Diabolik Lovers - União de Sangue
25 Capítulo 24: Baile Real
Notas iniciais
Até o final de setembro, tudo estava quase voltando ao normal e Saki habituava-se com sua nova vida. Isso após ter sua personalidade mudava pela poção, o que foi explicado que aconteceria. Ao passar esses dias confusos, ela tentava compreender sobre a nova vida. Saki agora residia na casa Sakamaki, acolhida por todos. Ou quase todos. Como era uma nova moradora, os meninas mal se aproximavam dela. Porém Mana a ajudava a conhecer as noivas, pouco a pouco.
Rin ainda estava desconfiada sobre ela, Reiko apenas a olhava de forma apática e Masami comportava-se como sempre. Educada, porém sem muita conversa. Porém Sora e Yuka a tratavam bem e ajudavam Mana a fazer com que Saki se sentisse o mais normal possível. Ou o mais normal considerado para um vampiro.
À medida que Saki conhecia Mana e conversavam, passou a conseguir identificar quando ela estava triste e chateada. Enquanto caminhavam pelo jardim, elas conversavam:
— Então... Acha mesmo que já estou pronta para ir ao colégio? – perguntou Saki – Perdi metade do ano letivo.
— Vamos ajudá-la. Você está na mesma classe que Sora, Rin e eu. Mesmo que provavelmente Rin não ajude em nada.
— Obrigada. – ela sorriu – Reiji-san é o seu noivo, não é?
— Sim. Por quê?
— Não ficam juntos. O relacionamento de vocês não é bom?
— Na verdade era até...
— Até?
— Bem... Até a sua chegada. Ou no caso, a chegada de Cordelia.
— Essa mulher parece bem ruim.
— E intrometida. – Mana reclamou – Reiji fez algo que não gostei, então estamos brigados.
— Hum.
Saki olhou ao redor, vendo de relance a mansão e Reiji olhando através de uma das janelas. Ele notou que ela o vira e afastou-se da janela.
— Ele parece se importar com você.
Mana olhou-a em dúvida.
— Ele estava em uma das janelas agora, olhando pra você.
— Ele é gentil. – ela abaixou o olhar, sorrindo por um momento – Mas me magoou.
— Por que não o deixa explicar?
— Você não sabe o que ele fez. – ela sorriu.
— Dê uma chance à ele. – disse ela – Eu não sei, mas... O olhar dele... Ele parece estar arrependido seja lá sobre o que ele fez.
Mana sorriu, porém não desejava vê-lo naquele momento e nem tão cedo. Porém isso não cabia à ela.
Na tarde do dia seguinte, Mana fora até o hall de entrada para pegar suas cartas. Uma vez por semana seus pais escreviam para ela e Masami, e normalmente as cartas eram postas sobre uma mesa ao lado do sofá onde vira as meninas pela primeira vez. Ao descer a escadaria principal, levantou o olhar ao se aproximar e avistou Reiji pegando a correspondência. Ela estremeceu, paralisando por um momento e virando-se para voltar. Ao pegar um envelope em especial, virou-se para ir e a viu.
— Mana. – chamou-a.
Ela paralisou ao ouvir seu nome. Não sabia por que, mas quando Reiji o dizia, seu coração palpitava. Ela virou-se para ele, que se aproximou.
— Gostaria de conversar com você.
— Não temos nada a conversar. – disse ela, virando-se.
Reiji segurou sua mão, fazendo-a voltar-se para ele mais uma vez.
— Por favor, compreenda...
— Compreender? – ela achou graça – Por que você não compreende que não se deve beijar outra mulher que não seja sua noiva? Se desejava beijar outras mulheres, deveria ter me dito. Assim ao menos nosso casamento realmente seria arranjado e eu me pouparia, trancando meus sentimentos.
— Eu não a beijei. Ela me beijou.
— Típico. – disse ela – Já ouvi essa frase em alguma novela.
Reiji franziu as sobrancelhas.
— Tudo bem. – falou ele – Aproveitei-me realmente do beijo. Porém para dar à ela a resposta que merecia.
— Poderia ter usado apenas palavras.
— Compreendo sua irritação, eu não deveria ter permitido o beijo.
— Irritação? – disse ela, surpresa – Estou mais que irritada.
— Não compreendo.
— Você me magoou, Reiji.
Ele a olhava, seus olhos começaram a marejar.
— Você pode imaginar como é beijar um homem pela primeira vez e ter o momento que tivemos em seu quarto, e dias depois ver esse mesmo homem beijando aquela... – conteve-se.
— Admiro seu comportamento polido em não xingá-la.
— Por que você não tenta ser menos polido?
Reiji a olhou em dúvida.
— O que quer dizer?
— Eu não sei. – disse ela, irritada – Reveja tudo o que aquela mulher falou e adivinhe o que eu quero.
Mana virou-se e se retirou, esquecendo-se completamente das cartas. Reiji abaixou o olhar ao vê-la ir embora, perguntando-se o que ela queria exatamente. Fitou o envelope em suas mãos e o abriu, franzindo a testa ao retirar um convite de dentro.
Em vistas às futuras atividades, Reiji convocou uma reunião com todos na sala de estar do segundo andar. Prontamente os irmãos e suas noivas compareceram, assim como Saki. Reiji pôs-se a frente deles, ao lado da lareira com o envelope nas mãos.
— Reiji, fale logo o que quer. – disse Laito.
— Como estão todos presentes, darei início ao motivo da minha convocação. – disse ele – Recebemos um convite para um baile.
— Um baile? – perguntou Sora.
— Sim, porém este é diferente. – ele abriu o convite e o leu para todos – “Os irmãos Sakamaki e suas respectivas noivas estão convidados para o baile de outono do rei, que ocorrerá dia 6 de outubro. O rei aguarda ansiosamente pela presença de todos”.
— É esse sábado. – disse Rin.
— Baile de outono. – Ayato reclamou – Ele nunca deu baile de outono nenhum!
— Por que será que está dando um agora? – perguntou Yuka.
— Pra vasculhar e ver como está indo as escolhas dele? – disse Rin ironicamente.
Reiji suspirou, fechando o convite.
— É notório que todos sabem sobre os planos de nosso pai, porém não aconselho a recusarem um convite tão formal. E devo informar, Saki, que ficará em casa. Como é recentemente uma residente na casa, não há um convite para você.
— Ahm... Tudo bem, eu entendo. – disse ela sem jeito – Eu só não entendo qual seria o plano desse rei. Não é apenas um baile?
Os meninos à olharam de forma incômoda. Saki encolheu-se ao notar a atmosfera do lugar mudar.
— Vamos explicar depois. – disse Sora, sorrindo para ela.
— Explicar depois o que? – exclamou Rin – O rei quer nos usar como cães e cadelas, e nos fazer cruzar para criar a nova raça que ele planeja.
Saki surpreendeu-se pelo modo como Rin explicou de forma rápida a situação. Reiji pigarreou, olhando-a e dizendo:
— Rin, esta foi uma maneira desnecessária de explicar.
— Mas foi rápida e entendível.
— Foi desconfortável. – disse Masami.
— Como se nenhuma de nós se sentisse como uma cadela a ser usada para dar filhotes de raça.
— Pare de falar assim! – disse Yuka, corando.
— Pobrezinha... – ela riu – Relaxe, ele ainda vai te desvirginar.
— Rin! – Yuka exclamou, corando mais e se retirando.
Após ela sair, Rin virou-se para Subaru, sorrindo ligeiramente.
— E aí? Quando vai contar?
— Do que está falando, bisbilhoteira? – disse ele, irritado.
— Sobre a sua situação.
Subaru franziu as sobrancelhas.
— Chega, Rin. – disse Masami severamente, fazendo todos a olharem – Está passando dos limites de novo.
— Ah, me desculpe, senhora da casa. – debochou Rin – Mas não aguento manter pudores quando o próprio rei não mantem.
— Sabemos que você não se aguenta. – disse Reiko – Também não a aguentamos às vezes.
— Olha aqui, tampinha...!
— Chega! – exclamou Reiji – Sem comoções essa semana, eu agradeço. Agora, todos, por favor, estejam no hall de entrada às sete em ponto no sábado. Os carros estarão esperando.
— Não serão carruagens dessa vez? – Rin achou graça.
— Você é realmente desnecessária às vezes. – disse Mana.
— Santa Mana!
— Sem comoções! – exclamou Reiji, retirando-se antes de mais respostas.
Os poucos dias que faltavam para o baile passaram rapidamente em meio à corrida das noivas para decidirem que vestido de baile usariam. Reiko possuía várias vestidos que não usava, porém optou por um preto. Quando comentou com Kanato, ele se dirigiu até seu quarto com ela e viu seus vestidos, pegando um de cor roxa escura e dizendo que ficaria bonito nela. Mesmo não apreciando muito outras cores, ela cedeu ao perceber que ele parecia gostar da cor.
Como Rin não podia sair de casa sem Laito, forçou-o a acompanhá-la até a cidade para comprar um vestido novo. Yuka escolheu um vestido de seu armário ao qual gostava muito, porém não o usava por não ir à muitos bailes. Mana forçou Masami a comprar um vestido com ela, fazendo Shuu acompanhá-las para ter ao menos um dos noivos com elas, já que Mana ainda não falava com Reiji.
Sora, por sua vez, foi surpreendida por Ayato com um vestido novo. Ele a direcionou até o quarto, tampando seus olhos e permitindo em seguida que olhasse para a cama, vendo um belo vestido sobre a mesma. Ela arregalou os olhos, surpresa e admirada. Não esperava que ele fosse fazer isso.
No dia do baile, Mana e Masami se arrumavam em seu quarto na companhia de Saki. Como ela não iria, gostaria de ao menos ajudá-las com o que pudesse.
— Você está tão bonita, Masami-san. – comentou.
— Obrigada. – disse ela enquanto Mana arrumava seu cabelo.
— Como é um baile?
— Resumidamente, é uma festa com mulheres usando longos e belos vestidos, e homens usando belos ternos. – disse Mana.
— Deve ser fantástico.
— Um baile do rei, com certeza. – ela sorriu – Masami, você acha mesmo que o rei estará lá?
— Não sei. Talvez sim, ele quem nos convidou. Mas não sei se iria gostar de conhecê-lo.
— Por quê?
Masami desviou o olhar por um momento, pensando em tudo o que Shuu lhe contara desde a época em que Sora recebeu a caixa com a cabeça. O rei não parecia ser uma boa pessoa, ele usava os próprios filhos e a elas mesmas para fins pessoais. Que tipo de homem fazia algo assim? Caso o conhecesse realmente, planejava apenas reverenciá-lo e dizer – ou mentir – que era uma honra conhecê-lo. Nada mais.
Quando Mana terminou seu penteado, Masami pediu que Saki arrumasse o cabelo da irmã. Ela levantou e foi até ela, que sentou-se na penteadeira de Masami.
— Masami-san, pensei que gostaria de arrumar o cabelo de Mana.
— Ela não gosta dessas coisas. – Mana achou graça – Surpreendi-me por ter me deixado fazê-lo pela segunda vez.
— Claro, você me forçou. – disse Masami.
Mana abaixou o olhar, sorrindo. No decorrer em que Saki arrumava seu cabelo, prendendo-o em um belo coque arranjado, Masami notara pelo reflexo de Mana no espelho que ela não parecia tão animada. Seu sorriso havia se desfeito e o olhar continuava baixo.
— O que houve? – perguntou Masami.
— Eh? Hum... Nada. – sorriu.
— Você nunca foi uma boa mentirosa.
Saki a olhou pelo reflexo, abaixando o olhar e continuando. Mana fitou a irmã pelo espelho.
— Reiji e eu brigamos. No dia em que Saki chegou.
— Por quê?
— Bem... – ela desviou o olhar, envergonhada – Fomos os primeiros a chegar quando aquela mulher e o tio deles chegaram. Reiji e ela conversaram, jogando fartas um no outro enquanto conversavam. Porém ela...
— O que?
— A encontramos apenas uma vez, mas ela era promíscua e... O beijou após ofender sua mãe. Acredito que para me afetar ou não sei qual o motivo. Disse até que o desejava como um homem. Mas o que me incomodou foi que ele aceitou o beijo, até pôs o braço envolta dela.
— Isso não é do feitio dele.
— Sim, concordo. – disse ela, entristecida – Após fazê-lo, ele disse à ela que não se envolveria com uma mulher corrupta e sem moral.
— Então ele a usou?
— Creio que sim, mas por quê? Não bastava apenas respondê-la? Precisava tê-la beijado? Ele a beijo na minha frente! E poucos dias atrás na época, nós havíamos nos beijado. – Mana abaixou o olhar.
Masami elevou um pouco as sobrancelhas, surpresa.
— Acredito que por um momento ele esqueceu-se de você e de sua presença na sala. – disse ela, fazendo Mana olhá-la – Se Cordelia ofendeu a mãe dele, ele quis dar o troco de uma forma peculiar. Você não se sentiria ofendida por ser beijada e em seguida recusarem uma proposta sua?
— Hum... Acho que sim, não sei.
— Se eu fosse aquele tipo de mulher, me sentiria. Porém compreendo que esteja com raiva, também ficaria se Shuu beijasse outra.
Mana sorriu para ela.
— Não nos beijamos. – disse Masami, desviando o olhar.
— Tudo bem. – ela achou graça – Mas ainda estou com raiva de Reiji.
— Acalme-se e depois converse com ele, explicando que está magoada.
— Já disse isso à ele.
— Então o que resta à ele é esperar.
Mana abaixou o olhar assentindo.
Ao terminarem de se aprontarem, as duas desceram após se despedirem de Saki. Ao chegarem ao hall de entrada pontualmente, juntaram-se aos outros. Os seis irmãos usavam ternos, belos e polidos, e Masami conteve seu olhar surpreso e admirado ao ver Shuu vestido dessa forma e sem o mp3 no pescoço. Mana não conseguia olhar para Reiji, mesmo que estivesse atraente como sempre. Porém ele a olhava ininterruptamente, vendo como estava bela em seu vestido azul esverdeado sem mangas e decote em coração.
Shuu também observou sua noiva, vendo Masami usando um belo vestido lilás com brilhos de mesma cor e o mesmo decote. Apenas metade de seu cabelo estava preso, possuía cachos nas pontas e suas típicas mechas em espiral na frente. Ao colocar-se ao seu lado, ele sorriu levemente, o que a fez desviar o olhar e enrubescer.
Sora usava um belo vestido azul-claro de mangas compridas e um coque cacheado. Yuka usava um vestido rosa sem mangas e decote reto, o que proporcionou à Subaru ver mais uma vez que ela possuía seios, em vista às blusas ligeiramente largas que usava normalmente. A primeira vez fora quando a viu de sutiã sem querer. Rin usava um vestido vermelho completamente justo de gola alta e seu cabelo estava preso em um coque alto. Reiko usava um vestido arroxeado de mangas curtas que mostrava sua clavícula e metade do cabelo preso e cacheado.
Os carros dirigiram-se até uma gigantesca mansão com um jardim na frente e chafariz na entrada. Pararam logo em frente e os seis casais saíram, adentrando a porta. Os empregados, devidamente arrumados, curvaram-se com sua chegada enquanto os informavam de que todos os parentes e o próprio rei os aguardavam no grande salão.
À princípio, nenhum deles compreendeu sobre a questão dos parentes. Tudo estava iluminado pelo gigantesco lustre no teto e candelabros nas paredes. Ao chegarem ao grande salão, todos os convidados os aplaudiram. Assim como o próprio rei, no centro. Um homem alto de aspecto forte com pele pálida, longos cabelos brancos como Subaru e olhos dourados como ouro. Ele usava uma roupa de tempos antigos com babados nas mangas da roupa e no pescoço, utilizando uma bela joia e uma longa capa preta com vermelho ao fundo.
Como a cortesia na etiqueta, eles curvaram-se ligeiramente ao olhá-lo. A maioria de seus filhos mostraram-se incômodos com sua presença, porém apenas desviaram o olhar. As noivas por outro lado, mostraram-se surpresas com sua aparência. Seu semblante era gentil e acolhedor, porém algumas sabiam bem que certamente era uma máscara.
— Estou honradamente alegre esta noite. – disse ele cordialmente ao aproximar-se – As noivas estão realmente belas.
— Pai. – disse Reiji, cumprimentando-o.
Ele sorriu, fitando os outros filhos. Subaru não o olhava, sua expressão estava enraivecida. Laito o olhava de forma inexpressiva, porém incomodado. Kanato indiferente, Ayato franzia levemente as sobrancelhas e Shuu inexpressivo. O único a dirigir-se ao pai de forma culta, fora Reiji.
— Acredito que a viagem tenha sido agradável. – disse o rei.
— Sim.
— Queremos saber por que esta festa agora. – disse Ayato.
Ele sorriu em sua direção, semicerrando os olhos de forma gentil.
— Gostaria de conhecer suas adoráveis noivas e informa-me como estão meus queridos filhos.
Ayato franziu mais as sobrancelhas, ele nunca se importou antes.
— Sei...
— Bem. – disse o rei alegremente – Divirtam-se, pois logo a dança começará. E acredito que as jovens gostariam de rever suas famílias.
Ao dizê-lo e retirar-se subitamente, Reiko avistou duas pequenas meninas de cabelos marrons e olhos azuis correndo em sua direção.
— Reiko! – exclamaram, sorrindo.
— Raina? Rana? – ela agachou, abraçando-as – O que fazem aqui?
— Mamãe recebeu um convite. – disse Raina.
— Para virmos ao baile. – disse Rana.
Reiko sorriu levemente, avistando suas outras irmãs aproximarem-se, assim como sua mãe. Ruka abraçou-a, contendo as lágrimas. Seus cabelos marrons estava presos e seus olhos azuis brilhavam. Rikae e Rina abraçaram-na em seguida, rindo. Rikae estava com os cabelos caramelados soltos e os olhos vermelhos contentes, assim como Rina com os olhos de mesma cor e cabelos caramelos, que em seu caso estavam presos.
— Quando recebemos o convite, sabíamos que finalmente a veríamos! – disse Rikae.
— Elas realmente ficaram contentes. – disse Ruka.
Reiko sorria, vendo sua mãe aproximar-se com Ryuu no colo. O pôs no chão e abraçou-a. Todos ficaram surpresos com a quantidade de irmãs que Reiko possuía e como sua mãe era bonita. Rin cochichou para Laito, dizendo que pareciam ter sido feitas em uma copiadora. Ele achou graça, abaixando o olhar.
Kanato aproximou-se, pela primeira vez sem Teddy em seus braços, e pôs-se ao lado de Reiko.
— Então este deve ser seu noivo. – sua mãe sorriu, contente – Acredito que pelo sorriso de Reiko, você está conseguindo fazê-la sorrir.
— Obrigado. – disse ele, semicerrando os olhos ao sorrir – Reiko-chan é boa comigo e faz bolos para mim. Eu gosto muito dos bolos dela.
Chiasa sorriu, surpresa por sua personalidade e vendo como eram parecidos nessa questão. Repentinamente Rin arregalou os olhos ao ver seus irmãos aproximando-se com seus pais.
— Naruki! Satoya! – exclamou, abraçando-os.
Naruki era um menino de 15 anos com cabelos escuros e olhos vermelhos, e Satoya um menino de 12 anos com cabelos vermelhos como Rin e olhos de mesma cor. Rin avistou seus pais logo atrás deles e os abraçou. Sua mãe era tão bonita quanto ela, possuindo cabelos e olhos como os seus. E seu pai cabelos escuros e olhos marrons.
— Não deixa de usar vermelho nem por uma noite. – disse seu pai, sorrindo.
— O senhor sabe que é minha cor.
— Sei bem. – achou graça.
Laito engoliu em seco por um momento, vendo a família de Rin e como se comportavam uns com os outros. Rin voltou-se para ele, sorrindo e chamando-o. Ao aproximar-se, sorriu levemente e os tratou cordialmente, beijando a mão de sua mãe enquanto elogiava sua beleza e cumprimentando seu pai ao curvar-se.
A família de Sora e Yuka logo se aproximaram. O irmão mais velho dela tampou os olhos das duas por trás com as mãos ao aproximar-se, fazendo-as rirem. Ayato e Subaru entreolharam-se, assistindo-os. Elas os abraçaram e sorriram para a esposa do irmão, uma bela jovem de cabelos pretos que segurava um pequeno bebê. Seus pais as abraçaram, perguntando como estavam. Sora e Yuka entreolharam-se, sorrindo sem jeito. Não contariam nunca sobre o que aconteceu com elas durante aqueles meses.
Yuka correu até Subaru, segurando sua mão e fazendo-o se aproximar ao passo que Ayato foi até Sora. Subaru estava contido, porém os cumprimentou de forma educada. Sua mãe achou graça, comentando que ele parecia envergonhado. Yuka sorriu, notando que Subaru abaixou levemente a cabeça, tampando os olhos com a franja. Sora, por sua vez, apresentou Ayato enquanto segurava sua mão. Seus pais o olharam de forma surpresa, sorrindo e dizendo que estavam felizes por ele fazê-la sorrir. Ayato os olhou de forma surpresa, percebendo Sora sorrir e desviar o olhar enquanto enrubescia.
Mana arregalou os olhos e correu em direção aos pais, abraçando-os e contendo-se para não chorar. Reiji acalmou o olhar, olhando-a ficar surpresa por ver sua mãe estar grávida. Masami aproximou-se com Shuu a acompanhando.
— Mãe? – disse de forma surpresa.
— Ela está grávida! – exclamou Mana, sorrindo.
Sua mãe sorriu delicadamente.
— Como a casa ficou vazia depois que se foram, pensamos em enchê-la novamente. – disse ela, sorrindo para o marido.
— Que incrível! – disse Mana, animada.
— Mas onde está seu noivo? – perguntou seu pai.
— Eh...
Mana olhou ao redor, vendo que Reiji colocava-se ao seu lado e cumprimentava seus pais.
— Me chamo Reiji e é de grande agrado conhecê-los.
— Que educado. – disse sua mãe, sorrindo – É um prazer nossa filha estar noiva de um rapaz tão polido.
Mana desviou o olhar por um momento.
— Esse é Shuu. – disse Masami.
— É um prazer. – disse ele, curvando-se ligeiramente.
— É um prazer conhecê-lo.
— Bem, o rei nos falou que vocês possuem um bom relacionamento. – disse seu pai – Ficamos contentes com isso.
Masami e Mana entreolharam-se.
— Ele disse por acaso como sabe disso? – perguntou Masami.
— Não exatamente, mas creio que fique de olho em tudo. Afinal, ele é o rei.
— Hum, claro.
A atenção de todos foi voltada para o centro do salão, onde o rei segurava uma taça de vinho na mão e discursava. Os convidados os olhavam, tanto as famílias como a nobreza convidada.
— Acredito que já esteja no momento da dança. – dizia ele – E como os principais convidados são meus filhos e suas noivas, quero convidá-las primeiramente para uma primeira dança.
Ele finalizou, indo até Rin e segurando sua mão, fazendo-a ir para o centro do salão e começando a dançar com ela, segurando sua mão e pondo a mão em sua cintura. Ela sentia raiva dele, porém mesmo assim era uma honra dançar com o rei. Laito, porém, não apreciou o convite. O rei convidou Sora em seguida e depois Yuka, seguida por Reiko. Conversava um pouco com cada noiva, perguntando como estavam se sentindo em relação ao futuro casamento. Após a resposta, elas diziam que apreciavam a honra de serem escolhidas e elogiavam seus noivos, que não gostaram nem um pouco do convite da dança.
Ele parecia se agradar dos comentários e passava para a próxima noiva, Mana. Ela sorriu levemente, segurando sua mão e pondo-se a dançar.
— Você dança muito bem. – disse ele.
— Obrigada, majestade.
— Sente-se contente por logo se casar?
— Sim, claro. – ela sorriu levemente.
— Tem certeza?
— Certamente, majestade. Há sempre percalços no caminho, porém com paciência e dedicação, nós os ultrapassamos.
— Aprecio seu modo de pensar.
— Obrigada.
Ao passar para Masami, ele sorriu de forma leve, observando seu semblante incômodo enquanto dançavam.
— Por acaso não está contente por ter sua primeira dança no baile comigo? – perguntou.
— Não se trata disso, majestade.
— Então Shuu não está tratando-a bem.
Masami olhou em seus olhos, vendo como eram dourados e pareciam carregar algum segredo. Franziu ligeiramente a testa, perguntando:
— Por que quer tanto saber se Shuu está me tratando bem, majestade? Afinal, o senhor é o rei e certamente confia na criação que os deu.
O rei semicerrou os olhos, sorrindo levemente.
— Você é perfeita para Shuu.
Masami arregalou levemente os olhos.
— O que?
— Sua perspicácia é perfeitamente compatível com a de Shuu. Escolhi cada uma de vocês na esperança de que despertassem um outro lado nesses meninos. Algo novo.
— Então é verdade. – disse ela, pensando – Quer misturar nosso sangue para começar uma nova raça a partir dos herdeiros deles.
— Não se esqueça de que também serão seus herdeiros. – sorriu.
— Isso é monstruoso.
— Não julgue-me, minha cara. Não sabe por que desejo tal ato.
— Para puni-los? – perguntou ela, chamando sua atenção – A criação deles não possuiu nem um dedo do senhor, majestade. As mães ficaram encarregadas disso e creio que o senhor sabia bem do desequilíbrio de algumas delas.
— Refere-se à minha Cordelia? – perguntou ele.
Ela engoliu em seco.
— Sim.
— Possuo a informação de que ela planejou derrubar-me com meu irmão, Richter. E admiro a pequena Reiko por tê-lo matado. Admiro mais todos vocês por terem cuidado disso e acolhido a jovem que seria seu recipiente. Meu segundo filho, Reiji, é realmente incrível com poções. Mas o que mais desejo saber é: você ama Shuu?
Masami arregalou os olhos.
— Por que...?
— Isso você não vai saber. – sorriu ele – Porém acredite, qualquer tipo de afeto ou sentimento que tenha por ele... Logo será posto a prova, minha cara.
Masami paralisou, fazendo com que o rei finalizasse a dança e a reverencia-se. Ela não conseguia se mover, apenas olhava para o nada, tentando pensar e descobrir por qual razão ele dissera aquilo.
— Agora, por favor, peguem suas noivas e tenham sua primeira dança! – disse o rei, contente.
Cada um o olhou de forma irritada, indo até sua respectiva noiva e pondo-se a dançar com ela. Rin sorria para Laito, que tracejava um leve sorriso, dizendo ao pé de sua orelha como ela estava bonita. Ayato e Sora sorriam levemente. Yuka abraçava Subaru, perguntando se era mais uma exceção e fazendo-o franzir a testa. Reiko dançava com Kanato, que disse à ela que estava linda. Mana não conseguia olhar para Reiji enquanto dançavam. E Masami despertou quando Shuu segurou em sua mão.
Ele pôs a mão em suas costas e segurou em sua mão, olhando-a em sua expressão pálida.
— O que houve? – perguntou.
Ela balançou a cabeça, negando. Porém após um minuto de dança, segurou a mão de Shuu e retirou-se com ele do salão, indo para um dos corredores da enorme mansão e parando, tirando seu colar.
— O que está fazendo? – perguntou ele.
— Quero que beba meu sangue. – olhou-o.
Ele franziu a testa em dúvida.
— Meu pai disse algo.
— Sim.
— Vai me contar?
Masami pensou.
— Talvez.
Ele semicerrou os olhos, inclinando-se e pondo-a contra a parede. Masami o olhava com o olhar semicerrado, assistindo-o se aproximar de seu pescoço e mordê-la. Ela fechou os olhos, ofegante. Desejava se distrair-se com qualquer coisa. E o mais eficiente para ela, era sua excitação quando Shuu bebia seu sangue.
No fim do corredor, uma figura os observava. O rei sorria de forma maliciosa na escuridão, semicerrando os olhos e tocando os lábios com o indicador de forma interessada.
Ao final do baile, os casais voltaram para casa. Adentraram o hall de entrada, comentando sobre a comida, a dança e as famílias. Sora e Yuka conversavam sorrindo sobre algo que o irmão dissera enquanto subiam as escadas. Ao passo que Rin fitou Reiko ao subir os primeiros degraus, comentando algo que notara.
— Reiko, suas irmãs são iguais à você.
— Obrigada.
— Não foi um elogio. – ela riu.
Reiko franziu a testa.
— Então você tem irmãos, né? – disse ela – Será que eles vão ficar tão depravados como você no futuro?
— Estarão provando sua masculinidade.
— Ou desonrando alguém.
Rin estalou a língua, subindo com Laito. Todos subiram, porém Masami caminhava calmamente, ainda na entrada. Shuu percebeu que ela ficara para trás e olhou-a, já no andar de cima. Seu olhar estava baixo, parecia distraída. Ele voltou para o andar de baixo, aproximando-se.
— Masami.
— Eh? – olhou-o, despertando.
— Não vai falar o que ele disse?
Ela abaixou o olhar, hesitando, porém assentindo com a cabeça.
— Ele queria saber se você estava me tratando bem, então perguntei por que tanto o interesse. Falou que eu era perspicaz como você e que sua escolha em relação a mim fora perfeita. Disse que desejava despertar outro lado em vocês. Não compreendi, pensei que estivesse falando da nova raça, porém depois percebi que não era. – olhou-o – De que lado ele está falando?
— Não sei.
Ela escondeu o restante da conversa sobre seu sentimento logo ser posto a prova. Pensou que provavelmente o rei faria mais perguntas quando se encontrassem de novo, porém certeza isso demoraria. Então Masami despreocupou-se por um momento. Ela abaixou o olhar, encolhendo-se.
— Shuu... Não quero que tudo a nossa volta seja fruto de um plano. O casamento é arranjado, mas... – olhou-o – Quero ter filhos porque desejaremos isso e não por um plano de outro.
— Ele não vai nos controlar. – aproximou-se mais, segurando em sua mão – Quer ouvir música? Posso ajudá-la a trocar de roupa.
Masami achou graça.
— Apenas a música está bom. – disse ela, sorrindo levemente.
Shuu conduziu-a até a escada, subindo.
No quarto de Mana, ela acabara de trocar de roupa. Contara à Saki como fora o baile e que havia visto sua família. Porém por mais que estivesse feliz por ter visto os pais e descoberto que em breve teria mais um irmão ou irmã, ela estava entristecida por Reiji. Dançou com ele no salão, porém mal o olhou. Começava a ficar ressentida e receosa em relação ao seu comportamento. Tinha agora medo de que ele ficasse com raiva e não quisesse mais falar com ela.
Levantou da cama, vestida em sua camisola e direcionou-se até a porta, segurando na maçaneta. Hesitou, apertando-a. O que diria à ele? Estava o perdoando? Ao se afastar, pôs a mão na cabeça, apertando os olhos ao fechá-los.
— O que eu faço? – perguntou a si mesma.
— Mana.
Ela assustou-se, virando-se e vendo Reiji a sua frente, ainda de terno.
— Reiji?
Ele não parecia irritado ou nada similar, apenas estava com o olhar semicerrado enquanto a olhava.
— O que veio fazer aqui? – gaguejou.
— Enfim descobri o que quis dizer.
— Eh?
Ele aproximou-se, pondo-se bem próximo dela, que estremeceu enquanto o olhava.
— Compreendi que seu primeiro beijo era algo importante. Creio que especial.
— Hum, sim. E foi.
— Prometo que nunca mais a magoarei.
— Não é tão simples.
— Talvez seja. – disse ele, segurando gentilmente sua mão – Não beijarei mais ninguém que não seja você e prometo tentar não esconder mais nenhum segredo.
— Tentar? – achou graça.
— Sim. – ele sorriu levemente, desfazendo-o em seguida – Meus motivos são apenas meus por ter planejado a morte de minha mãe. Mas compreendo o que quis dizer. Porém não posso desfazer.
Ela abaixou o olhar, assentindo.
— Mas acredito que desejo o mesmo que você. – disse ele – Não tenho certeza, mas... Sim. Quero que sejamos diferentes, como você escrevera.
Mana o olhou, acalmando o olhar. Reiji a olhava, esperando que dissesse algo, porém ela não conseguia. As palavras estavam presas em sua garganta, porém não expressavam raiva ou mágoa. Seus olhos marejaram, ela começou a chorar, o que prometeu a si mesma que não faria na frente dele.
— Não me magoe de novo... Por favor.
Ele semicerrou ainda mais os olhos, assentindo e aproximando-se. Hesitou em beijá-la, porém não a viu afastar-se ou negar-se. Envolveu-a com os braços, beijando-a mais uma vez. Mana fechou os olhos, abraçando-o e apertando sua roupa. Ao cessarem, ela o olhou, dizendo:
— Senti sua falta.
— Hum... – ele assentiu, voltando a beijá-la.
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