Diabolik Lovers - União de Sangue
36 Capítulo 34: Nova residente na casa Mukami
Saki era nova como vampira. Algumas coisas ela esquecia, como a visível separação entre puros, mestiços e impuros. Alguns misturavam-se, como Ayato e Subaru com suas noivas, Sora e Yuka. Mas era algo raro, nem sempre se via puros e impuros caminhando juntos pelo colégio. E Yuma sempre explicava isso a ela ao se esquecer. Saki ainda parecia viver em sua antiga vida, onde todos eram iguais e havia poucos preconceitos. E com isso, Yuma passava bastante tempo com ela.
Na verdade, ele a achava bonita. Como sua paixão por Masami desaparecera, agora ele enxergava que Saki era como ele. Já foi uma humana e ainda tentava se acostumar com essa nova vida. Por mais surpreso que ele estivesse, Yuma via-se gostando de Saki rapidamente. Ela era diferente. Gentil, doce e sorria sempre. Ele gostava disso nela.
Os dois subiam as escadas do colégio, conversando.
— Saki. – disse ele com as mãos nos bolsos – Eu já vi você com as Takahashi. Como as conhece?
— Eu moro com elas.
— Eh? – ele a olhou, surpreso – Mas elas moram com os Sakamaki.
— Isso. – ela sorriu – Ahm... Como vou explicar? Minha transformação foi um pouco diferente e acabei sendo acolhida por eles.
— Surpreendente.
— Por quê?
— Não achei que eles fossem bons.
— Na verdade não converso muito com eles. São bem distantes, mas se aceitaram que eu pudesse ficar, então sou bem agradecida. – sorriu mais uma vez.
Yuma a observava, semicerrando os olhos.
— Sente falta de ser humana?
Ela abaixou o olhar por um momento.
— Sim. Mas mais por causa dos meus pais. Eles devem pensar que estou morta ou algo assim.
— Por quê?
— Hum. – ela sorriu sem jeito – É uma história um pouco longa.
Ele parou ao lado da janela em frente ao próximo lance de escadas.
— Estou ouvindo.
Ela o olhou, surpresa e enrubesceu.
— Tudo bem. – suspirou – No meu primeiro dia de aula, fui sequestrada. Bem, eu acho. Não me lembro de nada entre abril e setembro, apenas acordei na mansão Sakamaki. Pelo o que me explicaram, meu corpo era para servir de recipiente para outra mulher. Mas ela morreu e eu tomei meu corpo de volta. Acho que é isso. Mas eu iria morrer também se não fosse por Mana, ela pediu ao noivo dela que preparasse uma poção que me curou. Agora estou tentando entender como é viver... Assim.
— Que confusão. – ele franziu a testa, abismado.
Saki riu de repente, pondo a mão na barriga.
— Sua expressão é engraçada.
Ele elevou as sobrancelhas, vendo-a rir. Engoliu em seco, aproximando-se de repente e pondo-a contra a parede. Ela o olhou, surpresa.
— Yuma-kun?
Ele franziu levemente as sobrancelhas, aproximando o rosto de seu pescoço. Saki ruborizou excessivamente, todo seu rosto avermelhou-se quando ele beijou seu pescoço.
— Y-Yuma-kun, o que está fazendo? – gaguejou.
Ele afastou-se, olhando-a.
— Nunca foi mordida?
— Não que eu me lembre. – gaguejou.
— É como um beijo.
— E-Eh...?! Mas... Vocês fazem isso? Uns com os outros?
Yuma sorriu de forma maliciosa, aproximando-se mais uma vez e perfurando a pele de Saki com seus caninos, bebendo seu sangue. Ela torceu a expressão, segurando e apertando sua roupa. Yuma envolveu-a com seu braço, apoiando a mão na parede. Ela apertava os olhos, envergonhada. Mesmo não compreendendo o significado do ato, ela se mostrou envergonhada por tê-lo tão próximo de si. Yuma era alto, forte e deixava-a nervosa, o que a fazia corar. Mesmo tentando disfarçar, não conseguiu fazê-lo com ele bebendo seu sangue. Ofegava, envergonhada. Porém percebeu que de certa forma era prazeroso ouvi-lo.
Ao cessar, ele a olhou e viu-a com os olhos semicerrados e o rosto completamente ruborizado.
— Seu rosto... – disse em dúvida – Está todo vermelho.
Ela o olhou, despertando e arregalando os olhos. Gaguejou ao exclamar e correu, descendo as escadas.
— Saki! – chamou-a, vendo-a desaparecer – Está indo... Para o lado errado.
Yuma limpou os lábios, lambendo o dedo e olhando para onde ela fora, tracejando um sorriso ao passo que voltou a subir as escadas.
Após levar vários socos de Subaru, Kou esqueceu Yuka por um tempo. Nem tão cedo ela iria se aproximar dele e ele não desejava levar outro soco, então concentrou-se em receber a atenção das outras meninas que sempre o rodeavam. Elas perguntavam se ele estava bem depois do que houve. Kou apareceu repentinamente com o rosto machucado e mesmo tendo melhorado no mesmo dia, elas ainda falavam disso. Afinal, ele era famoso.
— Kou-kun, tem certeza que está bem? – perguntou uma garota de forma infantil.
— Eu estou bem, obrigada por se preocupar.
— Tem certeza? – perguntou a segunda – Se quiser posso dar meu sangue.
— Não, eu que vou dar! – exclamou a terceiro.
— Não, eu! – disse a quarta.
— Meninas, meninas! – Kou levantou as mãos – Eu sei que apenas desejam me ver bem, mas não posso me aproveitar de vocês.
— Kou-kun é tão cavalheiro! – exclamou a segunda.
— Tão gentil!
Ele sorriu, virando-se e despedindo-se ao dizer que precisava ir. Porém ao fazê-lo, esbarrou e derrubou uma menina. Kou olhou-a, percebendo o que fizera. Viu uma garota de olhos azuis e longos cabelos loiro-claro presos em um rabo de cavalo. Ele reparou no enfeite de seu cabelo ao lado do amarrado, uma borboleta azul.
— Sinto muito, me perdoe por derrubá-la. – ofereceu sua mão.
Ela o olhou, franzindo s sobrancelhas de forma aborrecida. Kou surpreendeu-se por sua expressão e a viu levantar-se sozinha, ignorando sua mão. Ela limpou a saia de seu uniforme, ajeitando seu blazer e pegando seu caderno do chão.
— Ayame Mei! – exclamou uma das garotas.
— A borboleta azul!
— Sim!
Kou as olhou em dúvida.
— Borboleta azul? – perguntou.
— Ela é uma famosa cantora e sua marca é a borboleta azul no cabelo.
Kou a olhou de forma surpresa, porém reparou em sua expressão aborrecida. Por mais que o tenha incomodado, ele manteve a postura sorridente.
— Que legal! – exclamou, animado – Quem sabe um dia não possamos cantar juntos?
Ela suspendeu uma das sobrancelhas.
— Não, obrigada.
— Eh?
Kou a olhou passar por si, ignorando-o completamente. Metade das meninas que estava com ele a seguiram, exclamando e dizendo que o último show dela foi incrível. Ele franziu as sobrancelhas, perguntando-se por que ela não ficou contente pelo convite?
No começo da semana seguinte, Ruki descobrira que Ayato e Sora haviam feito as pazes e estavam ainda mais próximos que antes. Ele não desgrudava dela de forma alguma e ela parecia gostar, sempre sorria quando ele a envolvia com o braço. Porém agora Ruki precisava pensar em uma forma ainda mais ofensiva para separar os dois. E agora mesmo que não fazia ideia do que fazer.
No intervalo, direcionou-se para a biblioteca. Apelaria para a ajuda de Arizu, mesmo que isso sufocasse por um momento seu ego e mesmo sabendo que ela se negaria. Ele precisava de qualquer ajuda para fazer Sora se apaixonar por ele. Ao adentrar a biblioteca, viu Arizu de costas, atrás do balcão. Ela arrumava alguns livros e a mesa logo atrás dela. Ruki aproximou-se, dizendo:
— É ridículo, mas preciso de sua ajuda.
Ela parou, mantendo-se de costas.
— Ayato e Sora fizeram as pazes e parecem ainda mais felizes. O que vou fazer?
Arizu encolheu os ombros.
— Ruki... Pode voltar depois? – disse quase em um sussurro.
Ele franziu a testa em dúvida.
— O que aconteceu?
— Nada.
— Então olhe para mim.
Ela abaixou a cabeça.
— Arizu, olhe para mim. – pediu mais uma vez.
Ao não ser atendido, Ruki deu a volta e entrou na parte de trás do balcão. Arizu encolheu-se, então ele segurou em seus ombros para virá-la. Ela tentou impedir, porém ele virou-a para si e viu um hematoma em seu rosto. Era como se tivessem lhe dado um soco. Ele arregalou os olhos, vendo sua expressão envergonhada.
— O que...? Quem fez isso?
Ela abaixou o olhar, não respondendo.
— Arizu! – Ruki exclamou, apertando seus ombros.
Ela exclamou de forma dolorida, fazendo-o soltá-la. Abraçou-se ao passo que seus olhos marejaram pela dor. Ruki a olhou de forma desconfiada, aproximando-se e segurando sua mão, levando-a para trás de uma das estantes. Ao se esconderem das vistas de qualquer um que pudesse entrar na biblioteca, ele disse:
— Quero ver suas costas.
Ela o olhou com a testa franzida.
— Não...
— Ou tira a blusa ou eu a tiro.
Arizu abaixou o olhar, virando-se e desabotoando seu colete. Ao tirá-lo, assim como a gravata borboleta, desabotoou a camisa e a abaixou, permitindo que Ruki visse suas costas. Ele arregalou os olhos, desconcertado. As costas de Arizu estavam repletas de hematomas. Ela encolheu-se enquanto ele a olhava. Vestiu-se novamente, voltando-se para ele.
— Por favor, não comente sobre isso. – ela pediu – Não é nada demais.
— Nada demais? – ele perguntou, estático – Estão batendo em você!
— Por favor, Ruki...
— Quem fez isso?
Ela desviou o olhar, balançando a cabeça. Ruki segurou em seus braços, fazendo-a olhá-lo.
— Quem foi, Arizu?!
— Não! – ela exclamou, chorando.
Ele a olhava de forma surpresa, rangendo os dentes.
— Vai melhorar até amanhã, sempre melhora. – disse ela.
— Sempre? Há quanto tempo está sendo surrada?
Ela manteve-se calada.
— É em sua casa, não é?
Ela negou com a cabeça, porém ele sabia que era.
— Me dê o endereço de sua casa.
— Não.
— Arizu, vai permitir isso?
— Você não sabe de nada, Ruki. Então não fale comigo como se se importasse. – ela franziu as sobrancelhas – Você quer acabar com o relacionamento de um casal por causa de uma missão estúpida.
— Isso é uma outra situação.
— Não importa! Você não se importa!
Ela franzia a testa.
— Agora, por favor, vá embora. – disse, voltando para o balcão.
Ruki abaixou o olhar, cerrando o punho e rangendo os dentes. Fora embora da biblioteca, porém não esqueceria isso. Descobriria quem estava maltratando Arizu e a arrancaria de lá. Após as aulas, Ruki pediu que seus irmãos fossem para casa sem ele, pois precisava resolver algumas coisas. Esperou por Arizu, escondido do outro lado da rua, e a seguiu quando a viu saindo do colégio.
Arizu pegara dois ônibus para ir para casa. E quando chegou, adentrou-a calmamente. Ruki observou a casa, era uma grande mansão e perguntou-se se Arizu era de alguma família rica, pois era óbvio pelo seu cheiro que ela era impura. Esperou alguns momentos e viu uma janela na lateral da mansão se fechar e a luz acender. Viu Arizu fazê-lo. Era realmente sua casa.
Ele caminhou até a porta, apertando a campainha ao se aproximar. Após alguns momentos, o atenderam. Ruki arregalou os olhos, quem o atendera fora Arizu, que usava roupas de empregada com seu cabelo amarrado em marias-chiquinhas. Ela arregalou os olhos, apreensiva.
— Ruki?
— Você é uma empregada? – ele perguntou em dúvida.
— Arizu!— chamaram-na – Quem é?
Um homem surgiu ao lado dela. Alto e com cabelos negros amarrados que chegavam até seus ombros. Ruki franziu levemente as sobrancelhas, ele não parecia ser um homem bom. Cheirava à lasciva. Arizu, por sua vez, confirmava o pensamento dele. Ela virou o rosto para o outro lado quando ele se aproximou, desconfortável com sua presença.
— Quem é você? Um estudante? – ele perguntou.
— Me chamo Ruki. Esqueci algo com Arizu na escola.
— Ei, Arizu, eu te disse para não trazer pessoas do colégio. – disse à ela – Permiti que estudasse, mas com a condição de manter os estudos na escola.
— Me perdoe, Hirokazu -sama. – disse ela com o olhar baixo.
Ruki franziu a resta.
— Você é...
— Meu nome é Minoru Hirokazu, senhor desta casa. Se quiser falar com Arizu, fale na escola. Aqui ela não é estudante, mas minha serva.
Ruki arregalou os olhos, vendo a porta se fechar para si. Ele foi embora, porém não conseguiu esquecer a expressão de Arizu. Ela estava claramente desconfortável ao lado daquele homem. Ele não era jovem e nem velho demais, porém mostrava-se imponente diante de sua posição. Ruki sentiu seu cheiro, ele era um puro, provavelmente de segunda classe.
Ruki voltou algumas horas depois e tocou a campainha, porém ninguém atendeu. Tocou mais uma vez, sendo ignorado. Escutou um som alto, vindo da lateral da mansão. Ao apressar-se até lá, viu a janela onde vira Arizu antes. Ruki escalou a árvore ao lado do lugar, chegando à janela e pulando até ela. Deparou-se com um quarto, provavelmente o quarto dela, e viu Hirokazu desferindo golpes em Arizu, que encolhia-se cada vez mais contra a parede. Ela usava apenas uma camisola e robe enquanto ele uma calça e blusa, que estava desabotoada.
— Lhe dei tudo! – ele gritava.
Ruki arregalou os olhos ao ver a cena, abrindo rapidamente a janela e invadindo o quarto. Empurrou Hirokazu para longe, ficando na frente de Arizu, que o olhou em dúvida.
— Não bata nela! – gritou Ruki.
— Quem pensa que é, moleque?! – exclamou – Acaba de invadir minha casa. Retire-se daqui!
— Não até levar Arizu comigo.
Ela arregalou os olhos, apertando o robe para cobrir-se. Hirokazu gargalhou, zombando de Ruki.
— Garoto, posso fazer o que quiser com ela. Ela é minha. Minha serva.
— Está agredindo-a.
— Dei tudo à ela e ela nunca me agradeceu! Merece apanhar por isso!
Ruki cerrou os punhos, pronto para atacá-lo, porém Arizu segurou em seu braço. Ele a olhou, confuso.
— Ruki, por favor, vá embora. – pediu.
— Mas...?
— Por favor, eu vou ficar bem.
Ela direcionava seus olhos cor de mel à ele, clamando com o olhar para que fosse embora. Ruki franziu as sobrancelhas, rangendo os dentes, porém o fez. Foi para casa, furioso por descobrir que Arizu apanhava de seu senhor. Não conseguia conter-se diante de algo tão desprezível. Então no dia seguinte, ele retornou.
Com roupas escuras e blazer cinza, ele chegou à casa de Hirokazu e tocou a campainha, sendo recebido por Arizu.
— Ruki? – ela estremeceu – Por favor, vá embora.
— Quero falar com Hirokazu.
— Por favor, chame-o de Minoru-sama ou Hirokazu-sama. Ele não gosta de informalidades.
— Quero falar com ele.
Ela assentiu, engolindo em seco e permitindo-o entrar. Ruki observou a casa. Era gigante e cheia de objetos de valor. Claramente Hirokazu era um aristocrata e ele odiava aristocratas. Arizu o conduziu até o escritório, abrindo a porta após bater.
— Hirokazu-sama, há alguém desejando vê-lo.
Ele levantou o olhar, sentado à sua mesa. Ao ver Ruki, franziu as sobrancelhas de forma aborrecida, porém o permitiu entrar. Arizu se retirou, hesitante e apreensiva quanto a deixá-los sozinhos. Após ela fechar a porta, Ruki aproximou-se da mesa, encarando-o.
— Então... O que o moleque que invadiu minha casa deseja? – perguntou Hirokazu.
— Arizu.
— O que? – ele riu – Não brinque comigo.
— Eu a quero, deixe-me levá-la.
— Me recuso, ela é minha.
Ruki franziu as sobrancelhas.
— Diga-me seu preço. – disse ele – Afinal, todos tem um preço.
Ele sorriu de forma maliciosa, recostando-se na grande cadeira acolchoada a qual sentava. Suspirou, pensando.
— Você é um garoto esperto. – disse ele – Realmente todos possuem um preço. Então, rapaz, diga-me por qual motivo quer tirá-la de mim?
— Não lhe interessam meus motivos, apenas me diga.
Ele sorriu.
— Não há preço. Ela é a minha mais preciosa serva e não vou deixá-la partir com um impuro imundo como você.
Ruki estreitou os olhos em sua direção. Pôs a mão dentro de seu blazer e retirou um envelope recheado, pondo-o sobre a mesa. Hirokazu pegou-o e o abriu, vendo inúmeras cédulas dentro do envelope e sorrindo maliciosamente em direção à ele.
— E então? – Ruki perguntou.
Hirokazu deixou uma risada escapar, assentindo.
— Pode levá-la, se é o que quer. – achou graça – Mas eu não paguei tanto por ela.
Ruki franziu as sobrancelhas, enraivecido.
— Arizu! – Hirokazu a chamou.
Ela adentrou o escritório, receosa quanto ao tempo que permaneceram trancados. Hirokazu sorriu em sua direção com os olhos semicerrados.
— Faça suas malas, pode ir com ele.
— Eh? – olhou-o, confusa.
Ruki caminhou em sua direção, segurando gentilmente seu braço e fazendo com que ela fosse para o quarto. Após fazer as malas, Ruki e ela foram embora da mansão. Ele a ajudou com suas malas, caminhando com ela até o táxi parado em frente à casa. Ao fechar a porta, Ruki disse o endereço ao motorista e foram embora. Arizu olhou para trás, ainda não compreendendo como seu senhor a deixara ir tão facilmente com Ruki.
Ao chegarem ao endereço dito, Arizu deparou-se com uma grande mansão. Ruki pegou suas malas e a conduziu para dentro, caminhando pelos corredores com ela. Ao passarem direto pela sala de estar, seus irmãos os notaram passar e se entreolharam em dúvida. Ruki, ao chegar em frente a uma porta de madeira escura, abriu-a e adentrou com Arizu. Ela observou o quarto, admirada pela cor turquesa e pelos móveis. Havia uma grande cama que parecia ser confortável, dois criados-mudos, uma cômoda e uma escrivaninha, além do armário embutido na parede.
Ruki pôs suas malas no chão ao lado da cama, olhando-a seriamente. Arizu olhou-o, dizendo:
— Eu... Não entendo. Como Hirokazu-sama permitiu que eu fosse embora? E por que você me trouxe pra cá?
— Essa é minha casa. – disse ele, explicando – E não precisava mais chamá-lo como Hirokazu-sama. Você não é mais serva dele.
— O que? – disse ela, surpresa – Mas eu... Eu ainda não entendo.
Ruki se aproximou, segurando gentilmente seus braços.
— Você não é mais serva de ninguém, Arizu. Você é sua própria dona.
Ela arregalou os olhos, surpresa. Ruki abaixou calmamente as mãos, sorrindo levemente.
— Bem, descanse. Amanhã vou apresentá-la aos meus irmãos.
— Você tem irmãos?
— Sim. Provavelmente já devem tê-la percebido na casa.
— Ruki, essa casa é sua?
Ele sorriu, achando graça por sua expressão surpresa.
— Sim. Somos impuros diferentes. Agora descanse.
Ela assentiu, ainda confusa. Ao direcionar-se e chegar à sala de estar, Ruki deparou-se com três olhares confusos. Ele suspirou por um momento, sabendo bem que várias perguntas seriam feitas. Ele explicou a situação aos irmãos, dizendo que a conheceriam na manhã seguinte. Os três surpreenderam-se com a atitude de Ruki, que não quis entrar em detalhes sobre o motivo. Mesmo que eles já desconfiassem.
Na manhã seguinte, Ruki caminhava pelo corredor em direção à sala de jantar, onde faziam as refeições. Pouco à pouco, seus irmãos surgiram ao seu lado.
— Explique de novo. – disse Kou – Ela vai morar com a gente?
— Sim. – ele respondeu – Ele é nossa convidada, irá morar conosco a partir de agora.
— Nossa convidada? Você quem a trouxe!
— Ruki, quem é ela? – perguntou Yuma.
— O nome dela é Arizu, ela é da escola.
— Você... Gosta dela? – perguntou Azusa.
— Por que estão me fazendo as mesmas perguntas de ontem? – disse ele – Já expliquei a situação e o por quê de ela ter vindo para cá.
Ruki parou em frente à porta, olhando-os. Os três o olhavam de forma surpresa, encarando-o. Ele franziu a testa, abrindo a porta dupla. Ao adentrarem, depararam-se com uma mesa repleta de pratos, arrumada para o café da manhã. Diversas porções de comida e cinco lugares bem arrumados com pratos, talhes e taças de vidro.
— Nossa! – exclamou Kou – Quanta comida! Parece tudo delicioso!
— Segura a boca, esfomeado! – exclamou Yuma.
Ruki olhava tudo aquilo, surpreso e estático.
— Ruki... Você quem... Preparou? – perguntou Azusa.
— Ahm...? Não.
A porta no fim do cômodo se abriu e Arizu adentrou a sala segurando dois pratos com peixes fritos e ovos tanto cozidos como fritos, aproximando-se da mesa e arrumando-os sobre a mesma. Ela usava um vestido roxo de mangas curtas e fofas com um cinto lilás no quadril. Seu cabelo estava solto, as pontas enrolavam como sempre. Percebeu os meninos na sala e sorriu.
— Bom dia.
— A-Arizu? – disse Ruki – O que é isso? Eu disse que não era mais serva de ninguém.
Ela sorriu, contente.
— Eu sei. – disse – Acordei mais cedo e preparei tudo. Gostaria de agradecê-los por me deixarem ficar aqui. Ruki disse que eu os conheceria hoje. Me chamo Kohaku Arizu. – curvou-se diante deles – É um prazer conhecê-los.
Os três surpreenderam-se. Yuma franziu a testa, Azusa olhava-a e Kou não compreendia a formalidade, porém estava feliz pela mesa estar repleta de comida. Arizu endireitou-se, sorrindo levemente. Enquanto eles tentavam compreender o que afinal estava se passando, perceberam Kou atacando um dos pratos.
— Kou! Seu esfomeado de uma figa! – exclamou Yuma, indo para cima dele – Tem outras pessoas para comer. Isso tudo não é seu prato! – segurava-o.
— Arizu-chan, já gosto de você! – Kou exclamou.
Ela sorriu, surpresa e achou graça. Eles pareciam ser diferentes e bem unidos com o mínimo que percebera até o momento. Ruki a olhava, vendo seu sorriso. Tracejou um suave sorriso no rosto enquanto Azusa direcionava-se para seu lugar.
— Me largue! Quero mais! – exclamava Kou.
— Nada de brigas à mesa. – disse ele, tornando-se sério – Quantas vezes tenho que dizer?
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