Dia de Limpeza - One-shot - Concurso
1 Capitulo único
Notas iniciais
- Sabe, ruivinha... Eu acho que nunca a vi com os cabelos soltos... – disse o moreno, limpando a estante que Lothos o encarregara, junto de Elesis, a organizar.
- Claro que já, idiota. – ambos sentavam-se no chão, passando um pano levemente úmido no lençol de poeira, na prateleira inferior.
- Não, acho que não...
- Você não se lembra? Teve aquela vez que você...
“Havia chamado um faxineiro para varrer a casa no seu lugar. O moreno, então, sem nada para fazer, decidiu irritar a ruivinha, uma escolha muito não original para o mesmo. Mas o que podia fazer? Era a melhor parte do dia. Sorriu de lado.
A ruiva, no dia da limpeza, estava encarregada de limpar a piscina. Tarefa mais chata do que aparentava realmente.
- Iai, ruivinha...
- Ah não! Você já está aqui para tirar minha paz?
- Calma, calma – ele ergueu as mãos em sinal de paz – Eita ruivinha, você está mais esquentada que o normal hoje?
- Droga! – gritou a ruiva, quando deixou a esponja escapar de suas mãos. Ela virou para Sieghart. – Eu não sou esquentada, ok? Sua estátua de museu...
- Ah, é sim...
- Não sou.
- É sim.
- Não sou!
- É sim.
Sieghart pulou para dentro da piscina vazia, onde Elesis estava. Pouco a pouco aproximando-se da mesma.
- Não sou! Seu imbecil de meia tigela – ela juntou a esponja no chão e jogou-a no moreno, mas o mesmo apenas esquivou-se.
Elesis andou para o meio da piscina. Não queria Sieghart perto de si e o motivo era bem óbvio.
Ele mexia com seus sentimentos.
O garoto continuou a aproximação.
- Você sabe que é... – ele a olhou de tal forma, que, sem saber como, a ruiva sabia que Sieghart havia mudado de assusto completamente.
- Não! Eu não sou apaixonada por você! – ela recuou, mas Sieghart já estava perto demais. O bastante para tocá-la.
- Sim, você é. – sussurrou o imortal, na testa da ruiva. Suas bochechas ficaram vermelhas enquanto Sieghart levou a mão até as franjas ruivas, tirando-as do caminho e lentamente beijando sua testa.
A menor contraiu os olhos, envergonhada, fazendo o moreno sorrir em sua pele, antes da menina recuar levemente.
- Eu sou apaixonado por você, ruivinha.”
O garoto jogou o corpo para trás, sorrindo. Admirando o rosto da ruiva mudar violentamente de cor, pela lembrança.
- Ta. Quero saber aonde você ficou com os cabelos soltos nesse dia. – ele apoiou o corpo nas mãos, inclinando-se para trás.
- É... Acho q-que me enganei – a menina fitava o chão nervosamente, sem jeito.
Sieghart percebeu a radical mudança de atitude de sua ruivinha. Seria por causa de sua declaração passada?
Logo lembrou-se que já fazia muito tempo que não se declarava para a garota que tinha a posse completa de seu coração.
Seu rosto ficou sério. Ele inclinou-se novamente para frente.
- Elesis... – a ruiva arregalou os olhos por ouvir seu nome sair na voz do imortal. Ela já estava tão acostumada com seu apelido que sentiu algo estranho ao ouvir seu nome verdadeiro. – Eu te a...
- MA-MA-MALDITO!!! – Elesis pulou em cima de Sieghart, sentando em seu abdômen perfeito e tampando sua boca sedutora. O rosto da garota se confundia com o cabelo de tão avermelhado que estava – Não diga isso tão normalmente!
- Mas é a verdade. – falou ele na palma da ruiva.
Elesis olhou para o lado, envergonhada. Porque ela sentia algo tão quente e bom em seu peito? Balançou a cabeça, confusa.
Sieghart notou a posição que estavam e lembrou-se. No mesmo instante, de uma coisa parecida que acontecera há muito tempo atrás. Em um dos primeiros dias da Grand Chase. No primeiro dia de limpeza.
- Ruivinha... – ela o olhou – Você se lembra de quando...
“Lothos havia distribuído os membros da base em duplas. Apresentou para todos o dia de limpeza, onde todos eram obrigados a ajudar a fazer uma limpeza geral na casa.
A Grand Chase ainda não estava totalmente unida, já que não se conheciam completamente, mas já eram todos amigos... Com exceção de um casal...
- Olhe criança, pinte para seu lado que eu pintarei para o meu, ok? – esbravejou Sieghart, cansado.
- Não, seu maldito! – respondeu a ruiva – Como é que você quer a metade do quarto de roxo e a outra de amarelo, inteligência?
Ambos pintavam suas paredes opostas distraidamente, sem olhar para a do outro, mas, quando Elesis viu o que seu odiado adversário fizera, que para ela foi considerado um erro fatal, explodiu.
- Estranho meu gosto, não? – falou ele, sarcasticamente, mas irritado.
Havia acontecido algo muito estressante para ele naquele dia. Caseaje havia ganhado-o. Isso feriu seu orgulho friamente, mesmo ela tendo trapaceado. Em 600 anos isso nunca havia acontecido. A derrota.
- Vá se catar! Você não vê que isso é ridículo? – disse a garota.
- Essa briga é ridícula!
- Não! Você é ridículo! Não sabe nem ganhar de uma velhota mágica qualquer!
- Ora sua... – vociferou ele.
Com passos rápidos e sombrios ele aproximou-se. Elesis estava disposta a não se mover dali, mas o moreno não fez menção de parar quando estava bem perto. Sentindo que se não o fizesse seria atropelada, ela recuou rapidamente, andando de costas, na cola do moreno, até sua parede recém-pintada de amarelo chocar-se fortemente contra seu corpo.
O imortal socou brutalmente a parede ao lado da ruiva, ela estremeceu secretamente. O som do baque formara um eco repetitivo naquele lugar assustadoramente vazio, com exceção de latas de tintas e dois corpos.
- Não... se meta... onde você... não é... chamada... – murmurou vagarosamente, entre dentes, o moreno.
Elesis sentiu a brutal, mas estranhamente confortável, respiração quente do rapaz. O imortal estava a provocantes centímetros de distância do rosto da menos.
Ele abaixou a mão, esfregando-a verticalmente pela parede. A menina percebeu o estrago que ele havia feito propositalmente em sua pintura. Ele dera as costas para ela.
- Como se eu fosse tão idiota ao ponto de obedecer um Zé ninguém que se acha uma lenda – falou ela, pegando do chão seu balde de tinta amarela, lançando-a em Sieghart.
As costas do mesmo ficaram em amarelo puro e, o que não havia o acertado, tinha manchado sua parede.
- Você não fez isso... Não! Você não fez isso!
- É. Eu acho que fiz... Ops... – ela sorriu.
Sieghart virou ferozmente, encarando-a no olhar. A menina tinha que admitir... Isso a deixou um pouco... intimidada.
O garoto pegou seu balde de tinta roxa e jogou em Elesis, que mesmo tentando desviar, fora atingida.
- Maldito! – xingou alto.
- Essa não! – atuou ele – Eu não queria fazer isso... Desculpe. – ele pôs teatralmente a mão na boca, “arrependido”. Logo depois começou a rir loucamente.
A ruiva juntou furiosamente as sobrancelhas, pegando outro balde. Correu violentamente para jogar a tinta bem na cabeça do moreno, mas, o chão, escorregadio de tanta tinta, a fez escorregar à frente de Sieghart. A tinta voou das mãos da mesma.
O garoto tentou se esquivar, saindo de perto, mas escorregou igualmente para trás, caindo de costas. A ruiva caiu em cima dele, junto com a tinta, logo em seguida. O balde, último a se manifestar, tombou com a cabeça da menina, fazendo Sieghart rir.
- Muito inteligente de sua parte... – ele pôs os braços atrás da cabeça, encarando a ruiva, sorridente. Seu rosto ridiculamente bonito a irritava.
- Você é um... – quando Elesis abriu a boca, xingamentos saíram sem descanso por lá. O rapaz apenas arregalava os olhos e arqueava a sobrancelha, sem tirar o sorriso do rosto.
A ruiva não ia parar tão cedo, e ele sabia disso. Somente com o mínimo movimente girou-a para o lado, tomando posse do topo. Elesis arregalou os olhos quando Sieghart prendeu os braços da mesma e falou, próximo ao seu ouvido.
- E você é uma ruivinha esquentada, cujo palavreado está bem sujo para meu gosto. – riu-se ele.”
- Porque lembrou disse agora? – perguntou, sem entender, a ruiva, cujos olhos começavam a transmitir desconfiança.
- Não sei. – o imortal deu de ombros.
- Você não está pensando em...
Antes da justiceira terminar, o garoto trocou suas posições, segurando os pulsos da jovem a cima da cabeça.
- Idiota. – disse ela, juntando as sobrancelhas. O rosado das bochechas era pouco comparado com antes, mas ainda sim forte.
- Sabe ruivinha, desde todos esses anos eu sempre deixei bem claro o meu verdadeiro sentimento por você... – ela olhava para todos os lados, menos para ele. – Gostaria muito que você me informasse o que sentes por mim. – seu sorriso ficou maior – ou pelo menos admitisse...
- Ora seu... – a menina tentou esconder a vergonha por trás de um rosto zangado, mas o tom de vermelho em seu rosto não enganava ninguém – Eu já disse várias vezes o que sinto por você.
- Que você me odeia? – bufou o imortal – Nem Lothos acredita nessa.
- Não, seu idiota! Naquele dia que...
“Era aniversário do imortal. Uma fila de pessoas estava organizada na frente do garoto para entregar pessoalmente o presente. Era a vez de Amy, que tagarelava sem parar.
- ... E quando você for usar na praia, um calção preto, escute bem: preeeeeto, servirá muito bem. No shopping é sempre bom...
- Amy, todos já entenderam. – sorriu Lothos tirando finalmente Amy de lá.
- Escute, Sieghart, eu te aconselho sempre o preto que combina mais co...
- Tudo bem, Amy... – Lothos botou mais força para Amy sair.
- Obrigado criança. – Sieghart riu quando Amy tentou sair do puxão de Lothos, para continuar com sua explicação, inacabada, de moda.
O olhar de Sieghart se iluminou ao ver o próximo rosto da fila.
- Minha ruivinha! – sorriu ele.
- O que você quer dizer com “minha”, idiota? – ela juntou as sobrancelhas.
- Depende... O que você quer interpretar? – Sieghart sorriu ironicamente.
- Ora... Esqueça. – ela jogou um pequeno presente no colo de Sieghart, virando-se – Ah, e sobre o cartão... foi o último da loja. – Elesis saiu em disparada, sem esperar qualquer manifestação do moreno.
Ele abriu rapidamente, curioso, o presente. Uma barra de chocolate se encontrava no local, fazendo-o sorrir de lado. Pegou, então, um bilhete escrito à mão: “Para o garoto que deixa minha vida menos doce”. Leu em voz alta o moreno, fazendo todos rirem, inclusive o próprio, mas parou na parte digitada em computador. Seus olhos se arregalaram e sua expressão ficou séria.
“Eu te amo.”
Leu mentalmente, mas logo se lembrou das ultimas palavras da ruiva antes dela sair correndo de perto dele.
- Devo considerar isso uma declaração, ruivinha...? – murmurou ele, em baixo som. Somente para si mesmo.”
- Aquilo foi uma declaração? – perguntou ele incredulamente – Você só pode estar brincando comigo! Aquilo era uma declaração? – ele encarou-a, perplexo.
- Você é retardado ou algo do gênero? – ela murmurou em um biquinho – Mas é claro que era.
Sieghart enterrou o rosto no ombro da ruiva, mal acreditando em si mesmo.
- Eu passei esse tempo todo achando que sofria de amor platônico por você e que, com muita sorte, todos meus esforços dariam em alguma coisa...
- O que? Pensei que você soubesse. Sempre dizia...
- Eu estava blefando – interrompeu-a, encarando seus olhos e sorrindo delicadamente – Gostaria de enganar-me e me fazer pensar que você sentia algo a mais por mim...
A ruiva não conseguia encarar o imortal. Ela tinha implicitamente se declarado para o mesmo. Tanto antes quanto agora. Mesmo que não tivesse exatamente dito as palavras, ela havia se declarado.
O moreno aproximou-se, quase em contato com a boca rubra da ruivinha.
- Quero ouvir de seus lábios – ele murmurou, deixando a ruiva tão avermelhada quanto seus olhos arregalados – O que você sente por mim, ruivinha?
A menina hesitou, olhando para os lados.
- E-Eu... E-Eu acho q-que – o imortal esperou pacientemente – Eu... Eu... E-Eu... – ele se aproximou novamente, deixando um espaço perigosamente mínimo entre os dois, um pouco ansioso demais – Eu a... Eu a... Eu a-amo... – ela respirou fundo e encarando-o nos olhos, determinada – Eu amo você, Sieghart.
O imortal sorriu, tão feliz que poderia morrer ali mesmo.
- Eu também te amo, Elesis. – falou as palavras que sempre havia desejado falar. “ Eu também te amo, Elesis.”
Ele selou seus lábios formando um beijo apaixonadamente desejado há muito tempo por ambos.
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