Diabolik Lovers - União de Sangue

24 Capítulo 23: Cordelia - parte II


Cordelia afastou-se receosamente ao ouvir Richter contar seu real plano, recuando enquanto o olhava de forma desconcertante. Rin sorriu maliciosamente, então o tal despertar ainda não havia ocorrido. Masami a olhava fixamente, observando seus movimentos.

— Você planejou isso desde o momento em que lhe confiei meu coração? – perguntou ela.

— Você só percebeu isso agora? – disse Richter, olhando-a – Não é você que está me usando. Eu é que estou usando você.

Cordelia pôs a mão no coração, sentindo algo. Masami atentou-se, franzindo as sobrancelhas.

— Idiota... – disse ela – Agora não...

— Ah... – Richter sorriu – A garota está tentando retomar o controle. Esforce-se para mantê-la longe se quer este corpo.

Ele agarrou-a e mordeu-a dolorosamente. Cordelia arregalou os olhos, gritando. Seus olhos mudaram de cor por um momento, tornando-se pretos por poucos segundos. Assim como sua voz, que também mudou como se outra pessoa estivesse gritando.

Richter largou-a, limpando os lábios. Ela caíra ajoelhada no chão, gritando com a mão na cabeça, até que deitou no chão de forma agonizante, pondo a mão no peito enquanto encolhia-se.

— Então esse é o tal despertar ao qual me falou. – disse Masami.

— Sim. – respondeu Shuu.

— Pensei que não era para deixarmos isso acontecer.

— Sim... Mas sei que notou que algo está acontecendo.

Masami voltou-se para ela, que contorcia-se.

— Elas estão lutando para controlar o corpo. Mas quem vai conseguir?

— A garota deve ser forte, porém Cordelia ainda está dentro dela.

Masami abaixou o olhar, pensando. Levantou-se, caminhando até Ayato, que a olhou em dúvida ao aproximar-se de sua orelha. Ela sussurrou algo, fazendo-o arregalar os olhos e sorrir de forma surpresa.

Masami caminhou até a frente, olhando Richter enquanto Ayato aproximava-se de Subaru.

— Pensei que seria mais forte. – disse ela, inexpressiva – Mas está apenas assistindo a uma mulher agonizar.

— Ponha-se em seu lugar, Takahashi. – exclamou ele – Uma pura de segunda classe não me fará sentir-me receoso.

Masami semicerrou os olhos, sorrindo suavemente.

— Tudo bem. – recuou, juntando-se aos outros.

Richter arregalou os olhos ao notar o silêncio, virando-se para a garota e vendo Ayato pegá-la no colo, desaparecendo com ela e reaparecendo no primeiro lance da escada. Ayato empunhou a faca de Subaru, olhando para a garota com os olhos semicerrados. Todos arregalaram os olhos, ouvindo Richter gritar. Ayato perfurou o peito dela, acertando seu coração.

Ao fazê-lo, olhou para frente, Richter agora estava no andar debaixo com uma espada na mão.

— Tolo! Como se atreve?! – exclamou.

— Me atrevendo. – disse Ayato.

— Vou destruí-lo! – gritou enfurecido, levantando a espada, porém arregalando os olhos ao sentir algo o perfurando.

— Por favor, morra logo. Eu quero ir para o quarto. – disse Reiko.

Ayato arregalou os olhos. Ao vê-lo virar-se para Reiko, viu uma perfuração nas costas do tio, que olhou para ela, notando seu olhar apático.

— Maeda... Reiko... A garota... Que matou o próprio pai...

— É falta de educação expor um segredo dessa forma.

Richter olhou para a faca, arregalando os olhos.

— Não...

Reiko olhou sua faca.

— Sim. Prata. Por favor, morra logo. – disse ela, golpeando rapidamente seu coração.

Ele arregalou os olhos mais uma vez, cuspindo sangue e recuando, vendo Reiko e seu olhar inexpressivo. Richter caiu no chão, pouco a pouco tornando-se pó ao desintegrar-se. Ayato franziu a testa, vendo Reiko aproximar-se do que restou de Richter e pegar sua faca ao lado da espada. Kanato aproximou-se dela, dizendo:

— Entendo por que a guarda na manga.

— Obrigada. – ela sorriu suavemente.

— É literalmente uma carta na manga. – disse Laito, achando graça.

— Essa eu não esperava. – disse Rin, entediada – Até que foi rápido.

Sora fitou Ayato, que sorriu em sua direção, porém atentou-se a um som, olhando para a garota que ainda estava em seus braços.

— Ela está viva? – surpreendeu-se.

Mana apressou-se, aproximando-se dele ao passo que Reiji caminhou calmamente.

— Sim, está. – disse ela ao tocar seu pulso e ver sua expressão tornando-se dolorida.

— Vou cortar a cabeça dela. – disse Ayato, aproximando a faca.

— Espere um minuto. – falou Reiji, segurando o rosto dela e abrindo sua boca – Ela está se transformando, as presas já surgiram.

— Como isso é possível? Nenhum humano jamais...

— Talvez ela seja diferente. – falou ele, abrindo um de seus olhos e vendo-o preto – Ela se foi, não é mais Cordelia. Mas ela logo vai morrer de toda forma, o coração está danificado.

— Ajude-a, Reiji. – pediu Mana – Com o que deu à Yuka.

— É preciso sangue de um puro.

— Eu dou o meu se precisar.

Ele franziu a testa.

— Mana, tem certeza? – perguntou Masami, aproximando-se.

— Tenho! – exclamou ela – A culpa não é dela. Aquela mulher estava controlando esse corpo!

— Ela tem razão. – disse Masami à ele – A garota não tem culpa.

Reiji assentiu, retirando-se. Preparou a poção em seu laboratório, esperando que desse certo, já que a garota encontrava-se em uma situação completamente diferente de Yuka. Estava ferida, porém o processo de transformação começara graças à Richter e ela possuía o coração de Cordelia.

Ao voltar para a sala de estar, viu todos próximos da jovem, que foi posta por Ayato no sofá. Ela tremia e tornava-se cada vez mais pálida enquanto gemia de dor.

— Deve ser bem doloroso. – comentou Kanato.

— Não sabia que um humano poderia se transformar em vampiro desta forma. – disse Sora.

— Ela deve ter sido a escolhida, porém mesmo com o coração de Cordelia, Richter morreu. Ele quem o fez, então não se sabe se ela despertará os poderes de um puro de primeira classe.

— Provavelmente não. – disse Reiji ao se aproximar – O coração daquela mulher está danificado e Richter morreu. O mais provável é que se torne uma simples vampira impura.

Mana aproximou-se ao vê-lo. Ele deu um bisturi à ela, que cortou a mão e derramou seu sangue dentro do frasco. Reiji balançou-o, vendo a cor púrpura mais uma vez surgir e explicando à ela que a personalidade da garota e a dela se misturariam, o que faria a jovem ter um pouco de sua personalidade por alguns dias. Ele aproximou-se da garota e abriu sua boca, despejando o líquido.

— Pronto.

— Da última vez demorou alguns segundos. – disse Subaru.

— Jura? – perguntou Yuka.

— Hum.

Mana aproximou-se, sentando ao lado dela no sofá. Foram longos os segundos para ela enquanto via a jovem sofrendo. Porém ao cessar o tempo, Mana notou a perfuração da faca fechando-se e cicatrizando. Sorriu para Reiji, que a olhou de forma contente. A jovem abriu vagarosamente os olhos, primeiramente olhando para o teto e depois para Mana ao notá-la ao seu lado.

— Quem é você? – perguntou docemente.

Sua voz era suave ao contrário da voz irritantemente sedutora de Cordelia.

— Oi, você está bem?

— Eh? – a olhou em dúvida, sentando-se e olhando para todos na sala, além do próprio cômodo – Onde... Eu estou?

— Na mansão Sakamaki. – disse Reiji – Poderia nos informar seu nome?

Ela encolheu-se ao olhá-lo.

— Eh... É Saki. Onde fica isso? Hoje é dia 12 de abril, né?

— Abril? – perguntou Rin.

— Estamos em Setembro. – disse Reiko.

— Eh?!

— Permita-nos explicar o ocorrido. – disse Reiji.

Saki olhou-o, assentindo. Cada um, pouco a pouco, explicava à jovem que ela havia sido vítima de um plano do tio deles, que planejava tomar o trono do pai deles, o rei vampiro. Inicialmente, ela riu ao ouvir a palavra vampiro, porém Rin pegou seu espelho de bolso e deu à ela. Ao olhar-se em seu reflexo, arregalou os olhos. Estava muito mais pálida e viu que em sua boca havia presas no lugar dos caninos. Seus olhos marejaram, não querendo acreditar que aquilo estava acontecendo consigo.

— Não... – uma lágrima escorreu – Mas eu... Eu estava indo para a escola, era meu primeiro dia. – olhou para Mana.

— Sinto muito. – disse ela, segurando sua mão.

— E meus pais? Eles estão me procurando? Estão me procurando aqui em Kyoto?

— Kyoto? – disse Laito – Estamos em Tokyo.

— O que... – ela o olhava, as lágrimas escorriam.

Saki abaixou o olhar, percebendo com que roupa estava.

— Eu... Eu preciso ir para casa. Eu preciso voltar.

— Não pode voltar. – disse Reiji, fazendo-a olhá-lo – Se for para casa e sentir o cheiro de sangue, matará qualquer um que se aproximar. Ou até perseguirá a presa.

— Eu não sou uma vampira! – ela exclamou, amedrontada – Eu não sou isso...

— Agora você é.

Saki o olhava, engolindo em seco e segurando firme a mão de Mana.

— Posso colocá-la no quarto ao lado do meu, Reiji? Não há ninguém lá. – perguntou Mana – Melhor deixá-la se acalmar e amanhã explicaremos melhor o que ela é agora.

Ele a olhou, pensando.

— Tudo bem.

Mana levou Saki até seu novo quarto, emprestando uma de suas camisolas. Ela deitou-se, chorando e conversou um pouco com Mana, que a acalmava aos poucos. Perguntou de forma curiosa por que havia tantos casais na casa. Mana sorriu e explicou a situação das noivas, deixando-a surpresa. Ela, porém, voltou a chorar ao lembrar-se dos pais, que nunca mais veria.

Após Saki dormir, uma hora depois, Mana direcionou-se para o quarto de Reiji, batendo em sua porta e entrando com sua permissão. Ele usava apenas seu colete e sua camisa branca, que estava ligeiramente desabotoada.

— Saki dormiu.

— E o que pretende? – perguntou ele, guardando seu blazer no armário.

— Eh?

— O que pretende fazer com ela? Ela ficará aqui? Irá para o colégio conosco?

— Eu pensei que... Iria me dizer o que fazer.

— Salvá-la foi escolha sua, então esta decisão cabe a você.

Mana abaixou o olhar, assentindo.

— O que Cordelia quis dizer sobre sua mãe?

Ele a olhou, franzindo a sobrancelha.

— Não quero discutir esse assunto.

— Ela não amava você? Ou você acha que ela não o amava?

— Pare de fazer perguntas, por favor.

— Então me responda. O que isso tem de difícil?

— Fique quieta! – Reiji gritou.

Mana estremeceu, olhando-o. Ele nunca gritara com ela antes. Reiji estava enfurecido e ofegante. Virou-se, recompondo-se.

— Eu apenas queria saber mais sobre você.

— Calada.

— Reiji...

— É tão difícil você se manter calada?

— Como ela morreu?

Ele virou-se para Mana, furioso por ela continuar falando. Porém a viu com o olhar severo em sua direção.

— Aquela mulher disse aquelas coisas para lhe ferir, isso é óbvio. Mas por que falou sobre a morte de sua mãe e em seguida disse que tocava em um ponto fraco?

— Não sabe o que pensa.

— Eu lhe disse aquela vez que não era burra, então me responda. – disse ela, temendo pela resposta.

Reiji franziu a testa, retirando os óculos e apertando levemente seu cenho. Ao cessar, manteve o olhar baixo.

— Eu desejava apenas que ela me reconhecesse. Então contratei alguém que a matasse.

— Mas?

— Não há “mas”. – disse ele, olhando-a – Eu a odiava.

— Reiji...

— Ela morreu... Tão em paz. Isso era a última coisa que eu desejava.

Mana abaixou o olhar, pondo a mão sobre a boca. Reiji aproximou-se, pondo as mãos em seus ombros, porém ela se afastou.

— Você ouviu... – ela relembrava – Você ouviu o que eu disse sobre minha mãe e como eu queria fazer diferente, e não me contou que havia matado sua própria mãe!

— Eu já expliquei a razão.

— Por acaso passou por sua cabeça que ela não conseguia demonstrar as emoções tanto quanto você?!

Reiji surpreendeu-se.

— Acalma-se, por favor.

— Não! Não, não, não! Chega de me acalmar, chega de ficar calada quando me pede! – pôs a mão na cabeça por um momento – Então é assim que será? – olhou-o – Se algum filho nosso não receber a atenção que quer, ele vai me matar?

— Esperava que estivesse planejando o que escreveu no diário. Se diz desejar ter uma grande família...

— Grande família? – interrompeu-o – Não sei nem mais se quero ter filhos com você!

Reiji franziu a testa, surpreso.

— Mana.

— Não diga meu nome! – disse ela – E o que foi aquilo? O que foi aquilo! Você beijou aquela mulher! Você a beijou na minha frente!

Ele abaixou o olhar, franzindo levemente as sobrancelhas. Mana esperou por uma resposta, porém não a teve. Seus olhos marejaram, o que a fez sair de seu quarto. Não queria que ele a visse chorando.

Reiji levantou o olhar. Todos haviam acabado de resolver uma situação, porém agora ele precisava resolver o próprio problema.