Diabolik Lovers - União de Sangue

33 Capítulo 31: Tensões - parte III


Kanato odiava Azusa. Por mais que dissesse à Reiko para não falar com ele, Kanato quase sempre a encontrava conversando com Azusa. Ele já estava irritado, saturado de vê-la conversando com quem ele não queria. Por mais que ela dissesse que era sua noiva e gostasse apenas dele, ele não aceitava. Reiko não deveria conversar com ele.

Era intervalo, e Reiko estava no terraço com Azusa.

— Kanato-san... Sabe que está... Aqui? – perguntou Azusa.

— Hum. – ela assentiu – Sempre fico no terraço ou na sala de aula.

— Né, Reiko-san... O que você... Gosta de fazer?

— Hum. – ela olhou para cima, pensando – Acho que o que gosto mais é cozinhar.

— Você... Cozinha bem?

— Kanato-kun ama minha comida, então acho que sim.

— Eu gostaria... De provar sua comida... Um dia.

— Talvez possa. – disse ela, sorrindo suavemente.

Ambos notaram Kanato adentrar o terraço e vê-los sentados na mureta, aproximando-se de forma aborrecida.

— Reiko-chan, vamos.

— Kanato-kun, não quer ficar conosco? Estamos falando sobre comida.

— Reiko-san... Cozinha bem. – disse Azusa, olhando-o – Eu gostaria... De comer a comida dela.

— Você não vai comer nada! – exclamou Kanato – Reiko-chan cozinha apenas pra mim! Ela só faz bolos e doces pra mim!

Reiko levantou, olhando-o.

— Kanato-kun, acalme-se. Não precisa ser egoísta, eu cozinho pra você em casa todos os dias.

— Eu não quero que cozinhe pra ele!

Ela semicerrou os olhos ainda mais, aproximando-se dele e o abraçando.

— Calma, já vai passar.

Kanato respirava de forma ofegante, nervoso. Porém ao abraçá-lo, Reiko conseguiu acalmá-lo. Sua respiração aos poucos voltou ao normal e ele semicerrou os olhos. Azusa os olhava, por um momento desejando ter alguém que fizesse o mesmo por ele quando estivesse triste. Kanato tinha sorte de ter Reiko.

— Pode ir para a cozinha? Já estou indo.

— Tudo bem. – disse ele, desviando o olhar e cobrindo a boca com Teddy.

Ele desceu as escadas, saindo do terraço. Reiko voltou-se para Azusa, olhando-o.

— Kanato-san... Tem sorte. – disse ele.

— Por quê?

— Ele tem... Você. – abaixou o olhar – Você... O acalma.

— Gostaria de ter alguém que o acalmasse?

Ele assentiu com a cabeça.

— Eu já disse. Ela vai chegar um dia. – disse Reiko – Se parasse por um momento de tentar fazer com que eu me apaixone por você, enxergaria melhor.

— Mas eu... Quero você.

Ela suspirou, acalmando o olhar.

— Preciso ir.

— Hum...

Reiko virou-se, saindo do terraço. Azusa abaixou o olhar mais uma vez. Ele desejava alguém como Reiko, porém a desejava ao seu lado também. Mas apenas por causa da missão. Se a fizesse se apaixonar por ele, cumpriria com a missão. Na noite anterior, Ruki disse que falhara, porém que não iria desistir. Ele pensaria em algo. Então Azusa não deveria desistir. Mas era difícil fazer uma garota já apaixonada sentir algo por ele.

Enquanto ele pensava com o olhar baixo, uma jovem adentrou o terraço, olhando-o e recuando ao vê-lo. Ela o espiou, escondendo-se atrás da porta. Possuía longos cabelos brancos como a neve e olhos tão azuis quanto o céu. Sua pele era tão pálida que suas bochechas enrubesciam com qualquer sentimento mais intenso. Enquanto observava Azusa, semicerrou os olhos e sorriu levemente, corando. Já havia o visto antes e o achado interessante, porém não tinha coragem de ir até ele e perguntar seu nome. E esse não era seu feitio, ela era extrovertida. Mas tinha vergonha dele. Franziu a testa, iria mudar isso. Precisava conhecê-lo.

Na mansão Sakamaki, no dia seguinte, Reiko guardava seus cadernos na gaveta de sua escrivaninha. Ela usava um short e blusa pretos, assim como sua sapatilha. Acabara de fazer as lições de casa e ao fechar a gaveta, ouviu algumas batidas em sua porta. Ao se aproximar, deparou-se com Kanato ao abrir a porta.

— Kanato-kun?

— Posso ficar com você? – ele perguntou.

— Sim. – abriu mais a porta, deixando-o entrar.

Kanato adentrou seu quarto, abraçando Teddy fortemente e foi até sua cama, sentando-se. Reiko se aproximou, confusa.

— Você está bem?

— Não sei.

— Eh?

Ele a olhou, franzindo a testa.

— Estou com raiva. Mas é uma raiva diferente.

— Como assim?

— Acontece quando você está com Azusa. – ele abaixou o olhar – É uma raiva diferente... De não querer que você fique com ele. De ele te roubar de mim... Esse sentimento me irrita.

— Acredito que esteja falando de “ciúmes”.

— Ciúme? – olhou-a, pensando – Sim... É isso. Mas eu nunca senti isso antes.

— Tudo bem você ter ciúmes. Azusa-san é um garoto e fica comigo na escola. Mas não precisa se preocupar. Apenas não exagere.

— Exagerar?

— Sim. – disse ela – Sou sua noiva. Mas não sou sua.

— Não entendi.

— Quer dizer que não sou sua boneca.

— Hum... – ele abaixou o olhar, pensando e a olhou novamente – Não quero que cozinhe pra ele. Você tem que cozinhar pra mim.

— Viu? – disse ela, sentando-se ao seu lado – Está me tratando como sua boneca. Posso cozinhar pra quem eu quiser. Como fiz com Yuka e Mana, e elas deram as fatias de bolo para Subaru e Reiji. Mas, sinceramente... – abaixou o olhar – Não sei se cozinharia para Azusa.

Kanato atentou-se.

— Provavelmente o faria para fazê-lo sorrir. Ele é bem triste. Mas cozinhar como cozinho pra você, eu não faria.

— Como você cozinha pra mim?

Reiko o olhou, não sabendo quais palavras escolher para se expressar.

— Eu gosto de você. E gosto de Azusa como amigo. Entende?

— Como gosta de Yuka?

— Sim. Ela é minha amiga e eu nunca pensaria em beijá-la ou ter um relacionamento com ela. Eu penso assim em relação à Azusa. Ele é apenas meu amigo.

— Entendi. – Kanato abaixou o olhar por um momento, olhando Reiko em seguida – Reiko-chan... Posso te beijar?

— Hum. – assentiu, sorrindo levemente.

— Mas posso te beijar de um jeito diferente?

— Como assim?

— Vi Ayato e Sora se beijando na varanda outro dia. Ele fez uma coisa diferente.

— Hum. – assentiu – Tudo bem.

Kanato pôs Teddy sobre sua escrivaninha, voltando a se sentar ao lado de Reiko. Beijou-a, pondo a mão por dentro de seu cabelo. Num dado momento, Kanato pôs sua língua dentro da boca de Reiko, fazendo-a corar. Ela o sentia movimentar a língua contra a sua. Apertou sua roupa, ofegante. Ele abriu levemente os olhos, olhando-a e os fechou, continuando. Ele segurava sua cintura, porém correu uma das mãos para debaixo da blusa de Reiko e subiu-a, tocando seu seio. Reiko gemeu, parando o beijo.

— O que foi? – perguntou ele, ainda com a mão em seu seio.

— Pode...?

— Hum. – assentiu, tirando sua mão dali – Não gostou?

— Eh... Não sei. Acho que sim. É realmente diferente.

— Apenas nos beijamos tocando os lábios, então pensei que seria bom experimentar.

— Ayato e Sora se beijam assim?

— Foi o que vi quando passei pelo corredor.

Reiko desviou o olhar, perguntando-se então o que deveriam fazer dentro do quarto.

— Não quer que eu faça mais? – ele perguntou.

— Hum. – negou com a cabeça – Tudo bem.

Kanato aproximou-se, beijando-a. Pôs a língua mais uma vez dentro de sua boca, porém a deitou a cama, pondo-se sobre ela. Reiko enrubesceu, sentindo-o tocar seu seio mais uma vez por baixo de sua blusa. Kanato cessou por um momento, olhando-a e vendo sua expressão. Voltou a beijá-la, percebendo que sentia prazer ao dar prazer à ela. Ele não achava que poderia sentir algo tão intenso e diferente. E gostava disso.

No dia seguinte, Reiko conversava mais uma vez com Azusa. Estavam sentados no banco, conversando sobre refeições. Pelo menos até Azusa mudar de assunto, de acordo com o que Kou dissera no dia anterior. Se fosse necessário, ele deveria beijá-la. Mesmo duvidando um pouco e se sentindo envergonhado, Azusa pôs o assunto na conversa.

— Reiko-chan... Você já... Beijou alguém?

— Sim. – disse ela – Kanato e eu nos beijamos.

— Você... Gosta dos beijos... Dele?

— Sim. – ela desviou o olhar, enrubescendo – Na verdade sim. Ele fez algo diferente ontem e eu me senti... Bem.

— Hum...

— Você já beijou alguém?

— Não... – disse ele – Posso... Te beijar?

— Eh... Azusa-san, você é meu amigo. E um beijo é bem íntimo.

— Mas eu quero... Te beijar.

— Desculpa, mas não.

— Hum... – abaixou o olhar – É... Você gosta... Do Kanato-san.

— Sim.

Azusa levantou, pondo-se a sua frente. Reiko não compreendeu, porém ele se curvou em sua direção, aproximando-se mais. Azusa a olhava de forma tímida, porém deveria cumprir a missão. Reiko, porém, pôs os dedos sobre seus lábios, parando-o. Ele franziu a testa, endireitando-se. Reiko levantou, olhando-o.

— Somos apenas amigos. – disse ela – Não pode me beijar.

Ele abaixou o olhar, porém tocou seu rosto.

— Mas eu... Quero ser mais... Que um amigo.

Reiko acalmou o olhar, pensando em como o faria compreender. Porém antes de dizer algo, Kanato surgiu próximo deles e empurrou Azusa para longe, que se chocou contra a grade de ferro.

— Kanato-kun...? – disse Reiko, surpresa.

— O que pensa que está fazendo?! – ele gritou, aproximando-se de Azusa – Como ousa tocar nela e tentar beijá-la?! Acha que ela iria se apaixonar por um monstro que nem você?! Um ex-humano?!

Reiko arregalou os olhos, não era uma birra comum. Azusa o olhava e escutava em silêncio, porém ela tinha receio de que Kanato fizesse algo conta ele. Reiko se pôs na frente de Kanato, entre os dois e segurou gentilmente seu rosto.

— Kanato-kun! – chamou-o – Acalme-se, por favor!

Ele franzia as sobrancelhas, seus olhos estavam arregalados e marejados. Olhou-a, vendo-a com a expressão preocupada.

— Por favor... Acalme-se. – ela pediu – Está tudo bem.

— Ele quer te tirar de mim. – disse ele, chorando – Não quero ficar sem você.

— Não vai. – ela sorriu suavemente – Ninguém vai me tirar de você, prometo.

Kanato a olhava, acalmando o olhar e respiração. Reiko pôs as mãos em seus ombros, olhando em seus olhos até que ele se acalmasse completamente. Ele abraçou-a, fechando os olhos. Ao cessar, Reiko voltou-se para Azusa.

— Me desculpe por isso. Né, Kanato-kun?

— Hum. – ele virou o rosto, emburrado – Sim.

— Vamos.

Azusa olhou-os irem embora e abaixou a cabeça, perguntando-se se realmente conseguiria fazer com que Reiko se apaixonasse por ele. E se fosse impossível? E se isso realmente fosse para acontecer? Ele nem ao menos gostava dela como mulher. Era como ela dissera. Eram apenas amigos. E ele gostava desse “apenas”.

No dia seguinte, Reiko chamou Kanato para seu quarto, dizendo que desejava conversar seriamente com ele. Ao fechar a porta, ela se sentou em sua cama e ele fez o mesmo, olhando-a em dúvida.

— O que foi, Reiko-chan?

— Quero conversar sobre Azusa e o que você fez com ele.

Ele desviou o olhar, aborrecido.

— Ele ia te beijar. E tocou seu rosto. Queria matá-lo.

— Pare com isso. – disse Reiko, olhando-o seriamente – Estou decepcionada com você.

— O que? – olhou-a, surpreso.

— Você não confia em mim.

— Ele quer tirá-la de mim. – disse ele, apertando Teddy nos braços.

— Kanato-kun... – ela suspirou, abaixando o olhar por um momento.

Kanato a olhava, esperando que desfizesse sua expressão séria. Afinal, apenas queria proteger os dois do garoto que queria tirá-la dele. Reiko voltou-se para ele, olhando fixamente em seus olhos.

— Kanato-kun... Você sabe o que é amor?

— Sim.

— Mentira.

— Eh?

Ela franziu levemente as sobrancelhas.

— O amor é uma forte afeição por outra pessoa. – explicou – É mais fácil para os humanos sentirem ao invés de nós. Nos distanciamos no decorrer dos séculos e deixamos de sentir a maioria dos sentimentos. Eu contei a você o que houve comigo. E todos os dias me obrigo a lembrar de que também posso sentir amor, desejo e afeição por alguém.

Ele a olhou de forma surpresa.

— E eu sinto isso por você. – disse ela – Acredito que minha afeição esteja crescendo cada dia mais e espero que quando nos casarmos, eu sinta desejo e amor por você. Mesmo já tendo sentido desejo naquele dia. – desviou o olhar por um momento, envergonhada – Mas, Kanato-kun, não sou uma de suas bonecas aos quais você controla. Eu gosto de você por ter escolhido gostar. E não porque você me fez gostar. Então, por favor, pare de me tratar como uma das suas bonecas e querer matar os garotos que se aproximam de mim. Prometi que o deixaria me transformar em uma estátua quando morresse. Então espere até lá.

Kanato abaixou o olhar, entristecido.

— Não quero que se decepcione comigo.

— Então confie em mim. – ela se aproximou – Kanato-kun... Eu acho que sinto essas três coisas... Por você.

Ele a olhou, surpreso.

— Jura?

— Sim. – sorriu timidamente, desviando o olhar – Eu... Amo você.

Kanato a olhava, surpreso. Engoliu em seco, inclinando-se e a beijando, fazendo com que se deitasse de repente. Reiko pôs seus braços em volta de seu pescoço, aproximando-o de si e fazendo com que ficasse sobre ela. Kanato movimentava sua língua dentro de sua boca, porém cessou, olhando-a com seus olhos semicerrados.

— Eu amo você... Reiko-chan.

Reiko enrubesceu, admirada. Kanato voltou a beijá-la, envolvendo-a em seus braços.

Poucos dias depois, Azusa caminhava pelo corredor com o olhar baixo e a mão em seu braço esquerdo. Pensava em Reiko e perguntava-se onde ela estaria. Queria conversar com ela, mas não a encontrou na escola. Porém ao levantar o olhar, avistou uma garota o espiando na esquina do corredor, próximo à escada. Ele atentou-se à ela, confuso. Ela possuía longos cabelos brancos e levantou a mão, acenando para ele e sorrindo.

Azusa a olhou de forma surpresa, aproximando-se calmamente. Ela riu e se escondeu, porém correu para a escada e subiu os degraus, desaparecendo. Ele se aproximou do lance de escadas e parou, vendo-a mais uma vez. No topo da escada, ela acenou para ele de forma que pedia que a seguisse. Ele o fez em dúvida, subindo as escadas. Ao chegar ao terraço, procurou pela garota, que desaparecera.

Olhou ao redor, porém ela não estava lá. Ao se virar, viu-a sentada no telhado, olhando-o. Ele surpreendeu-se, vendo-a descer ao pular. Ela aterrissou no chão, levantando e se aproximando de Azusa, que notava como seus olhos eram azuis.

— Quem é... Você?

Ela sorriu, animada.

— Você é tão fofo!

Azusa franziu a testa, olhando-a timidamente. Ela era quase da mesma altura que a sua e esticara a mão em sua direção, sorrindo.

— Me chamo Yasuko Momo.

Azusa segurou sua mão, cumprimentando-a.

— Mukami... Azusa.

Ela sorriu, contente. Azusa a olhava, admirado.

Notas finais
Momo: https://www.google.com.br/imgres?imgurl=https://pm1.narvii.com/6524/8d1fa42f58d7a5a0961ce4fe390e097f7e7802fc_hq.jpg&imgrefurl=http://aminoapps.com/p/h0hfjw&h=600&w=474&tbnid=TyStJWA4BaeGnM:&tbnh=253&tbnw=199&usg=__mW1A3rcWBzuAUrMTyOwDaeO0stI%3D&vet=1&docid=4qb4PUuNYHYwYM#h=600&imgdii=TyStJWA4BaeGnM:&tbnh=253&tbnw=199&vet=1&w=474