Yui Komori.

Sentei em minha cama. E fiquei observando meu rosário, será que eu poderia voltar para a minha casa agora que eu não era mais a única noiva de sacrifício ? Eles não precisavam mais de mim, não é mesmo ? Tinham a Reiko.
Me joguei na cama e a imagem dela entrando na mansão com o braço engessado passou pela minha mente, ela deveria querer tomar um banho já que acabara de chegar. Me levantei da cama e separei uma muda de roupas, ela tinha praticamente a mesma altura que a minha minhas roupas serviriam nela, separei um par de roupas íntimas que eu ainda não havia usado e uma legue e uma sobre legue azul, coloquei uma roupa acima da outra deixando as roupas íntimas no meio.

— Acho que vai servir. — Disse para mim mesma.

Saí de meu quarto e fechei a porta, fiquei encarando por um tempo a porta do quarto a minha frente. Pode parecer estranho, mas nunca antes havia entrado nesse cômodo mesmo ficando a frente de meu quarto, dei alguns passos e me coloquei à frente do quarto de Reiko, dei leves batidas na porta, ficando mais apreensiva a cada batida. Não tive resposta alguma, lembrei-me que até agora ainda não havia ouvido a voz dela. Ela era muda, ou apenas não gostava de falar ? E se fosse muda como me responderia ? Engoli em seco, tomei um pouco de coragem e abri a porta.

Ela estava de costas para mim mexendo em algumas roupas na cômoda. Fechei a porta do quarto com o pé tentando fazer o mínimo barulho, assim que a porta fechou ela se virou e olhou para trás.

Reiko tinha os cabelos maiores que os meus, que caiam em leves ondas um pouco acima do meio de suas costas, o cabelo dela era branco com exceção das pontas que eram levemente acinzentadas. Os olhos turquesa focaram em mim, ela parecia irritada.

— Pensei que gostaria de um banho. — Disse. — Já que não vi você trazendo malas, pensei que precisaria de roupas… além de que está com o braço engessado, também pensei que seria bom ajudá-la.

Ela ergueu uma roupa dobrada com seu braço que estava bom e chacoalhou, ela estava claramente mostrando que dispensa a minha ajuda com as roupas que havia trazido. Eu era uma garota solitária vivendo nessa mansão, ela também deveria ser. Então porquê estava sendo tão dispensável em relação a arrumar uma amiga ?

Olhei em volta, o quarto dela era praticamente idêntico ao meu, as únicas diferenças eram que ao invés de rosa para os lençóis, cobertores, tapetes e cortinas no quarto dela era lilás. Caminhei até a cama dela e deixei a muda de roupa que havia trazido em cima. Olhei em volta e coloquei as mãos para trás.

— Ual. — Emiti. — Nossos quarto são bem parecidos.

— Esperava o quê ? — Indagou ela. — Que os Sakamakis perguntassem suas preferências de decoração antes que se mudasse para cá ?

A voz dela era bonita e mansa, fazia a parecer muito delicada embora suas palavras fossem muito ríspidas.

— Não havia pensando nisso… — Falei.

— É apenas um padrão. — Falou ela.

— Entendo. — Disse desanimada.

Reiko soltou um suspiro e voltou a mexer em suas roupas.

— Então. — Falou ela. — Há que devo a visita ?

— Pensei que gostaria de ajuda para tomar banho. — Falei. — Ou com outra coisa, já que o seu braço…

— Então quer me ver nua ? — Indagou ela indiferente. — Me desculpe mas eu…

— Não quis dizer isso! — Disse apressadamente a interrompendo. — Já que ambas somos garotas não tem problema!

— Ela se virou e olhou para mim e então chacoalhou novamente a roupa que estava em sua mão.

— Nesse caso. — Falou ela. — Eu aceito a sua oferta. Já que insiste tanto venha me ajudar com isso.

Caminhei até ela e fiquei ao seu lado. Era realmente como havia pensado tínhamos a mesma altura. Olhei para as roupas em sua cômoda eram todas em sua maioria brancas e todas vestidos com muita renda, observei a roupa que ela estava vestindo. Era apenas um vestido branco com mangas normal, sem muita renda ou volume diferente dos que estavam em sua gaveta.

— Você é Loli… — Ela me interrompeu antes que eu terminasse a pergunta.

— Não. — Ela disse de forma ríspida. — É claro que não, essas roupas nem são originalmente minhas.

— Então por quê ? — Perguntei.

— Quem te viu primeiro ? — Ela indagou olhando para mim.

Eu não estava entendo por que ela estava mudando de assunto. Me lembrei de quando havia entrada na mansão pela primeira vez, Ayato estava deitado no sofá.

— Ayato. — Falei.

— Hmm… — Emitiu ela. — Ele é bem possessivo.

— Por que você queria saber ? — Perguntei.

— Quem me viu primeiro foi Kanato. — Falou ela. — Talvez agora você entenda o porquê dessas roupas infantis.

Então Kanato a obrigava vestir roupas de Lolita, bem assumindo a forma que ele se veste e os gostos dele não era algo totalmente ilógico. Reiko puxou um vestido, o que possuía menos rendas e menos detalhes, mas ainda sim era bem chamativo, ela empurrou o vestido em mim, eu o segurei. Ela abriu outra gaveta tirando algumas peças íntimas.

— Pelo menos isso não foi trocado. — Murmurou ela.

Ela começou a caminhar em direção ao banheiro. Peguei minhas peças de roupas que havia deixado sobre a cama da mesma e fui atrás dela. Eu entrei no banheiro e fechei a porta Reiko olhou para as minhas mãos.

— Você realmente tem segunda intenções. — Falou ela. — Achei que só queria me ajudar, mas no final irá tomar banho comigo.

— Já disse que não é isso! — Rebati. — Somos duas garota, não tem problema!

— Sei… — Emitiu ela como se não estivesse acreditando em mim.

Provavelmente Reiko antes de eu aparecer já estava planejando tomar banho, pois a banheira já estava cheia com água quente. Ela me fuzilou com o olhar para que olhasse para o outro lado, olhei para o outro lado e comecei a me despir. Escutei um barulho de água,ela já deveria ter entrado na banheira. Terminei de me despir e olhei para ela, ela estava de costas para mim, segurando os joelhos juntos a corpo com seu braço bom e outro braço engessado para fora da banheira. Entrei na banheira me sentando também com joelhos juntos ao corpo. A banheira era grande por isso tinha bastante espaço para nós duas sem que precisássemos tocar uma na outra.

— O que está esperando ? — Perguntou ela. — Lave meus cabelos.

Eu entendo que disse que a ajudaria, mas ela não estava me confundindo com uma empregada ? Soltei um suspiro e puxei os cabelos dela para trás. O pescoço dela tinha uma marca de mordida.

— Kanato te mordeu ? — Indaguei.

— Por que acha que foi Kanato ? — Perguntou ela em resposta.

Me lembrei de Kanato hoje mais cedo dizendo que ela era o “brinquedinho” dele e que não iria dividi la, mas eu não poderia dizer isso a ela, acredito que ela se sentiria desconfortável.

— Por que… — Comecei a dizer mas não sabia como terminar a frase.

— É verdade que antigamente eu era a noiva de Kanato e que só ele chupava meu sangue. — Falou ela. — Mas depois de um pequeno incidente, não sou mais apenas de posse dele. O que é ruim, afinal não estarei mais a mercê de um Sakamaki, mais de seis.

Peguei o chuveiro de mão e liguei molhando os cabelos dela. E depois abri a tampa do shampoo, o shampoo tinha um aroma doce e bom.

— Não quero que use esse shampoo. — Falou ela. — Use o outro, o branco sem cheiro.

Eu não havia entendi o porquê da escolha dela, mas fiz como ela havia me pedido. Espalhei o shampoo pelos cabelos dela fazendo espuma.

— Que incidente. — Indaguei.

Talvez ela não quisesse me dizer, mas eu sentia que era algo que eu precisava descobrir.

— Não foi nada demais. — Falou ela indiferente. — Apenas o motivo do meu braço estar engessado.

— O que houve ? — Insisti.

— Kanato me jogou da sacada. — Contou ela.

Engoli em seco, como Kanato, podia ser tão cruel ? Como ele podia fazer um coisa tão má dessas com alguém. Minha mente trouxe a lembrança dele caindo da sacada em minha mente.

— Não o culpe. — Falou ela. — Não foi apenas culpa dele, eu induzi para que fizesse.

Levei um susto quando ouvi ela dizer e parei de ensaboar o cabelo dela.

— Por quê ? — Indaguei em uma mistura de tristeza e curiosidade.

— Apenas chegou um momento que eu não via mais sentido em estar aqui. — Falou ela. — Não via sentido algum em viver assim, enfim… foi o ato mais tolo de toda a minha vida.

Notas finais
Olá meu doces, cadê o comentarUzinho para me deixar feliz ? *0*