Dia de Neve
1 Capítulo 1
Um menino de 5 anos, vestindo trapos se ajoelhou em frente a uma árvore e rezou: senhor meu deus, estou com tando frio… poderia me aquecer? 10 minutos depois o garoto se deitou e adormeceu. Quanto acordou sentiu-se quente. Abriu os olhos e viu que em seu corpo estava um cobertor. Sorridente pela sua reza ter gerado frutos o menino novamente se ajoelhou e rezou: meu deus, estou morrendo de fome. Não teria nada que pode saciar essa minha fome?
— É… com licença, mas com quem você está falando? — perguntou uma menina com a voz a fraquejar.
O menino se levantou com a coberta ao redor de seu corpo e responteu com empolgação: — com deus!
— com deus?
— sim! Eu estava pedindo a ele uma refeição. Já como ele me deu essa coberta para me aquecer eu queria que ele me desse algo para comer.
— mas… não foi deus… fui eu.
— você? Mas por que?
— bom…, eu vi você aqui dormindo aqui no chão e achei que não era certo deixar você congelar de frio. Então eu fui em cassa e peguei uma coberta.
O menino com um olhar desapontado sentou no chão e ficou encarando a neve branca.
— eu pensei que finalmente iria saciar essa minha fome… — falou o menino, fazendo a menina sentir uma pontada no coração.
— é… quer ir comigo no restaurante que fica ali na esquina? — perguntou nervosa.
— mesmo? — exclamou o menino sorrindo calorosamente.
O menino se levantou e abraçou com força esmagadora a menina que deve que controlar sua respiração para desmaiar de vergonha, amor e carinho. Esses sentimentos não eram constantes em sua vida.
— muito obrigado mesmo. — falou o menino pela centésima vez. Já tinham almoçado na lanchonete e agora caminhavam pela vila conversando.
Eles deram uma pausa em sua caminhada e se sentaram numa praça vazia.
— depois do almoço, você tinha mais alguma coisa para pedir a deus? — perguntou a menina para quebrar o silêncio que a estava deixando nervosa.
— Tinha — falou — mas acho que esse era um desejo impossível de ser realizado.
— qual seria?
— eu ia pedir um amigo.
— é… posso ser sua amiga?
O menino a olhou incrédulo.
— Quer ser minha amiga?
— “Um dia mais que amiga, espero” — pensou ela.
— Sim.
— mas você nem me conhece.
—“conheço mais do que você imagina. Você é alguém que, diferente de mim, consegue mostrar um sorriso mesmo sentindo tanta dor e solidão.” — pensou ela.
— verdade… por isso desejo te conhecer. Mas se você não quiser ser meu amigo, eu vou intender. — falou ela com decepção e angustia na voz. — ninguém gosta muito de mim mesmo…
Ela não pode dizer mais nada. O menino a abraçou como nunca havia abraçado alguém em sua vida. Por um momento todo o frio do inverno sumiu e só ficou no ar o calor daquele abraço. Olhando-a nos olhos, ele pronunciou animado: seremos amigos para sempre.
Ambos estavam a se proteger da neve usando o calor um do outro. O calor inabalável da amizade.
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