Notas iniciais
Hey, Hey! E olhem só! Não é que apareci? Todo mundo que me acompanha sabe que não largo o Nyah por nada! haha Espero que se divirtam com esses dois! Enjoy.

Todo mundo sabia que fumar não fazia bem. Crianças pequenas e que mal sabiam falar quando me viam com um cigarro na mão, já começavam a gritar: “Que coisa feia! Que coisa feia! Mããããeeee, ela tá fumando!”. Bem, eu não era tola. Cigarro era a prova de como o ser humano poderia ser idiota. Basicamente, passamos a vida dando dinheiro e botando algo entre os lábios que nos mata mais rápido. E quando estamos em nosso leito de morte, pensamos: “Ah, que merda! Eu poderia ter vivido mais”. É, poderia. Se tivesse sido esperto.

— Bella, apaga essa merda e vamos logo para o aeroporto!

Pois é, eu não era esperta.

Muito bem. Essa frase extremamente delicada só poderia ser daquela que, por ordem da vida, eu intitulava como melhor amiga. Rosalie era daquelas pessoas que apareciam sem você ter certeza no que daria. Pois, no nosso caso, o que mais tinha dado era confusão!

Nos conhecemos no ensino fundamental: eu estava prestes a comer o cookie de chocolate e baunilha totalmente caseiro, enorme e cheio de gordura trans da minha avó Swan quando Rosalie apareceu no pátio. A loirinha com que todas as meninas sabiam que precisavam ter cuidado e que todos os meninos sonhavam em ter na hora de descascar a banana.

Rosalie sempre foi rápida em tudo, e isso também contava para a parte corporal. Não era culpa dela que todos a tivessem sexualizado cedo, mas até hoje ela dizia o quanto gosta disso.

Resumindo a ópera: se alguma menina estava de crush com algum menininho da sala, Rosalie logo se metia na história para fazer o garoto babar por seus cabelos loiros e encaracolados e os peitos com as pontas apontadas para a lua.

Uma megera. Era o que eu pensava até o ensino médio, quando ela me acompanhou em todo o processo da puberdade, impedindo que eu entrasse pelo cano em meus romances ridiculamente patéticos. Se um cara me chamava para jogar videogame na casa dele, eu imaginava centenas de jogos de tiro, salgadinhos espalhados pelo sofá e meias sujas esquecidas pelo chão. Já Rosalie, imaginava o que era realmente a realidade: o cara queria pegar nos meus peitos e depois contar para todo mundo.

Eu a chamava de suja e ela me chamava de tapada. Pois então, nós brigamos e fomos inimigas até quase o final do segundo ano. Porém, as coisas se ajeitam, a mentalidade se desenvolveu (mesmo que não muito) e fomos nos ajustando à personalidade uma da outra.

Nós nos formamos nas respectivas áreas profissionais em que queríamos e aproveitávamos nossas férias para viajar para lugares que sempre tínhamos sonhado visitar. Só havia um pequeno detalhe: eu tinha um namorado mega chato. Porém, isso é história para outra hora.

— Último trago e tô indo! — gritei de volta.

Traguei o finalzinho do cigarro e o joguei no cinzeiro que havia no jardim da minha casa.

— O carro chegou! — berrou Rosalie.

Corri para dentro e peguei minha mala assim como as duas bolsas de mão, que continham meu computador, câmera, celular, Ipad e coisas de higiene pessoal.

— Não se esqueceu de nada, cabeça de vento? — Rosalie perguntou, vindo me ajudar. — Maria bolseira, pra que essa merda toda?

Rosalie usava expressões e apelidos que eu nunca ouvira na vida aqui na Inglaterra, no entanto ela era muito mais viajada que eu e falava diversos idiomas, inclusive o do país para o qual estávamos indo agora.

— São dois meses, Rosalie, não uma semana. E você sabe que eu tenho um canal a zelar. Você bem que poderia levar a câmera, dessa vez.

Nós tínhamos um vlog, no qual postávamos nossas experiências em outros países dando dicas e conselhos para quem quisesse. Não era tão informativo como parecia, 50% do conteúdo era nós duas fazendo merda ou nos perdendo.

— Eu levo, só anda logo.

O carro realmente já estava à nossa espera e só tive tempo de trancar a porta da frente antes que o motorista viesse pegar nossas malas.

— Seu queridinho não veio? — ela perguntou.

Prestei atenção no interior do carro e, como se pudesse sentir, Sam saiu de dentro dele.

— Claro que veio — resmunguei. — Não começa, Rosalie.

Ela riu debochadamente.

— Fodam-se, vocês dois. Eu quero saber dos morenos que vou encontrar no Brasil.

Eu ri. Claro que ela queria.

***

O voo foi uma maravilha. Graças ao meu namorado, Sam Uley, fomos de primeira classe. Ele possuía esse tipo de poder, as companhias áreas basicamente davam as passagens para qualquer destino que ele desejasse. Tudo por conta de sua reputação como advogado.

Rosalie tinha enchido a cara de champanhe e veio tagarelando sobre o quanto estava animada para finalmente conhecer o Brasil, terra de paisagens maravilhosas, calor, bebidas refrescantes, morenos de arrasar e praias para todo lado. Como era fevereiro, provavelmente iríamos pegar um sol de rachar, mas estávamos preparadas.

Desembarcarmos no Rio de Janeiro e seguimos para o bairro de Ipanema, em um hotel que se intitulava Fasano.

Minha nossa senhora, o que era aquela paisagem? Dava para se perder com tal visão. O azul do mar parecia não ter fim, a camada de areia branca se mesclava perfeitamente com as ondas que quebravam sem parar, cada vez maiores. As pessoas caminhavam e se deitavam para tomar sol, as crianças corriam e pulavam sobre a água, os surfistas curtiam o dia com suas pranchas deslizando entre as ondas e gritavam de entusiasmo pelo tamanho delas. Eu nunca vira um lugar com tanta vida.

Mal pude conter minha ansiedade para conhecer mais sobre o Rio, então não me demorei no hotel. Troquei minha roupa para um biquíni que Rosalie comprou para nós aqui por perto e deixei minhas malas no quarto que dividia com Sam. Ele estava ao telefone — para variar — marcando um encontro de negócios para mais tarde. E olha que hoje era o dia dos namorados na Inglaterra! Talvez ele não quisesse comemorar, já que estávamos no Brasil, mas aquilo não me deixou muito satisfeita.

Ainda eram nove da manhã, apesar de estar cansada por conta do voo. Não podia pensar em dormir, havia muita beleza ali para ser explorada.

— Sam, vou à praia com a Rosalie. Você vem? — perguntei baixinho.

Ele me olhou de escanteio e suspirou, pediu um minuto a quem quer que estivesse no outro lado da linha e me olhou.

Percebemos a vontade da pessoa em me responder.

— Não, Bella. Eu acompanho vocês no almoço, podem ir! — falou, sem nem pensar duas vezes.

O cara vinha para um paraíso desses e queria ficar no quarto falando sobre negócios? Bem, como dizia Rosalie: que se foda!

— Ok — respondi.

Ele se aproximou e me beijou brevemente nos lábios.

Mesmo depois de anos, não me sentia completamente apaixonada por Sam. Não do modo arrebatador como mostravam os filmes e as músicas. Nosso namoro era simples e convencional. Às vezes me bastava... e às vezes, quando todos dormiam, eu desejava mais. Muito mais. E acreditava que ele também. Sam precisava de uma esposa em sua vida. Alguém que desse prioridade ao seu trabalho, que pudesse se limitar a ser a mulher exemplar de um famoso advogado. Alguém que não pensasse duas vezes antes de ficar em casa cuidando de filhos, eventos sociais e de suas necessidades.

Eu não me sentia pronta para assumir tantas responsabilidades e abdicar de toda a minha vida para servir à dele. Queria tempo para me achar como alguém de que realmente pudesse me orgulhar. Também queria crescer profissionalmente, e Sam jamais entendeu esta minha condição. Ele dizia que estava mais do que na hora de essa situação se adequar à minha vida. Nossa relação era como uma bomba, e um dia ela iria explodir.

Mandei uma mensagem para Rosalie e logo nos encontramos no saguão do hotel.

Eu não entendia quase nada das conversas ao meu redor, pois não sabia muito português, mas Rosalie era fluente, já que desde de pequena fazia diversos cursos de idioma e tinha uma tia brasileira. Ficaríamos dois meses no Rio de Janeiro, talvez eu conseguisse pegar algo mais da língua.

— Bella! Você pegou protetor? — Rosalie, como sempre, nunca chegava suavemente. Ela surgiu ao meu lado como um espectro malvado e falou comigo como se estivesse ali o tempo todo.

— Peguei e já passei — respondi. — Quer emprestado?

— Você é uma besta, mesmo. Tanto moreno gato por aqui e você passa seu próprio protetor?

Eu ri e rolei os olhos.

— Você não tem jeito — neguei com a cabeça — Sendo do seu gosto ou não, Rosalie, eu tenho um namorado.

— Um namorado que não sabe quase nada sobre você, não é? Vamos ser sinceras, você imaginou que aos vinte e cinco anos estaria com esse mala-sem-alça? Você está no auge, mulher! Precisa se divertir mais e se prender menos. E você sabe disso.

Eu realmente não estava afim de pensar nisso agora.

— Rosalie, nós estamos a um passo do paraíso e eu não vou discutir com você — falei, já acostumada.

— Muito bem. Espero que você tenha avisado o seu namoradinho que vamos estar na praia, porque eu não saio de lá nem tão cedo!

Eu a conhecia o suficiente para entender que havia mais coisa ali do que ela estava me contando.

— Rosalie, o que você está aprontando? — perguntei na lata.

Ela começou a andar em direção à saída do hotel e eu a segui, já mais que desconfiada.

Rosalie não disse nada por uns minutos e fomos andando em direção à praia, porém, quando chegamos ao calçadão, ela continuou andando em direção a uma enorme rocha.

— Estamos no Arpoador e uma amiga minha que é brasileira prometeu nos levar aos lugares mais badalados do Rio.

Rosalie disse aquilo tão rápido que eu demorei um pouco para processar, era difícil processar as palavras em português.

— Sim, Rosalie. Teremos meses para conhecer tudo isso, mas agora eu só quero pisar na areia!

Peguei minha câmera e comecei a filmar aquele lugar que era mais que fenomenal. Filmei as pessoas caminhando, as ondas batendo contra a areia, o céu limpo e extremamente azul e as pessoas que vendiam artesanato no calçadão de Ipanema.

Aproximei-me de uma das cangas e, de repente, uma das mulheres que estava vendendo pulseiras, colares e outros objetos de artesanato se levantou e pulou em cima de mim.

Mas que merda é essa?

Empurrei-a e gritei em desespero. Ela queria levar a minha câmera. Meu Deus, o primeiro assalto, já? Rosalie tinha me alertado. Afinal, estávamos em um país diferente do nosso e não conhecíamos nada, éramos presas fáceis por sermos gringas. Em qualquer país, não tínhamos conhecimento de onde era perigoso e onde não era. Mas, caramba! Nem tinha conseguido pisar na areia!

— Jamile? — Rosalie perguntou em um tom perplexo.

A mulher parou de se debater e tentar me assaltar e olhou para Rosalie. A partir daí eu não entendi mais nada da conversa, mas as duas pareciam animadas em se reencontrar.

Que ótimo!

A mulher que cheirava a óleo de rícino parecia conhecer minha melhor amiga.

Rosalie chegou mais perto de mim e cochichou em inglês:

— Ela achou que éramos só umas gringas trouxas, mas essa é a minha amiga brasileira.

Inacreditável!

— Eu não vou nem perguntar de onde você a conhece — falei de cara fechada.

A mulher não tinha um pingo de educação, vamos lá!

Como se soubesse o que eu estava pensando, a tal da Jamile sorriu para mim e acenou. Dei um sorriso amarelo de volta e segurei minha câmera mais forte entre meus dedos.

— Isabella, não é? — A menina perguntou em inglês. — Desculpa a brincadeira.

Brincadeira, sei... Minha mãe também é virgem!

— Tudo bem, ainda bem que não tenho problemas cardíacos — ri.

Ela riu também e começou a recolher suas coisas do calçadão.

— Bem-vindas ao Rio de Janeiro, meninas. Agora vamos para o que interessa, vocês trouxeram dinheiro? Real?

Olhei para ela assustada mais uma vez e aí lembrei que real era a moeda do Brasil.

— Sim — Rosalie respondeu.

Me desliguei um pouco da conversa e comecei a prestar atenção ao meu redor.

Era muito diferente. As pessoas sorriam quando me viam olhando para elas, algumas crianças até acenavam para mim. Os casais se beijavam sem pudor algum e também se abraçavam. Tinha uma música alta vindo da areia e eu não consegui identificar o ritmo.

— É uma roda, Bella. Eles tocam pagode, samba, axé e até funk ¾ disse Jamile, simpática. Claramente eu não deveria estar sendo discreta sobre minhas dúvidas.

Eu conhecia algum dos ritmos por conta do meu trabalho, mas nunca havia ouvido dessa forma, fora de palcos. Era completamente novo. E respirei aliviada: como eu amava viajar por aí! Gostaria de fazer isso o tempo todo, mas Sam detestava minhas viagens e dizia que minhas andanças com Rosalie eram totalmente inapropriadas.

Continuamos nos aproximando da tal roda e não consegui pronunciar direito as palavras que a tal Jamile tinha dito. Provavelmente os ritmos deveriam ter nomes diferentes na Inglaterra.

Nos enfiamos na roda e vimos homens e mulheres dançando. Eu não tinha ideia de como faziam aquilo, mas adorei. Eu dançava há muitos anos — desde os cinco, para ser mais precisa — e por isso me formei na área. Trabalhava montando espetáculos culturais por todo o mundo. Eu olhava e estudava as danças típicas de todos os países que viajava e depois reproduzia na Inglaterra, convidando pessoas de todo o mundo para trabalhar comigo.

Chegara a hora de conhecer o Brasil e eu estava animada, pois parecia que as pessoas ali tinham o dom de sorrir e serem felizes com uma simples “roda”. O gingado era natural e isso não era fácil. Precisei de anos de dança para aprender a sambar.

Me animei assim como Rosalie e comecei a dançar. Jamile tinha se afastado e agora voltava com cervejas. Eu ia me esbaldar!

Peguei a câmera e a liguei novamente. Com certeza botaria toda essa animação e beleza no canal. Gravei por alguns minutos e depois Rosalie pegou a câmera, me incentivando a ir dançar.

Duas mulheres que estavam requebrando os quadris a todo vapor sorriram e me receberam de braços abertos. Dancei e deixei o ritmo me guiar. Era tão gostosa, a sensação de estar em um lugar novo, sentindo aquilo que um minuto antes eu não conhecia me consumir.

Continuei dançando, acenando para Rosalie, que deixou Jamile gravando enquanto nós dançávamos. Nós riamos alto e imaginei que, naquele momento, estivéssemos compartilhando a mesma sensação de liberdade e felicidade.

***

Já estávamos na praia há algumas horas, pegando sol e mergulhando no mar azul. A temperatura da água estava surpreendentemente refrescante, como se o mar se conectasse com o sol e os dois soubessem a medida perfeita para fazer um lindo dia.

Sam já havia me ligado três vezes e tentei não ficar desanimada com a ideia de ir embora da praia por hoje, já que teria dois meses por ali.

— Rosalie, precisamos ir — falei mais uma vez.

— Eu te ouvi na quinta vez, Bella. — Ela estava deitada com a bunda para cima enquanto um cara que ela havia conhecido há alguns minutos passava protetor em suas costas. Parecia realmente que ela vivia em um filme americano. — Vamos, então. O Sam chatinho já deve estar te esperando com um vestido de vovó.

Escondi o sorriso. Éramos duas inglesas que se tinham se metido a conhecer o mundo. E, sinceramente, era maravilhoso tê-la como parceira para essas aventuras.

Sam não era assim tão ruim. A questão era que ele se importava mais com o trabalho do que com a nossa relação. E, para falar a verdade, eu também não me importava muito com o nosso futuro.

— Ei, Jamile. Foi um prazer te conhecer — eu disse de forma sincera.

Até que ela era legal, só tinha me dado um puta susto quando nos conhecemos.

Ela acenou para mim e a deixei se despedindo de Rosalie, enquanto andava em direção ao calçadão para bater meus pés. Sentei-me em um banco de pedra e comecei a remexer minha bolsa atrás do meu celular. Quando finalmente consegui achá-lo, havia uma nova mensagem de Sam.

Sam

13:44

“Onde vocês estão?”

Bella

14:15

“Na praia, saindo. 2 minutos e estamos aí.”

Ele não respondeu e dei de ombros.

Rosalie se aproximou e me entregou a câmera para que eu a colocasse na bolsa.

—Temos que editar as imagens de hoje — avisou ela.

— Podemos fazer hoje à noite, após o jantar — sugeri.

Rosalie riu e negou com a cabeça.

— Hoje é dia dos namorados, Bella. Eu vou é sair com aquele moreno da praia. Se você não quer curtir sua vida, ou ao menos dar uma chance a uma pessoa que realmente possa te fazer feliz, é com você.

Eu sei, ela continuava sendo uma megera por me dizer essas coisas, mas uma megera sincera. Havia certa razão em suas provocações comigo. Eu nunca tinha dado uma chance de verdade ao amor.

— Tudo bem, você quer que eu dê uma chance ao amor? Pois vou dar! Com o Sam! — falei de cara fechada.

Ela gargalhou e segurou meus braços.

— Bella! Você é melhor que isso!

— Falou a garota que pegou metade da escola no ensino médio! Bela chance para o amor, hein? — zombei.

— Antes do amor, você precisa aprender a trepar e, querida, eu virei especialista! — Riu e deu de ombros. — Talento é talento, Isabella. Agora, tô falando sério. Não vá morrer amargurada por conta das suas escolhas.

Rosalie era foda! Amava dinheiro, amava sexo, amava álcool, roupas e por aí vai, porém tinha mais cabeça do que os outros pensavam. Eu sabia que ela estava certa em me perturbar com aquilo. Afinal, era para isso que as amizades serviam, não era? Cuidar de quem se gosta.

— Vou dar uma chance. Prometo — falei.

Ela sorriu e me abraçou.

***

O hotel estava bem movimentado por conta da hora do almoço. Muitas pessoas estavam como eu, com roupas de praia e pés sujos de areia.

Sam já havia enviado outra mensagem e eu estava prestes a lhe responder de forma malcriada quando Rosalie me cutucou.

— Olha ali! — ela disse abaixando os olhos, claramente querendo disfarçar o foco da sua atenção.

Estávamos no lobby do hotel, perto da entrada do restaurante. Havia um casal que estava vindo em nossa direção que me chamou a atenção. A mulher parecia extremamente nervosa e chateada e o cara parecia que iria explodir a qualquer momento.

Não dava para ouvir o que diziam, por conta de todo o barulho, mas, a cada vez que a moça dizia algo, o rapaz ficava ainda mais perturbado. Ela esperneava e mostrava algo para ele no celular, parecia uma foto. Será que havia pego uma traição?

Não me segurei e continuei olhando a cena. Me senti uma perfeita fofoqueira!

O cara estava ficando vermelho e a mulher agora parecia mais calma. Ela tentou abraçá-lo, mas ele se afastou e falou algo que a fez paralisar.

Os dois ficaram se olhando em desafio e rapidamente a mulher arrancou a aliança que tinha em seu dedo e jogou bem no rosto do seu parceiro. Bem... ex-parceiro, pelo visto.

A mulher era extremamente ruiva, de cabelos curtos e pele clara. Ela tinha olhos escuros e uma expressão realmente satisfeita em seu rosto, agora. Não demorou para que ela passasse bem ao meu lado, bufando.

Não me mexi, o cara parecia estar um tanto quanto arrasado! Dava certa pena.

Como se sentisse meus olhos focados em seu rosto, o homem levantou o olhar.

Jesus, Maria, José! Que gostoso!

Seu cabelo era loiro, porém não de forma intensa, havia uma mistura ali, principalmente perto da raiz, um castanho quase dourado. O corte era moderno, nada muito alto, mas longe do estilo militar. Estava desarrumado e logo entendi o porquê: ele passava as mãos entre os fios de forma um tanto nervosa, puxando um pouco.

Seu olhar ainda estava preso ao meu e não consegui entender porque eu me sentia tão conectada. Por mais que seus olhos estivessem tristes, a beleza era indiscutível. Um verde claro e chamativo. Intenso, bem intenso, como se coubesse toda uma galáxia de pensamentos e sentimentos bem ali.

Seus lábios se contraíram em desgosto, eram avermelhados e um tanto cheios. Pareciam macios, mas não havia como saber de fato.

Dei um passo em sua direção para logo sentir Rosalie me segurando. O que eu estava fazendo, afinal?

Eu poderia só me aproximar, só um pouquinho...

O homem desviou o olhar do meu por um segundo e apertou os dedos um no outro.

Por que estávamos parados igual dois idiotas em transe?

Respirei fundo e desviei meu olhar, forcei-me a continuar a andar e Rosalie riu ao meu lado.

— Notei uma certa admiração, amiga?

Abaixei a cabeça e não olhei mais na direção do homem. Não queria envergonhá-lo quando, claramente, ele havia tomado um pé na bunda.

— Uma grande admiração — murmurei. — Caralho, Rosalie, você viu aqueles olhos?

Ela riu ainda mais e acompanhou meus passos rápidos até o elevador.

—Eu vi. — Deu de ombros. — Vai ver são lentes.

Não, não eram. Nenhuma lente poderia passar o universo de sentimentos que aquele cara tinha estampado em suas íris esverdeadas.

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Notas finais
História completa na AMAZON e em versão original. ♥ Amei escrever essa One, há anos não me desafiava a escrever comédia! Muito obrigada as minhas betas maravilhosas que me acompanharam sem descanso! Luna e Camila: Vocês são sensacionais! Obrigada a vocês que estão sempre comigo, seja aqui no Nyah! No wattpad ou em meu site. A Paulinha Halle, pois esta One foi escrita primeiramente por conta de um convite que ela fez para postar em seu grupo do facebook. E não deixem de dar uma passadinha no meu site, lá tem todas as informações sobre futuras fanfics/originais e também do meu livro físico, "Os paradigmas de Amy" que saiu em março desse ano pela editora pandorga! *Link no meu perfil* Alexia Road.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!