.
— Ok. – Ayato assentiu, contente e virou-se – Até mais.
Ayato entrou e eles partiram, ainda surpresos. Era realmente uma surpresa Ayato convidá-los para seu casamento com Sora, principalmente por Ruki também ser convidado. Porém, aos poucos, ele pensou que para Sora se orgulhar dele e nunca se decepcionar, ele deveria às vezes tomar esse tipo de atitude. E ao ver sua expressão contente e surpresa quando lhe contou que os convidara, teve certeza de que estava fazendo o certo.
Masami e Mana estavam em seu quarto. O berço por enquanto residia no mesmo quarto que os pais, porém Masami gostava de ver Shirou dormindo em sua cama. Mana a observava, vendo como a irmã estava feliz. Nunca imaginou Masami sendo esse tipo de mãe, porém alegrou-se ao vê-la dessa forma. As duas desejavam tanto não serem como sua mãe foi, que esse parecia ser o primeiro passo para o sucesso de criar os filhos de uma forma diferente.
Masami estava sentada, observando-o enquanto Mana estava do outro lado da cama, olhando-a.
— Você imaginou que teria um menino? – sorriu.
— Não. – ela achou graça – Mas Shuu também quer ter uma menina.
— Jura?
— Hum. – assentiu, sorrindo – Vai doer de novo. – riu.
Mana riu.
— Ele é tão parecido com Shuu.
Masami sorriu, concordando.
— Você foi bastante forte na hora.
— Porque ele estava comigo, me dando força. Eu fiquei tão... – desviou o olhar, sorrindo – Admirada, sabe. Shuu teve medo.
— Sério?
Ela assentiu.
— Tinha medo de perder o bebê ou de me perder. Mas que bom que tudo ocorreu bem. – sorriu – E adivinhe? – disse em tom desgostoso.
— O que?
— O pai dele mandou um bilhete nos parabenizando pelo nosso primeiro filho e dizendo que está feliz por ter ganhado um neto. Hum... – suspirou – Ridículo. Com certeza aquela empregada contou.
— Sempre me perguntei se ele sabia das coisas aqui dentro através dos empregados. Agora sabemos que sim. – ela pensou – Mas então... Ele sempre saberá quando tivermos um bebê. – receou-se.
— Acho que sim. Ele parece ter olhos e ouvidos em todos os lugares. Eu o odeio. – confessou facilmente.
Mana deixou escapar uma risada baixa, porém desviou o olhar, apreensiva.
— O que foi? – Masami perguntou ao notar sua expressão.
Ela a olhou, hesitante.
— É sobre Reiji?
— Não. Bem... Sim.
— Ele não ficou nada bem, Mana. – disse Masami – Reiji mudou... Ficou perturbado. Não saiu do laboratório durante todo esse tempo, nem dormia. Ele ficou confuso, estava decidido a encontrá-la daqui. Acho que tudo isso o confundiu, Laito foi quem manteve a mente no lugar.
Mana abaixou o olhar, seus olhos marejaram. Quando fitou Masami, disse:
— Eu nunca escondi nada de você.
Ela assentiu.
— Preciso contar algo.
— O que?
Mana hesitou, porém contou tudo. Desde sua chegada à mansão Tsukinami até o momento da morte de Carla, que foi quando os trigêmeos invadiram a casa para resgatá-las. Masami prestava atenção, mantendo a mesma expressão e não julgando a irmã. Mana, em vista a todo seu histórico com Reiji, pensou que ele não fosse buscá-la, que não a amasse. Então com todo o envolvimento e o plano dos Tsukinami, se apaixonou por Carla.
— Então... – ela disse.
Mana assentiu, apreensiva.
— Estou grávida.
Masami abaixou o olhar, pensando.
— Basta você ter o bebê sem a presença de empregados.
— Isso não importa.
— Claro que importa. O que será que Karlheinz fará se descobrir que você teve um filho de um Tsukinami? Provavelmente ele o tirará de você.
Mana arregalou os olhos, porém engoliu em seco.
— Eu apenas não quero magoar Reiji. – disse ela – Ele não foi me buscar porque perdera o chão. Eu devia ter pensando nisso, devia ter imaginado, mas... Foram tantas coisas que aconteceram entre nós... Que minha afeição por Carla apenas cresceu.
— Eu entendo. – disse Masami – Porém você precisa contar. Ele descobrirá quando a barriga começar a crescer e saberá que não é dele.
Mana assentiu, a irmã tinha razão.
Durante aquele dia, Mana pensou em como contaria para Reiji que esperava um filho de outro. Seu coração doía e os pensamentos pesavam. Perguntava-se qual expressão ele faria e qual atitude tomaria. Porém ela não precisou ir até ele. Após sua volta e a curta conversa que tiveram, Mana dormia no quarto dele, porém ele não dormia mais lá. Reiji acostumou-se a passar os dias e noites em seu laboratório, porém percebeu que precisava conversar de forma correta com ela.
Ele bateu na porta, esperando-a dizer algo.
— Entre.
Reiji o fez e a viu sentada na cama.
— Mana.
Ela o olhava de forma surpresa. Ele aproximou-se e Mana levantou, olhando-o.
— Reiji?
— Me perdoe, Mana.
Ela surpreendeu-se.
— Eu... – disse ele, olhando em seus olhos – Não soube o que fazer. Pensei que poderia encontrá-la. Não consigo imaginar pelo o que passou. Mas, por favor, não creia que isso é o que sinto por você. Queria buscá-la, mas...
Mana abraçou-o de repente, seus olhos se encheram de lágrimas. Reiji paralisou, porém pôs a mão em suas costas. Ela estremeceu, cessando e afastando-se.
— Preciso contar algo.
— O que?
— Eu... – hesitou – Eu estou grávida, Reiji.
Ele se surpreendeu, arregalando levemente os olhos e tracejando um suave sorriso. Por um momento sentiu-se feliz, porém ao olhar para a barriga de Mana, desfez lentamente o sorriso.
— Quanto tempo?
— Cinco semanas. – uma lágrima escorreu por sua bochecha.
Reiji recuou, afastando-se e desviando o olhar, tentando assimilar.
— Eles sequestraram você para... Terem filhos. – compreendeu, enfim – Eles... – rangeu os dentes.
— Eles não fizeram nada de mal comigo.
— Eu não quero saber o que fizeram... – virou-se – Não quero saber o que aconteceu.
— Reiji...
Mana paralisou, vendo-o sair e bater a porta. Abaixou o olhar e abraçou-se ao sentar-se novamente, começando a chorar. Precisava lhe contar, porém sua expressão agora tornara tudo ainda mais difícil e doloroso.
Reiji direcionou-se para seu laboratório, batendo a porta ao entrar. Aproximou-se da mesa, pondo as mãos sobre ela e fechando os olhos, respirando fundo e tentando controlar a raiva. Não conseguia assimilar o que acabara de acontecer. Pela afirmação de Mana, não a violaram. O que queria dizer que ela dormiu com um deles de maneira consensual. Franziu as sobrancelhas, furioso e pensando que se ele tivesse ido procurá-la e a tivesse achado antes, isso não teria acontecido. Mana não estaria grávida de outro.
Ele rangeu os dentes, esbravejando e afastando-se da grande e pesada mesa, empurrando-a com força e fazendo-a chocar-se contra seu armário do outro lado do cômodo. Os frascos, itens e a caixa de chá foram derrubados das prateleiras e alguns quebrados. A mesa rachou e ele olhava para o que fizera, respirando de forma ofegante e enraivecida.
Shuu passava pelo corredor naquele momento para ir até a sala de estar e ouvira o estrondo, fitando a porta. Logo depois ouviu coisas sendo quebradas. Aproximou-se da porta, abrindo-a e vendo Reiji respirando de forma ofegante em meio à frascos e tubos de ensaio quebrados, além de livros jogados e a grande mesa do outro lado do cômodo contra o armário, que parecia ter sido chacoalhado. Ele surpreendeu-se, olhando-o. Na verdade, Masami lhe contara na noite anterior quando estavam deitados na cama o que se passava com Mana. E isso se encaixou com o que Ayato comentara ao voltar. Então não era surpresa ver Reiji nesse estado, mesmo que Shuu nunca houvesse pensado que ele pudesse ter esse tipo de comportamento.
Ele adentrou o laboratório, fechando a porta atrás de si.
— O que houve? – perguntou.
Reiji o fitou, seus olhos estavam marejados em contraste à sua expressão furiosa. Ele voltou-se para frente e abaixou o olhar.
— Você tinha razão. – cerrou os punhos – Eu... Deveria ter ido atrás dela.
Shuu o observava, surpreso.
— Deveria ter mantido a sanidade, pois com certeza teria a encontrado antes.
— Reiji... – disse ele, surpreso ao ver seu sofrimento.
— Agora ela está esperando o filho de outro. – rangeu os dentes.
Shuu abaixou o olhar.
— Pelo o que Ayato disse... Provavelmente fora o mais velho.
— Eu quero matá-lo.
— Ele já está morto, estava doente.
Reiji abaixou a cabeça e franziu ainda mais as sobrancelhas, enfurecido.
— Agora terei um bastardo dentro desta casa.
Suas mãos tremiam enquanto cerrava os punhos, as lágrimas caíram sem que percebesse. Shuu o olhava e semicerrou os olhos, aproximando-se. Não lhe restava mais nada além de tentar consolá-lo. Ele pôs-se a sua frente e o abraçou com um dos braços.
— Eu sinto muito.
Reiji surpreendeu-se por um momento, confuso. Ele nunca lhe dera motivos para ser gentil consigo. Porém naquele momento de fúria e tristeza, Reiji apenas o abraçou forte, apertando a parte de trás de seu cardigã e dizendo:
— É tudo minha culpa.
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