Diabolik Lovers - União de Sangue

22 Capítulo 21: Respostas


Reiji caminhava em direção ao porão, passando por uma porta e descendo os dois lances de escadas. Avistou o prisioneiro, acorrentado à cadeira e na companhia de Rin e os outros irmãos. Rin estava com uma espada na mão e a ponta próxima de seu pescoço, franzindo as sobrancelhas com raiva.

— Vai falar ou não? – perguntava – Se não falar, vou arrancar sua língua para nunca mais abrir essa boca.

Ele apenas tracejou um sorriso malicioso.

— Rin, chega. – disse Reiji.

Eles o olharam. Reiji se aproximou, juntando-se à todos.

— Chamaram Kanato?

— Ele preferiu deixar isso conosco. Está no quarto com Reiko. – disse Ayato.

— Bom. Descobriram algo?

— Ele não quer abrir a boca. – disse Rin.

— Vou fazer com que abra. – disse Subaru, aproximando-se e tirando sua faca do bolso.

Ele encostou a faca no peito do homem, inclinando-se para frente e olhando-o de forma furiosa.

— Nos conte porque Richter os mandou até aqui.

O homem sorriu mais uma vez.

— Hah... Subaru-kun. – cantarolou pausadamente – O pequeno fruto do incesto. Preocupou-se com a noiva morta?

Subaru franziu ainda mais as sobrancelhas. Rin olhou-o em dúvida, perguntando-se sobre a afirmação. “Fruto do incesto?”, pensou.

— Calado! – ele gritou – Diga por que as atacaram ou eu vou destruí-lo!

— Assim ele não vai dizer nada. – disse Shuu em seu tom sereno.

— Hum... – cantarolou Laito, franzindo as sobrancelhas – Concordo. Vamos começar devagar. – aproximou-se, pegando a faca de Subaru e encostando a ponta no ombro do homem – Vamos jogar um jogo. – sorriu maliciosamente – Fazemos as perguntas e você responde. Se não o fizer, perderá um ponto. E então? Qual seu nome?

O homem apenas sorria.

— Laito-san... – cantarolou – Richter contou-nos muito sobre você. Sua mãe... Seu caso... Apreciou vê-lo possuindo-a enquanto estava trancado naquele calabouço?

Laito desfez o sorriso, perfurando seu ombro. O homem rangeu os dentes, esbravejando. Rin olhou-o. Ayato já havia explicado ao desceram para o porão sobre Richter ser tio dos seis. Então ela estava ainda mais confusa. O que a mãe de Laito tinha a ver com isso? Ele teve uma amante? Viu a mãe fazendo sexo com o tio? Que histórias eram essas?

— Melhor nos contar sobre o motivo de sua visita infeliz. – disse Reiji com os braços cruzados – Não apreciamos visitantes com modos deploráveis.

— Eles queriam matá-las. – disse Ayato – Isso já ultrapassa os modos deploráveis.

— De fato. – disse ele, aproximando-se e pegando a faca de Laito, observando-a – É realmente uma bela faca. Belo formato, polida, de prata... E afiada.

Reiji segurou firme no cabo da faca, desferindo um golpe e perfurando a calça do homem onde lhe doía mais. Ele gritou ao ser furado em sua preciosidade. Rin deixou uma risada escapar, sorrindo. Laito e Ayato sorriram de forma maldosa. Subaru franziu as sobrancelhas, estalando a língua por ele merecer o que recebeu.

— Espero que tenha em mente que não se deve tratar uma dama da forma a qual tratou. – explicou Reiji – Isso realmente me irrita.

O homem abaixou a cabeça, sentindo a profunda dor percorrer seu corpo. Reiji segurou seu rosto, levantando-o e fazendo-o olhá-lo.

— Agora... – disse ele, olhando fixamente em seus olhos – Tenha modos e nos diga qual o seu nome.

Ele respirava de forma ofegante, olhando-o.

— O... Okahito...

— Okahito-san. – disse Reiji – Nos diga por que nosso tio os mandou. – largou seu rosto.

Okahito os olhou, rangendo os dentes ao sorrir.

— Richter-sama quer tomar o lugar de Karlheinz.

— Ele é um tolo detestável. – disse Laito – Isso é impossível.

— Será possível... Quando ele revivê-la.

Todos prestavam atenção, atentos.

— Reviver quem? – perguntou Rin.

— À adorada mãe dos trigêmeos. Primeira e gloriosa esposa de Karlheinz.

— Gloriosa ela não teve em nada. – disse Ayato, irritado – Não há como revivê-la.

— Há se seu coração residir em outro corpo e o despertar ocorrer.

— Despertar? – Rin perguntou.

— Tolice. – disse Reiji – Não há precedentes para um mortal despertar com poderes de vampiro. Nenhum recipiente suportou o processo.

— É o que pensa... – disse Okahito – Richter-sama esperou anos por isso, porém adquiriu a mulher para esse trabalho quando era apenas uma criança.

— Então eles virão em breve. – pensou Reiji – Quando exatamente irá acontecer?

Okahito abaixou a cabeça, rindo.

— Tolos infantis... A nova raça nunca existirá. Karlheinz é um tolo!

— Que nova raça? – perguntou Rin – Ei, pinto pequeno, diga! Ou devo dizer, sem-pinto. – riu.

Ele a olhou.

— Suzu Rin.

Rin arregalou os olhos.

— Uma bela jovem. Excelente na esgrima, devo admitir. Porém o que tem a dizer sobre sua linhagem? Isso deve envergonhá-la bastante. Sua infância não deve ter sido das mais fáceis com aqueles puros chamando-a de mestiça.

— Cale a boca, sem-pinto! – exclamou ela, empunhando a espada – Ou vai virar sem-cabeça!

Antes de atingi-lo, Laito segurou sua mão, impedindo-a de matá-lo.

—Acalme-se, por favor, Rin-chan. Ainda não acabamos. – voltou-se para Okahito.

— Diga-nos porque a morte de nossas noivas impediria tal acontecimento? – disse Reiji.

Okahito não respondeu. Shuu franziu o cenho, dizendo:

— Os filhos. – disse ele, fazendo com que os outros o olhassem – Nenhuma das noivas é completamente pura e há mestiças, ele quer misturar o sangue. O nascimento dos herdeiros será o primeiro passo para isso.

— Richter-sama nos avisou sobre sua perspicácia,... Shuu-san. – Okahito sorriu maliciosamente – É um longo plano, não acha? E sua noiva? Masami, correto?

Shuu franziu as sobrancelhas.

— Está muito machucada? Mas por que minha pergunta? Vocês não se importam com nenhuma delas, não é? Fora tudo obra de seu pai, o rei. – disse, enojado.

— Há algo mais a dizer? – perguntou Shuu.

Okahito riu, olhando-o de forma maliciosa e umidecendo os lábios. Shuu aproximou-se de Rin, pegando a espada de sua mão e desferindo um golpe no homem, cortando sua cabeça. Os outros apenas assistiram, em silêncio. A cabeça quicou, acompanhada da espada que Shuu largou e sibilou ao atingir o chão.

— O plano realmente bem arranjado. – disse Reiji – Sua paciência é admirável.

— Isso é ridículo! – exclamou Subaru – Somos apenas peões no jogo dele, que pôs garotas que não tem nada a ver nisso!

— Acalme-se, Subaru. Elas estão bem e ficarão bem. Porém agora precisamos ter em mente que Richter e ela retornarão para esta casa. – Reiji suspirou – Isso me irrita profundamente.

— Ei, quem é “ela”, afinal? – perguntou Rin, confusa – É a mãe de vocês? Ayato. Laito.

— Você não precisa saber disso. – disse Ayato – Esse assunto é limitado às noivas.

— Mas...? – olhou para Laito – Laito! Me diga o que está acontecendo! No que fomos inseridas?

— Ayato-kun tem razão. – disse ele seriamente – Esse assunto é limitado à vocês. Nós resolveremos.

Rin franziu a testa, nunca se sentira tão perdida. Reiji ordenou aos empregados que se livrassem do corpo e todos se separaram, voltando às atividades normais. Porém Rin não aceitava isso, não aceitava ser mantida de fora de algo que estava completamente introduzida.

Permaneceu em seu quarto até o dia seguinte, pensando sobre o interrogatório e o que o homem disse. Alguém logo chegaria e pelo visto seria a mãe de Laito. O que ela tinha de tão especial ou tão ruim para que eles se comportassem dessa forma? E o que havia acontecido com Laito? Rin franziu as sobrancelhas, perguntando-se se o que acontecera teria ocasionado quem Laito era agora. Mas ela não se contentava apenas com conjecturas. Precisava descobrir o que houve.

Decidida em achar qualquer coisa que respondesse às suas perguntas, saiu do quarto e caminhou pela mansão. Ela já havia andado por todo primeiro e segundo andar. Não havia nada demais neles. Porém, nunca havia ido ao terceiro andar. Ela tentou levar Laito para divertir-se com ele em algum cômodo do terceiro andar em suas aventuras sexuais, porém ele nunca aceitou e a impedia sempre de ir. Ela não percebera antes, ele sempre a distraía. Porém agora descobriria o que tinha naquele lugar para ele não querer que ela fosse até lá.

Ao chegar, subindo o último degrau, Rin viu os corredores escuros. Franziu as sobrancelhas, desconfiada. Optou pela esquerda e adentrou os cômodos. Alguns eram grandes quartos que pareciam já terem sido usados uma vez. Ao entrar em um deles, atentou-se curiosamente à uma grande pintura sobre a lareira, coberta por um lençol.

Aproximou-se e puxou-o, cobrindo o rosto por causa da poeira e arregalando os olhos ao olhar para a pintura. Parecia ser o rei, a esposa e os filhos. Rin franziu a testa, vendo como a mulher era parecida com Masami. Possuía os cabelos loiros, presos em um coque e duas mechas longas em espiral. Porém seus olhos eram azuis. Era praticamente a imagem de Shuu. Ao lado dela estava o rei, um homem bonito de longos cabelos brancos e olhos amarelos. Logo abaixo, estavam Shuu e Reiji quando crianças.

— O que está fazendo?

Rin assustou-se, virando-se e vendo Reiko logo atrás dela, inexpressiva como sempre. Reparou em seu pescoço um belo colar.

— Novo colar?

— Pode se dizer que sim. Restou apenas o rubi do colar que você destruiu. – disse Reiko – Mas Kanato o consertou para mim, então não estou mais com raiva.

— Hum.

Reiko levantou o olhar, vendo a pintura.

— Shuu e Reiji?

— Sim. Aquela deve ser a mãe deles.

— Então é a segunda esposa. – disse ela – Está tentando descobrir segredos deles agora?

— Não. – Rin franziu as sobrancelhas – Eles estão escondendo algo de nós. Você não estava, mas nos atacaram ontem.

— Eu soube. Estava com Kanato.

— Interrogamos o homem que sobrou e descobrimos que o tio deles está por trás do ataque. E agora a mãe deles vai voltar.

— A mãe deles?

— A mãe de Laito.

— Mas ela está morta.

— Eu sei e também não entendo. – disse Rin – Há alguma coisa sobre o coração dela estar no corpo de outra pessoa e algo sobre um despertar. Mas não me contaram nada, disseram para eu não me meter.

— Mas não conseguiu se conter, né?

Rin voltou-se para a pintura, observando-a e concluindo que aquilo não ajudaria muito sobre a primeira esposa. Ao se virar e voltar-se para Reiko, viu Sora ao seu lado, que observava a pintura. Arregalou os olhos, franzindo a testa.

— O que ela está fazendo aqui?! – exclamou.

— Eu a chamei agora a pouco. Se a mãe dos trigêmeos vai voltar, suas respectivas noivas, nós, precisam saber o que está havendo.

— A mãe de Ayato? – Sora perguntou – Mas ela não está morta?

— Rin, explique à ela.

— Eu não vou explicar nada! Explique você! – ela exclamou, saindo do quarto.

Reiko o fez enquanto a seguiam. Sora compreendeu então por que atacaram a irmã, quase assassinando-a. Todas estavam inseridas em algo inimaginável e prestes a receber uma visita desagradável.

As três entraram nos outros cômodos, porém não havia mais nada. Ao voltarem para a escada e direcionarem-se para o corredor da direita, acharam algo curioso na última porta. Ao adentrarem, viram um cômodo com sofás, cômodas, quadros de diversos tamanhos e estantes de livros. Sobre uma cômoda sem lençol ao lado da porta da varanda, havia uma caixa de joias. O cômodo não era tão grande, mas estava um pouco abarrotado de coisas cobertas por lençóis brancos e empoeirados.

Reiko parou em frente à porta da varanda, franzindo levemente as sobrancelhas.

— Alguma coisa aconteceu aqui.

— E como você sabe? – perguntou Rin, vasculhando a estante de livros.

— Eu conheço bem o cheiro da morte. – disse ela.

— Está dizendo que alguém morreu aqui? – perguntou Sora – Quem?

— Isso eu não sei. Mas aconteceu algo aqui. – semicerrou ainda mais os olhos – Com certeza.

Sora aproximou-se da cômoda com a caixa de joias, abrindo-a e deparando-se com inúmeras joias. Colares, anéis e pulseiras de diversos tamanhos, cores e pedras preciosas. Admirou-as, surpresa. O que estavam fazendo ali? De quem eram?

— Nossa...

Ao passar a olhar os quadros, tirou os lençóis de cima deles, movendo um a um para ver que tipos de pinturas havia. Rin abria os livros, passando impacientemente as páginas de cada um e não descobrindo nada que respondesse às suas perguntas. Após desistir, virou-se.

— Não há nada aqui. Apenas livros, móveis e joias. Esse lugar é inútil.

Sora moveu mais uma pintura, atentando-se ao que surgiu e olhando-a mais de perto.

— Talvez as respostas não estejam aqui. – disse Reiko.

— Se não estão em lugar algum, como descobriremos quem é a mãe deles?

— Acho que está procurando isso. – disse Sora, tirando uma grande pintura do meio das outras.

Apoiou-a na parede, afastando-se e juntando-se as outras, que se aproximaram para observá-la. Era como a outra pintura, porém esta continha a primeira esposa e os trigêmeos. O rei demonstrava a mesma expressão e a mãe dos três sorria de forma maliciosa. Seus longos cabelos eram arroxeados e usava um belo vestido preto com detalhes brancos e uma flor na alça. Era exuberante e atraente, e provavelmente sabia disso. Os trigêmeos eram crianças e não pareciam contentes. Ayato, à esquerda e logo abaixo da mãe, parecia irritado. Kanato, no meio, inexpressivo. E Laito, à direita, sorria levemente.

— Então é ela. – disse Rin, surpresa – O que essa mulher fez?

Reiko e Sora entreolharam-se.

— Como assim? – perguntou Sora.

Rin franziu as sobrancelhas.

— Aconteceu algo com Laito. E acredito que com os outros dois também.

— Não pode ser... – Sora gaguejou.

— Eles não são normais. – olhou-a severamente – Laito já foi preso em um calabouço. Então o que, além disso, aconteceu com eles por causa dela?

— Muitas e muitas coisas. – cantarolou Laito, sentado no sofá coberto pelo lençol.

Rin e Sora arregalaram os olhos, Reiko surpreendeu-se. As três o olharam, virando-se e vendo Laito sorrir levemente, observando-as.

— Esse quarto é limitado à vocês. – disse Ayato.

— Não deveriam estar aqui. – disse Kanato.

Ao se voltarem para a pintura, viram Ayato ao lado da mesma e Kanato ao lado da cômoda com Teddy nos braços. Ayato parecia irritado e Kanato demonstrava uma expressão perturbadora com seus grandes olhos arregalados.

— Essa era a mãe de vocês? – perguntou Rin.

— Sim. – disse Laito.

— Por que a pintura está guardada aqui se a pintura da segunda esposa está pendurada sobre a lareira no outro quarto?

— Ah... – ele cantarolou – Rin-chan, você tratou de procurar por todo o andar, né?

— Tratei de achar as respostas que você não quis me dar.

— E as achou? – ele sorriu maliciosamente.

Rin franziu a testa, frustrada.

— Ayato, o que a mãe de vocês fez? – Sora perguntou, docemente – Rin disse que Laito foi trancado num calabouço. Ela... Também fez isso com vocês?

— Não. – disse ele, incômodo.

— O que ela fez?

Ayato não queria responder, desviava o olhar. Reiko observou os três e suas expressões. Era uma mistura de tristeza, receio e raiva. Algo realmente havia acontecido naquela casa.

— Ela devia ser diferente. – disse Reiko – Qual era o nome da mãe de vocês?

Uma atmosfera intensa inundou o cômodo, Laito e Kanato permaneceram inexpressivos, porém Ayato franziu as sobrancelhas e a olhou seriamente, dizendo:

— Cordelia.

Sora franziu a testa, tal nome a fez estremecer pelo olhar de Ayato. Ele então contou às elas sobre a noite da morte da mãe. Ayato a feriu no hall de entrada e planejava matá-la, porém ela fugiu e foi até Laito, ordenando-o que a protegesse. Ele o fez, levantando-a até o cômodo onde estavam e em seguida para a varanda, garantindo à ela que Ayato estava longe. Sua mãe lhe garantiu que ele era o único e que ela o amava de verdade. Porém Laito a jogou da varanda. Kanato fora até as roseiras onde a mãe caíra e perguntou onde estava seu coração, comentando que ela estava fria e que ele iria esquentá-la. Ele aproximou o candelabro que tinha na mão e incendiou seu corpo.

Ao terminarem a história, olharam para as três. Reiko não demonstrava nada, Kanato bem sabia que ela mesma havia matado o próprio pai. Rin franzira as sobrancelhas, um pouco surpresa, porém mais irritada por Laito ter escondido isso dela. Sora, porém, olhava para Ayato de forma surpresa.

— Vocês... Mataram sua mãe? – perguntou.

— Sim. – disse ele.

— Agora sabemos onde foi parar o coração dela. Por isso ela vai voltar. Tsc. – Laito reclamou – Pensei que a veria apenas no inferno.

— Se eles a mataram, é porque ela provavelmente mereceu. – disse Reiko – Não os julgue antes de saber o que ela fez.

— Mas... Isso não importa. – disse Sora, estremecendo – Era a mãe deles. Como puderam fazer isso?

— Você não sabe de nada. – disse Laito.

— Não sabe como ela nos arruinou. – falou Kanato.

Sora fitou Ayato, que a encarava. Ela abaixou o olhar, retirando-se do cômodo. Ayato a seguiu com o olhar, abaixando a cabeça em seguida e saindo.

— As mulheres às vezes são realmente chatas. – disse Kanato, semicerrando os olhos.

Rin voltou-se para Laito, que ainda estava sentado.

— Espero que agora você me conte mais.

Ele semicerrou o olhar de forma tediosa.

— Provavelmente.

No quarto de Sora, ela encontrava-se sentada em sua cama, encolhida e com uma das mãos sobre o peito. Ouviu sua porta bater e olhou para trás, vendo Ayato em sua jaqueta e cachecol vermelho. Ele caminhou até ela, que levantou e se afastou.

— Vai justificar o que fez?

Ele acalmou o olhar.

— Você não sabe o que ela fez.

— E nem quero saber! – exclamou ela – Era sua mãe!

— Sim, era! – ele exclamou, enfurecido – E ela deveria ter cuidado de nós! E não nos ameaçado e maltratado! Ela não deveria ter me jogado no lago para eu nunca mais errar, ou feito Kanato cantar até as cordas vocais dele sangrarem, ou ter tido um caso com Laito! Ela não deveria ter feito nada disso!

Sora arregalou os olhos, vendo-o furioso. Agora que sabia o que a mãe deles fizera, ou ao menos uma parte, ela assimilava a expressão de Ayato junto aos fatos.

— Me diga se não iria querer matar alguém que fizesse isso. – disse ele.

Sora abaixou o olhar, encolhendo-se.

— Richter mandou aqueles homens por causa dela. Porque não querem que tenhamos herdeiros. Se tivermos, vai ser ainda mais difícil para ele tomar o lugar do nosso pai.

Sora o olhou com olhos marejados e caminhou até ele, abraçando-o de repente. Ayato a olhou de forma surpresa, envolvendo-a calmamente em seus braços.

— Desculpe... – disse ela com a voz embargada – Me perdoe...

— Hum. – ele abaixou o olhar – Seus pais provavelmente eram bons. Claro que não entenderia.

Ela assentiu, porém levantou a cabeça para ele, afastando-se levemente.

— O que vamos fazer? Rin disse que ela vai voltar.

— Vamos esperar.

— Mas... E quando ela chegar?

Ayato abraçou-a novamente, franzindo as sobrancelhas e dizendo:

— Vamos matá-la de novo.