Na manhã seguinte ao ataque, os residentes da casa Sakamaki encontravam-se apreensivos e nervosos. Mana e Rin haviam sido sequestradas e eles não conseguiam imaginar quem o havia feito. Estavam na sala de estar do segundo andar, conversando para tentarem descobrir quem fora o responsável. Exceto Subaru, que estava no quarto de Yuka, descansando. Shuu estava sentado ao lado de Masami no sofá, que estava nervosa e com os olhos marejados, mordendo a ponta do dedo.

— Que droga aconteceu? – Ayato perguntava, ainda tentando compreender – Reiji, o que acha que aconteceu?

Reiji estava com o olhar baixo, apertando a pulseira de Mana. Sua mão tremia, ele estava nervoso e rangeu levemente os dentes ao imaginar quem fora.

— Reiji. – disse Laito.

Ele o olhou, ajeitando os óculos e pensando:

— Considerando o fato de que eles atacaram no eclipse lunar... É provável que... – franziu levemente as sobrancelhas, irritado.

Shuu o olhava, Reiji não parecia estar em condições para pensar. Porém ao pensar melhor sobre o que ele acabara de dizer, compreendeu.

— Os remanescentes dos Fundadores.

Laito olhou-o, franzindo as sobrancelhas.

— Fundadores? – perguntou Masami, voltando-se para Shuu.

— Restam dois, se bem me lembro. – disse Reiji.

— E o que eles querem com Mana e Rin? – ela perguntou, nervosa – Por que as levaram?

— Isso eu não sei.

— Invadiram nossa casa e tentaram nos matar. – disse Kanato, enfurecido – Elas deveriam ser importantes para eles terem feito isso. – segurou a mão de Reiko.

— Eles foram embora sem acabar conosco. – disse Reiko, abaixando o olhar – O alvo mais importante eram elas.

— Mas Rin estava aqui sendo atacada também. – disse Sora – Ela correu para o corredor depois.

— Está dizendo que a levaram só por estar lá? – perguntou Laito, abaixando o olhar e rangendo os dentes – Miseráveis...

— O que vamos fazer agora? – perguntou Yuka – Elas devem estar longe.

— Precisamos ir atrás dela. – disse Saki.

— Você não pode ir à lugar nenhum. – falou Yuma, segurando sua mão.

— Mas Mana...!

— Saki, você está grávida.

Ela abaixou o olhar, entristecida. O telefone começou a tocar de repente e Reiji aproximou-se, atendendo-o. Sua expressão mudou ligeiramente enquanto ouvia as informações, franzindo as sobrancelhas. Abaixou o olhar, dizendo:

— Irei passar para ele.

Reiji voltou-se para Laito, que franziu a testa.

— Ele quer falar com você.

Laito franziu as sobrancelhas, aproximando-se e pegando o telefone, pondo-o próximo da orelha.

— Alô. – disse ele, ouvindo a voz do pai – Hum. Hum. Sim.

Ele parou por um momento, sua expressão mudou para algo perturbador e enfurecido. Seu punho foi cerrado, ele rangeu os dentes e gritou:

— VAI PRO INFERNO!

Bateu o telefone na base, deixando todos surpresos. Laito abaixou a mão, tremendo e de repente segurou a base do telefone e o jogou longe, atingindo a parede após o fio arrebentar e quebrando-o. Ele rangia os dentes, enfurecido como ninguém nunca o via antes.

— Laito...? – disse Sora, surpresa – O que...?

Ele voltou-se lentamente para os outros, seus olhos estavam vermelhos.

— Ele nos ofereceu novas noivas! – exclamou – Perguntou se queríamos novas garotas porque soube do que aconteceu ontem. Perguntou isso... Como se elas fossem nada!

Reiji abaixou o olhar e Masami franziu as sobrancelhas, enraivecida e com os olhos marejados. Odiava ainda mais o pai deles naquele momento. Laito virou-se e se retirou de forma irritada do cômodo. Yuka abaixou o olhar, entristecida. Então se ela houvesse morrido naquele ataque, o rei teria simplesmente a substituído por outra. Porém surpreendeu-se com a reação de Laito, ele gostava mesmo de Rin. Yuka levantou e se retirou, direcionando-se para o quarto.

— E agora? – Masami perguntou, as lágrimas escorreram – Precisamos... Fazer algo. Precisamos...

— Acalme-se, Masami. – disse Shuu – Isso faz mal à você.

Ela pôs as mãos no rosto, chorando. Os outros a olharam, nunca haviam visto Masami demonstrar seus sentimentos antes, quanto mais chorar na frente de todos. Estar grávida e ter a irmã sequestrada a fez realmente expor a tristeza. Reiji retirou-se, indo para o laboratório e trancando-se ao adentrá-lo. Encostou as costas na porta, abaixando o olhar e semicerrando os olhos. Mordeu o lábio inferior, contendo-se para não chorar.

Alguns minutos depois, Laito voltou para a sala com uma mochila nas costas, as roupas trocadas e sem o seu chapéu. Ele usava calça marrom, uma camisa azul-escuro e um casaco escuro com pele costurada no capuz, parecido com a jaqueta que ele geralmente usa por baixo do blazer do colégio. Ele mostrava seriedade e fitou a todos, dizendo:

— Estou indo.

Eles o olharam de forma surpresa.

— Pra onde? – perguntou Ayato.

— Atrás de Rin.

— Mas você não sabe onde ela está. – disse Sora – Como vai encontrá-la?

— Vou procurar em todos os lugares, não me importa. Eu vou encontrá-la. – disse ele, decidido.

Ayato surpreendeu-se, fitando Kanato, que também o olhou. Ao voltarem-se para Laito, decidiram.

— Nós vamos com você. – disse Ayato.

— Eh? Ela é minha noiva.

— Não interessa. – disse Kanato, aborrecido – Eles invadiram nossa casa e sequestraram duas de nós. Nós vamos.

Reiko olhou-o, surpresa.

— Kanato-kun...

Ele a olhou seriamente, fazendo-a ficar ainda mais surpresa. Nunca o havia visto com aquela expressão. Ayato e Kanato foram para seus quartos, arrumar suas coisas. Enquanto o faziam, Yuka estava no quarto com Subaru. Ele estava com o peito enfaixado, sentado na cama com as costas recostadas na cabeceira. Ficara desmaiado durante toda a noite e apenas acordara na manhã seguinte. Yuka estava com o olhar baixo, entristecida enquanto explicava a situação.

— Então elas foram levadas pelos fundadores. – disse ele, compreendendo – O que será que querem com elas?

— Pelo que achamos, Rin foi levada por acidente. Acham que queriam apenas Mana.

— Por que ela?

Ela balançou a cabeça, não sabia. Subaru abaixou o olhar, pensando por um momento o que faria se tivesse sido Yuka. Ao olhá-la, viu-a com os olhos marejados.

— O que foi?

— Machucaram você.

— Já está melhorando, em poucos dias já estará melhor.

— Por favor, não morra.

Ele franziu a testa, surpreso.

— Não vou morrer, eu estou aqui. Estou bem.

— Não. Não morra nunca! – ela pediu, segurando sua mão – Não quero perder você! – abaixou o olhar – Nunca...

Subaru acalmou o olhar, inclinando-se calmamente e pondo a mão em sua nuca, fazendo com que ela o olhasse e beijando-a. Yuka tocou seu rosto e ele cessou gentilmente, sorrindo.

— O que foi? – Yuka perguntou.

Ele desviou o olhar por um momento, tímido.

— Eu... Acho que amo... Você.

Yuka surpreendeu-se, enrubescendo enquanto o olhá-la. Ao voltar a olhá-la, ela o beijou. Subaru recostou as costas mais uma vez, respirando calmamente ao cessarem. Sora bateu na porta do quarto, chamando por Yuka e entrando com Shuu, que a pouco levara Masami para o quarto para acalmar-se.

— O que houve? – Subaru perguntou.

— Laito vai atrás de Rin. – disse Shuu, surpresa – Ayato e Kanato vão também.

— Eh? – Yuka disse, pasma – Mas não sabemos para onde as levaram.

— Eles vão procurá-las por todos os lugares. – disse Sora – Ainda não sei bem como, mas estão arrumando as coisas.

Subaru tirou a coberta de cima de si e pôs os pés no chão.

— Subaru-kun? Onde vai?

— Eu vou também. – disse ele, torcendo a expressão ao se pôr de pé.

Yuka levantou rapidamente, pondo-se a frente dele.

— Não, você não vai!

— Eu vou. Posso ajudar e... Quero matar aquele imbecil que me mordeu.

— Você não vai ajudar em nada! – ela exclamou – Precisa descansar!

Sora os olhava.

— Yuka tem razão, Subaru-kun. – disse ela – Você não está em condições de ir e nem de ajudar.

Shuu deu um passo à frente, olhando-o de forma séria.

— Subaru, você vai ficar e se recuperar.

— Eu posso ajudar. – ele franziu as sobrancelhas.

— É estupidez. Deite-se.

— Mas...!

— Subaru! – exclamou, aborrecido.

Ele franziu as sobrancelhas, desviando o olhar. No estado em que estava, nem conseguia andar direito. Yuka o fez voltar a se deitar, mantendo-o no quarto. Ao virar o rosto em direção aos dois, disse:

— Diga à eles para trazê-las de volta.

Sora semicerrou os olhos e Shuu olhava-a, assentindo.

Como Reiji saíra antes que Laito dissesse que partiria em busca de Rin, Shuu pensou que o irmão desejaria fazer o mesmo. Porém ao bater na porta, ele não disse nada. Reiji estava ali, porém não o atendeu. Shuu franziu levemente as sobrancelhas, entrando em seu laboratório e vendo-o com as mãos apoiadas na mesa, de costas. Estava sem o blazer e gravata, usava o colete e sua camisa estava desabotoada. Shuu franziu a testa, ele parecia perturbado. Porém não se surpreendeu, Mana desaparecera.

— Laito, Ayato e Kanato vão partir.

Ele não comentou.

— Pensei que gostaria de saber. Você irá, não é?

Ele negou com a cabeça, Shuu franziu a testa.

— Ei, você não vai atrás de Mana? – perguntou – Ela é sua esposa.

Reiji abaixou a cabeça. Naquele momento, Masami aproximava-se da porta do laboratório. Como não poderia ir atrás da irmã, iria pedir para que Reiji fosse. Como seu marido, Masami pensou que ele com certeza partiria para buscá-la. Porém ouviu a conversa.

— Reiji. – disse Shuu – Você está chocado e deprimido, mas tem que ir atrás dela.

— Cale a boca... – murmurou – Você quem recua diante de qualquer desafio. Se procurássemos a palavra “covarde” num dicionário, iríamos encontrar uma foto sua bem ao lado.

Shuu franziu as sobrancelhas.

— Não sou eu quem está sendo covarde. – desafiou-o – Pensei que a amasse.

— Cale a boca! – ele gritou, ainda de costas.

Shuu franziu levemente as sobrancelhas e viu Masami adentrar o laboratório de repente, franzindo a testa.

— Masami?

— Você não vai fazer nada?! – ela exclamou em direção à Reiji – Ela foi levada e sabe-se lá o que vão fazer com ela! Vai ficar parado?! Mana precisa de você!

Shuu a olhava e fitou Reiji, que murmurava para si mesmo.

— A levaram para qualquer lugar... Qualquer lugar... Onde é? Por que a querem afinal?

Masami abaixou o olhar, voltando a chorar.

— Por favor, Reiji... Traga-a de volta.

Ele continuava de costas, pensando e ignorando tudo e a todos. Shuu aproximou-se dela, tocando seu ombro e virando-a para abraçá-la. Masami apertou seu cardigã, chorando em seu peito. Ele a tirou dali, deixando Reiji sozinho com seus pensamentos. O sequestro de Mana o abalou mais do que Shuu podia imaginar. Fechou a porta ao sair, Reiji continuava de costas.

Como Shuu acalmava Masami no quarto, os trigêmeos despediram-se rapidamente deles e ela implorou para que as trouxessem de volta. Fizeram o mesmo com Yuka e Subaru, indo para o quarto dela.

— Veja se não é mordido de novo. – Ayato brincou.

— Se cure, por favor. – disse Kanato.

Subaru desviou o olhar por um momento ao passo que Yuka sorriu, agradecendo. Laito mostrava-se tímido, porém aproximou-se da cama.

— Subaru-kun.

Ele o olhou.

— Obrigado.

Subaru arregalou ligeiramente os olhos.

— Não vou conseguir pagar pelo que fez. – disse Laito.

Ele acalmou o olhar, assentindo, porém dizendo:

— Apenas as encontre e volte pra casa.

Laito franziu a testa, olhando-o sem jeito e assentindo. Os três direcionaram-se para o hall de entrada, despedindo-se de suas noivas. Ayato abraçava Sora, que não queria largá-lo enquanto Kanato despedia-se de Reiko. Yuma e Saki também estavam presentes, nem sequer haviam ido embora.

— Boa sorte. – disse Yuma.

— Hum. – Saki concordou, emocionada – Por favor, tragam-nas de volta.

— Nós vamos. – disse Laito de forma séria.

Sora cessou o abraço, olhando Ayato.

— Por favor, volte pra mim. – pediu, seus olhos marejaram.

— Eu vou. – ele a beijou.

Kanato abaixou o olhar por um momento, entregando Teddy à Reiko.

— Por favor, tome conta dele.

— Hum, eu vou. – disse ela, olhando-o – Não demore, por favor.

— Vamos tentar.

Ela assentiu. A campainha foi tocada e Laito aproximou-se da porta, abrindo-a. De repente todos viram os outros Mukami e suas parceiras adentrarem a mansão. Ruki e Arizu, Kou e Mei, e Azusa e Momo.

— O que...? – Sora os olhou em dúvida.

— Eu os chamei. – disse Laito – Não ia partir e deixar todo mundo desprotegido. Subaru está na cama e Reiji ficou doido. Shuu e as meninas não iriam conseguir impedir um próximo ataque, caso aconteça.

Compreenderam, concordando com seu pensamento.

— Vamos ajudar. – disse Ruki.

— Pode ter certeza! – exclamou Kou, piscando um dos olhos.

— Hum... Sim... – Azusa sorriu levemente – Momo... Também quer... Ajudar...

— Claro. – ela sorriu.

— Todas nós. – Arizu sorriu.

— Com certeza. – disse Mei.

Sora e Reiko os olhavam, sorrindo levemente.

— Né, vamos. – disse Laito, pegando a mochila e pondo-a nas costas.

— Hum. – concordaram.

Sora agarrou o casaco de Ayato, tocando seu rosto e beijando-o uma última vez. Ele a envolveu com os braços, olhando-a com os olhos semicerrados ao cessar. Os três partiram com as mochilas nas costas e Ayato e Kanato com espadas dentro de suas mochilas, fechando a porta. Por alguns segundos todos permaneceram no hall de entrada, calados. Quando Sora respirou fundo, disse:

— Né, acho melhor mostrar os quartos de hóspedes. – sorriu levemente.

— Hum. – disse Ruki – Obrigada.

Ela sorriu e ao virarem-se para subir as escadas, Azusa reparou que Reiko permaneceu parada em frente à porta com Teddy nos braços. Repentinamente ela pôs Teddy sobre uma mesa e abriu a porta, correndo para fora. Todos se viraram, confusos. Ao sair, ela desceu os poucos degraus da entrada e correu, chamando-o:

— Kanato-kun!

Os três viraram-se para trás, Kanato era o último e surpreendeu-se ao vê-la correndo em sua direção com os olhos marejados. Ao se aproximar, Reiko abraçou-o de repente, agarrando em sua roupa.

— Por favor, volte pra mim. – olhou-o, chorando – Eu amo você, não quero te perder.

Kanato acalmou o olhar, abraçando-a e beijando sua testa.

— Não vai me perder. – disse ele, beijando-a.

Reiko encolheu-se em seus braços ao cessarem o beijo e os observou caminhar até a saída, desaparecendo após passarem pelo portão. Ela acalmou os olhos, tinha certeza de que Kanato iria voltar.

Da janela do laboratório, Reiji observava a saída dos trigêmeos. Viu a cena em que Reiko correu até Kanato, abraçando-o. Lembrou-se de Masami e seu pedido para ir atrás de Mana. Ele hesitou, abaixando o olhar. Voltou ao que fazia, achando que seria mais produtivo pensando em seu laboratório ao invés de sair à procura de Mana sem ao menos ter uma pista de para onde haviam sido levadas.