Dia de Piscina 1 - CIP
1 Capítulo Único - Dia de Piscina (Parte 1)
Maria Joaquina estava fazendo uma festa na piscina para comemorar o inicio das férias e todos os seus companheiros de classe marcaram presença já que a casa dos Medsen sempre tinha muita comida boa e uma piscina era bem tentadora no calorão que fazia naquele dia. E por incrível que pudesse parecer, a turma estava se divertindo sem causar grandes problemas.
Entretanto, como se tratava justamente dessa galera, alguma confusão tinha que ter. E esta se passava na cabeça de Carmen por culpa de Valéria.
Já fazia meses que estava tentando disfarçar que sentia um pouco mais que amizade por ela, e no começo até que estava se saindo bem, mas agora sua amiga parecia agir de forma diferente, como se tivesse percebido e fizesse questão de lhe provocar o tempo todo só pelo prazer de brincar com seus sentimentos.
E para piorar tudo ainda mais, naquela tarde Valéria usava apenas um biquíni e de vez em quando saia da água, com a umidade fazendo com que seu corpo parecesse reluzir a luz do sol, e sorria se insinuando para ela que continuava sentada em uma espreguiçadeira, tentando sem sucesso manter sua mente em ordem.
Depois de se forçar ao extremo a aguentar essa maravilhosa tortura, Carmen precisava muito sair dali para conseguir respirar um pouco, então se levantou o mais rápido que poderia levantar sem chamar atenção e foi até a porta de vidro que dava para a cozinha, entrou e se apoiou na pia com as mãos, inspirando profundamente e expirando devagar.
O sentimento de alívio veio aos poucos, mas só para se esvair em um instante quando o motivo de seu conflito interno surgiu sem estar sequer enrolada em uma toalha.
— Ei, tá tudo bem? — Valéria se aproximou com um olhar preocupado e tentou passar os dedos pelo cabelo de Carmen, sendo impedida pela mão dela segurando seu pulso.
— Por favor, não. — pediu séria antes de soltar a mão da colega de classe.
— O que foi? — questionou, se afastando um passo por se sentir intimidada.
— Eu pensei que fossemos amigas, Val. — respondeu em tom de acusação, suspirando como se estivesse cansada.
— Nós somos. Por que está falando assim?
— Não se faça de idiota. Ser cínica só vai piorar as coisas. — lágrimas começaram a se formar nos olhos de Carmen. — Uma amiga de verdade não brincaria com os sentimentos da amiga como você anda fazendo comigo. Sei que é de propósito, seria impossível não ser. Me diz, é divertido pra você ficar vendo o quanto me afeta?
— Eu te afeto? — murmurou sorrindo de lado.
— Para. Só para, por favor. — Carmen virou de costas e enxugou os olhos para não se deixar cair no choro.
— Eu gosto de você. E já... Tem um tempo. — a confissão de Valéria veio quase em um sussurro, mas ainda assim dava para ouvir perfeitamente.
— O que? — replicou de olhos arregalados.
— Eu disse que...
— Sério, se for mentira, não termine.
— Eu gosto de você, Carmen. — Valéria a olhou com toda a sinceridade que poderia expressar. — E, sim, eu te provoco de propósito porque achei que você tinha me dado alguns pequenos sinais de que era recíproco, mas eu queria ter certeza de que não era coisa da minha cabeça antes de dar o próximo passo, só que você é tão sutil que eu nunca estive 100% certa sobre isso, entende? Eu não podia arriscar nossa amizade por um romance que talvez a gente nem fosse ter. Te perder seria doloroso demais.
— Primeiro que é ridículo você ter considerado essa possibilidade. — Carmen sorriu de seu jeito doce de sempre, aliviando o peso no coração da amiga. — Val, eu nunca abandonaria uma amiga, te ajudaria a passar por isso se fosse preciso. Mas não é. Porque sinto o mesmo.
— Jura? — o sorriso que Valéria deu mal cabia no rosto.
— Juro.
— Posso te beijar então?
Carmen baixou a cabeça e soltou uma risadinha. — Posso te dar uma dica, Val?
— Sim, claro.
— Beijos roubados costumam ser bem melhores que beijos pedidos.
— Mas isso não seria desrespei...
Antes que Valéria tivesse chance de terminar a linha de pensamento, seus lábios foram cobertos pelos de Carmen em um beijo tão intenso que tirava seu fôlego e fazia as borboletas em seu estômago entrar em frenesi.
— Então? Teoria confirmada? — Carmen sorriu com o estado de torpor que deixou Valéria.
— Muito. — sussurrou ainda tentando recuperar o ar.
— Acha que estamos aqui há muito tempo?
— Não faço ideia. Só acho que a gente deveria sair porque conhecendo a nossa turma, eles vão zoar a gente pelo resto da vida se desconfiarem. — Valéria respondeu rindo, ainda um pouco ofegante.
— Bom, não seria uma mentira. — Carmen acompanhou a risada.
— Eu sei, mas pelo menos durante as férias, vamos manter isso só pra gente pra poder curtir os momentos. — sugeriu, sem parecer envergonhada por ter se apaixonado por outra garota. — Depois deixamos eles zoarem o quanto quiserem. Afinal, não importa o que digam, eu tenho muita sorte.
— Nós temos muita sorte. — Carmen respondeu, beijou-a mais uma vez e só então concordando. — Vou primeiro, depois você vai.
— Tá bom. Aproveito esse tempinho extra pra tentar apagar esse sorrisinho bobo da minha cara.
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