Alguns dias após a notícia desagradável de Shin, Rin começou a desconfiar de que Mana realmente houvesse dormido com Carla. Ela não acreditava que Mana poderia ser tão estúpida. Estava facilitando completamente o plano deles de usá-la para terem filhos. Porém ela teve a chance de tirar essa dúvida de sua mente quando Mana a visitou. Ela adentrou o quarto com um prato do jantar e sorriu em sua direção. Parecia feliz, diferente daqueles dias em que esperava por Reiji. Rin surpreendeu-se, ela havia realmente desistido de ter esperanças.

— Trouxe esse prato pra você. – disse Mana, docemente, pondo-o sobre a mesa – Você está bem?

— Estou. – disse ela, rígida – Aquele imbecil ainda tenta dormir comigo, mas joguei o criado-mudo nele hoje. Acho que não vem até amanhã.

Mana franziu a testa, sorrindo sem jeito.

— Estou tentando falar com Carla sobre isso, mas ele ainda diz que Shin quem deve decidir. Porém acredito que ele não deseje mantê-la aqui.

— Claro, ele não pode me usar para nada.

Mana a olhou de forma surpresa, abaixando o olhar.

— Não fale assim. – pediu.

— Por que não? – Rin perguntou de forma irritada, aproximando-se – Acha que eu não sei que está dormindo com ele?

Ela a olhou, surpresa.

— Quem...?

— Shin, claro! Aquele pirata imbecil!

— Nós... Ahm...

— Você desistiu! – Rin exclamou – Desistiu completamente! Como pôde fazer isso?! Você é tão idiota quanto eles!

— Por favor, não fale isso!

— Por quê?! – ela gritou – Se apaixonou por acaso?!

Mana hesitou, olhando-a de forma apreensiva. Rin franziu a testa, surpresa. Não conseguia acreditar.

— Você realmente se apaixonou por ele? – perguntou – Ele sequestrou a gente! Ele está apenas usando você!

— Pare com isso!

Rin desferiu um tapa repentino no rosto de Mana. Ela sentiu a ardência e pôs a mão na bochecha, voltando-se para Rin com os olhos marejados. Ela a olhava, irritada.

— Você é fraca. – disse Rin, severamente – Eu sei que Laito vai vir me buscar. – seus olhos marejaram – Você é fraca.

Mana franziu as sobrancelhas e virou-se, saindo do quarto. Bateu a porta, mantendo-se parada no corredor ao fazê-lo. As lágrimas escorreram por seu rosto, ela abaixou a mão e percebeu que Rin tinha razão. Ela fora fraca, desistira de Reiji por achar que ele não a amava realmente. Mas ele a amava? Afinal, Reiji nunca dissera isso à ela.

Algumas semanas se passaram e logo completou três meses desde que Rin e Mana haviam sido levadas da mansão Sakamaki. Mana já não visitava mais Rin em seu quarto, tinha receio de ouvir mais coisas como aquelas e dela lhe bater mais uma vez, dizendo que era fraca e estúpida. Mana sabia disso, sabia que ela era estúpida por se apaixonar tão rápido. Mas ela realmente sentia algo por Carla e sabia que ele sentia algo por ela. Era diferente, um amor diferente.

Durante aquele mês de tentativas, Mana continuava a dormir com Carla. Dormiam juntos quase todos os dias e em todas as vezes, ele a beijava intensamente enquanto estava sobre ela ou ela sobre ele. Carla pegava-se pensando em Mana quando não estava com ela e em seu sorriso quando se direcionava para seu quarto. Ele sempre franzia as sobrancelhas, dizendo para si mesmo que era estúpido pensar dessa maneira. Ela era apenas um meio dele e de seu irmão terem filhos. Porém quanto mais pensava nisso, mais desejava que o momento em que Shin tivesse que fazê-lo não chegasse.

Mana possuía agora total liberdade para circular na mansão Tsukinami. Ela passava o dia na biblioteca ou no jardim quando não estava com Carla. Porém um dia por curiosidade, entrou em um dos quartos e abriu algumas gavetas, descobrindo uma antiga câmera fotográfica. Era diferente, um pouco antiga. Ao virá-la para si, apertou acidentalmente o botão e uma foto sua foi tirada. Ela fechou os olhos por causa do flash repentino e afastou-a de si. Porém ao abrir os olhos, notou que uma foto havia saído da parte inferior da câmera. Pegou-a, olhando-a em dúvida e vendo que uma imagem sua surgia. Ela sorriu, surpresa. Já vira câmeras fotográficas assim, porém nunca uma tão antiga.

Mana direcionou-se até o jardim, mexendo na câmera e vendo que havia bastante papel para fotos. Aproximou-a do rosto, vendo o jardim através da lente e tirando uma foto. Pegou-a, balançando o papel e vendo a imagem das flores surgindo. Mana tirou diversas fotos naquela tarde. Mais fotos do jardim e das flores, da mansão, entrada, muros e árvores.

Ao sentar num banco de cimento do jardim e pôr a câmera ao seu lado, passava uma a uma as fotos que tirou, sorrindo suavemente. Carla adentrou o jardim, vendo-a ao longe e franzindo a testa ao se aproximar.

— O que está fazendo?

Ela o olhou, sorrindo.

— Achei essa câmera num dos quartos e tirei algumas fotos.

— Parece uma criança com um brinquedo novo. – disse ele, sentando ao seu lado.

Mana lhe lançou um olhar. A parte inferior de seu rosto estava coberta pelo cachecol, porém Carla sorriu suavemente. Ela pegou discretamente a câmera e aproximou-a do rosto, tirando uma foto dele. Ao olhá-la, Mana tirou mais uma foto e Carla franziu as sobrancelhas.

— Pare com isso.

Ela tirou uma foto novamente e ele tirou a câmera dela, pondo-a no banco.

— Desculpe. – ela sorriu – Tire uma foto comigo. – pediu.

— Não.

— Por favor.

— Não.

— Carla.

— Eu sei que você não é surda. – ele franziu a testa – Por quê?

— Porque eu quero. – disse ela, simplesmente.

Carla desviou o olhar, impaciente. Mana se aproximou, sentando ao seu lado e pegando a câmera. Virou-a para os dois e sorriu, tirando uma foto. Quando a balançou e olhou-a, viu Carla olhando para o lado.

— Eu quero um sorriso. – ela disse, olhando-o e mostrando a foto.

— Eu não sorrio.

— Ah, você sorri. – achou graça – Quando estamos no seu quarto e eu desço até...

— Aquilo não é um sorriso. – disse ele, interrompendo-a.

— Parece. – ela sorriu, cruzando os braços.

Carla abaixou o olhar, franzindo levemente as sobrancelhas e abaixando o cachecol. Mana sorriu e posicionou-se, tirando mais uma foto. Dessa vez Carla olhou em direção à câmera, porém não sorria e parecia envergonhado enquanto franzia a testa. Mana sorriu, contente por ele ao menos tentar.

— Obrigada. – beijou sua bochecha.

Carla surpreendeu-se, porém acalmou o olhar em seguida e sorriu suavemente. Mana aproveitou o momento e tirou rapidamente uma foto antes que ele desfizesse o sorriso. Ele o desfez, surpreso, porém Mana disse:

— Consegui. – balançou a foto, vendo a imagem surgindo.

Mesmo franzindo as sobrancelhas levemente, ele pôs a mão em sua nuca e a fez olhá-lo, beijando-a. Mana semicerrou os olhos, fechando-os ao corar. Os lábios de ambos moviam-se em sintonia, os dois permaneceram sentados no banco por mais alguns momentos.

Naquela noite, Carla e Mana foram para o quarto dele e beijavam-se naquele momento após dormirem juntos. Estavam debaixo das cobertas, abraçando-se e ele pondo-se sobre ela.

— Preciso dizer algo... – disse ela, sendo beijada – Não disse mais cedo...

— Depois...

Carla pôs-se entre suas pernas, adentrando-a calmamente mais uma vez e movimentando-se, vendo-a arquejar. Mana enrubesceu, sentindo-o mais uma vez dentro de si e vendo-o virar-se, colocando-a sobre ele e deitando-se. Ela desviou o olhar, envergonhada. Ele segurou sua cintura, passando a movimentá-la. Mana apoiou as mãos no colchão, movimentando seu quadril e vendo como ele a olhava. Beijou seu pescoço, ouvindo-o ofegar e conter os gemidos. Carla envolveu-a com os braços, girando-a e pondo-se sobre ela, apoiando as mãos e dobrando os joelhos, adentrando-a com força e olhando seus seios balançarem. Mana deixava o ar escapar, gemendo e apertando os lençóis. Olhava sua expressão fixamente, vendo como mudava quando faziam amor.

Carla semicerrou os olhos, sentindo-a completamente e apertando os olhos ao fechá-los após sentir o ápice se aproximar. Abaixou a cabeça e arquejou, parando lentamente de se mover quando chegou. Mana o sentia pulsar dentro de si, ofegando e contorcendo-se. Carla permaneceu sobre ela por alguns segundos, deitando em seguida. Ela acalmava a respiração, cobrindo-se e olhando-o. Deitou de lado, pondo o braço sobre seu abdômen e a mão sobre seu hematoma. Ele a segurou, tirando-a dali. Mana semicerrou os olhos, sabia que era desconfortável para ele.

— Desculpe.

— Hum. – disse sem olhá-la – Tudo bem.

— Você está bem? – ela perguntou – Estamos fazendo isso quase sempre. Não é um esforço?

— Estou bem.

— Carla...

— Eu estou bem. – disse ele, olhando-a de maneira um pouco mais rígida – Pare de perguntar isso.

Mana abaixou o olhar, pensando em outra coisa. Desde que haviam começado a fazer sexo, ela não menstruava fazia um mês.

— Pode... – hesitou – Comprar um teste de gravidez pra mim?

Ele atentou-se, olhando-a novamente.

— Também acho. – confessou.

Ela o olhou de forma surpresa.

— Como?

— Sinais sutis, mas não tenho certeza. Há um teste no banheiro, debaixo da pia.

Mana enrubesceu.

— H-Hum. – assentiu.

Ela se sentou e vestiu uma camisa de mangás compridas de Carla. Direcionou-se para o banheiro, fechando a porta e pegando o teste ao achá-lo. Tirou-o da caixa e leu as instruções, fazendo o que diziam. Sentou-se na borda da banheira, esperando. Como era um teste diferente, a resposta apareceria no visor. Ela fechou os olhos, respirando fundo.

Ao passarem os cinco minutos, respirou fundo mais uma vez e abriu os olhos, que marejaram ao fitar o visor. Ela levantou e saiu do banheiro com o teste na mão, vendo Carla sentado na cama com o quadril e pernas cobertos pela colcha. Ele a olhou, vendo sua expressão e semicerrando os olhos de forma decepcionada, perguntando:

— Errei?

Mana fitou o visor mais uma vez, olhando-o em seguida.

— “Grávida”. – disse – Quatro semanas.

Ele arregalou ligeiramente os olhos. Havia visto alguns sinais em Mana, porém não acreditou realmente que levaria tão pouco tempo para ela engravidar. Ele a escolheu por ser a mais pura da mansão para que seu sangue não fosse tão misturado, porém sabendo dos riscos em relação à possível demora na concepção.

Mana sentou ao seu lado, mostrando o teste. Ele o pegou, lendo o visor em dúvida.

— Você é realmente pura de segunda classe? – perguntou.

— Sim... – gaguejou – Por quê?

— Não deveria engravidar tão rápido. – ele pensou, franzindo levemente as sobrancelhas – Provavelmente deve ser bem fértil.

— H-Hum. – ela assentiu timidamente – Minha irmã engravidou logo após o casamento.

— Logo após?

— É. – ela recordou – Pelas contas que fez, acho que duas semanas depois.

— Isso é incomum.

— Mas... É bom. Não é? – perguntou, nervosa.

— É de fato excelente. – ele sorriu, pegando-se sorrindo.

Mana deixou um sorriso escapar, beijando sua bochecha.

— Você realmente estudou sobre os sinais e sintomas, né? – perguntou.

Ele não respondeu, desviou o olhar de forma séria e envergonhada, dizendo:

— Comprei o teste quando notei as mudanças, mas não acreditei que estaria realmente.

Mana deitou, sorrindo e abraçando o travesseiro. Carla olhou-a, vendo seu sorriso.

— Né? – ela cantarolou, fitando-o – Vamos ter um filho.

Ele assentiu com a cabeça, sorrindo suavemente e voltando-se para frente. Mana fechou os olhos, feliz. Carla, porém, abaixou o olhar. Não contara à ela, mas há algumas semanas, ele começara a piorar. Sua doença se tornara mais agressiva, porém conseguia esconder de Mana. Mas agora ao perceber que realmente teria um filho, precisava pensar rapidamente sobre o que precisaria fazer. Pois ele sabia. Carla morreria em breve.

Alguns dias depois, Carla estava no grande jardim na companhia de Shin. Próximos da entrada, eles conversavam sobre o futuro e como em alguns anos estariam à caça do rei. Shin esboçou um sorriso animado, em breve tomariam o poder que lhes pertencia por direito. Carla fitou-o por um momento, voltando-se para frente. Metade de seu rosto estava coberto pelo cachecol e seus braços estavam cruzados enquanto pensava.

— Como está indo com Mana? – perguntou Shin, olhando-o – Eu vi que ela achou uma câmera fotográfica.

— Hum. – assentiu – Ela tira foto de tudo. Até mesmo de mim enquanto estou dormindo.

Shin achou graça. Carla mantinha seu olhar fixo sobre o jardim, e disse:

— Ela está grávida.

— Eh?! – ele surpreendeu-se – Já? Nossa!

— Hum.

— Então em poucos meses vai nascer.

— Provavelmente na primavera.

— Nossa! – ele sorriu, animado – Parabéns, Nii-san! Bem, parece que logo será minha vez.

Carla manteve-se em silêncio, porém repentinamente disse:

— Como trouxe aquela garota conosco, creio que o melhor seja você ter um filho com ela.

— O que? – Shin olhou-o – Rin?

— Sim.

— Ela não me deixa tocá-la. A única vez foi quando ela estava dormindo e sonhando com o Sakamaki, mas logo acordou. E ela não é como Mana.

— Pela linhagem dela, tentaram purificar seu sangue de geração em geração. Ela é tão pura quanto Mana.

— Nii-san... O plano era Mana.

— Calado. Você não vai tocar nela. – Carla o olhou, estreitando os olhos.

Shin franziu a testa, acatando, porém desconfiando do próprio irmão.

— Não quer que meus filhos sejam tão fortes como os seus ou...?

Carla o olhava, franzindo as sobrancelhas.

— Não poria nosso plano em risco por futilidades. – disse ele.

— Então se apaixonou por ela.

— Não diga tolices.

— Então me deixe dormir com ela. – disse Shin.

— Está me desafiando?

Shin franziu levemente as sobrancelhas, desviando o olhar. Ambos ouviram passos e olharam para trás, vendo Mana aproximar-se com um suave sorriso no rosto. Shin voltou-se para a entrada, subindo os degraus e passando por ela, percebendo que ficara desconfortável com seu olhar.

— Pare de me olhar assim. – disse ele – Não vou mais dormir com você.

Mana o seguiu com o olhar, surpresa e vendo-o adentrar a mansão. Voltou-se para Carla e desceu os degraus, pondo-se a sua frente.

— O que ele quis dizer? – perguntou em dúvida.

— Shin não vai mais ter um filho com você.

— Eh? Mas... Então... Rin?

— Sim.

— Mas ela nunca vai permitir. Por que não a deixa ir e escolhe outra garota que venha por vontade própria?

Ele não respondeu, apenas se voltou para frente. Mana abaixou o olhar, frustrada. Carla era parecido com Reiji em algumas características, porém um pouco pior em relação à expor o que pensava e responder às suas perguntas.

— Carla. – chamou-o, docemente.

Ele a olhou, notando sua calma expressão, porém com um pouco de apreensão.

— O que quer que eu faça? – ela perguntou – Quando ele nascer. Porque um dia você... Sabe. – desviou o olhar, entristecida.

Carla a observava. Mana estava completamente disposta a ajudá-lo com o que planejava, porém triste por saber que algum dia ela precisaria cuidar de tudo sozinha.

— Shin a ajudará. – disse ele.

— Mas você reclama dizendo que ele é impulsivo. Como vai me ajudar?

— Creio que um dia ele seja tão racional quanto eu. – pensava – Tenho esperança.

Mana abaixou o olhar por um momento.

— Você... Quer mesmo vingança? – perguntou.

Carla atentou-se à ela, prestando atenção.

— Desperdiçar o tempo que lhe resta com vingança... – semicerrou o olhar, entristecida – Gostaria que pudesse aproveitá-lo.

Ele desviou o olhar, fitando as flores.

— Minha raça necessita de mim, assim como minha família. – explicou – E após conseguirmos, vocês ficarão bem. As mansões e tudo o que contêm nelas pertencerá a você e a ele, além de Shin.

Ela surpreendeu-se e abaixou o olhar, compreendendo.

— Pensei que tivesse sido infectado por causa do seu pai.

— Isso não importa. O sangue está acima de tudo.

Mana olhou-o e aproximou-se, ficando à sua frente e abraçando-o. Carla elevou as sobrancelhas, surpreso, pondo as mãos em suas costas e semicerrando os olhos. Por um momento pensou no que Mana dissera. Valia à pena desperdiçar o tempo que lhe restava? Ele sabia que possuía pouco tempo, porém mesmo assim possuía um forte senso de dever com os Primeiros Sangues. Deveria fazer isso e o faria, porém não abandonaria Mana e seu filho dessa forma.

No dia seguinte, Carla despertou e levantou, vestindo-se e fitando a escrivaninha em seu quarto. Pensou por um momento e olhou para Mana, que estava nua debaixo das cobertas e ainda dormindo. Observou-a, semicerrando o olhar e lembrando-se do que ela lhe dissera. Sentou-se na cadeira em frente à escrivaninha, pegando alguns papéis de carta e uma caneta. Começou a escrever as instruções sobre o que seu filho deveria fazer quando crescesse para tomar o trono ao lado de Shin.

Na metade da carta, Carla hesitou e apertou fortemente a caneta, franzindo as sobrancelhas. Por um momento sentiu raiva, Mana realmente mudara seus pensamentos. Ele agora pensava em como seria ver sua barriga crescer a cada mês e presenciar o nascimento de seu filho. Conseguiria viver até tal momento? Conseguiria vê-lo crescer ou ao menos vê-lo nascer? Carla tinha receio de que nem a barriga de Mana crescendo ele conseguiria presenciar. Abaixou o olhar por um momento, tal sentimento lhe veio subitamente e fazia com que sofresse. Ele agora desejava apenas poder ter um dia seu filho nos braços.

Carla fitou Mana mais uma vez, que estava deitada de bruços, coberta até o quadril. Voltando-se para a carta, deixou de lado o que havia escrito e escreveu o que realmente desejava. Três folhas preenchidas com sua bela letra desenhada, contendo sua breve história, pensamentos e desejos. Ao juntá-las e dobrá-las, colocou-as dentro de um envelope branco na companhia da foto ao qual Mana tirara dele no jardim, que estava guardada com as outras no criado-mudo.

Após fazê-lo, esperou Mana acordar. Quando ela despertou, tomou um banho e vestiu-se, saindo do banheiro e vendo-o sentado no sofá com um livro aberto na mão. Ele a olhou e levantou.

— Bom dia. – ela sorriu, porém soube pelo seu olhar que algo estava acontecendo – O que houve?

— Venha comigo.

Ele caminhou até a escrivaninha, pegando o envelope e entregando à ela. Mana não compreendeu, apenas observou o nome de Carla como remetente.

— É para nosso filho. Entregue à ele quando completar 18 anos.

— São... Instruções?

— Não. São desejos e pensamentos para guiá-lo em qualquer dúvida.

Ela o olhou, seus olhos marejaram.

— Você quem vai entregar. – ela sorriu levemente, receosa – Né? Você vai entregar.

Ele a olhava, não precisando negar. As lágrimas de Mana escorreram por seu rosto, sua respiração acelerou.

— Carla, você que vai entregar isso à ele.

— Mana... Não estarei vivo até lá. – disse ele, olhando-a de forma gentil – Por favor, faça isso.

— Não... – ela negou com a cabeça, chorando – Vamos criá-lo juntos, você vai vê-lo crescer.

Ela olhou seus olhos, Carla abaixou o olhar. Mana então franziu a testa, temendo.

— Você vai vê-lo crescer, não é?

— Não. – olhou-a.

— Você... Vai vê-lo nascer? – estremeceu.

Ele a olhava, vendo suas lágrimas caírem.

— Não sei se verei sua barriga crescer.

Mana estreitou os olhos, chorando mais e negando com a cabeça. Carla aproximou-se, abraçando-a.

— Por favor, por favor... – ela pedia – Não faça isso.

Ele abaixou o olhar, fechando os olhos enquanto a abraçava. Mana o abraçou fortemente, chorando. A dor lhe possuía, ela não queria perdê-lo. Carla cessou o abraço e beijou-a, envolvendo-a com os braços. Mana o beijava, sentindo a língua dele dentro de sua boca enquanto chorava. Por um momento cessou o beijo e olhou-o nos olhos, vendo seus afiados olhos dourados. Ela tocou seu rosto, voltando à beijá-lo.

Carla a levou para a cama, deitando-a enquanto continuava a beijá-la. Ao passo que os beijos se tornaram intensos, ele tirou pouco a pouco sua roupa, possuindo-a sobre a cama e bagunçando-a. Mana apertava os lençóis, gemendo e sentindo-o dentro dela. Ao terminarem, Carla deitou ao seu lado e ela deitou a cabeça sobre seu braço, próxima de seu corpo, encolhida. Permaneceram em silêncio por um momento, até que ela perguntou:

— O que acha que vai ser?

Ele a olhou, mexendo em seu cabelo.

— Uma menina.

— Por quê? – olhou-o, sorrindo suavemente – Pensei que iria querer um menino.

— Também seria ótimo, mas acredito que seja uma menina. Não sei por quê.

Mana aconchegou a cabeça para mais perto de seu corpo.

— Quais nomes você quer?

Carla semicerrou os olhos, pensando. Sentiu-se contente por um momento, Mana daria ao bebê o nome que ele escolhesse.

— Eu gosto de “Kaya”. – disse ele – E “Shouhei” para menino.

— São bonitos. – ela sorriu gentilmente, olhando-o – Espero que ele seja tão bom quanto você.

Ele deitou de lado, abraçando-a e cheirando o suave aroma de seu cabelo. Mana sentiu-o acolhê-la, aproveitando aquele momento e fechando os olhos calmamente. Adormeceu em seus braços, desejando incessantemente que Carla não a deixasse.

A noite escura chegou ao final do dia e a lua cheia pouco a pouco subia em direção ao alto do céu. Na floresta ao lado da grande mansão dos Tsukinami, três figuras caminhavam pela escuridão. Ao verem o muro, observaram a altura e a grande mansão logo atrás.

Dando alguns passos e deixando a luz do luar iluminá-los, os trigêmeos aproximaram-se do lugar. Ayato e Kanato estavam logo atrás de Laito, que olhava fixamente para a mansão.

— Tem certeza que é aqui? – Kanato perguntou.

— Só pode ser. – disse Ayato – O neto daquela mulher nos disse que era aqui.

— Hum. – concordou.

Ambos fitaram Laito, que franziu as sobrancelhas e cenho, dizendo:

— Finalmente achamos.